sexta-feira, 13 de abril de 2012
Dilma empossa nova gestão do Consea na terça
A presidenta Dilma Rousseff dará posse na próxima terça-feira (17) à nova gestão do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). A antropóloga Maria Emília Pacheco será a primeira mulher a presidir o conselho.
A solenidade está prevista para as 15 horas no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença da presidenta Dilma, ministros de Estado, diversas autoridades e convidados.
Na oportunidade também serão empossados os novos conselheiros titulares e suplentes para o biênio 2012/2013.
Na última reunião plenária do Consea, realizada na semana passada, os conselheiros escolheram o nome de Maria Emília para indicação à presidenta Dilma, a quem cabe a nomeação.
Perfil – Maria Emília nasceu em Leopoldina (MG) em 1948, é formada em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social de Juiz de Fora (MG) e possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ela integra a Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
Maria Emília integrou a equipe que implantou o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan) em Minas Gerais. É anistiada política desde maio de 2009. Ela é conselheira do Consea desde 2004.
Serviço
Posse da Nova Gestão do Consea
Dia: 17 de abril (terça-feira)
Horário: 15 horas
Local: Salão Oeste, Palácio do Planalto, Brasília (DF)
Informações para imprensa
Ascom/Consea
(61) 3411 3349 – 9321 0198 Fonte: Ascom/Consea
Fortaleza 286 anos (4) por Bruno Perdigão
Parabéns, Fortaleza!
Felicidades!
Que você melhore sua relação com o mar,
que você tenha mais pessoas e menos carros nas ruas,
que sua classe média deixe de ser tão arrogante e imbecil,
que as pessoas tenham mais vontade de mudar você do que se mudar de você,
que seu carnaval continue crescendo,
que você tenha ruas mais sombreadas,
que você respeite mais sua história,
que você não abandone seu centro nem seus bairros tradicionais,
que você olhe mais pras suas periferias,
que você continue ensolarada e não se alague em qualquer chuva e
que você tenha habitantes cada vez melhores!
Enfim, tudo de bom!
Fortaleza 286 anos (3) por Paula Nei

FORTALEZA [Paula Nei]
Ao longe, em brancas praias embalada Pelas ondas azuis dos verdes mares, A Fortaleza, a loura desposada Do sol, dormita à sombra dos palmares. Loura de sol e branca de luares, Como uma hóstia de luz cristalizada, Entre verbenas e jardins plantada, Na brancura de místicos altares. Lá, canta em cada ramo um passarinho Há pipilos de amor em cada ninho Na solidão dos vastos matagais. É minha terra, a terra de Iracema, O decantado, esplêndido poema De alegria e beleza universais.
FRANCISCO DE PAULA NEI
Francisco de Paula Ney (Aracati, 2 de fevereiro de 1858 — Rio de Janeiro, 13 de novembro de 1897) foi um poeta, jornalista que marcou o boêmio Rio de Janeiro dabelle époque. Era amigo de Aluízio Azevedo e Olavo Bilac.
Cantoria com Giana Viscardi
Uma sexta com show do Paulinho da Viola, no aterro da Praia de Iracema. Aniversário de Fortaleza.
]
Cantoria (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho)
Amar é um dom, há que saber o tomE entoar bem certo a melodia
O povo enxerga a luz de uma voz sincera
E canta com ela em sintonia
Cantar é uma luz, um enfunar de velas
É compreender a canção como um navio
Que vai zarpando, ignorando mapas
Tocando as águas que nem harpas
Por conta do destino
Compor, saibam vocês, é mais que um desatino
Esmiuçar a dor, fio a pavio
Ofício que deságua o sofrimento
É escoar-se inteiro como um rio
E eu me ponho a compor feito um cigano
Que busca noutra luz seu próprio lume
E me pergunto quem é mais insano
Se eu, um rouxinol
Se tu, um vaga-lume
Ele é o samba
![]() |
| Divulgação |
O poeta está chegando aos 70. Mas prefere não antecipar as comemorações. “As pessoas têm falado muito sobre isso. Inclusive, já me convidaram para várias entrevistas e especiais. Eu falo: ‘Olha gente, se Deus permitir, deixa eu completar os 70 anos antes’. Festejar antes não é bom!”, explica, por telefone, aos risos. Oficialmente, o aniversário é apenas em novembro, dia 12. “Tenho evitado tocar nesse assunto. Mas, acontecendo isso, eu fazendo 70, aí vou falar à vontade”.
Até lá, Paulinho da Viola deixa a efeméride de lado e diz que prefere seguir trabalhando. Gravando – sim, há perspectiva de um novo disco em breve – e fazendo shows, como o que apresenta logo mais no Aterro da Praia de Iracema. O espetáculo foi pensado especialmente para a ocasião. Nos últimos anos, o sambista tem se apresentado num formato mais intimista, com um time de músicos mais enxuto. Resultado tanto do show acústico, que deu origem ao DVD da MTV; quanto de uma temporada que fez em São Paulo para inauguração do teatro da Fundação Álvares Penteado. O show em Fortaleza abriu uma exceção nessa rotina de perfil quase camerístico.
“É uma festa de aniversário”, justifica. Em conversa com a produção do evento, Paulinho decidiu por um show com uma sonoridade mais encorpada e com um repertório que prioriza seus grandes sucessos. Para isso, reforçou seu time de músicos: Cristóvão Bastos (piano), Mário Séve (sopros), Dininho (contrabaixo), Hércules (bateria), Celsinho Silva (percussão) e Esguleba (percussões).
Além deles, também sobem ao palco os filhos João Paulo Rabello (violão) – que substitui o avô César Farias como escudeiro de Paulinho no seis cordas - e Beatriz Faria (vocal) – destaque no elenco dos musicais Sassaricando e É com esse que eu vou, dois sucessos de público assinados pelo jornalista e escritor Sérgio Cabral.
Com quase 50 anos de carreira, Paulinho da Viola prefere falar de si no coletivo, avaliando e enaltecendo o legado de sua geração para a música brasileira. Uma geração em que alguns dos principais medalhões nasceram no mesmo ano (além dele, Benjor, Caetano, Gil e Milton, por exemplo, também são de 1942) e atualizaram, se não no campo da política e da economia, pelo menos no campo da música, a utopia do escritor austríaco Stefan Zweig – falecido em fevereiro daquele mesmo 1942 - e de seu País do Futuro.
“Fico feliz que o pessoal da minha geração, principalmente através dos festivais, tenha tido essa preocupação com as mudanças que vinham ocorrendo na cultura e no País como um todo”, afirma. “No período pós-bossa nova, houve muita mudança na música. Os festivais foram muito importantes porque eles não só deram oportunidade a toda uma geração de mostrar ideias novas, como também houve uma oportunidade de uma discussão sobre aquilo que estava acontecendo no País, na cultura”.
Maior referência viva do samba – pela qualidade, pela quantidade e pela popularidade de sua obra -, o compositor não reivindica a posição de reserva moral do gênero ou qualquer outro predicado do tipo. Em resumo, não se anima com nenhum protagonismo que lhe implique responsabilidades de preservação ou de manutenção de uma suposta pureza de nossa música.
“Preservação” e “pureza”, aliás, são expressões que considera inúteis dentro da dinâmica da música popular. “Nunca houve uma forma pura (de samba). Não dá pra ficar interferindo nas coisas e dizendo como elas têm de ser”, defende. “Eu não faço meu trabalho querendo preservar nada porque isso é uma bobagem e é desnecessário. Quem toma conta das coisas somos nós, é o nosso povo. Eu passei toda minha vida ouvindo em muitos momentos: ‘Ah, esse negócio acabou. É preciso acabar com isso. Isso é negócio de velho. E não sei o que’. E por que não acabou? Porque nosso povo não deixa”.
O sambista prefere falar em paixão pela arte do que em ativismo. “Eu sempre fui ligado a escolas de samba, a blocos de Carnaval, a música instrumental, ao choro. Isso é uma coisa da minha vida. Em nenhum momento, eu quis fazer uma revolução dentro disso. E não é porque tenha assumido uma postura de defesa disso ou daquilo. Não. É uma coisa muito simples. O que eu fiz, o que tenho feito, é uma coisa por amor”. Logo mais, Paulinho divide com Fortaleza algumas célebres canções que resultaram desse seu permanente amor ao samba e à vida. E também ao tempo presente.
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SERVIÇO
286 anos de Fortaleza
O quê: show comemorativo do aniversário da cidade com Paulinho da Viola e intérpretes locais.
Quando: Hoje, a partir das 19h
Quando: Hoje, a partir das 19h
Onde: Aterro da Praia de Iracema.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/04/13/noticiasjornalvidaearte,2819724/ele-e-o-samba.shtml
http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2012/04/13/noticiasjornalvidaearte,2819724/ele-e-o-samba.shtml
Fortaleza - 286 anos
Hino de Fortaleza
(Antonio Gondim e Gustavo Barroso)
Junto à sombra dos muros do forte
A pequena semente nasceu.
Em redor, para a glória do Norte,
A cidade sorrindo cresceu.
No esplendor da manhã cristalina,
Tens as bênções dos céus que são teus
E das ondas que o sol ilumina
As jangadas te dizem adeus.
Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar
O emplumado e virente coqueiro
Da alva luz do luar colhe a flor
A Iracema lembrando o guerreiro,
De sua alma de virgem senhor.
Canta o mar nas areias ardentes
Dos teus bravos eternas canções:
Jangadeiros, caboclos valentes,
Dos escravos partindo os grilhões.
Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar
Ao calor do teu sol ofuscante,
Os meninos se tornam viris,
A velhice se mostra pujante,
As mulheres formosas, gentis.
Nesta terra de luz e de vida
De estiagem por vezes hostil,
Pela Mãe de Jesus protegida,
Fortaleza és a Flor do Brasil.
Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar
Onde quer que teus filhos estejam,
Na pobreza ou riqueza sem par,
Com amor e saudade desejam
Ao teu seio o mais breve voltar.
Porque o verde do mar que retrata
O teu clima de eterno verão
E o luar nas areias de prata
Não se apagam no seu coração.
Fortaleza! Fortaleza!
Irmã do Sol e do mar,
Fortaleza! Fortaleza!
Sempre havemos de te amar
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Santos cassados
Por Jean Lauand
Nos casos em que a "conveniência pastoral" o recomendasse, esses santos integrariam só calendários locais: Inglaterra ou Catalunha, por exemplo, não perderiam seu são Jorge.
Entre nações que não poderiam prescindir do santo guerreiro estava a nação corintiana e foi graças ao Timão que Jorge permaneceu no calendário brasileiro.
Corintiano ilustre, d. Paulo Evaristo Arns arrancou do papa esse privilégio e assim relata o diálogo em suas memórias:
"'Santo Padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil. Sobretudo ante a imensa torcida do Corinthians, o clube de futebol mais popular de São Paulo'. [Paulo VI]
"'Santo Padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil. Sobretudo ante a imensa torcida do Corinthians, o clube de futebol mais popular de São Paulo'. [Paulo VI]
Respondeu-me assim: "Não podemos prejudicar nem a Inglaterra, nem o Corinthians'."
Se nem sempre são Jorge salva o Corinthians, naquela ocasião foi o Corinthians que salvou o são Jorge.
Revista Língua Portuguesa, março 2012 - www.revistalingua.com.br
terça-feira, 10 de abril de 2012
Pássara - Francis Hime e Chico Buarque
Por Alfredo Pessoa
| Alfredo Pessoa |
Esta belíssima peça foi gravada apenas por Hime (com Chico) e Bethânia no songbook de Hime. A primeira gravação preza pelas cordas imitando um vôo, a segunda, precisa, num arranjo de violão de Marco Pereira parecendo um vôo também, só que mais para o Vôo da Mosca (Jacob do Bandolin). Vôo de Mosca a parte, pássara é a Fêmea do Peru ou as partes pudendas das mulher (passarinha), de acordo com Aurélio Buarque de Holanda.
Pássara (Francis Hime/Chico Buarque)
(Gm/A A7 F/A F(b5)/A)
(Gm/A A7 F/A F(b5)/A)
E
aí
Ela
cisma de voltar
Sorri
Quase
pra te provocar
D7 Gm7M
Gm7 Bm7(b5) E7 A4(7)
A7
Sim,
goza da felicida------de. Que tu
vais ter que te amargar
D7M A/C# C6(b5)
B7 F/C F#m7(b5) B7
Vais
perseguir a maldita. Vais insultá-la na rua
E7M
B/Eb D6(b5)
C#7 G7M G#m7(b5) C#7
Vais
jogar pedras na lua. Vais
montar uma guarita
F#7M Fm7 Bb7 Eb7M A4(7)
A7
Pra
que aquela esquisita. Não se atreva a voltar
E
aí, e aí, e aí
(Gm/A A7 F/A F(b5)/A)
E
aí
Ela
cisma de voltar
Sorri
Quase
pra te perdoar
Sim,
exala a tal liberdade. Que não podes mais tolerar
Vai
manchar tuas verdades. Vai se enfiar no teu leito
Bate
no teu próprio peito. Vai quebrar todas as grades
De
que um homem é feito. Pra esquecer de voar
E
aí, e aí, e aí
(Gm/A A7 F/A F(b5)/A)
E
aí
Ela
cisma de voltar
Sorri
Quase
pra te convidar. Quase pra te convencer
Quase
pra te complicar. Quase pra te confundir
Mesmo
pra te enlouquecer. Mesmo pra te despertar...
As
mais incomuns: Gm/A= X0533X, A7= X0202X,
F/A=
X0321X, F(b5)/A= X0320X
Ainda Mais - Paulinho da Viola e Eduardo Gudin
Ainda Mais (Paulinho da Viola e Eduardo Gudin)
Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar
Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar
Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais
domingo, 8 de abril de 2012
Samuel - o melhor da imprensa independente
Por Marcus Vinicius
Encontrei na cultura o número dois na revista Samuel. "Revisteiro" que sou dou a dica, é uma boa sacada editorial.
Abaixo, Breno Altman, diretor editorial explica o conceito da revista.
Encontrei na cultura o número dois na revista Samuel. "Revisteiro" que sou dou a dica, é uma boa sacada editorial.
Abaixo, Breno Altman, diretor editorial explica o conceito da revista.
O voo das borboletas
Texto e sensibilidade no artigo de Ana Mary C. Cavalcante
Por Ana Mary C. Cavalcante
Era uma vez negação, desesperança, despedidas.
Contra tudo, uma ressurreição amanheceu para as duas crianças, enquanto pousaram na Casa de Apoio Sol Nascente (Castelão). Como na célebre narrativa de Páscoa, elas venceram a morte - maior - decretada pelos homens. A morte do amor. Ressuscitam da mais profunda solidão.
A menor, que já havia saído do cativeiro de medos e preconceitos ao vencer o vírus da aids no terceiro exame de carga viral (“O caminho das esperanças”. O POVO, 17/4/2011), foi adotada. Outro nome, inteiro – com personalidade, pai, mãe e três irmãos -, lhe batiza a vida nova.
A maior, que nunca desistiu de perguntar por que a tia “não ia buscar logo ela no abrigo” e se “o juiz já assinou pra ela vir pra casa”, retornou ao convívio da família biológica no dia 30 de março.
Pouco tempo, para grandes mudanças. Seja no Eusébio - onde a menorzinha se expande no triplex com piscina e no coração de todos -, seja na Rosalina – onde a maiorzinha se refaz criança nas brincadeiras com a prima e os vizinhos -, seja no abrigo – onde 12 meninos e meninas esperam decisões judiciais e amorosas e a vez de voar do casulo. É preciso reorganizar espaços e entendimentos, explicar saudades e escolhas. “Conversamos sobre isso com as crianças”, diz a assistente social e coordenadora da Casa de Apoio Sol Nascente, Juliana Marcolino, cotidianamente envolvida com restaurações familiares e processos de adoção.
Por Ana Mary C. Cavalcante
![]() |
| Foto - Edimar Soares |
Era uma vez, uma manjedoura de flandres e comidas do lixo. Um rapaz e uma moça com a idade desfigurada e o corpo em fuga. Noites, becos, drogas, aids, polícia. O sono pisoteado pelo chão ou pelo chute, irremediavelmente, duros. Uma menininha que o choro se tornava a única fala, com olhar morto e pelezinha de sapo.
Era uma vez, ao mesmo tempo (porque a história de cada um se encontra e se funde nos sentimentos), uma outra menina. De olhar adestrado e mão estendida. Havia uma mãe (até 20, 21 anos, quando morreu), alguns homens e nenhum pai. À exceção da palavra “mãe”, tudo o que a menina falava eram fomes decoradas. E não sorria – porque o vírus HIV lhe comia os dentes.
Era uma vez, ao mesmo tempo (porque a história de cada um se encontra e se funde nos sentimentos), uma outra menina. De olhar adestrado e mão estendida. Havia uma mãe (até 20, 21 anos, quando morreu), alguns homens e nenhum pai. À exceção da palavra “mãe”, tudo o que a menina falava eram fomes decoradas. E não sorria – porque o vírus HIV lhe comia os dentes.
Era uma vez negação, desesperança, despedidas.
Contra tudo, uma ressurreição amanheceu para as duas crianças, enquanto pousaram na Casa de Apoio Sol Nascente (Castelão). Como na célebre narrativa de Páscoa, elas venceram a morte - maior - decretada pelos homens. A morte do amor. Ressuscitam da mais profunda solidão.
A menor, que já havia saído do cativeiro de medos e preconceitos ao vencer o vírus da aids no terceiro exame de carga viral (“O caminho das esperanças”. O POVO, 17/4/2011), foi adotada. Outro nome, inteiro – com personalidade, pai, mãe e três irmãos -, lhe batiza a vida nova.
A maior, que nunca desistiu de perguntar por que a tia “não ia buscar logo ela no abrigo” e se “o juiz já assinou pra ela vir pra casa”, retornou ao convívio da família biológica no dia 30 de março.
Pouco tempo, para grandes mudanças. Seja no Eusébio - onde a menorzinha se expande no triplex com piscina e no coração de todos -, seja na Rosalina – onde a maiorzinha se refaz criança nas brincadeiras com a prima e os vizinhos -, seja no abrigo – onde 12 meninos e meninas esperam decisões judiciais e amorosas e a vez de voar do casulo. É preciso reorganizar espaços e entendimentos, explicar saudades e escolhas. “Conversamos sobre isso com as crianças”, diz a assistente social e coordenadora da Casa de Apoio Sol Nascente, Juliana Marcolino, cotidianamente envolvida com restaurações familiares e processos de adoção.
O amor possível
Para o casal de empresários, a quarta gravidez demorou dois anos. O tempo no cadastro nacional de adoção foi maior em expectativas. Tentaram dois irmãos, mas não aconteceu a afinidade. Em 2011, a Vara da Infância e da Juventude do Fórum Clóvis Bevilácqua apresentou-lhes “uma menina de dois anos, com uma doença tratável”, reconstitui o casal.
A descrição trazia um anexo de preocupações e suspeitas. A lista de remédios contra a aids, pregada na cozinha da Casa Sol Nascente, surpreendeu o pai. A neurologista particular assustou a mãe: “A médica ficou impressionada como eu pegava uma criança de abrigo para criar. Ainda tem preconceito”.
Enquanto isso, na mínima casa da comunidade Rosalina, uma jovem tia ensaiava papel de mãe. De sexta a domingo, por um ano, visitou a sobrinha no abrigo, tentando encontrar afetos que esquecera nas obrigações da infância. “Minha mãe me deixava sozinha, com sete anos, cuidando do meu irmão bebê. Eu tinha que fazer o fogo, não tinha fogão, era carvão”, narra-se.
Acabou encontrando, na sobrinha de sete anos, uma certa irmã que existiu antes das drogas e da aids. “Eu tinha uma ligação forte com minha irmã. Foi um pouquinho dela que ficou. E saber que a menina não tem ninguém, então, resolvi ficar com ela”.
Em que pesem as adaptações, a adoção se mostra um amor possível. “Após nosso terceiro filho, sentimos que teria mais espaço... Para minha existência, ela fez um bem muito grande”, emociona-se o empresário.
“Papai”, a propósito, foi a primeira palavra que a menorzinha libertou do silêncio. Hoje uma extensão dos irmãos, ela já repousa no abraço do pai e sonha no beijo da mãe. Era uma vez, reverte o casal, “uma noite escura. A história que quero contar para ela é que ela nasceu no dia em que a conheci”.
Na Rosalina, dita-se também outro nascimento. “Quero uma história digna para ela”, firma a tia, cuidando das medicações e consultas da sobrinha. Os exames para monitorar o HIV são uma primeira página: “Ela está muito bem, as células agressivas estão menores. A expectativa é de uma pessoa normal. Ela vai viver até ficar velha!”, une-se a tia. O mais, é céu. Esta é uma versão para o voo das borboletas.
* O POVO não revela o nome das pessoas a pedido dos envolvidos.
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Onde
As crianças estavam abrigadas na Casa Sol Nascente (avenida Alberto Craveiro, 222, Castelão. Telefone: 3469.4437). A casa de apoio para órfãos ou soropositivos integra-se a outras obras assistencias do Condomínio Espiritual Uirapuru
Saiba mais
O Projeto Sol Nascente se desdobra ainda em uma casa alugada para acolhimento de 12 adultos soropositivos, sequelados e apartados pela aids. No dia 30 de janeiro de 2011, com a matéria “Uma casa para recomeçar”, O POVO iniciava a campanha “Segure a minha mão”, para a construção de um local adequado aos pacientes adultos. Com recursos do Estado, informa a coordenadora da instituição, a nova casa já desponta no Condomínio Espiritual Uirapuru e deve ser concluída até julho.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2012/04/07/noticiasjornalfortaleza,2816500/o-voo-das-borboletas.shtml
A descrição trazia um anexo de preocupações e suspeitas. A lista de remédios contra a aids, pregada na cozinha da Casa Sol Nascente, surpreendeu o pai. A neurologista particular assustou a mãe: “A médica ficou impressionada como eu pegava uma criança de abrigo para criar. Ainda tem preconceito”.
Enquanto isso, na mínima casa da comunidade Rosalina, uma jovem tia ensaiava papel de mãe. De sexta a domingo, por um ano, visitou a sobrinha no abrigo, tentando encontrar afetos que esquecera nas obrigações da infância. “Minha mãe me deixava sozinha, com sete anos, cuidando do meu irmão bebê. Eu tinha que fazer o fogo, não tinha fogão, era carvão”, narra-se.
Acabou encontrando, na sobrinha de sete anos, uma certa irmã que existiu antes das drogas e da aids. “Eu tinha uma ligação forte com minha irmã. Foi um pouquinho dela que ficou. E saber que a menina não tem ninguém, então, resolvi ficar com ela”.
Em que pesem as adaptações, a adoção se mostra um amor possível. “Após nosso terceiro filho, sentimos que teria mais espaço... Para minha existência, ela fez um bem muito grande”, emociona-se o empresário.
“Papai”, a propósito, foi a primeira palavra que a menorzinha libertou do silêncio. Hoje uma extensão dos irmãos, ela já repousa no abraço do pai e sonha no beijo da mãe. Era uma vez, reverte o casal, “uma noite escura. A história que quero contar para ela é que ela nasceu no dia em que a conheci”.
Na Rosalina, dita-se também outro nascimento. “Quero uma história digna para ela”, firma a tia, cuidando das medicações e consultas da sobrinha. Os exames para monitorar o HIV são uma primeira página: “Ela está muito bem, as células agressivas estão menores. A expectativa é de uma pessoa normal. Ela vai viver até ficar velha!”, une-se a tia. O mais, é céu. Esta é uma versão para o voo das borboletas.
* O POVO não revela o nome das pessoas a pedido dos envolvidos.
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Onde
As crianças estavam abrigadas na Casa Sol Nascente (avenida Alberto Craveiro, 222, Castelão. Telefone: 3469.4437). A casa de apoio para órfãos ou soropositivos integra-se a outras obras assistencias do Condomínio Espiritual Uirapuru
Saiba mais
O Projeto Sol Nascente se desdobra ainda em uma casa alugada para acolhimento de 12 adultos soropositivos, sequelados e apartados pela aids. No dia 30 de janeiro de 2011, com a matéria “Uma casa para recomeçar”, O POVO iniciava a campanha “Segure a minha mão”, para a construção de um local adequado aos pacientes adultos. Com recursos do Estado, informa a coordenadora da instituição, a nova casa já desponta no Condomínio Espiritual Uirapuru e deve ser concluída até julho.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2012/04/07/noticiasjornalfortaleza,2816500/o-voo-das-borboletas.shtml
sábado, 7 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Crise na Cultura. Um legítimo desejo de mudança! (*)
do site FAROFAFÁ
por Ivana Bentes e Eryk Rocha
Em artigo publicado em O Globo de 24/03/2012 o cineasta Cacá Dieguessaiu em defesa da ministra da Cultura Ana de Hollanda utilizando dados pComo ficar indiferente as manifestações de perplexidade e repúdio vindas de intelectuais do porte de Marilena Chauí, uma das fundadoras do PT, da atrizFernanda Montenegro, do músico Ivan Lins ou diante da indignação dos Pontos de Cultura e de expressivos nomes de todos os setores, como se nada estivesse acontecendo?
O mais grave é que os números do MinC soam como inoportuna maquiagem. Ao comentar os cortes orçamentários que atingem hoje todo o setor cultural, Cacá Diegues diz que “chega-se hoje a R$1,64 bilhão, um recorde sem precedentes na pasta”.
Não informaram a Diegues que a pasta da Cultura chegou a ter, no fim de 2010, R$ 2.2 bilhões em seu orçamento. Ou seja, R$ 500 milhões a mais que o suposto “recorde”. Uma luta de toda a classe cultural, uma conquista importante, de um orçamento que partiu de aproximadamente R$ 380 milhões em 2003.
Esse corte é hoje um golpe duro nessa conquista que poderia ser revertido ou minorado se tivéssemos uma ministra com apoio da classe cultural e poder político no Congresso.
Sobre os Pontos de Cultura, os números que Cacá Diegues recebeu do MinC são os mais distantes da realidade. O programa foi abandonado por Ana de Hollanda e retirado do planejamento do governo. Basta conversar com os próprios Pontos de Cultura. Diegues diz que “em 2011, o primeiro ano da gestão atual, foram empenhados R$ 62 milhões e em 2012 esse valor saltou para R$114 milhões.”
Aqui, se não quiser consultar as dezenas de artigos na internet, bastaria ler O Globo para ver que o orçamento do programa chegou a R$ 216 milhões no governo Lula, e não R$ 50 milhões como diz Diegues.
Essa matéria de O Globo de 08/03/2012, farta em números e negligências da atual gestão com o Programa Cultura Viva, aponta o corte de mais 70% no valor do programa.
Mostra também a indignação dos Ponto de Cultura com o esvaziamento do Programa Cultura Viva e com a falta de diálogo da atual gestão, rompendo o compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff de manter e expandir esse que é o mais importante e inovador programa cultural do governo Lula, exportado para a América Latina e reconhecido internacionalmente.
Cacá Diegues também se refere ao PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) das Cidades Históricas. Mas deixa de mencionar que o programa perdeu orçamento e força por falta de liderança da ministra e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Hoje este programa volta a ter perfil esporádico, sem articulação com os demais ministérios. As cidades históricas estão sem ação estruturante. Basta ver o centro de São Luís (MA) ou de outras tantas cidades.
Aliás, todos os projetos da Cultura estão parados no Congresso, como a reforma da Lei Rouanet, o Vale Cultura, a PEC 150 e a própria lei que estabelece o Sistema Nacional de Cultura. Sem falar na Reforma da Lei dos Direitos Autorais, retardada nesta gestão.
Até 2010, o Brasil era elogiado internacionalmente pela política para a internet e pela proposta de modernizar a lei de direitos autorais. O professor de HarvardLawrence Lessig colocava o pais na vanguarda do mundo:
“O Brasil chegou antes no século XXI, com exemplos criativos e inspiradores sobre o uso da rede, estando bastante avançado na discussão dessas questões”.
Hoje retrocedemos ao ponto da ministra dizer que “a internet vai matar a produção cultural brasileira”. A proximidade do MinC com o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) retarda a reforma da Lei do Direito Autoral e é motivo de duras críticas na mídia e de uma CPI aberta no Congresso.
Na área audiovisual, Diegues atribuiu à gestão Ana de Hollanda conquistas da política cinematográfica do governo Lula, como os novos recursos do Fundo Setorial e o espaço para produção independente na TV por assinatura, que foram inclusive bastante criticados por Cacá Diegues na época.
Já na gestão Ana de Hollanda o que tivemos foi a interrupção do Programa Doc TV, que trouxe novo fôlego à produção de documentários para televisão. Também cresce a insatisfação dos cineclubes e dos realizadores independentes com a falta de financiamento e políticas para os novos circuitos.
Cacá Diegues diz ainda que “o MinC, com o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura, se empenha na aprovação, pelo Congresso, de leis”, mas vejamos o que diz a responsável pela Frente Parlamentar em entrevista recente, de 22/03/2012.
“Há um sentimento de inoperância administrativa. Os manifestos surgem porque há a percepção de falta de projeto estratégico e de problemas internos”, afirma a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), presidenta da Frente Parlamentar da Cultura na Câmara.
Se há um feito na gestão Ana de Hollanda até agora foi conseguir o triste marco de desacreditar o governo Dilma junto a artistas, intelectuais e fazedores de cultura, e todos os que construíram e apostaram nas políticas culturais democratizantes e inovadoras com as quais a presidenta se comprometeu.
A Cultura vive uma crise grave e crônica no governo Dilma, um quadro em que os números oficiais do MinC são mais do que mera inépcia administrativa. Indicam uma ausência de projeto político, uma pobreza na construção de imaginários e narrativas para o Brasil.
O que se vê desde janeiro de 2011: falta de diálogo, confusão entre público eprivado, brigas entre facções rivais, incapacidade de formulação, cortes no orçamento e expansão da burocracia.
É difícil aceitar esse Ministério da Cultura fraquejante, longe da potência dos movimentos sociais e culturais, distante do Brasil que explode na cena global como um laboratório de experiências culturais, estéticas, artísticas, políticas, longe do Brasil que transforma a pobreza em riqueza, o discurso da “carência” em potência.
O que está por trás dos números é ainda mais grave. O que está em crise é um projeto coletivo, um projeto de Brasil, que está sendo desmontado, em nome do quê? Cresce um legitimo desejo por mudanças.
Ivana Bentes é professora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ
Eryk Rocha é cineasta
(*) Ivana Bentes e Erik Rocha cederam a FAROFAFÁ esta versão sem cortes do texto publicado na edição de 5 de abril de 2012 do jornal O Globo, sob o título “Falta projeto! Crise na Cultura”.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Manuela Rodrigues - Barraqueira
Barraqueira (Manuela Rodrigues)
Não me peça pra ficar no meu canto e tentar evitar
Eu bem tento, mas pra sapo engolir tenho que muita água tomar
Não aturo pirraça, trapaça, mentira, traição
Me seguro um instante, no outro adiante explode um vulcão
Eu bem tento, mas pra sapo engolir tenho que muita água tomar
Não aturo pirraça, trapaça, mentira, traição
Me seguro um instante, no outro adiante explode um vulcão
Sem vergonha, com essa arte manha pra me golpear
Não se acanha, que trama, armadilha te apanha quando a esquina virar
Me expôs e nada propôs antes de atirar
Pelas costas sei que vai fugir quando o bicho pegar
Não se acanha, que trama, armadilha te apanha quando a esquina virar
Me expôs e nada propôs antes de atirar
Pelas costas sei que vai fugir quando o bicho pegar
Posso até me fazer de maluca
Posso até acionar abstração
Só que tem um hora, meu filho
Que parece embolar a questão
Eu começo ficando nervosa
Vou perdendo o controle então,
Deixo o bom senso de lado,
Ultrapasso e parto pra ação
Posso até acionar abstração
Só que tem um hora, meu filho
Que parece embolar a questão
Eu começo ficando nervosa
Vou perdendo o controle então,
Deixo o bom senso de lado,
Ultrapasso e parto pra ação
Porque eu sou de rodar a baiana, fazer vexame
E xingar todo mundo de tudo quanto é nome
Passo mal de excesso, mas não passo fome
Eu bem que sou o tipo de mulher barraqueira que apronta
Grito, brigo, bato, passo logo da conta
Porque mágoa só fica pra quem não desconta
E xingar todo mundo de tudo quanto é nome
Passo mal de excesso, mas não passo fome
Eu bem que sou o tipo de mulher barraqueira que apronta
Grito, brigo, bato, passo logo da conta
Porque mágoa só fica pra quem não desconta
domingo, 1 de abril de 2012
Veja conta tudo sobre Carlinhos Cachoeira
Em edição extra, Veja conta tudo sobre Cachoeira
ÀS 13H30, SAIU DA GRÁFICA DA EDITORA ABRIL UMA EDIÇÃO EXTRA
DE VEJA; CONTEÚDO BOMBA; REVISTA SE ADIANTA AO VAZAMENTO
DE 200 TELEFONEMAS ENTRE CARLINHOS CACHOEIRA E SEU
EDITOR-CHEFE; INFORMAÇÕES ACUMULADAS EM RELACIONAMENTO
DE QUASE DEZ ANOS ENTRE A FONTE E O PROFISSIONAL FINALMENTE
SAEM A PÚBLICO
01 de Abril de 2012 às 15:03
247 – Na condição de quarto poder, e adiantando-se a uma possível convocação para que um de seus editores-chefes preste depoimento formal à Polícia Federal sobre o padrão de relacionamento entre a maior revista de papel do País e uma de suas principais fontes de informação investigativa --o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Operação Monte Carlo --, a revista Veja acaba de tirar da gráfica da Editora Abril uma edição extra, com um monte de exemplares, na qual está contando tudo o que realmente a redação sabe sobre as atividades de Cachoeira. Ele está no epicentro de um dos maiores escândalos de tráfico de influência, atividades ilegais, uso do Estado para obtenção de proveito próprio, com tentativas de armações na Infraero e na Anvisa, e compra de parlamentares. Já estão em sua lista o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o deputado federal Stepan Nercessian. Veja, com a publicação de última hora, defende-se com vigor sobre as suspeitas de que, se Demósteses era o braço político de Cachoeira, a revista fora usada como sua mão editorial.
Acometida de um inédito momento de auto-crítica, a alta direção da editora Abril, com o presidente Roberto Civita ao volante, decidiu na madrugada de ontem fazer circular a edição extra, na qual a revista procura se adiantar ao inevitável vazamento do conteúdo dos 200 contatos telefônicos entre seu editor-chefe (um dos três) e o contraventor Carlinhos Cachoeira. As informações contidas na edição regular, que chegou no sábado 31 às bancas, foram consideradas insuficientes por Civita. Até agora, pelas páginas de Veja, muito se sabia sobre o que Cachoeira queria que a Veja soubesse – “Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”(...) “Você tem que afastar dele e a barriga dele doer, sabe? Tem que ter a troca, ô Jairo”. -, mas agora, na edição extra, Veja contará o que realmente sabe de Carlinhos Cachoeira e ele não gostaria que fosse revelado. Cachoeira praticava ilegalidades a quilo, nas barbas dos melhores profissionais investigativos da revista, que o tinham, na certa, como muy amigo. Nenhuma das profundas investigações que a publicação veiculou ao longo de sua história recente levou incômodo a Cachoeira, mas, na edição extra, a história real dele deve, finalmente, ser contada pela maior revista de papel do País.
Para manter a melhor tradição da imprensa mundial, nós, de 247, desejamos a todos vocês um divertido 1º de abril de 2012 – o único dia do ano em que poderíamos dar a falsa boa notícia acima.
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