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domingo, 29 de abril de 2012

Retratos do Vento


Oscar e Ivan Timbó
Os artistas se apresentam no projeto Retratos do Vento, dia 05 de maio, a partir das 18h30. As apresentações, com entrada franca, serão no Anfiteatro Flávio Ponte, na Volta da Jurema, calçadão da Avenida Beiramar.


A dupla de músicos, que compõem o Coletivo TEMBIÚ - Alimento de Alma. Juntos, trilham o estreito caminho da música autoral no Ceará. Com estilos próprios, cada um tem sua carreira independente e escolheram se acompanhar, em cada um dos dois trabalhos, para aproveitar a sintonia que desenvolveram como artistas.

O guitarrista, cantor e compositor Oscar vem se destacando na cena do rock alternativo autoral do Ceará tanto pela qualidade de seu trabalho musical como por sua atitude de colaboração com outras bandas e artistas independentes. Lançou com distribuição nacional o EP Uni Verso (em 2010), que se materializou com apresentações no Ceará (Livraria Cultura, Manifesta I e II, Mostra SESC Cariri de Culturas, Feira da Música, Mostra Petrúcio Maia) e em São Paulo (Livraria da Esquina, Espaço Cultural Alberico Rodrigues e Casa Fora do Eixo). Essa etapa marcou o início de seu projeto solo (uni). Até então dedicado a projetos coletivos e instrumentais, Oscar passa a apresentar ao público suas composições em forma de canções (verso).
Atualmente, Oscar está empenhado na finalização de seu primeiro álbum, a se chamar “Revolução”, com 12 faixas inéditas e previsão de lançamento para julho de 2012. Há alguns meses, vem antecipando suas novas composições nos shows que tem feito. Duas faixas lançadas como singles em 2010, e que estarão no álbum, foram finalistas do Festival da Rádio Universitária (faixa “Vim de Lá”) e Festival Cariri da Canção (faixa “Revolução”), com excelente acolhida do público.

Ivan Timbó é instrumentista, compositor e produtor musical. Participou e participa ativamente de diversos grupos do cenário musical local, tendo realizado também circulações regionais e nacionais. Dentre as várias bandas que trabalhou, sempre se destacou como compositor, diretor musical e multi-instrumentista, extraindo sonoridades variadas de seu piano elétrico, samplers, sintetizadores, gravador de 4 canais e bateria eletrônica.

Ivan Timbó traz um repertório baseado em seu disco “Voltas”, em que cria ambiências sonoras a partir de temas instrumentais influenciados pela NuJazz, estilo de jazz que, a partir de improvisações, funde a música eletrônica com diferentes estilos musicais como o soul, funk e dub. Uma das marcas de sua sonoridade é o uso de loops, fragmentos de sons que, quando executados são gravados pelo próprio músico na hora, reproduzidos e manipulados em tempo real, o que soa como camada de sons que se somam ao som originalmente produzido: uma das facetas da música eletroacústica.

Serviço:
Dia 05 de maio (sábado), a partir das 19h no Anfiteatro Flávio Ponte (Volta da Jurema)
Grátis

http://www.tembiu.pro.br/oktiva.net/1209/nota/161978

Convivência com o semiárido

Via Marcelo Pinheiro

à esquerda abril de 2011 - à direita abril de 2012

Imagens do satélite Meteosat-9, via Universidade Federal de Alagoas, mostram a situação da seca no nordeste nas áreas em vermelho.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/29/imagens-de-satelite-mostram-80-do-semiarido-nordestino-afetado-por-maior-seca-em-30-anos.htm

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A poesia de José Paulo Paes (16)

Letra Mágica


Que pode fazer você
para o elefante
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o f por g !


Mas se trocar, no rato,
o r por g
transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo:
o gato.

Dor de Amor - Roberto Ribeiro



DOR DE AMOR
(Dedé da Portela, Délcio Carvalho) 

Nunca mais
Escutei Tua voz
E nem te vi
Uma grande
Tristeza veio a mim
Fez meu samba ficar sentido
Afinal quando morre a ilusão
De um grande amor
Parece um funeral
Sem vela ou flor
De um coração tão sofrido
Eu tentei loucamente
Fazer o amor voltar
Mas notei na expressão
Do teu olhar
Uma luz que não conhecia
E assim percebi que a paixão
Chegou ao fim
Novamente a saudade veio a mim
Pra levar minha alegria
Outro samba de dor
No ar dor de amor que não voltará
Outro samba de dor
No ar dor de amor que não voltará

terça-feira, 24 de abril de 2012

A poesia de José Paulo Paes (15)



Convite


Poesia
ilustração de Luiz Maia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião


Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar 
se gastam.


As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.


Como a água do rio
que é água sempre nova


Como cada dia
que é sempre um novo dia.


Vamos  brincar de Poesia?




de Poemas para Brincar de José Paulo Paes - Editora Ática - 3ª edição - 1991

segunda-feira, 23 de abril de 2012

André Dahmer - Malvados


São só 11 caracteres - PIXINGUINHA

Via Bruno Perdigão

Foto de Walter Firmo
"Se você tem 15 volumes para falar de toda música brasileira, fique certo de que é pouco. Mas se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido. Escreva depressa: 'Pixinguinha'."

Ary Vasconcelos*


e complemento - são só 11 caracteres - pessoal do "feice" e do "tuíte". MV

(*)Ary Vasconcelos - Jornalista, crítico e musicólogo.

115 anos de Alfredo Viana (9)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que mais comove Felipe Araújo - VOU VIVENDO.

115 anos de Alfredo Viana (8)

Por Marcus Vinicius

nos 115 de Pixinguinha - a música que toca Marcus Vinicius - MUNDO MELHOR.

115 anos de Alfredo Viana (7)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que toca Lucas Barros - 1 x 0

115 anos de Alfredo Viana (6)

Por Fernando Faro - Programa Ensaio

115 ANOS DE ALFREDO VIANA (5)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que mais toca Urico Gadelha - ROSA.

115 anos de Alfredo Viana (4)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que toca  Mateus Perdigão, João Paulo Martins e Leonardo Fontenele - LAMENTOS..

115 anos de Alfredo Viana (3)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que mais toca  Vólia Barreira, Eva Caldas e Fabricio Costa - CARINHOSO




115 anos de Alfredo Viana (2)

Por Marcus Vinicius

Nos 115 anos de Pixinguinha - a música que mais toca Bruno Perdigão e Flávio Torres - INGÊNUO.

115 anos de Alfredo Viana (1)


Maureen Bisilliat/Acervo Instituto Moreira Salles


domingo, 22 de abril de 2012

O senhor das palavras

Entrevista publicada na Revista Língua, número 1, em 2005

Por Luiz Costa Pereira Júnior e Marco Antonio Araujo
Millôr foi uma vítima da ortografia. Nasceu em 16 de agosto de 1923, no Rio, como Milton Viola Fernandes. Registrada depois (seu aniversário oficial é em 27 de maio de 1924), a certidão de nascimento foi grafada de tal jeito que o t de Milton parece um l seguido por um acento, e o n, um r. Foi assim que, aos 17 anos, Milton soube que seu nome era Millôr. Talvez por revanche, construiu uma carreira de rupturas com o português padrão, com vôos de imaginação lingüística que, a rigor, formam gramática própria. "Não passo um dia sem escrever." Fez de tudo: roteirista, ilustrador, dramaturgo, compositor, ator. Não bastasse, é tradutor de Shakespeare, Pirandello, Racine e outros clássicos em cujos idiomas foi autodidata. Seu raciocínio é tão ágil que as palavras se atropelam na voz gutural e o ar maroto dá um a mais de jovialidade à silhueta magra. Na cobertura em Ipanema, sentado, olha uma jogada do brasileiro Kaká, pela TV. "O futebol é o raro reduto da glória com mérito" Como se uma coisa chamasse outra, fustiga o escritor Paulo Coelho: "Vende muito, mas é merecidamente desprezado porque faz uma merda de literatura" Ligamos rápido o gravador.

Fazer humor é levar a sério as palavras ou brincar com elas?Humor, você tem ou não tem. Pode ser do tipo mais profundo, mais popular, mas tem de ter. Você vai fazendo e, sem querer, a coisa sai engraçada. Dá para perceber quando a construção é forçada. Tenho uma capacidade muito natural de perceber bobagem e destruir a coisa. É o que hoje o pessoal da informática chama de "processar". Você coleta um monte de dados e processa rapidamente, antecipando o movimento da outra pessoa. Às vezes, para dar certo, bastam mudanças simples. Ano passado, o pessoal da televisão me pediu uma saudação para o dia dos namorados. Ia negar o pedido quando me veio o estalo: fiz dois corações bem normais e pus em cima o texto "Dia dos namorados - Eu quero que eles se fodam". A frase grosseiramente ofensiva tornou-se logo carinhosa. Há quem diga que trocadilhos, como os que o tornaram famoso, são uma forma infantil de humor. Na verdade, a frase clássica é "a forma mais baixa de humor". Quem diz isso não sabe o que diz. Um Shakespeare não existe sem trocadilho. Nem Cristo, e é só lembrar o reino que veio depois do "Pedro, tu és pedra". O cristianismo está todo fundado num trocadilho. O trocadilho foi a verdadeira graça de Deus.

Como você começou a fazer tradução?Um tio meu, Antonio Viola, era chefe da gráfica de O Jornal, e me pegou um desenho, levou lá e depois me veio com dinheiro pago por ele. Em 1938, comecei na revista O Cruzeiro. Na época, os quadros eram pobres e todo mundo fazia de tudo. Fui contínuo, armador, ilustrador. E descia até a oficina pra mexer na linotipo [antiga máquina de composição gráfica]. Uma das minhas tarefas era dar conta das tiras em quadrinhos estrangeiras. Levava o dicionário e traduzia as legendas, botava as letras nos balões e isso era uma das dez coisas que eu fazia. Para traduzir um negócio qualquer, ia de 10 a 20 vezes ao dicionário. Aprendi a fazer tradução porque me encomendaram e foi assim desde então.

Como assim?Sempre fui movido por forças exógenas, exteriores. Por minha iniciativa, fiz só uma exposição de desenhos, em 1957, no MAM, e uma peça de teatro em 1963, Flávia, Cabeça, Tronco e Membros. Todo o resto que fiz foi a pedido. O primeiro livro que traduzi foi Dragon Seed, de Pearl S. Buck, com o título A Estirpe do Dragão, em 1942. Nunca me senti tão roubado na vida, pois você traduz 300 páginas por uma mixaria. O livro era assinado por outros. Eu era um "laranja". No teatro, era diferente, a remuneração, tudo era vinculado à bilheteria. Assim, uma peça fracassa, a segunda vai melhor e de repente a terceira compensa todo o esforço.

Como foi seu aprendizado da língua? A escola ajudou ou atrapalhou?
Tive a grande sorte de trabalhar na imprensa com menos de 14 anos, em 1938. Havia deixado de estudar aos 10 [por causa da morte da mãe; o pai perdera quando tinha 1 ano de idade]. No primário, aprendi a gostar de estudar e a ler por causa de uma professora, Isabel Mendes. Nunca esqueci o dia em que ela me ensinou a ver as horas. Eu saía pelos corredores de olho nos relógios. Fiquei espantado em ver que um marcava 8 horas e o seguinte, 8h05. Foi quando percebi aquilo de mais banal na vida, a consciência de que o tempo está sempre à sua frente, faça você o que fizer. Passei dois ou três anos sem estudar. Quando eu ganhei o primeiro dinheiro, fui estudar no Liceu de Artes e Ofícios - curso de cinco a seis anos, que não cheguei a concluir porque já era "famoso" à época - com 20 anos já ganhava o maior salário da imprensa. Portanto, devo ter saído do colégio aos 18 anos. Portanto, tudo o que aprendi foi no primário. Depois de um primário sólido, você pode ser um autodidata. Foi a professora Isabel Mendes quem me ensinou a coisa mais importante em didática - a gostar de estudar.

Gostava de ler nessa época?Não tinha livros em casa. Havia umas novelas da editora Vecchi, folhetins pra cozinheiras e domésticas. Eles mandavam dois ou três exemplares em cada endereço e, se a pessoa gostasse, mandavam cobrar as edições seguintes. Eram títulos muito melodramáticos, como Córsega em Chamas, Fausta Vencida, Nunzio Romanetti, ou policiais. Quando comecei a estudar na cidade, passei a ir com mais freqüência à Biblioteca Nacional. Ficava muito irritado quando havia feriado e a biblioteca fechava, pois ficava sem ler.

Com que língua mais gosta de trabalhar?
Não aprendi línguas até hoje (risos). Gosto de trabalhar com o português, embora inglês seja a que eu mais leio. Nunca tive temor de nada. Deve-se julgar as obras pelo que elas têm de qualidade, não por serem de fulano ou beltrano. Shakespeare fez muita besteira, mas tem três ou quatro obras perfeitas, e Macbeth é uma delas. Traduzi Shakespeare por ser do caralho, mas se me dessem algo ruim para traduzir, dizendo que era um pensamento dele ou de Confúcio, perguntaria se era mesmo dele ou de um completo idiota.

Nunca sentiu dificuldade na tradução por ter sido autodidata em línguas?Ao traduzir, é preciso ter todo rigor e nenhum respeito pelo original. Você pega um Racine, que é em dodecassílabos, mas não entra nessa. No momento em que você se sujeita à rima, está perdido, porque a rima vai conduzir os seus pensamentos. Mas traduzir é sempre divertido. Uma vez fiz a tradução da peça The Sunshine Boys, do Neil Simon, a que dei o título de Os Palhaços de Ouro. Era sobre uma dupla de comediantes à antiga. Eles se odeiam depois de trabalhar juntos por décadas, mas são obrigados a conviver nos palcos. Numa cena, o mais velho dos dois bate à porta, o outro diz: "Enter!" O ator fica imóvel. "Enter! Enter!" E nada. O outro vai lá e pergunta porque ele não entrou. "Estou esperando você dizer coming!, como sempre se fez." Ora, enter e coming são expressões equivalentes em inglês, mas com aplicações diferentes. Por aqui, "entrar" já dá conta do recado. Para dar idéia do contraste que o original pedia, foi preciso dizer em bom português "penetra!"

Na sua opinião, quais as vantagens o português possui em comparação a outras línguas que você conhece?A principal vantagem é a de ser a minha língua. Ninguém fala duas línguas. Essa idéia de um espião que fala múltiplas línguas não passa de mentira. Vai lá no meio do jogo dizer "salamê mingüê, um sorvete colorê..." ou "velho guerreiro". Os modismos da língua, as coisas ocasionais, não são acessíveis a quem não é nativo. Toda pessoa tem habilidade só no seu idioma. Você pode aprender uma, dez, sei lá quantas expressões de outra língua, mas ainda existirão outras mil - como é que se vai fazer? A língua portuguesa tem suas particularidades. Como outras também. Aprendi desde cedo a ter o cuidado de não rimar ao escrever uma frase. Sobretudo em "-ão".

Quais as normas mais loucas ou mais despropositadas da língua portuguesa?
Toda pesquisa de linguagem é perigosa porque tem o caráter de induzir o sentido. Não tenho nenhum carinho especial por gramáticos. Na minha vida inteira sempre fui violento [no ataque às regras do idioma], porque a língua é a falada, a outra é apenas uma forma de você registrar a fala. Se todo mundo erra na crase é a regra da crase que está errada, como aliás está. Se você vai a Portugal, pode até encontrar uma reverberação que indica a crase. Não aqui. Aqui no Brasil a crase não existe.

Mas a fala brasileira é mutante e díspare, cada região tem sua peculiaridade. Como romper regras da língua sem cair no vale-tudo?Se não houver norma não há como transgredir. A língua tem variantes, mas temos de ensinar a escrever o padrão. Quem transgride tem nome ou peito que o faça e arque com as conseqüências. Mas insisto que a escrita é apenas o registro da língua falada. De Machado de Assis pra cá, tudo mudou. A língua alemã fez reforma ortográfica há 50 anos, correta. Aqui, na minha geração, já foram três reformas do gênero, uma mais maluca que a outra. Botaram acento em "boemia", escreveram "xeque" quando toda língua busca lembrar o árabe shaik, insistiram que o certo é "veado" quando o Brasil inteiro pronuncia "viado". Chamar viado de "veado" é coisa de viado. Quando chegaram a tais conclusões? Essas coisas são idiotas e cabe a você aceitar ou não. Veja o caso da crase. A crase, na prática, não existe no português do Brasil. Já vi tábuas de mármore com crase errada. Se todo mundo erra, a crase é quem está errada. Se vamos atribuir crase ao masculino "dar àquele", por que não fazer o mesmo com "dar àlguém"? Não podemos.

Você já escreveu certa vez um texto em "lusitol" e o traduziu para o "brasilol", mostrando o abismo de linguagem que existe entre Portugal e o Brasil. O nosso país caminha para a constituição de uma língua própria?É muito difícil fazer esse tipo de previsão. As influências hoje em dia são tão interativas, tão permutantes, que não sei se o Brasil vai formar uma língua tão diferente de Portugal, porque o inglês também está batendo à porta deles. O mundo inteiro hoje busca aproximação por meio do inglês. É um idioma que teve muita sorte - quando o império britânico começou a decair, surgiu o americano. O inglês tem inúmeras línguas, mas continua inglês. Assim também, há uma língua portuguesa com variantes, dialetos e idioletos.

Mas as diferenças não pesam?Nem sempre é fácil entender um português e há filmes portugueses que só conseguimos ver com legendas. O que acontece é que temos dificuldade de entender o português de Portugal mais pela eufonia e pela prosódia que pelos vocábulos em si mesmos. Não sei se os portugueses passam pelo mesmo problema, mas o fato é que, até os anos 30, todo ator brasileiro imitava sotaque português para ser respeitado e, hoje, nossa influência em Portugal é total. A telenovela entra lá, e não adianta o intelectual português ficar contra, porque o povo acha engraçado o jeito de a gente falar, e termina copiando. Já usam expressões como "estou a dar a volta por cima, o pá!", lá do jeito deles, com sotaque, mas usam.

O estrangeirismo empobrece a língua portuguesa?De maneira nenhuma. Antigamente, tivemos palavras como porta-seios, uma coisa muito feia, que felizmente foi substituída pelo galicismo "sutiã". Toda língua é invadida e, como mulher, fecundada. De vez em quando a nossa leva na bunda, mas nada que, lavada, não fique novinha. Houve tempo em que o galicismo era uma aberração. Não se podia escrever "amante", mas "amásia". Era assustador. Uma vez, era menino, escrevi um conto em que um cara sai pela rua gritando: "Assassinato! Assassinato!" Quiseram que eu colocasse, por respeito à língua, "assassínio", pra evitar o "galicismo"... Quem sai à rua gritando "Assassínio!" é bicha.

Os excessos, como sale, delivery ou 50% off não incomodam a você?O estrangeirismo não me incomoda. É evidente que essa coisa pouco natural de importar outra língua é muito Barra da Tijuca [bairro da elite carioca], é esse negócio de Estátua de Liberdade de gesso colocada na frente da porta. Pode haver a penetração que quiser, mas é preciso fazer as coisas que nos são naturais. O cara que use delivery com as nega dele. Eu, por exemplo, escrevo aquilo que chega até mim, naturalmente. Devo ter sido a primeira pessoa a escrever whisky na forma "uísque". E ficou. Uso "saite" no lugar de site, que já está consagrada. Os portugueses usam "sítio" e é legítimo. A língua é assim, arbitrária. Se dependesse só do meu arbítrio, aí eu faria uma moção pros órgãos oficiais. Não há porquê do Banco do Brasil usar home delivery quando poderia simplesmente fazer "entrega em domicílio". Os órgãos oficiais brasileiros não podem fazer esse tipo de coisa.

Qual o caminho para escrever bem?Escrever bem é expressar-se. Usar sujeito, verbo, predicado e, a partir daí, fazer todas as variações. Não deixo margem a dúvida quando digo "um homem de terno branco atravessava a rua num dia de domingo". Mas jamais escreveria a frase pomposa do Machado de Assis que está lá na Academia [Brasileira de Letras]. Nem improvisada foi, pois estava num poema dele. "A glória que fica eleva, honra e consola". As palavras não têm a menor hierarquia. Quando se diz "a glória que fica" já acabou a frase, já se sabe que é com a ABL, ela está se referindo às glórias literárias. "Eleva" e "honra" são dispensáveis e nem dá para saber o que uma glória consola: da tremedeira das mãos, de doença? Veja, no entanto, um escritor como Camões. Ao se dirigir ao rei Dom Sebastião, o poeta afirma que "a disciplina militar prestante / não se aprende, senhor, na fantasia, / sonhando, imaginando ou estudando, / senão vendo, tratando e pelejando". Repare que ele não diz "tratando, pelejando e vendo" - pois seria o caso de um sujeito que sai na porrada sem pensar. Quem não sabe escrever não cria esse tipo de hierarquia, pouco importa. Quando uma hierarquia não é tão precisa entre as palavras, o sujeito quebra a cara. Nenhuma palavra é gratuita. Um texto, por exemplo, não pode "condenar" algo quando na verdade seu autor pretendia dizer "evitar". Não.

É possível escrever bem sem ler muito?Não!

Mas é possível desenvolver um instinto natural para escrever bem?O instinto pode levar a escrever, mas uma pessoa simplória tende a ter um discurso simplório. Quando escrever, fará um texto simplório. Quanto mais formas de escrita você conhecer, mais habilidade terá em sua própria escrita. Sei que há quem nos desminta. Outro dia, peguei dois volumes de Rubem Braga. Um feito quando ele tinha 25 anos e outro aos 40, já embaixador no Chile. Ambos são de uma precisão, mesmo em 20 linhas. Eu, que não gosto de enfeiar com sinais gráficos o que escrevo, por vezes vejo que as coisas que faço vão ficando complexas e sou obrigado a usar travessão e intercalações para deixar tudo mais claro. Rubem Braga não faz nada disso. É de uma densidade de quem não quer nada.

Quem se expressa bem, falando, no Brasil?
Ninguém que supere o Carlos Lacerda [jornalista e político da antiga UDN, 1914- 1977]. Hoje, falam que um Pedro Simon é um grande orador e eu me escandalizo. A retórica dele é feita de gritos, de berros. Lacerda, não, trazia tudo alinhavado, com uma capacidade de argumentação impressionante. Nem locutores de TV, que lêem tudo mastigado no teleprompter [monitor de caracteres], sabem falar. Você pega o [apresentador do 'Jornal Nacional'] William Bonner, fala "errado" o tempo todo, porque enfatiza as palavras indevidamente ou enfatiza demais a frase. De todos, o [jornalista] Franklin Martins é o melhor, diz tudo de maneira correta. Veja o Carlos Nascimento. A televisão deixa o cara dar palpites, que são no mínimo conservadores, quando não reacionários - e ele nem percebe.

Dos nossos ex-presidentes e do atual - Sarney, FHC e Lula - quem se expressa melhor em português?Que parada! Fernando Henrique diz besteiras o tempo todo. Como um cara inteligente diz que o povo deveria fazer checkup e que tem o pé na cozinha? Teria o pé na África e olhe lá. Ao dizer "pé na cozinha", é pejorativo. Fernando Henrique é empolado demais da conta. Já o Lula diz bobagens do tipo "as mulheres são desaforadas". Diz também sem saber o que está dizendo. Pensa que está elogiando, sendo engraçadinho, mas não tem noção das palavras. Ocorre que ele tem pronúncia até melhor que o FHC, mesmo engolindo palavras. Já Sarney é o Lula em barroco. Escreve um romance débil mental e passa a ser considerado uma revolução nas letras nacionais.

É atribuído a você um texto que circula na internet, uma apologia ao palavrão. Terem acreditado que se tratava de um texto de sua autoria o ofendeu em que medida?É a pior coisa pegarem um texto que não é seu, que você escreveria melhor, e atribuir a você. Já escrevi muito sobre palavrão, e não para fazer gracinha. Em 1978, quando fiz a tradução de A Volta ao Lar, do Harold Pinter, O Globo veio em cima, dizendo que eu inseri palavrões para torná-la picante, comercial ou subversiva. Escrevi um artigo enorme contestando. Tudo que penso sobre o assunto está lá. Não preciso fazer gracinha com a questão. Mas internet é terra de ninguém. Não fiquei ofendido, nem fui lá reclamar. Isso me mata de tédio.

Geométricas

Por Marcus Vinicius











LOS HERMANOS - 21 DE ABRIL DE 2012 - FORTALEZA

via Sarah Luíza

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um Índio

Uma outra qualquer por aí

Por Marcus Vinicius

Cantora e compositora, Manuela Rodrigues lançou (2011) seu segundo disco, pela Garimpo Música. Excelente.
Tem participações especiais de Alvaro Lemos e Romulo Fróes.
No saite da cantora: www.manuelarodrigues.com.br dá pra baixar duas faixas, uma delas "Barraqueira", gosto muito. Em Fortaleza está a venda na Livraria Cultura.


Barraqueira (Manuela Rodrigues)



Não me peça pra ficar no meu canto e tentar evitar
Eu bem tento, mas pra sapo engolir tenho que muita água tomar
Não aturo pirraça, trapaça, mentira, traição
Me seguro um instante, no outro adiante explode um vulcão
Sem vergonha, com essa arte manha pra me golpear
Não se acanha, que trama, armadilha te apanha quando a esquina virar
Me expôs e nada propôs antes de atirar
Pelas costas sei que vai fugir quando o bicho pegar
Posso até me fazer de maluca
Posso até acionar abstração
Só que tem um hora, meu filho
Que parece embolar a questão
Eu começo ficando nervosa
Vou perdendo o controle então,
Deixo o bom senso de lado,
Ultrapasso e parto pra ação
Porque eu sou de rodar a baiana, fazer vexame
E xingar todo mundo de tudo quanto é nome
Passo mal de excesso, mas não passo fome
Eu bem que sou o tipo de mulher barraqueira que apronta
Grito, brigo, bato, passo logo da conta
Porque mágoa só fica pra quem não desconta

Fausto Nilo - mercado dos Pinhões

Fausto Nilo

Hoje no Mercado dos Pinhões, dando continuidade às comemorações do aniversário da cidade, show de Fausto Nilo, a partir de 19h.
 Acompanhado pelos músicos Cristiano Pinho, Tarcísio Sardinha, Nélio Costa e Luizinho Duarte, a show terá, além de sucessos de Fausto,  a inédita “Deusa da Tarde”, canção integrante do cd que está preparando em parceria com Dominguinhos.

SERVIÇO:

Data: 19 de abril de 2012
Horário - a partir das 19 horas
Local: Mercado dos Pinhões 
Entrada franca


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Novo CD de Wilson das Neves

Por Marcus Vinicius

Tomei conhecimento do projeto numa retuitada do @mateuspo num tuíte do @emicida. Já estou colaborando.
Veja o vídeo e participe do projeto no saite www.embolacha.com.br

O erro de Marx

 Por Pierre Bourdieu

Certos autores insistiram no fato de que o Parlamento, particularmente o Parlamento inglês, é uma invenção histórica, o que, se refletirmos bem, não tem nada de evidente: é um lugar onde as lutas entre os grupos, os grupos de interesses, as classes, se preferirmos, vão se dar segundo as regras do jogo que faz com que todos os conflitos externos a essas lutas tenham algo de semicriminoso.

A propósito dessa “parlamentarização” da vida política, Marx fazia uma analogia com o teatro: ele via no Parlamento e no parlamentarismo uma espécie de engodo coletivo no qual os cidadãos se deixam lograr; essa espécie de teatro de sombras ocultaria de fato as verdadeiras lutas que estão do lado fora.(1)

Penso que é o erro sistemático de Marx. Já disse isso cem vezes aqui, é sempre o mesmo princípio. A crítica marxista, que não é falsa, torna-se falsa quando esquece de integrar na teoria aquilo contra o qual a teoria é construída.(2)

Não haveria razão de dizer que o Parlamento é um teatro de sombras se as pessoas não acreditassem que ele é algo diferente. E ele não teria nenhum mérito de dizer isso.

Em certo sentido, Marx diminui seus próprios méritos esquecendo que aquilo contra o qual ele afirmou sua teoria sobrevive à sua teoria: o Parlamento pode ser este lugar de debates regulamentados, num sentido um pouco mistificado e mistificador, esta mistificação fazendo parte das condições de funcionamento dos regimes e, em particular, das condições de perpetuação dos regimes que chamamos democráticos.

O Parlamento é, pois, esse lugar de consenso regulado ou de dissenso dentro de certos limites, que pode excluir ao mesmo tempo objetos de dissenso e sobretudo maneiras de exprimir o dissenso. Pessoas que não têm as boas maneiras de expressar o dissenso são excluídas da vida política legítima.

Notas

1. MARX Karl. Le 18 Brumaire de Louis Bonaparte. Paris: Editions Sociales, 1976 [1852] [no Brasil, O 18 de Brumário de Luis Bonaparte, Boitempo].

2. Ver BOURDIEU, P. Choses dites [no Brasil, Coisas ditas, Brasiliense].

Este texto é parte do curso dado por Pierre Bourdieu em 12/12/1991 e que faz parte do livro Sur l´État.Tradução de Leneide Duarte-Plon.

http://revistacult.uol.com.br/home/2012/03/o-erro-de-marx/

Só o tempo - Paulinho da Viola

Por Alfredo Pessoa


Foto de Rogério Lama
Esta música, depois de Sinal Fechado, é a composição mais complexa de Paulinho da Viola. Dissonantes não faltam, poesia muito menos. O poeta, compositor, sambista, portelense e inspirador musical de muitas gerações, tá perto dos setenta mas samba como se tivesse 20. A tranquilidade, a timidez e a ternura que o acompanham desde cedo, se aguçam na civilidade de um senhor...O senhor do samba, na realidade...O senhor do tempo do samba.
Registro: A Toda Hora Rola Uma Estória (1982) - WEA.


Só o Tempo (Paulinho da Viola)

A7(b13)   D7M D7M/Db
Largo a paixão
Cm6               B7(b13)   Bm6
Nas horas em que me atrevo
A7      A/G       Bm7/F#  D/F#
E abro mão de dese------jos
G7(13)                    C#7(5b/11)
Botando meus pés no chão
F#7(b13)         Bm7M
É só eu estar feliz
G#m7(5b)        Am6
Acende uma ilusão
D/C                               Db/B
Quando percebe em meu rosto
C#7/G#                F#m7
As dores que não me fez
A7           D7M D7M/Db
Ah, meu pobre coração
Cm6                  Bm6   A7                         D7M
O amor é um segredo. E sempre chega em silêncio
Am7      D7/A        G5 G5M G6
Como a luz no amanhecer.
G7M                     G#m7(5b)
Por isso eu deixo em aberto
G7(b5)       F#7(13) C7(9) A/B                   B7(b13) Bm6
Meu saldo de sentimentos.       Sabendo que só o tempo
A7(13)   A7(b13) D7M D7M/Db
Ensina a gente a viver.           
Cm6         B7(b13)  Bm6   A7(13)   A7(b13) D/F# D/F E7(9) Eb7(9) D6(9)
Sabendo que só o tempo. Ensina a gente a viver...

SINCERAMENTE - SÉRGIO SAMPAIO

Por Marcus Vinicius

Disco raro e bem cotado na bolsa de vinis ( Tu tens Alan? ) "Sinceramente" de Sérgio Sampaio foi relançado no final de 2011. Em formato de CD e pelo selo de Zeca Baleiro, Savavá Discos, com tiragem de 10000 exemplares. O preço está na faixa. Custa cerca de 2/3 de qualquer Biscoito.
Abaixo, texto do encarte do cd, de outro Sérgio, o Natureza.


SINCERAMENTE SÉRGIO SAMPAIO


Sérgio Sampaio, sempre fértil e supertalentoso compositor, tinha, no início da década de 80, um punhado de canções inéditas por serem registradas. As gravadoras, na época, temiam o artista temperamental, firma nas suas convicções, tanto genioso quanto genial, em seus casts - ele não era mais o vendedor que eles queriam de volta com os 500 mil compactos de seu mega-secesso de estréia, "Eu quero é botar meu bloco na rua". E nunca o perdoaram poe isso!
Com o baú/balaio cheio, Sampaio não via, onde quer que fosse, a perspectiva de uma produção bancada. Casado pela segunda vez, ele recebeu da família da mulher Ângela (toda ela de fãs do artista), o impulso que faltava para gravar seu terceiro lp, agora independente, que recebeu o título de uma de suas criações, "Sinceramente". Renato Piau, o fiel escudeiro, músicos amigos, estúdios em conta e, neste time, eu incluído - como parceiro dele em uma das faixas do disco.
Sampaio entrou na empreitada com muita vontade de fazer um disco tanto relaxado, como sugeria a capa, quanto vigoroso em seu conteúdo estético e nas suas interpretações - seria, afinal, a prova cabal de que os "gerentes, assistentes, inteligentes" que lhe fecharam as portas estariam perdendo uma grande oportunidade de t|ê-lo, em pleno cio criativo, nos seus elencos. Saiu a bolacha, mas a mídia - salvo alguns críticos mais próximos r afeitos ao trabalho - ignorou. Naqueles tempos de fartura da indústria fonográfica, ele não era, definitivamente, o melhor prato para os gulosos negociantes nem para os "connaisseurs" da música em voga e dos arroubos canoros dos "canários" de costume.
Fechava-se aí mais um ciclo, o penúltimo, da vida artística do "quixotesco" compositor. Anos mais tarde, exilado da insústria e da família, Sérgio Sampaio foi vencido pelos moinhos do esquecimento e da doença, quando se preparava para mais uma investida fonográfica.
Mas assim como o personagem de Cervantes, o anti-herói sonhador permanece emblemático, atemporal, e a sua obra, vencendo a morte física, volta agora rediviva ao público, dando corpo, mais uma vez, a seu senho criativo.
Saravá Sérgio Sampaio!
SÉRGIO NATUREZA
rio de janeiro, janeiro de 2008

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Fortaleza - 286 anos (5)

Fortaleza - fotocross no Grande Circular, de Milena, Renata e Kelvia



Dilma empossa nova gestão do Consea na terça


A presidenta Dilma Rousseff dará posse na próxima terça-feira (17) à nova gestão do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). A antropóloga Maria Emília Pacheco será a primeira mulher a presidir o conselho.

A solenidade está prevista para as 15 horas no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença da presidenta Dilma, ministros de Estado, diversas autoridades e convidados.

Na oportunidade também serão empossados os novos conselheiros titulares e suplentes para o biênio 2012/2013.

Na última reunião plenária do Consea, realizada na semana passada, os conselheiros escolheram o nome de Maria Emília para indicação à presidenta Dilma, a quem cabe a nomeação.

Perfil – Maria Emília nasceu em Leopoldina (MG) em 1948, é formada em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social de Juiz de Fora (MG) e possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ela integra a Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Maria Emília integrou a equipe que implantou o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan) em Minas Gerais. É anistiada política desde maio de 2009. Ela é conselheira do Consea desde 2004.

Serviço
Posse da Nova Gestão do Consea
Dia: 17 de abril (terça-feira)
Horário: 15 horas
Local: Salão Oeste, Palácio do Planalto, Brasília (DF)

Informações para imprensa
Ascom/Consea
(61) 3411 3349 – 9321 0198 Fonte: Ascom/Consea

Fortaleza 286 anos (4) por Bruno Perdigão

Parabéns, Fortaleza!

Felicidades!

Que você melhore sua relação com o mar, 
que você tenha mais pessoas e menos carros nas ruas,
que sua classe média deixe de ser tão arrogante e imbecil,
que as pessoas tenham mais vontade de mudar você do que se mudar de você, 
que seu carnaval continue crescendo,
que você tenha ruas mais sombreadas, 
que você respeite mais sua história, 
que você não abandone seu centro nem seus bairros tradicionais,
que você olhe mais pras suas periferias, 
que você continue ensolarada e não se alague em qualquer chuva e 
que você tenha habitantes cada vez melhores!
Enfim, tudo de bom!

Fortaleza 286 anos (3) por Paula Nei



FORTALEZA [Paula Nei]
Ao longe, em brancas praias embalada
Pelas ondas azuis dos verdes mares,
A Fortaleza, a loura desposada
Do sol, dormita à sombra dos palmares.

Loura de sol e branca de luares,
Como uma hóstia de luz cristalizada,
Entre verbenas e jardins plantada,
Na brancura de místicos altares.

Lá, canta em cada ramo um passarinho
Há pipilos de amor em cada ninho
Na solidão dos vastos matagais.

É minha terra, a terra de Iracema,
O decantado, esplêndido poema
De alegria e beleza universais.


FRANCISCO DE PAULA NEI

Francisco de Paula Ney (Aracati, 2 de fevereiro de 1858 — Rio de Janeiro, 13 de novembro de 1897) foi um poeta, jornalista que marcou o boêmio Rio de Janeiro dabelle époque. Era amigo de Aluízio Azevedo e Olavo Bilac.

Cantoria com Giana Viscardi


Uma sexta com show do Paulinho da Viola, no aterro da Praia de Iracema. Aniversário de Fortaleza.
]
Cantoria (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)
Amar é um dom, há que saber o tom
E entoar bem certo a melodia
O povo enxerga a luz de uma voz sincera
E canta com ela em sintonia
Cantar é uma luz, um enfunar de velas
É compreender a canção como um navio
Que vai zarpando, ignorando mapas
Tocando as águas que nem harpas
Por conta do destino

Compor, saibam vocês, é mais que um desatino
Esmiuçar a dor, fio a pavio
Ofício que deságua o sofrimento
É escoar-se inteiro como um rio
E eu me ponho a compor feito um cigano
Que busca noutra luz seu próprio lume
E me pergunto quem é mais insano
Se eu, um rouxinol
Se tu, um vaga-lume

Ele é o samba

Divulgação
Por Felipe Araújo

O poeta está chegando aos 70. Mas prefere não antecipar as comemorações. “As pessoas têm falado muito sobre isso. Inclusive, já me convidaram para várias entrevistas e especiais. Eu falo: ‘Olha gente, se Deus permitir, deixa eu completar os 70 anos antes’. Festejar antes não é bom!”, explica, por telefone, aos risos. Oficialmente, o aniversário é apenas em novembro, dia 12. “Tenho evitado tocar nesse assunto. Mas, acontecendo isso, eu fazendo 70, aí vou falar à vontade”.

Até lá, Paulinho da Viola deixa a efeméride de lado e diz que prefere seguir trabalhando. Gravando – sim, há perspectiva de um novo disco em breve – e fazendo shows, como o que apresenta logo mais no Aterro da Praia de Iracema. O espetáculo foi pensado especialmente para a ocasião. Nos últimos anos, o sambista tem se apresentado num formato mais intimista, com um time de músicos mais enxuto. Resultado tanto do show acústico, que deu origem ao DVD da MTV; quanto de uma temporada que fez em São Paulo para inauguração do teatro da Fundação Álvares Penteado. O show em Fortaleza abriu uma exceção nessa rotina de perfil quase camerístico.

“É uma festa de aniversário”, justifica. Em conversa com a produção do evento, Paulinho decidiu por um show com uma sonoridade mais encorpada e com um repertório que prioriza seus grandes sucessos. Para isso, reforçou seu time de músicos: Cristóvão Bastos (piano), Mário Séve (sopros), Dininho (contrabaixo), Hércules (bateria), Celsinho Silva (percussão) e Esguleba (percussões).

Além deles, também sobem ao palco os filhos João Paulo Rabello (violão) – que substitui o avô César Farias como escudeiro de Paulinho no seis cordas - e Beatriz Faria (vocal) – destaque no elenco dos musicais Sassaricando e É com esse que eu vou, dois sucessos de público assinados pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral.

Com quase 50 anos de carreira, Paulinho da Viola prefere falar de si no coletivo, avaliando e enaltecendo o legado de sua geração para a música brasileira. Uma geração em que alguns dos principais medalhões nasceram no mesmo ano (além dele, Benjor, Caetano, Gil e Milton, por exemplo, também são de 1942) e atualizaram, se não no campo da política e da economia, pelo menos no campo da música, a utopia do escritor austríaco Stefan Zweig – falecido em fevereiro daquele mesmo 1942 - e de seu País do Futuro.

“Fico feliz que o pessoal da minha geração, principalmente através dos festivais, tenha tido essa preocupação com as mudanças que vinham ocorrendo na cultura e no País como um todo”, afirma. “No período pós-bossa nova, houve muita mudança na música. Os festivais foram muito importantes porque eles não só deram oportunidade a toda uma geração de mostrar ideias novas, como também houve uma oportunidade de uma discussão sobre aquilo que estava acontecendo no País, na cultura”.

Maior referência viva do samba – pela qualidade, pela quantidade e pela popularidade de sua obra -, o compositor não reivindica a posição de reserva moral do gênero ou qualquer outro predicado do tipo. Em resumo, não se anima com nenhum protagonismo que lhe implique responsabilidades de preservação ou de manutenção de uma suposta pureza de nossa música.

“Preservação” e “pureza”, aliás, são expressões que considera inúteis dentro da dinâmica da música popular. “Nunca houve uma forma pura (de samba). Não dá pra ficar interferindo nas coisas e dizendo como elas têm de ser”, defende. “Eu não faço meu trabalho querendo preservar nada porque isso é uma bobagem e é desnecessário. Quem toma conta das coisas somos nós, é o nosso povo. Eu passei toda minha vida ouvindo em muitos momentos: ‘Ah, esse negócio acabou. É preciso acabar com isso. Isso é negócio de velho. E não sei o que’. E por que não acabou? Porque nosso povo não deixa”.

O sambista prefere falar em paixão pela arte do que em ativismo. “Eu sempre fui ligado a escolas de samba, a blocos de Carnaval, a música instrumental, ao choro. Isso é uma coisa da minha vida. Em nenhum momento, eu quis fazer uma revolução dentro disso. E não é porque tenha assumido uma postura de defesa disso ou daquilo. Não. É uma coisa muito simples. O que eu fiz, o que tenho feito, é uma coisa por amor”. Logo mais, Paulinho divide com Fortaleza algumas célebres canções que resultaram desse seu permanente amor ao samba e à vida. E também ao tempo presente.

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SERVIÇO
286 anos de Fortaleza
O quê: show comemorativo do aniversário da cidade com Paulinho da Viola e intérpretes locais.
Quando: Hoje, a partir das 19h

Fortaleza - 286 anos (2) Suas bandeiras

Por Marcus Vinicius

Bandeira da cidade de Fortaleza

Bandeira do Fortaleza Esporte Clube

Fortaleza - 286 anos



Hino de Fortaleza
(Antonio Gondim e Gustavo Barroso)

Junto à sombra dos muros do forte
A pequena semente nasceu.
Em redor, para a glória do Norte,
A cidade sorrindo cresceu.
No esplendor da manhã cristalina,
Tens as bênções dos céus que são teus
E das ondas que o sol ilumina
As jangadas te dizem adeus.

Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar

O emplumado e virente coqueiro
Da alva luz do luar colhe a flor
A Iracema lembrando o guerreiro,
De sua alma de virgem senhor.
Canta o mar nas areias ardentes
Dos teus bravos eternas canções:
Jangadeiros, caboclos valentes,
Dos escravos partindo os grilhões.

Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar

Ao calor do teu sol ofuscante,
Os meninos se tornam viris,
A velhice se mostra pujante,
As mulheres formosas, gentis.
Nesta terra de luz e de vida
De estiagem por vezes hostil,
Pela Mãe de Jesus protegida,
Fortaleza és a Flor do Brasil.

Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar

Onde quer que teus filhos estejam,
Na pobreza ou riqueza sem par,
Com amor e saudade desejam
Ao teu seio o mais breve voltar.
Porque o verde do mar que retrata
O teu clima de eterno verão
E o luar nas areias de prata
Não se apagam no seu coração.

Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Santos cassados

Por Jean Lauand


Em 1969, Paulo VI removeu do calendário universal da Igreja muitos santos de existência não comprovada, como são Jorge, santa Filomena, Cristóvão, Bárbara, etc. No Brasil da época (ditadura militar), o caso ficou conhecido como "os santos cassados". Ante a comoção popular que a "cassação" causaria (alguns eram padroeiros nacionais; milhões de fiéis batizados com os nomes de Jorge, Filomena, etc.), o Vaticano arrumou uma de suas típicas soluções: não é, mas é, sem deixar de ser, não sendo, nenhuma e ambas...

Nos casos em que a "conveniência pastoral" o recomendasse, esses santos integrariam só calendários locais: Inglaterra ou Catalunha, por exemplo, não perderiam seu são Jorge. 
Entre nações que não poderiam prescindir do santo guerreiro estava a nação corintiana e foi graças ao Timão que Jorge permaneceu no calendário brasileiro. 

Corintiano ilustre, d. Paulo Evaristo Arns arrancou do papa esse privilégio e assim relata o diálogo em suas memórias:
"'Santo Padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil. Sobretudo ante a imensa torcida do Corinthians, o clube de futebol mais popular de São Paulo'. [Paulo VI]
Respondeu-me assim: "Não podemos prejudicar nem a Inglaterra, nem o Corinthians'." 

Se nem sempre são Jorge salva o Corinthians, naquela ocasião foi o Corinthians que salvou o são Jorge. 

Revista Língua Portuguesa, março 2012 - www.revistalingua.com.br

terça-feira, 10 de abril de 2012

Música na fita cassete - Pedrinho Rodrigues e Caco Velho


Pássara - Francis Hime e Chico Buarque

Por Alfredo Pessoa
Alfredo Pessoa

Esta belíssima peça foi gravada apenas por Hime (com Chico) e Bethânia no songbook de Hime. A primeira gravação preza pelas cordas imitando um vôo, a segunda, precisa, num arranjo de violão de Marco Pereira parecendo um vôo também, só que mais para o Vôo da Mosca (Jacob do Bandolin). Vôo de Mosca a parte, pássara é a Fêmea do Peru ou as partes pudendas das mulher (passarinha), de acordo com Aurélio Buarque de Holanda.

Pássara (Francis Hime/Chico Buarque)

(Gm/A  A7  F/A  F(b5)/A)            

(Gm/A  A7  F/A  F(b5)/A)
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te provocar
D7                     Gm7M Gm7 Bm7(b5) E7                 A4(7) A7
Sim, goza da felicida------de. Que      tu vais ter que te amargar
D7M  A/C#           C6(b5) B7 F/C              F#m7(b5)  B7
Vais perseguir a maldita.    Vais insultá-la na rua
E7M B/Eb               D6(b5) C#7 G7M             G#m7(b5)  C#7
Vais jogar pedras na lua.          Vais montar uma guarita
                           F#7M  Fm7       Bb7       Eb7M  A4(7) A7
Pra que aquela esquisita. Não se atreva a voltar
E aí, e aí, e aí
(Gm/A  A7  F/A  F(b5)/A)
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te perdoar
Sim, exala a tal liberdade. Que não podes mais tolerar
Vai manchar tuas verdades. Vai se enfiar no teu leito
Bate no teu próprio peito. Vai quebrar todas as grades
De que um homem é feito. Pra esquecer de voar
E aí, e aí, e aí
(Gm/A  A7  F/A  F(b5)/A)
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te convidar. Quase pra te convencer
Quase pra te complicar. Quase pra te confundir
Mesmo pra te enlouquecer. Mesmo pra te despertar...

As mais incomuns: Gm/A= X0533X, A7= X0202X,
F/A= X0321X, F(b5)/A= X0320X

Ainda Mais - Paulinho da Viola e Eduardo Gudin




Ainda Mais (Paulinho da Viola e Eduardo Gudin)

Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar
Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais

domingo, 8 de abril de 2012

Samuel - o melhor da imprensa independente

Por Marcus Vinicius

Encontrei na cultura o número dois na revista Samuel. "Revisteiro" que sou dou a dica, é uma boa sacada editorial.
Abaixo, Breno Altman, diretor editorial explica o conceito da revista.




O voo das borboletas

Texto e sensibilidade no artigo de Ana Mary C. Cavalcante

Por Ana Mary C. Cavalcante

Foto - Edimar Soares



Era uma vez, uma manjedoura de flandres e comidas do lixo. Um rapaz e uma moça com a idade desfigurada e o corpo em fuga. Noites, becos, drogas, aids, polícia. O sono pisoteado pelo chão ou pelo chute, irremediavelmente, duros. Uma menininha que o choro se tornava a única fala, com olhar morto e pelezinha de sapo.

Era uma vez, ao mesmo tempo (porque a história de cada um se encontra e se funde nos sentimentos), uma outra menina. De olhar adestrado e mão estendida. Havia uma mãe (até 20, 21 anos, quando morreu), alguns homens e nenhum pai. À exceção da palavra “mãe”, tudo o que a menina falava eram fomes decoradas. E não sorria – porque o vírus HIV lhe comia os dentes.

Era uma vez negação, desesperança, despedidas.

Contra tudo, uma ressurreição amanheceu para as duas crianças, enquanto pousaram na Casa de Apoio Sol Nascente (Castelão). Como na célebre narrativa de Páscoa, elas venceram a morte - maior - decretada pelos homens. A morte do amor. Ressuscitam da mais profunda solidão.

A menor, que já havia saído do cativeiro de medos e preconceitos ao vencer o vírus da aids no terceiro exame de carga viral (“O caminho das esperanças”. O POVO, 17/4/2011), foi adotada. Outro nome, inteiro – com personalidade, pai, mãe e três irmãos -, lhe batiza a vida nova.

A maior, que nunca desistiu de perguntar por que a tia “não ia buscar logo ela no abrigo” e se “o juiz já assinou pra ela vir pra casa”, retornou ao convívio da família biológica no dia 30 de março.

Pouco tempo, para grandes mudanças. Seja no Eusébio - onde a menorzinha se expande no triplex com piscina e no coração de todos -, seja na Rosalina – onde a maiorzinha se refaz criança nas brincadeiras com a prima e os vizinhos -, seja no abrigo – onde 12 meninos e meninas esperam decisões judiciais e amorosas e a vez de voar do casulo. É preciso reorganizar espaços e entendimentos, explicar saudades e escolhas. “Conversamos sobre isso com as crianças”, diz a assistente social e coordenadora da Casa de Apoio Sol Nascente, Juliana Marcolino, cotidianamente envolvida com restaurações familiares e processos de adoção.

O amor possível
Para o casal de empresários, a quarta gravidez demorou dois anos. O tempo no cadastro nacional de adoção foi maior em expectativas. Tentaram dois irmãos, mas não aconteceu a afinidade. Em 2011, a Vara da Infância e da Juventude do Fórum Clóvis Bevilácqua apresentou-lhes “uma menina de dois anos, com uma doença tratável”, reconstitui o casal.

A descrição trazia um anexo de preocupações e suspeitas. A lista de remédios contra a aids, pregada na cozinha da Casa Sol Nascente, surpreendeu o pai. A neurologista particular assustou a mãe: “A médica ficou impressionada como eu pegava uma criança de abrigo para criar. Ainda tem preconceito”.

Enquanto isso, na mínima casa da comunidade Rosalina, uma jovem tia ensaiava papel de mãe. De sexta a domingo, por um ano, visitou a sobrinha no abrigo, tentando encontrar afetos que esquecera nas obrigações da infância. “Minha mãe me deixava sozinha, com sete anos, cuidando do meu irmão bebê. Eu tinha que fazer o fogo, não tinha fogão, era carvão”, narra-se.

Acabou encontrando, na sobrinha de sete anos, uma certa irmã que existiu antes das drogas e da aids. “Eu tinha uma ligação forte com minha irmã. Foi um pouquinho dela que ficou. E saber que a menina não tem ninguém, então, resolvi ficar com ela”.

Em que pesem as adaptações, a adoção se mostra um amor possível. “Após nosso terceiro filho, sentimos que teria mais espaço... Para minha existência, ela fez um bem muito grande”, emociona-se o empresário.

“Papai”, a propósito, foi a primeira palavra que a menorzinha libertou do silêncio. Hoje uma extensão dos irmãos, ela já repousa no abraço do pai e sonha no beijo da mãe. Era uma vez, reverte o casal, “uma noite escura. A história que quero contar para ela é que ela nasceu no dia em que a conheci”.

Na Rosalina, dita-se também outro nascimento. “Quero uma história digna para ela”, firma a tia, cuidando das medicações e consultas da sobrinha. Os exames para monitorar o HIV são uma primeira página: “Ela está muito bem, as células agressivas estão menores. A expectativa é de uma pessoa normal. Ela vai viver até ficar velha!”, une-se a tia. O mais, é céu. Esta é uma versão para o voo das borboletas.

* O POVO não revela o nome das pessoas a pedido dos envolvidos.
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Onde

As crianças estavam abrigadas na Casa Sol Nascente (avenida Alberto Craveiro, 222, Castelão. Telefone: 3469.4437). A casa de apoio para órfãos ou soropositivos integra-se a outras obras assistencias do Condomínio Espiritual Uirapuru

Saiba mais

O Projeto Sol Nascente se desdobra ainda em uma casa alugada para acolhimento de 12 adultos soropositivos, sequelados e apartados pela aids. No dia 30 de janeiro de 2011, com a matéria “Uma casa para recomeçar”, O POVO iniciava a campanha “Segure a minha mão”, para a construção de um local adequado aos pacientes adultos. Com recursos do Estado, informa a coordenadora da instituição, a nova casa já desponta no Condomínio Espiritual Uirapuru e deve ser concluída até julho.


http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2012/04/07/noticiasjornalfortaleza,2816500/o-voo-das-borboletas.shtml