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terça-feira, 16 de abril de 2013

Etiqueta para o uso de maconha

Por Tom Brady, 
do NYT via O POVO

Não muito tempo atrás, a posse de maconha podia levar à prisão na maior parte dos Estados Unidos. Hoje em dia, é difícil ignorar a disseminação do uso recreativo da cannabis.

Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia que assinou uma lei descriminalizando pequenas quantidades de maconha em 2010, disse que a atmosfera em Venice Beach era favorável para seu trajeto matinal de bicicleta.

"Basta respirar e você aproveita a erva de todo mundo", disse ao "Times".

Washington e Colorado aprovaram leis legalizando o uso recreativo da maconha. Apesar de o uso recreativo ainda ser tecnicamente ilegal na Califórnia, o fumo é onipresente nas festas de Los Angeles, relatou o "Times".

"Do meu ponto de vista, é chocante o número de pessoas que conhecemos que são usuários recreativos de maconha", disse ao "Times" o vice-governador da Califórnia, Gavin Newsom.

"São cidadãos importantes, líderes de nossa comunidade e pessoas excepcionais. Cada vez mais pessoas estão dispostas a contar que utilizam a erva e não se envergonham disso."

A maconha continua ilegal sob a lei federal dos EUA, e o Departamento de Justiça reprimiu alguns fornecedores medicinais e plantadores de cannabis na Califórnia e poderá intervir ainda em Colorado e Washington.

Mas a principal questão para muitos fumantes da erva é como tratar desse assunto em situações sociais.

Rick Steves, âncora do programa de televisão "Rick Steves' Europe", mantém um narguilé para maconha sobre a lareira em sua casa em Edmonds, em Washington. Se alguém disser alguma coisa, ele fala sobre fumar maconha, mas prefere o álcool para descontrair seus convidados.

"É grosseiro começar uma festa oferecendo maconha. Especialmente para os não fumantes, pode ser estranho", disse Steves ao "Times".

"Se um cônjuge fuma e o outro não, é como dizer: 'Está bem, não estamos na mesma sintonia, a festa terminou'."

Para Cher Neufer, professora aposentada de Ohio, a festa não começa enquanto ela e seu amigo não "passam um baseado ao redor" enquanto jogam pôquer. "É um fenômeno social", disse Neufer, 65, ao "Times".

"É como quando as pessoas se reúnem e abrem suas latas de cervejas ao mesmo tempo."

A associação Mães pela Maconha Internacional, que reúne pessoas para aprender sobre os aspectos positivos da planta, recebeu tantas perguntas de pessoas mais velhas que está criando filiais chamadas Vovós pela Maconha em Illinois, em Ohio e no Missouri, segundo o "Times".

Para os que trabalham em empregos onde um teste positivo de droga pode levar à demissão, situações com maconha podem ser constrangedoras.

Shane Kingery, estudante de graduação em Atlanta, e sua mulher fugiram de uma festa quando a maconha começou a circular. Sua mulher é enfermeira, e seu emprego exige que ela seja testada por drogas aleatoriamente.

"Acho que demos a impressão de que somos contra a erva ou bons demais para aquela cena, quando, na verdade, simplesmente não é o nosso barato", disse Kingery ao "Times".

Depois, há as pessoas cujos empregos talvez não permitam que elas fumem em público sem repercussões, especialmente se elas não vivem em um lugar como a Califórnia.

"Conheço muitos profissionais que têm empregos de alto nível e ainda são muito cautelosos", disse Neufer ao "Times".

Mas, para ela e seus amigos, a maioria deles nascida na década de 1950, que fumaram pela primeira vez nos anos 1960 ou início dos 1970 e estão aposentados ou quase, não há problema.

"Você não precisa se preocupar com o seu emprego, por isso é um pouco mais fácil para nós", disse Neufer. "Eu não me importo que você use meu nome, não me importo que eles saibam!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Unânime, STF libera a Marcha da Maconha



Todos os oito ministros do Superior Tribunal Federal (STF) votaram em favor da realização da Marcha da Maconha no julgamento que ocorreu nesta quarta-feira em Brasília (15). Com isso, os atos em favor da liberação do uso da maconha ou de qualquer outra droga não poderão mais ser contestados judicialmente.

O ministro Celso de Mello, relator da ação que pede a liberação de manifestações como a Marcha da Maconha, entendeu que os eventos são legais e não fazem apologia ao consumo de drogas. Ele foi o primeiro a votar no julgamento desta quarta.

Em um voto longo, ele defendeu que o Estado tem a obrigação de proteger a liberdade de reunião e de expressão e que jamais deve interferir nesses direitos, garantidos pela Constituição, para atender a interesses oficiais ou privados.

“A questionada e tão reprimida Marcha da Maconha é a evidência de como se interconectam os direitos constitucionais, todos merecedores do amparo do Estado. As autoridades, longe de transgredi-los, tinham que protegê-los, mostrando tolerância e respeito por quem está em espaço público pretendendo transmitir mensagem de abolicionismo penal”, afirmou Celso de Mello.

A maioria dos ministros do STF As decisões judiciais que proibiram a realização da Marcha da Maconha, em diversas cidades brasileiras, argumentavam que os eventos fazem apologia ao uso de entorpecentes, o que é proibido pela legislação penal. Entretanto, Celso de Mello afirma que, “no caso da Marcha da Maconha, não há enaltecimento do porte para consumo e do tráfico de drogas ilícitas, que são tipificados na vigente Lei de Drogas. Ao contrário, resta iminente a tentativa de pautar importante e necessário debate das políticas públicas e dos efeitos do proibicionismo”.

Para o ministro, é livre a manifestação do pensamento sobre qualquer assunto, respondendo cada um, da forma legal, pelos danos que cometer. “Nada se revela mais nocivo e perigoso que a pretensão do Estado de reprimir a liberdade de expressão, principalmente de ideias que a maioria repudia. O pensamento deve ser sempre livre”, resumiu.

Mello também afirmou que a polícia não tem o direito de intervir em reuniões pacíficas e lícitas em que não haja lesão ou perturbação da ordem pública. “Longe dos abusos que têm sido perpetrados pelo aparato policial, é preciso adotar medidas de proteção aos participantes, os resguardando das tentativas de oficiais e particulares de desmanchá-las.”

O ministro chegou a citar, em seu voto, o grupo Planet Hemp, que fez sucesso, na década de 1990, abordando o uso da maconha em suas músicas. Acusados de apologia ao consumo de drogas, os integrantes do grupo foram presos em Brasília, em 1997, após um show. O ministro considerou a repressão como “uma interferência brutal no processo de produção intelectual e artística”.