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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Supremo Tapetão Federal

Por Ricardo Melo

Derrotada nas eleições, a classe dominante brasileira usou o estratagema habitual: foi remexer nos compêndios do "Direito" até encontrar casuísmos capazes de preencher as ideias que lhe faltam nos palanques. Como se diz no esporte, recorreu ao tapetão.

O casuísmo da moda, o domínio do fato, caiu como uma luva. A critério de juízes, por intermédio dele é possível provar tudo, ou provar nada. O recurso é também o abrigo dos covardes. No caso do mensalão, serviu para condenar José Dirceu, embora não houvesse uma única evidência material quanto à sua participação cabal em delitos. A base da acusação: como um chefe da Casa Civil desconhecia o que estava acontecendo?

A pergunta seguinte atesta a covardia do processo: por que então não incluir Lula no rol dos acusados? Qualquer pessoa letrada percebe ser impossível um presidente da República ignorar um esquema como teria sido o mensalão.

Mas mexer com Lula, pera aí! Vai que o presidente decide mobilizar o povo. Pior ainda quando todos sabem que um outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso, assistiu à compra de votos a céu aberto para garantir a reeleição e nada lhe aconteceu. Por mais não fosse, que se mantivessem as aparências. Estabeleceu-se então que o domínio do fato vale para todos, à exceção, por exemplo, de chefes de governo e tucanos encrencados com licitações trapaceadas.

A saída foi tentar abater os petistas pelas bordas. E aí foi o espetáculo que se viu. Políticos são acusados de comprar votos que já estavam garantidos. Ora o processo tinha que ser fatiado, ora tinha que ser examinado em conjunto; situações iguais resultaram em punições diferentes, e vice-versa.

Os debates? Quantos momentos edificantes. Joaquim Barbosa, estrela da companhia, exibiu desenvoltura midiática inversamente proporcional à capacidade de lembrar datas, fixar penas coerentes e respeitar o contraditório. Paladino da Justiça, não pensou duas vezes para mandar um jornalista chafurdar no lixo e tentar desempregar a mulher do mesmo desafeto. Belo exemplo.

O que virá pela frente é uma incógnita. Para o PT, ficam algumas lições. Faça o que quiser, apareça em foto com quem quer que seja, elogie algozes do passado, do presente ou do futuro --o fato é que o partido nunca será assimilado pelo status quo enquanto tiver suas raízes identificadas com o povo. Perto dos valores dos escândalos que pululam por aí, o mensalão não passa de gorjeta e mal daria para comprar um vagão superfaturado de metrô. Mas como foi obra do PT, cadeia neles.

É a velha história: se uma empregada pega escondida uma peça de lingerie da patroa para ir a uma festa pobre, certamente será demitida, quando não encarcerada --mesmo que a tenha devolvido. Agora, se a amiga da mesma madame levar "por engano" um colar milionário após um regabofe nos Jardins, certamente será perdoada pelo esquecimento e presenteada com o mimo.

Nunca morri de admiração por militantes como José Dirceu, José Genoino e outros tantos. Ao contrário: invariavelmente tivemos posições diferentes em debates sobre os rumos da luta por transformações sociais. Penso até que muitas das dificuldades do PT resultam de decisões equivocadas por eles defendidas. Mas num país onde Paulo Maluf e Brilhante Ustra estão soltos, enquanto Dirceu e Genoino dormem na cadeia, até um cego percebe que as coisas estão fora de lugar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ela é tarja preta - Felipe Cordeiro

Felipe Cordeiro - amanhã no Festival UFC* de cultura - http://www.festivalufcdecultura.ufc.br/



*Universidade Federal do Ceará

Negócio de Familia (Assis Valente)




Negócio de Família (Assis Valente)


Quando o seu pai me encontrou
lá na praça Paris
de braço dado com você
sem saber minha intenção
se juntou com seu irmão
para me repreender

A senhora sua mãe
quando viu a confusão
convenceu a seu irmão
fez carinhos a seu pai
resolveu nossa questão

agora que já sou seu bem amado
e com sua família eu vou morar
para que seu pai não diga não
eu, você e sua mãe precisamos conversar

A respeito do seu pai
e do seu bom irmão
em sinal de gratidão
pra deixarem de arrelia
brigarão lá na Bahia
procurando Lampião

Pra senhora sua mãe
vai chegar de avião
um bonito Chevrolet
um V8 pra nós dois
e um berço pra depois
se deitar nosso bebé

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Título: NEGÓCIOS DE FAMÍLIA

Gênero: MARCHA
Autor: ASSIS VALENTE
Intérprete: BANDO DA LUA
Data de gravação: 01/12/35
Data de lançamento: jan.1936

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um favor - (Lupicínio Rodrigues)

Dá-lhe Lupiciio. Dá-lhe Jamelão.

Hino da Portela (Chico Santana)



Hino da Portela (Chico Santana)

"Portela suas cores tem
Na bandeira do Brasil
E no céu também
Avante portelense para a vitória
Não vê que o teu passado é cheio de glória

Eu sinto saudade
Desperta oh! grande mocidade
As suas cores são lindas
Seus valores não têm fim

Portela querida
És tudo na vida pra mim."

terça-feira, 12 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Abaixo, a ironia

por Antonio Prata


Domingo passado, escrevi aqui uma crônica em que satirizava o discurso mais raivoso da direita brasileira. Muita gente não entendeu: alguns se chocaram pensando que eu de fato acreditava que o problema do país era a suposta supremacia de negros, homossexuais, feministas, índios e o "poderosíssimo lobby dos antropólogos"; outros me chocaram, cumprimentando-me pela coragem (!) de apontar os verdadeiros culpados por nosso atraso. Volto ao tema para que não haja risco algum de eu estar reforçando as ideias nefastas que tentei ridicularizar.

Uma sátira é uma caricatura. Escolhemos certos traços de uma obra e produzimos outra, exagerando tais características. Narizes aparecem desproporcionalmente grandes, orelhas podem ser maiores que a cabeça, um bigode talvez chegue até o chão. É como se puséssemos uma lupa nos defeitos do original, a fim de expô-los.

Na crônica de domingo, achei que havia carregado o bastante nas tintas retrógradas para que a sátira ficasse evidente. Descrevi um quadro que, pensava eu, só poderia ser pintado por um paranoico delirante. No país bisonho do meu texto, José Maria Marin e o pastor Marco Feliciano eram de esquerda, os brancos estavam escanteados por negros, que ocupavam a direção das empresas, as mesas do Fasano e os assentos de primeira classe dos aviões. O Brasil (segundo maior exportador de soja do mundo) não era, na crônica, uma potência agrícola, por culpa das reservas indígenas. No fim, me levantava contra "as bichas" e "o crioléu". O texto não estava suficientemente descolado da realidade para que todos percebessem a impossibilidade de ser literal?

Talvez, infelizmente, não: fui menos grosseiro, violento e delirante na sátira do que muitos têm sido a sério. Poucos dias antes da crônica ser publicada, um vereador afirmou em discurso que os mendigos deveriam virar "ração pra peixe". Com esse pano de fundo, ser "apenas" racista, machista, homo e demofóbico pode não soar absurdo. Quem se chocou achou o personagem equivocado, mas plausível. Quem me cumprimentou achou minha "análise" perfeitamente coerente. Ora, só dá para concordar com o texto se você acreditar que as cotas criaram uma elite negra e oprimiram os brancos, acabando com a "meritocracia que reinava por estes costados desde a chegada de Cabral", se achar que os 20 anos de ditadura foram "20 anos de paz" e que é legítimo e bem-vindo levantar-se contra "as bichas" e "o crioléu".

Em "Hanna e Suas Irmãs", do Woody Allen, Lee, uma das irmãs, é casada com um intelectual rabugento chamado Frederick. Lá pelas tantas, o personagem assiste a um documentário sobre Auschwitz, em que o narrador indaga "como isso foi possível?". Frederick bufa e resmunga: "A pergunta não é essa! Do jeito que as pessoas são, a pergunta é: como não acontece mais vezes?". Esta semana, diante dos e-mails elogiosos que recebi, a fala me voltou algumas vezes à memória: "Como não acontece mais vezes?". Vontade é o que não falta, por aí --e, infelizmente, não estou sendo irônico.

...com um abraço do Tony

Via Rogério Lama

Foto de Rogério Lama





























Caro amigo, minhas saudações!

O acaso ainda não cansou de nos pregar peças e dessa vez foi por pouco que aquele prometido abraço não foi dado! Mas já estou acostumado com esses desencontros, a começar pelos anos em que nascemos: eu em 48 e você em 78. Você teve melhor sorte nascendo no Brasil. Viver em Aston na década de 50 e 60 era um inferno. Éramos escravizados pelas fábricas, as pessoas eram tristes e o lugar também inspirava melancolia. Quando você estranha quando digo que fui influenciado pelos Kinks e pelos Beatles, pense que meu som é a mistura desses caras com a angústia de viver num lugar tão miserável.

Mas tão logo eu comecei a tocar em bandas de colégio, fiz uma promessa de fazer um show pra você e pros seus amigos. Quando assinamos nosso primeiro contrato com a gravadora, vi que estávamos no caminho certo pra isso. Só faltava você nascer e crescer um pouco. Foram bons aqueles anos.

Em 1978, quando você nasceu, lançamos o último disco com aquela formação bacana, e em 79, quando você tinha apenas 1 ano, estávamos desgastados por excesso de trabalho, bebidas e... você sabe. Eu bem que tentei manter a banda unida, mas não havia ambiente. Pra piorar estávamos falidos. Éramos só garotos e não faltaram empresários que nos passassem a perna. Mesmo destroçado e na estaca zero não desisti da minha promessa. Nos anos que se seguiram me reuni com Dio, Ian Gillian, Ray Gillen, Tony Martin, Glen Hughes e mais um monte de gente pra manter vivo o Black Sabbath. Dessas tentativas saíram vários discos, alguns um pouco confusos e que nem eu consigo explicar muito bem. Você sempre diz que gosta deles, mas sei que diz isso por que somos amigos.

Passada essa fase difícil, em 1992 tivemos nossa primeira chance de sentarmos num bar pra tomar uma cerveja e por o assunto em dia: Dio e Geezer voltaram pra banda e agendamos 3 shows em São Paulo! Mas para o nosso azar, os concertos ocorreram no mesmo ano em que você se mudou com a família para uma cidade no nordeste aí do Brasil. Em 1994 voltamos à tocar em São Paulo, mas você só tinha 15 anos, e eu entendi que era difícil e caro fazer essa viagem daí da sua nova cidade.

Em 2009 passamos perto de novo! Reuni aquela formação de 1992 com Dio, Geezer e Vinnie, mas você já tinha juntado suas economias pra assistir o Iron Maiden numa cidade perto da sua. Ainda não era pra ser. A banda do Steve sempre foi muito profissional e o show deles foi agendado bem antes que o nosso. Foi uma pena não ter você por lá. Era a última turnê do Dio, que ainda não sabia que estava doente...

Em 2011 retomei a conversa com meus camaradas de Aston. Nós 4 ainda sonhávamos tocar juntos de novo e era um concerto desses que eu queria apresentar pra você, amigo! Infelizmente Bill destoou um pouco nos acordos e resolveu que não nos acompanharia. Seguimos então Geezer, Ozzy e eu para a gravação de um novo disco. Só que numa consulta de rotina, meu médico me diagnosticou com um câncer. Essa me acertou em cheio, camarada, e passei algumas semanas só pensando bobagens. Passado o susto, comecei o tratamento. Não poderia desistir nesse ponto! Obrigado pelas boas energias emanadas!

No meio desse turbilhão, gestamos o “13”, o primeiro álbum com Geezer e Ozzy desde aquele lançado no ano que você nasceu. Soube que você gostou do disco, fiquei orgulhoso! Também achamos que criamos uma obra e tanto. Nesse período, nosso empresário nos trouxe uma lista prévia de onde a turnê passaria. Procurei o Brasil na lista e fiquei feliz de ver 3 datas por aí! Só nos restava esperar!

Foto - Rogério Lama
Outubro chegou e algo me dizia que você estaria no Rio de Janeiro. No hotel, ali em Ipanema, tive a ideia de chamar o pessoal da produção pra dar uma volta no calçadão e ver se te encontrava! Dessa vez não daria pra tomar uma cerveja, esse tratamento me deixa meio enjoado. Saímos em direção ao Arpoador e logo apareceu um monte de gente com câmera na mão. Te procurei ali, mas não encontrei. Era você por trás de uma daquelas câmeras? Por que não me chamou? Bom, com o começo de confusão, o chato do segurança achou melhor voltarmos pro hotel.

Dia 13/10/2013. Fiz questão de convidar uma banda que você gosta pra abrir o nosso show. O Dave Mustaine continua ótimo, não? Às 20:06hs entramos e não demorei ver você ali perto do palco com expressão de bobo e de olhos inchados. Também me emocionei. Esperei até mais do que você por aquele encontro. Percebeu que selecionei suas músicas favoritas? Tocamos Into the Void, Fairies Wear Boots, Dirty Woman. Estava tudo lá. Ainda te joguei umas palhetas, mas você com cara de tonto não pegou nenhuma. Foram quase duas horas de música. Encontro realizado e assunto em dia, era hora de partir. Já não sou nenhum garoto e rotina de shows cansa. Vi lá de cima que você ficou feliz. Acenei, você retribuiu. Muito legal, valeu esperar!

Foi bom ver você, amigo. Lembranças à sua família e amigos.

Com um forte abraço do 


Tony Iommi.

Acho/Agora - com Vânia Abreu


Acho/Agora (Carlos Careca)

Acho que fiz meia música pra você
Aceita minha meia música
Desculpa o meu vexame
De fazer meia música pra você

Acho que quero ser meio de você
Metade da metade
Da super felicidade
Do meio que provoca o teu prazer...

Agora quero te fazer uma música inteira
Agora não quero mais aquela música ligeira
Agora ser mais feliz
Agora está por um triz

Agora estou te amando tronco e membros
Agora estou sentindo mais do que dizendo
Agora estou mais do céu
Agora quero ser teu

Saber do amor, saber, sabor, sabendo
Provar do teu gosto de estar vivendo
Perder pra te ganhar
Ouvir sem escutar

Agora a amizade é mais que love
Agora tua pessoa ficou mais nobre
Agora ficar aqui
Agora já, now, feliz

Um som que move
Outro comove
Agora acho que fiz uma música e meia
Pra você

Acho - Carlos Careqa


Acho (Carlos Careqa)

Acho que fiz meia música pra você
Aceita minha meia música
Desculpa o meu vexame
De fazer meia música pra você

Acho que fiz meio amor com você
Aceita meu amor ao meio
Meu sonho de sedutor
De fazer meio amor com você

Acho que quero ser meio de você
Metade da metade
Da super felicidade
Do meio que provoca o teu prazer

Acho que meio amigo seu eu vou ser
Aceita meia amizade
O resto é banalidade
Meio amigos é o que podemos ter

Müsica, amor
Música, amor
Amizade, felicidade
Amizade, felicidade
Prazer em conhecer
Prazer em conhecer
Música

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lauro Maia - 100 anos

Por Marcus Vinicius
Via Calé Alencar

Andrés González Bravo, aliás Willy Sabor, é humorista, locutor de rádio e cantor chileno. Nasceu em Santiago do Chile em 15 de setembro de 1969. A música "Y yo vi um leon" é uma versão de Eu vi um leão de Lauro Maia.




Eu Vi Um Leão
(Lauro Maia)

Hoje, eu vi um leão
Leão, leão
E não era um leão
Não era um leão

E o que era então?

Não digo, não!
Não digo, não!
Não digo, não!

Que bicho, que bicho
Que bicho era então?

Tinha corpo de leão,
Tinha cara,
Cara de leão,
Tinha boca,
Boca de leão,
Tinha dente,
Dente de leão,
Tinha pata,
Pata de leão,
Tinha unha,
Unha de leão,
Tinha cheiro,
Cheiro de leão,
Tinha ronco,
Ronco de leão.

Então era um leão
Não era, não!

E o que era então?
Não digo, não!

Diga! Diga! Diga!...

Tinha corpo de leão...

Pois era a mulher do leão!
Ah! Era a mulher do leão!
Eh! Eh!
Era a mulher do leão!

O baile "Betinha" com Erasto Vasconcelos

Via Roberto Félix

"Chegou quem faltava" com Dona Ivone Lara, com participação de Seu Alcides Malandro Histórico"



Chegou quem faltava (Nilson Gonçalves)

Já chegou quem faltava
Quem o povo esperava chegar

Viemos apresentar o que a Portela tem
Muito samba bonito, baiana com ritmo
Harmonia também

Hoje essa Portela que vocês ouvem falar
O mundo inteiro soube consagrar
Mesmo derrotados cantaremos com alegria
Essa nossa doce melodia