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Agrônomo, com interesses em música e política

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Meninices

 De Vólia Barreira 



MENINICES


A chuva me pegou na rua

E, sem precaução,

Pensei em correr para o abrigo

Até que algo me reteve

E eu pude merecer, então

Aquela lembrança vivaz d’antanho

De chapinhar nas poças d’água

Me sentindo leve e nua.

Com pingos intensos a me escorrer

Soltei a mão da criança

Que insisto em esconder

E a vi sair, em passos céleres,

A correr.

Rindo-me daquela estultice

Lembrei de alguém a dizer

Das pitadas de alegria

Necessárias pra manter a meninice.

Corri pra casa, então

Decidida a guardar com avareza

Na caixinha dos sorrisos

Aquele quinhão

Para usar aos pouquinhos

Na medida da precisão

Nos dias de adulta tristeza.


Vólia Barreira

Meu pai, eu tomei vacina - SIMAS


MEU PAI, EU TOMEI VACINA!


Eu rezo pr'as almas santas

E canto pra pombagira

Amo Seu Sete da Lira

E acredito na ciência

Mas não respeito excelência

Que em arte não traduz

Aquilo que lhe ilumina

Por isso, digo na rima:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


Não sou um Napoleão

E nem o czar da Russia

Não tenho nem a astúcia

Do verso de Zé Limeira

Mas ergo minha bandeira

De louvor aos vagabundos

Num mundo que me seduz

Como um samba na esquina:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


Aquele que nos quer morto

Pactuado com o demo

Nunca viu flor no sereno

Nem sabe de Pixinguinha

Mas eu, um galo de rinha

Para Ogum catulado

Saúdo o Arlindo Cruz

E abro uma cangebrina:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


De criança, bem mirrado,

Tinha medo de injeção

E era tamanha a tensão

Que amuado eu fugia

Mas tamanha bizarria

Não me livrava da agulha

E como a rádio patrulha

Sem mesmo um "ai, Jesus"

Me pegava a medicina:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


Como Garrincha à sorrelfa

Driblando o marcador

Falo de dona Mulambo

E de Nabucodonosor

Diante do horror não tombo

E mando à merda o mercado

Aquilo que me conduz

É o que o mercado abomina:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


E por aqui me retiro

Transgredindo na alegria

Contra quem prefere tiro

E baba qual cão raivoso

Eu sou do Bode Cheiroso, 

Do Madrid, da Folha Seca

A tarefa que me impus

É fazer do encanto sina:

Vamos defender o SUS

Meu pai, eu tomei vacina!


(l.a.simas)