Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política
Mostrando postagens com marcador Abdias do Nascimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abdias do Nascimento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de março de 2013

Emicida - Sorrisos e Lágrimas



Sorrisos e Lágrimas (Emicida)

"Andando pela rua irmão
Você olha dentro do olho das pessoas
Você vê um misto de.. medo, felicidade..sabe
Uma impressão de que..
ninguém nunca sabe o que realmente tem..
Não dá valor pra o que realmente tem
Independente de quanto ou do que você tenha mano
A verdade é uma só"

Aê,
Somos Pais agora, antes da hora
Como nossos Pais, ora tanto faz
Rimos de lutas perdidas
Brindando bebidas, misturadas, coloridas
Os tempos contam que,
Vocês só notam crianças depois que elas aprontam
Me renovo no ofício,
Povos ao precipício,
Novos com velhos vícios,
Sacô? fim, início
Se adaptar sem escolher
Mano, a 400 anos plantamos sem colher
Sabe o lugar da pele negra
Última vítima da primavera que nunca chega

(Refrão)
Sorrisos e lágrimas, é o que nós tem pra oferecer
Sorrisos e lágrimas, a vida deu sem direito a escolher
Sorrisos e lágrimas, é o que nunca poderão tirar de você
Sorrisos e lágrimas, sorrisos e lágrimas (2x)

Eu sou uma daquelas banda que ninguém bota fé
Até que um puto dá play e diz: Hey! legal né!
Ok nós acostuma,
Tipo chamar os outros de família sem fazer idéia do que é uma
Solidão e euforia, tão fria quanto abril em New York
O vento assobia e tal
Miséria assim é algo global
Sem paque, nossos filho sabe o preço das pedra de crack
Sem maldade, sempre é tarde
Banzo é explicação pra de onde vem tanta saudade
Vi pelo mundo a fora
Que a vida é como uma pessoa boa,
Cê só nota quando vai embora
Me sentido um nordestino em sampa
Pagando conta, fazendo um som
Leis informais, cruéis demais
E quando cê trombar um baiano, pergunta se isso é bom

(Refrão)
Sorrisos e lágrimas, é o que nós tem pra oferecer
Sorrisos e lágrimas, a vida deu sem direito a escolher
Sorrisos e lágrimas, é o que nunca poderão tirar de você
Sorrisos e lágrimas, sorrisos e lágrimas(2x)


É o que a vida deu, e ninguém pode tirar
Sei que tu não escolheu, mas pra nós é o que resta
Sorrisos e lágrimas, é o que a vida deu pra nós
Sorrisos e lágrimas, só..só..
Sorrisos e lágrimas, e ninguém pode tirar
Sorrisos e lágrimas, é o que a vida deu

terça-feira, 24 de maio de 2011

Abdias do Nascimento - 1914 - 2011


Poema de Abdias do Nascimento


OLHANDO NO ESPELHO
(Para meus netos Samora, Alan e Henrique Alberto)


Ao espelho te vejo negrinho
te reconheço garoto negro
vivemos a mesma infância
a melancolia partilhada do teu profundo olhar
era a senha e a contra-senha
identificando nosso destino
confraria dos humilhados
a povoar de terna lembrança
esta minha evocação de Franca



Éramos um só olhar
nos papagaios empinados
ao sopro fresco do entardecer



Negrinho garota negra
vivemos a mesma infância
nos cafezais brincamos
nas jaboticabeiras trepamos
chupamos a mesma manga e melancia



Éramos uma única ansiedade
à subida multicor dos balões
pejados de nossos sonhos e ilusões
Negrinho meu irmão
como te chamavas tu?
Felisbino Sebastião Geraldo?
Serias menina: Rosa
Negra Alice Tarcila?
Ou te chamarias Aguinaldo?



Lembro nosso emprego:
lavar vidros
entregar remédios
fazer limonada purgativa
limpar as sujeiras de uma farmácia



E aquele grito em nosso ouvido:
"-Acorda preguiçoso"? era o patrão
outra vez cochilaste reclinado ao chão
Assustados teus olhos dançaram
desgovernados pelas lágrimas
saltaste inutilmente lépido



Um dedo irrevogável
te apontou a porta do desemprego
assim regressaste
à casa que já não tinhas
na noite anterior morrera
tua pobre mãe que a mantinha



Negrinha garoto negro
sei que somos uma
prosseguimos os mesmos
ao abandono de nossa orfandade



Assim juntos e sem nome
devemos continuar nosso sonho
nosso trabalho
reinventando as nossas letras
recompondo nossos nomes próprios
tecendo os laços firmes
nos quais ao riso alegre do novo dia
enforcaremos os usurpadores de nossa infância



Para a infância negra
construiremos um mundo diferente
nutrido ao axé de Exu
ao amor infinto de Oxum
à compaixão de Obatalá
à espada justiceira de Ogum



Nesse mundo não haverá
trombadinhas
pivetes
pixotes
e capitães de areia



Buffalo, 1980