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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Incisivo e preciso

por Marcelo Pinheiro

Consolidado no início da década de 1980, o rap – sigla para Rhythm and Poetry, ritmo e poesia – surgiu como um dos quatro elementos do hip-hop, também composto por MC’s, cantores e mestres de cerimônia; DJs, que provêm as bases para as rimas; grafiteiros; e B-boys, como são chamados os dançarinos. Desde os primórdios, quando foi “sintetizado” pelo DJ Kool Herc, em 1973, e ganhou projeção com o sucesso Planet Rock, de Afrika Bambaataa, no fim da década, o rap tornou-se uma das mais democráticas expressões culturais dos jovens negros americanos. E foi justamente essa vocação de ser porta-voz das mazelas sociais e do cotidiano sofrido de jovens que vivem à margem das grandes cidades que fez do rap linguagem universal.

Simultaneamente, nos idos de 1982, o gênero começou a ser difundido pelo Brasil, partindo de São Paulo. Em 1988, a coletânea Hip-Hop, Cultura de Rua abriu caminho para uma produção genuinamente brasileira. Mesmo valendo-se de colagens de bases musicais americanas (sobretudo de soul e de funk), os artistas reunidos no disco lançado pelo selo Eldorado, entre eles Thaide e DJ Hum, Código 13 e Mc Jack, versavam sobre a difícil realidade nas periferias paulistanas. Mas foi com o encontro de quatro rapazes vindos dos extremos sul e norte da capital que o Brasil viu surgir, em 1990 com o álbum de estreia Holocausto Urbano, o maior expoente do gênero no País, os Racionais MC’s.

Formado pelos MC’s Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e o DJ Kl Jay, os Racionais ganharam projeção nacional, no verão de 1993, com o segundo álbum Raio-X Brasil, o estrondoso sucesso de Domingo no Parque, e a epopeia trágica de O Homem na Estrada. Quatro anos mais tarde, o grupo emplacou façanha sem precedentes. Em tempos de mercado fonográfico em queda livre de vendas, com o álbum Sobrevivendo no Inferno, o grupo lançou seu próprio selo independente, Cosa Nostra, e atingiu a impressionante marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. Não bastasse, Sobrevivendo no Inferno foi considerado um dos mais importantes títulos brasileiros da década.

O mais recente álbum dos Racionais MC’s, o duplo Nada Como um Dia após o Outro Dia, foi lançado em 2002. O longo hiato de mais de dez anos, lógico, tem deixado os fãs do grupo atônitos. Mas um ótimo atenuante chegou às lojas. Respeitado na mesma proporção que o carismático, e também sisudo, Mano Brown, Edi Rock acaba de lançar seu segundo álbum solo e ameniza a ansiedade dos fãs. Autor de clássicos dos Racionais, como Beco sem Saída, Juri Racional e Mágico de Oz, Edi estreou solo, em 1999, com o álbum Rapaz Comum II. Depois de seis anos de produção, necessários para negociar direitos autorais dos samples utilizados nas bases, ele acaba de lançar, aos 42 anos, o consistente Contra Nós Ninguém Será.

Repleto de convidados e parcerias musicais – Emicida, Dexter, Marina de La Riva, Flora Matos, Rael da Rima e o veterano Ndee Naldinho entre eles –, o novo álbum, até mesmo por sua extensão, exige audição minuciosa e gradativa, para desfrutar das nuances musicais e temáticas presentes nele. MC imponente, de voz personalíssima e rima precisa, Edi Rock mostra que continua em grande forma. Os Racionais prometem novo álbum para 2014. Até lá, os fãs podem se fartar com o ritmo e a poesia desse grande sujeito.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

That's my way - Edi Rock

Por Marcus Vinicius

A voz (locução) da jornalista que abre o vídeo é de Juliana Castanha, daqui do Ceará.



Edivaldo Pereira Alves (São Paulo20 de setembro de 1968), mais conhecido pelo seu nome artístico de Edi Rock é um rapper e compositor brasileiro. É um dos maiores nomes do rap brasileiro, começou sua carreira em 1984, quando fazia bailes em residências ao lado de seu companheiro DJ KL Jay. Em 1988 na periferia da cidade deSão Paulo, ao lado do próprio KL JayMano Brown e Ice Blue fundam o principal grupo do cenário RAP do país, Os Racionais MC's. É dele as canções "Mágico de Oz" e "Rapaz Comum", além de várias outras em parceria com Mano Brown e Ice Blue.