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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A maldição de Snowden e a subserviência ao Império

Editorial do O POVO

As atenções do mundo voltam-se para o drama vivido pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden, confinado na área de trânsito do aeroporto de Moscou, há mais de uma semana. Ele tenta escapar do cerco do governo norte-americano, que quer prendê-lo (e até, possivelmente, condená-lo à morte) por ter revelado a espionagem da Casa Branca contra seus concidadãos e contra os diplomatas e governos da União Europeia, por meio do Google, da Apple e do Facebook.

O norte-americano atrai a solidariedade das consciências democráticas e humanitárias, inclusive a Anistia Internacional. Esta classificou a atitude dos EUA como uma violação a um direito humano fundamental – o da busca de asilo por quem se sinta perseguido por motivos políticos ou de consciência, como prescreve a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.

A perseguição a um defensor dos princípios da Constituição norte-americana, justamente por defendê-los, é um escândalo. O surgimento da internet e das redes sociais expôs cada vez mais as ilegalidades cometidas pelo governo norte-americano, contra seu próprio povo e as leis internacionais. Nos últimos anos, avolumaram-se os registros de espionagens, torturas contra prisioneiros de guerra, prisões clandestinas, assassinatos indiscriminados de líderes políticos e de civis inocentes – num crescendo assustador. Tudo sob a roupagem despudorada da “defesa da democracia”.

As novas gerações não aceitam mais essa hipocrisia. Daí, o porquê de jovens como Snowden preferirem correr riscos tão altos a sufocar a própria consciência. Mesmo ao custo de se tornarem “párias errantes”, dos quais é um perigo se aproximar.

A subserviência com que estados soberanos se curvam ao diktat de Washington - negando asilo a Snowden - é um espetáculo constrangedor. Os governos da França, Portugal, Espanha e Itália, por exemplo, não se acanharam de impedir que o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales - proveniente de Moscou –, cruzasse seus espaços aéreos, pela suspeita de que trouxesse o norte-americano a bordo. Foi um ultraje não só a um chefe de estado estrangeiro, mas aos próprios povos dos quais são governantes, além de uma violação flagrante aos protocolos internacionais. Espera-se que o Brasil encontre uma maneira de honrar a tradição diplomática acolhedora da qual sempre foi portador - se for concitado a isso.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Em defesa da Soberania Bolivariana

Nota da Bancada Federal do PSOL


Ontem, uma flagrante violação à soberania da Bolívia foi perpetrada por cinco países europeus. Ao procederem assim, insultaram todas as nações latinoamericanas e, por extensão, todos os povos descolonizados. Por isso, nosso Partido manifesta seu repúdio aos governos desses países.

O avião do presidente boliviano, Evo Morales, foi forçado a pousar na Áustria depois que França, Portugal, Espanha e Itália fecharam seu espaço aéreo devido a supostos temores de que o ex-funcionário da agência de espionagem dos Estados Unidos, Edward Snowden, estivesse a bordo.

As autoridades austríacas, por sua vez, inspecionaram o avião do governo Boliviano. Diga-se de passagem, não encontraram pessoas sem autorização a bordo. Fechar o espaço aéreo e inspecionar a aeronave sem razão justa constituem violações do direito internacional e da soberania boliviana.

Este episódio deixa claro, em primeiro lugar, a submissão dos países europeus nele envolvidos, aos interesses dos Estados Unidos da América. Subservientes assim à política internacional dos EUA, os países França, Portugal, Espanha, Itália e Áustria, comprometeram sua própria soberania.

Passados tantos anos desde as independências das nações latinoamericanas, muitos governantes europeus, entretanto, parecem não ter perdido o hábito de nos ver como colônias, ao mesmo tempo em que se comportam como integrantes do império americano.

Exigimos que os organismos internacionais, especialmente os latinoamericanos, pronunciem-se no sentido de condenar a violação perpetrada por esses países contra o presidente Evo Morales. E cobramos que o governo brasileiro, através do Itamaraty e do Ministério da Justiça, uma postura de solidariedade ao Estado Plurinacional da Bolívia, criticando claramente o episódio infeliz.

O PSOL, expressa apoio irrestrito ao povo e ao governo bolivarianos. Seguiremos solidários aos processos do bolivarianismo, denunciando toda e qualquer ação que represente uma violação da soberania e da autodeterminação dos povos.

Brasília, 3 de julho de 2013
Bancada do Partido Socialismo e Liberdade