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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A tristeza é senhora

 por Sandra Helena de Souza
Sandra Helena


Eu gostaria de ser de algum partido de esquerda como amiúde me acusam os adversários de debate. Se o fosse, estaria agora pragmaticamente envolvida no pleito municipal, dando por favas contadas o ‘impeachment’ e fazendo as contas de como retornar ao poder em futuro próximo, encontrando desculpas rotas para justificar minha ausência ou nula presença na dura luta contra o golpe; ou às voltas com alianças estapafúrdias com golpistas em nome de sabe-se lá o quê.

Mas não sou e, como eu, tantos e tantas militantes das boas causas país afora, estamos tomados por uma tristeza assombrosa que percorre dias e noites insones e faz nos arrastarmos como zumbis, cumprindo as tarefas do cotidiano sem paixão, acometidos de melancolia política. De uns tempos para cá, ficou cada vez mais claro que esses difíceis dias de consumação do golpe chegariam e teríamos de atravessá-los, mas nem toda preparação foi suficiente para evitar-me as lágrimas teimosas que me acompanham no carro na ida e volta do trabalho.

É claro que não há saída política que não passe pelas urnas, mas também é claríssimo que não há como negar o tom de farsa das eleições vindouras. Simplesmente não há mais normalidade democrática no País e todo o esforço para lustrar o processo com a aparência do jurídico perfeito não resiste a uma ou duas perguntas bem formuladas. Em ambientes acadêmicos como o meu, a omissão e o silêncio atordoante diante do crime político de lesa-democracia põem a nu toda a vanidade do conhecimento desacoplado dos valores civilizatórios fundamentais. Os defensores da Escola sem Partido já podem ir se considerando com meia-partida ganha.

As recentes revelações no julgamento do Senado, com a testemunha de acusação revelando que formulou a peça que ele mesmo julgou, apenas conferem ao teatro do absurdo mais um toque burlesco. Nada mais parece capaz de reverter o infortúnio pessoal de Dilma Rousseff, cassada de seu mandato legítimo, tornada inelegível e impedida de exercer quaisquer funções públicas por anos, um feito do qual nos envergonharemos e muitos daqueles que hoje já começam a se mostrar ‘surpresos’ com as medidas tomadas pelo conglomerado que tomou de assalto o poder terão razões de sobra para suas pantomimas de ocasião.

Nossa democracia nem conseguiu tornar-se balzaquiana. A minha geração nascida sob a mais violenta das ditaduras não se imaginou viver um golpe em tão curto espaço de tempo. Fosse apenas Dilma a apeada como foi o caso Collor e poderíamos, sem incômodo, fazer coro às inúmeras críticas à sua persona política. Mas é também um projeto de país, construído desde a redemocratização aos trancos e barrancos, desmoronando, diante de nós, o futuro de milhões e milhões de jovens novamente comprometido, a criminalização da política em ponto ômega, as esquerdas atônitas e aquém de seu papel, a hipocrisia, o ressentimento, o ódio, o autoritarismo de volta.

Os inimigos estão no poder. É hora de admitir isso e reinventar a luta. Para que o futuro não tarde 21 anos. Vida longa a Dilma Rousseff.


http://www.opovo.com.br/app/opovo/dom/2016/08/27/noticiasjornaldom,3653317/artigo-a-tristeza-e-senhora.shtml

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Manifestar é preciso, mas não é exato

Por Américo Souza


Em 1984 ocorreram, nos meses de março e abril, diversas manifestações em favor da eleição direta para presidente da República. Passados 31 anos, nos deparamos com novas manifestações, desta vez contra a atual presidente, eleita pelo voto direto.
Vários expressivos pensadores assumem a defesa da livre manifestação de ideias, independentemente dos temas que abordem. Noam Chomsky, linguista e filósofo estadunidense, conhecido por suas posições de esquerda, enfrenta com galhardia posições conservadoras em seu país e afirma que todos devem ter garantido o direito de se expressar. O mesmo dizia Paulo Freire, agente importante das “Diretas Já”, cujas ideias estranhamente parecem incomodar os manifestantes de hoje.
Em tempos assim, a grande questão que fica é relativa aos fundamentos do nosso pensar. Se por um lado a livre manifestação de ideais parece algo dado, por outro –indicam os teóricos da Escola de Frankfurt – importa pesar a influência da indústria cultural na determinação dos modos de perceber a realidade.
Nem toda opinião está imune aos devaneios da consciência ingênua. E convenhamos, atualmente, não é fácil posicionar-se de maneira totalmente livre e consciente. Uma professora experiente, ensinou-me que “quando o passarinho está mudando de pena, não canta”. Ou seja, devemos evitar emitir opiniões apressadas, para evitar o risco de graves enganos de interpretação. Há momentos para tudo, inclusive para calar.
Nem todos que se manifestam “livremente” o fazem exatamente com liberdade, já que a liberdade é o pleno domínio sobre nossas ideias e ações. Existem poucos, como foi Freire e como é Chomsky, cujo pensamento ingovernável estará sempre exposto, sem temores, diante dos outros pensamentos, mediocremente teleguiados por quem pauta de fato as manchetes que tão vorazmente consumimos. O exemplo que nos fica desses dois pensadores é fazer um esforço para que a mediocridade não nos consuma e, assim, possamos agir com e pela liberdade.

Américo Souza é historiador e professor da Unilab. Este artigo foi publicado originalmente na seção de Opinião do jornal O POVO. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Bons dias, brasileiros

Por Iana Soares

Nesta segunda-feira amanhecemos sem presidente. Ontem tivemos um dia frenético, como bem sabem. Tomamos café da manhã com mil adesivos na camiseta, almoçamos segurando garfo, faca e bandeira. Votamos. Gritamos entre vermelhos e azuis, postamos nas redes sociais e tentamos, até o último minuto, convencer vizinhos e parentes distantes a votarem no nosso candidato. Tudo em vão. Quem imaginaria esse desfecho? Um país com mais de 200 milhões de habitantes subitamente sem presidente.

Não houve qualquer explicação. Os candidatos sumiram e deixaram para nós uma missão intitulada “futuro do País”, pregada na testa de cada brasileiro que, assustado, correu para lavar o rosto logo cedo, incrédulo e inseguro. Não desgruda, pois é feita com material eterno e dura mais do que batom 24 horas. Alguns souberam da notícia pela televisão ou ao ler este breve artigo. O que importa é que já não se sustentam os insultos proferidos e o ódio destilado para defender e acusar um ou outro. Os que se abstiveram e por um segundo pensaram na frase “eu não gosto de política” já não podem brincar de Pôncio Pilatos.

Agora, com um destino tão certeiro, cada ex-eleitor compreenderá que é parte de um tecido social e que suas ações individuais impactam de forma certeira na vida coletiva. Estranho escrever o óbvio. Os formadores de opinião de última hora perceberão que não era só coisa de Facebook ou clima de clássico-rei, mas que os milagres imaginados poderão ser colocados em prática. Ou não, pois haverão embates. A democracia é território de conflito.

Como já havia antecipado, escrevo de Barcelona, na Espanha. Com um fuso horário de 4 horas, fui dormir sem presidente. Em espanhol, a forma de saudar as pessoas logo cedo é com um “buenos días”. Não se deseja apenas um único e solitário bom dia, tão caducável. Através da expressão, o interlocutor nos presenteia com um desejo plural. É como ganhar um buquê de flores coloridas que não murcham.

Que venham dias com mais bicicletas e menos carros importados. Mais reforma agrária e menos latifúndio. Mais terras indígenas homologadas e nenhum trabalho escravo. Mais árvores e ninguém apavorado. Mais solidariedade e amor ao próximo nos bons dias que virão.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Eu também dou palpite (I)

Por Marcus Vinicius

No Facebook antes das eleições do primeiro turno nas eleições 2014. Agora no blog.

Da série - Eu também dou palpite...

Estamos todos(as) no mesmo barco eleitoral. Todos(as) não.
Tem o pessoal da Crítica Radical e os anarquistas que não participam do jogo.
São três mulheres e oito homens que disputam à presidência da República.
Da esquerda à direita. De partidos marxistas-leninistas aos de direita.

Todos, nas eleições, com suas táticas e estratégias eleitorais, portanto, buscando eleitores para suas propostas. São santinhos, jantares, programa de TV e as redes sociais....e o corpo a corpo.

Mas, nós eleitores(as) somos bichos esquisitos. Incomodamos alguns pois não damos importância às “verdades” e somos muitas vezes acusados de vender votos ou acreditar nas pesquisas e por isso votamos nestes bem pontuados.

Pior, escolhemos nossos(as) candidatos(as) e depois buscamos justificativas.

É o que vou fazer. (não sei pra quê... mas publicarei no “face” e assim posso ter ou não curtições),

Comecemos pelos deputados.

Nestes eu voto nem que ele e ela não queiram. Sem justificativas. Mas vou lembrar que eles têm origem em grupo que estava muito acima da média do ponto de vista intelectual e político. Meu Utópico concreto (by Ernst Bloch) e minha Marxista esotérica.

Renato Roseno – 50500
Luizziane Lins - 1313

Para o Senado – votarei em Branco, sem pestanejar.

Para Governador - Camilo 13.

Agora lascou, vou ter que justificar. Sem culpa ou remorso. Nunca votei em Cid Gomes e olha que houve um tempo que muita gente boa votou. Na primeira eleição do Cid, fiz campanha, fotos e votei pro Renato Roseno, na segunda, votei na Soraia. Portanto...
E, Cid não é o candidato. Logo o discurso do “ele é Gomes” e etc não me abala. É o melhor dos candidatos.

Para Presidenta – DILMA 13

Sem muita justificativa. É disparada a melhor candidata. Até porque é inconsequente o discurso vazio de que Dilma é igual a Marina e ao Aécio.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Voto contra tudo que ta aí

por Jorge Furtado

Se alguém me dissesse, em 2004 – quando o primeiro governo Lula sofria a oposição feroz de toda a mídia brasileira e tinha pouco ou nada para mostrar de resultados – que em dez anos o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre duas ex-ministras do governo Lula, uma pelo Partido dos Trabalhadores e uma pelo Partido Socialista Brasileiro, eu diria ao meu suposto interlocutor que a sua fé na democracia era um comovente delírio. A provável ausência, pela primeira vez no segundo turno das eleições presidenciais, de candidatos da direita autêntica, do PSDB, do DEM e do PTB, é mais uma boa notícia que a democracia nos traz. Imagina-se que, vença quem vença, muitos dos derrotados voltarão correndo para os braços confortáveis do novo governo, esta é a má notícia.

Tenho familiares e bons amigos que vão votar na Marina e também no Aécio. Eu vou votar na Dilma. Acho que foi o Todorov quem disse (mais ou menos assim) que a democracia nos reúne para que a gente resolva qual é a melhor maneira de nos separar. Não sou nem nunca fui filiado a qualquer partido, já votei em vários, tenho amigos em alguns. Neste que é o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas), o Brasil não parou de melhorar e não há nada que indique que vá parar de melhorar agora.

Votei no Lula, desde sempre até ajudar a elegê-lo em 2002, com o palpite de que um governo popular, o primeiro em 502 anos, talvez pudesse enfrentar com mais vigor o grande problema brasileiro: a desigualdade social. Achei que, talvez, substituindo a ideia de que o bolo deve primeiro crescer para depois ser divido pela ideia de incentivar o crescimento do país com melhor distribuição de farinha, ovos, manteiga, fogões, casas com luz elétrica, empregos e vagas nas escolas e nas universidades, finalmente poderíamos começar a nos livrar da nossa cruel e petrificada divisão entre a casa grande e a senzala. Meu palpite estava certo. A desigualdade brasileira continua grande e cruel mas está, finalmente, diminuindo.

Voto, ainda, primeiro contra a desigualdade social, ainda o maior problema do país, um dos mais injustos do planeta, em poucos lugares há uma diferença tão grande entre pobres e ricos. A elite brasileira (sim, ela existe, esta aí), fundada e perpetuada no escravismo, luta para manter seus privilégios a qualquer custo. Eles são donos dos bancos, das grandes construtoras, fábricas e empresas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet e defendem ferozmente sua agradável posição. A única maneira de enfrentar seu enorme poder é no voto.

Voto contra o poder crescente do capital sobre as políticas públicas. Quem vive de rendas pensa sempre mais no centro da meta da inflação e menos nos níveis de emprego, mais na taxa dos juros e menos no poder aquisitivo dos salários. O poder do capital especulativo, rentista, é gigante, mora na casa dos bilhões de dólares. Voto contra, muito contra, a autonomia do Banco Central, que tira do governante, eleito pelo nosso voto, o poder de guiar o desenvolvimento segundo critérios sociais, protegendo o país do ataque de especuladores e garantindo renda e empregos, e entrega este poder ao tal mercado, hereditário e eleito por si mesmo, sempre predador e zeloso em garantir a sua parte antes de lamentar os danos sociais causados por seus lucros. (Ver Espanha, Grécia, EUA, Finlândia, etc.)

Voto contra submeter os critérios de uso dos nossos recursos naturais não renováveis, como o petróleo, ao interesse de grandes empresas estrangeiras. O petróleo brasileiro e seu destino é o grande assunto não mencionado nas campanhas eleitorais. Os ataques contra a Petrobras, que acontecem invariavelmente às vésperas de cada eleição, atendem interesses das grandes empresas petroleiras, especialmente as americanas, que querem a volta do velho e bom sistema de concessões na exploração dos campos de petróleo, sistema que, na opinião delas, deveria ser extensivo às reservas do pré-sal. Aqui o interesse chega na casa do trilhão. Garantir que o uso da riqueza proveniente da exploração de nossos recursos não-renováveis tenha critérios sociais, definidos por governantes eleitos, me parece uma ideia excelente da qual o país não deveria abrir mão.

Voto contra o poder crescente das religiões sobre a vida civil. Respeito inteiramente a fé e a religião de cada um, gosto de muitos aspectos de várias religiões, sei do importante trabalho social de várias igrejas, mas não aceito o uso de argumentos ou critérios religiosos na administração pública. Mesmo para os que professam alguma fé religiosa a divisão entre os poderes da terra e do céu deveria ser clara. Diz a Bíblia, em Eclesiástico, XV, 14: “Deus criou o homem e o entregou ao poder de sua própria decisão”. (Esta é a versão grega, a versão latina fala em “de sua própria inclinação” ou “ao seu próprio juízo”.) Erasmo faz uma boa síntese desta ideia: “Deus criou o livre-arbítrio”. Ele, se nos criou a sua imagem e semelhança e criou também as árvores, haveria de imaginar que, criadores como ele, criaríamos o serrote, e com ele cadeiras, mesas e casas, e ainda, Deus queira!, a ciência que nos permita usar com sabedoria os recursos naturais e viver bem, com saúde. O poder crescente das igrejas, com suas tevês e bancadas no congresso, deve ser contido por um estado laico.

Voto contra o preconceito contra os homossexuais. O estado não tem nada a ver com o desejo dos indivíduos. Ninguém (seriamente) está falando que o sacramento religioso do casamento, em qualquer igreja, deva ser definido por políticas públicas, mas os direitos e deveres sociais devem ser iguais para todos, ponto. Os preconceituosos e mistificadores, que vendem a cura gay ou bradam sua lucrativa intolerância contra os homossexuais, devem ser combatidos sem vacilação ou mensagens dúbias.

Voto contra a criminalização do aborto. A hipocrisia brasileira concede às filhas da elite o direito ao aborto assistido por bons médicos, em boas condições de higiene, e deixa para as filhas dos pobres os métodos cruéis e o risco de vida, milhares de meninas pobres morrem de abortos clandestinos todos os anos. A mulher deve ter direito ao seu corpo, independente de vontades do estado ou de dogmas religiosos.

Voto contra o obscurantismo que impede avanços científicos. Há quem se compadeça com os embriões que serão jogados no lixo das clínicas de fertilização e ignore o sofrimento de milhares de seres humanos, portadores de doenças graves como a distrofia muscular, a diabetes, a esclerose, o infarto, o Alzheimer, o mal de Parkinson e muitas outras, cuja esperança de cura ou melhor qualidade de vida está na pesquisa com as células tronco.

Voto contra palavras vazias. Nossa era da mídia transformou a oralidade num valor em si, esquecendo que há canalhas articulados e bem falantes e pessoas de bem e muito competentes que são de pouca conversa, ou até mesmo mudas. Tzvetan Todorov: “A democracia é constantemente ameaçada pela demagogia, o bem-falante pode obter a convicção (e o voto) da maioria, em detrimento de um conselheiro mais razoável, porém menos eloquente”. (1) Há quem diga de tudo e também o seu oposto, dependendo do público ouvinte a quem se pretende agradar, há quem decore frases feitas repetíveis em qualquer ocasião, há quem não fale coisa com coisa. Prefiro julgar os governantes e aspirantes a cargos públicos menos por suas palavras e mais por seus atos, seus compromissos e sua capacidade de trabalho em equipe, ninguém governa sozinho.

Voto contra os salvadores da pátria. Pelo menos em duas ocasiões o Brasil apostou em candidatos de si mesmos, filiados a partidos nanicos, sem base parlamentar, surfando numa repentina notoriedade inflada pela mídia e alimentada pelo discurso “contra a política”, prometendo varrer a corrupção e as “velhas raposas”. No primeiro caso, a aventura personalista de Jânio Quadros acabou num golpe militar e numa ditadura que durou 25 anos. No segundo, a aventura personalista de Fernando Collor, sem base parlamentar e passada a euforia inicial, terminou em impeachment, bem antes do fim de seu mandato.

Voto na Dilma e contra tudo isso que ainda está aí: a desigualdade social, o poder crescente do capital, a cobiça sobre nossos recursos naturais, o preconceito contra os homossexuais, a criminalização do aborto, o obscurantismo que impede avanços científicos, a criminalização da política, as palavras vazias, os salvadores da pátria. Com a direita autêntica fora do jogo podemos, sem grandes riscos de voltar ao passado, debater o melhor caminho para seguir avançando. Ponto para a democracia.

(1) Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia, tradução Joana Angelica DÁvila Melo, Companhia das Letras, 2012.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dilma e Fidel


Dilma Rousseff e Fidel Castro se reuniram em Havana na segunda-feira (27). (Foto: Alex Castro/Cubadebate/AP)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um dia atrás do outro...

Por Marcus Vinicius

Nas duas primeiras fotos a "recepção" aos médicos cubanos, promovida pelo Sindicato dos Médicos do Ceará. Uma das "vaiantes" filiou-se ao PSDB e será candidata a deputada estadual ano que vem.
Na terceira foto, cerimônia em que Dilma disse que o profissional ("recepcionado" da primeira foto) sofreu um "imenso constrangimento" e pediu desculpas a ele, em nome do povo brasileiro.
Fotos de Jarbas Oliveira







Foto de Roberto Stuckert Filho
 http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-pede-desculpas-a-medico-cubano-vaiado,1088436,0.htm

terça-feira, 25 de junho de 2013

Barroso: o país precisa desesperadamente de reforma política

por Agência Brasil - Carolina Gonçalves e Karine Melo

Antonio Cruz / ABr
Brasília – Na véspera da posse como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso disse que o país precisa “desesperadamente” de uma reforma política. Depois de se encontrar com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para entregar o convite da cerimônia de posse marcada para essa quarta-feira 26, às 14h30, Barroso afirmou que esse é um sentimento geral da população.

“Se pudermos aproveitar este momento e esta energia contestatória para conduzir uma reforma política teremos [como] transformar o limão em uma limonada”, afirmou.

Na avaliação de Barroso, a proposta da presidenta Dilma Rousseff é constitucional, afastando rumores levantados por alguns parlamentares que questionavam a legalidade da realização de um plebiscito e da convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para discutir a matéria.

“O Congresso Nacional, por emenda constitucional, pode conduzir a reforma política diretamente, se desejar. Por emenda constitucional, pode convocar plebiscito submetendo uma proposta de reforma política. E, se entender, pode deliberar pela convocação de órgão específico para elaboração de uma reforma política”, afirmou. Disse que a Constituinte pode apenas ter caráter de reforma e não funcionar como órgão originário.

O advogado disse que a população não vive em um “um país convulsionado”. E acrescentou: “Temos instituições funcionando. Queremos manter o país, em grande parte, tal como está. Não vivemos um momento constituinte originário”.

Reforçou tese que publicou há dois anos sobre a reforma política necessária para o país: “Há dois anos escrevi que não achava quer era o caso, em nenhuma hipótese, de convocar uma Assembleia Constituinte para refundar o Brasil. Diferentemente, [a proposta colocada pela presidenta Dilma Rousseff equivale] à situação de um poder constituinte reformador, que é titularizado pelo Congresso”, concluiu

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A HERANÇA DE FERNANDO HENRIQUE

Por MARCOS COIMBRA

Enquanto não surgir coisa mais avançada, as pesquisas de opinião continuarão a ser a melhor maneira de interpretar o pensamento da população a respeito das questões coletivas. Sem elas, ficamos com o que acha cada indivíduo ou dizem os grupos mais organizados e loquazes. Os sentimentos e atitudes da maioria permanecem ignorados. É como se não existissem.

Mas as pesquisas estão aí. E permitem uma compreensão dos juízos e as expectativas dos que não se expressam, não mandam cartas ou postam comentários na internet. Há outras formas de fazê-lo, mas nenhuma mais confiável.

Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Não custam tanto e um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, pode encomendar as suas. Nem um jornal ficará pobre se tiver de contratar alguma.

Por que então as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública? Tome-se uma velha ideia: as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá por que, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências a sustentá-la.

Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.

Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro ofereceu-se para o posto.
E os cidadãos comuns, o que pensam desse “legado”?

Em pesquisa recente de âmbito nacional, o Vox Populi tratou do assunto. Em vez de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito.

Os entrevistados foram solicitados a avaliar 15 áreas de atuação do governo Dilma Rousseff. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.

Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram. Na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma. Nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas. Na educação, o tucano foi defendido por 5% e os petistas por 63%. Na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8%, enquanto Lula e Dilma, por 71% dos entrevistados.
No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: para 10%, ele saiu-se melhor que os sucessores, mas 65% preferiram a atuação de Lula e Dilma no controle de preços.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados. Na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.

No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram ter Lula e Dilma sido superiores.

Os políticos e as empresas jornalísticas são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levy Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema-esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.

Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político. Nem Serra nem Alckmin quiseram praticá-lo. A derrota de ambos nada tem a ver com o fato de não terem feito tal defesa. O problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.

Resta ver como se comportará, na prática, Aécio Neves. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tô com Dilma.....




Se "O olhar de quem ama diz/
O que o coração não quer", diz o poeta.

Imagina o coração não querendo dizer.
Valeu Dilma!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dilma empossa nova gestão do Consea na terça


A presidenta Dilma Rousseff dará posse na próxima terça-feira (17) à nova gestão do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). A antropóloga Maria Emília Pacheco será a primeira mulher a presidir o conselho.

A solenidade está prevista para as 15 horas no Salão Oeste do Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença da presidenta Dilma, ministros de Estado, diversas autoridades e convidados.

Na oportunidade também serão empossados os novos conselheiros titulares e suplentes para o biênio 2012/2013.

Na última reunião plenária do Consea, realizada na semana passada, os conselheiros escolheram o nome de Maria Emília para indicação à presidenta Dilma, a quem cabe a nomeação.

Perfil – Maria Emília nasceu em Leopoldina (MG) em 1948, é formada em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social de Juiz de Fora (MG) e possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ela integra a Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

Maria Emília integrou a equipe que implantou o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan) em Minas Gerais. É anistiada política desde maio de 2009. Ela é conselheira do Consea desde 2004.

Serviço
Posse da Nova Gestão do Consea
Dia: 17 de abril (terça-feira)
Horário: 15 horas
Local: Salão Oeste, Palácio do Planalto, Brasília (DF)

Informações para imprensa
Ascom/Consea
(61) 3411 3349 – 9321 0198 Fonte: Ascom/Consea

terça-feira, 20 de março de 2012

Manifesto pede saída de Ana de Holanda




Na última década, o Ministério da Cultura transformou-se em uma área especialmente dinâmica do governo federal. Ao reconhecer a importância primária das práticas de sentido para a vida social, o Estado deu-se finalmente conta de que tem responsabilidades incontornáveis no que toca ao estímulo, apoio e defesa das manifestações criativas que emergem do povo, ou melhor, dos povos brasileiros como expressão de sua vitalidade e de sua personalidade.
À medida que o país foi ganhando projeção internacional, maior foi se tornando a necessidade de definirmos e consolidarmos a contribuição distintiva que o Brasil espera estar em condições de dar à civilização mundial. Com este objetivo, a abertura da esfera pública a uma multiplicidade de agentes e ações, oriundos de todas as regiões do Brasil, ligados à criação de cultura, isto é, de valor existencial - artistas, ativistas digitais, produtores culturais, editoras independentes, coletivos experimentais, criadores da moda e do design, intelectuais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, movimentos contra a discriminação de gênero e de orientação sexual, ambientalistas, grupos culturais dos mais variados matizes e propósitos - constituiu-se em uma das experiências institucionais mais inovadoras que o Estado brasileiro jamais promoveu.
Sob a liderança das gestões da cultura durante os 8 anos do governo Lula, o acolhimento entusiástico de uma vasta gama de manifestações antropológicas, tradicionais como modernas, regionais como nacionais, locais como globais, deu direito de cidadania e densidade politica a vários conceitos novos, doravante parte de nosso vocabulário de política pública: "cultura digital", "pontos de cultura", "cultura viva", "patrimônio imaterial", "cidades criativas", "economia da cultura", "diversidade cultural", "creative commons", "compartilhamento", "cultura e pensamento", "cidadania colaborativa", "participação setorial" e tantos outros. Um Plano Nacional de Cultura foi redigido pelo MinC com ampla participação dos setores interessados, e foi aprovado pelo Congresso Nacional. Tratou-se de um esforço consistentemente democrático de transformação da agitação social em meio de conquista de uma voz pública, de expressão da força viva dos povos de nosso país nos termos de um discurso de dimensões propriamente políticas, no sentido mais nobre da palavra.
Como herdeiro legítimo deste legado, o governo Dilma tem um grande desafio pela frente. É enorme a expectativa dos inúmeros grupos envolvidos no processo de emancipação cultural iniciado nas gestões passadas. Os que acompanham, como cidadãos, essa histórica reviravolta inquietam-se sobre a orientação que irá prevalecer uma vez encerrado o primeiro ano de uma gestão federal de cultura marcado por hesitações, conflitos e por mudanças de rumo que nos têm parecido infelizes.
É inevitável constatar que houve inúmeras perdas de visibilidade e de nitidez no horizonte da política cultural, comprometendo a imagem de um país que avança para o futuro sem perder a relação com seu passado, e que se moderniza sem destruir suas tradições. Depois de inúmeras notícias desalentadoras ao longo do ano que passou, a opinião pública constata que a presente gestão de nossa política cultural vem se mostrando descomprometida com o legado das conquistas recentes neste âmbito, como o atestam as inúmeras iniciativas de grande impacto dentro e fora do País. É digno de nota, em particular, o que parece ser o total desconhecimento, por parte da atual gestão do MinC, do debate internacional sobre os desafios que o novo regime capitalista globalizado coloca para os criadores em todos os âmbitos da cultura, nesta época em que a criação de valores existenciais se viu capturada e sujeitada pela produção de valor econômico.
O despreparo para a prática do diálogo e do embate crítico por parte dos atuais responsáveis pelo MinC é dolorosamente evidente. É assustador, por exemplo, que em recente entrevista a ministra afirme que tem vivido uma "guerra de nervos" e que todo o seu universo de preocupação esteja reduzido à sensação de que os que discordam de sua gestão estejam apenas querendo derrubá-la de seu posto, deixando de lado o sentido maior da vida democrática que é a possibilidade do diálogo e da reconciliação em benefício de algo público e de grandeza comum.
A criação cultural é indissociável da construção inovadora de horizontes para o País, é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum. Não faz mais sentido pensar nos quadros anacrônicos que tinham a chamada "infraestrutura", ou economia, como elemento primacial da vida humana, ao passo que a cultura, ou "superestrutura", era vista como artigo de luxo. Pois não é possível, justamente, entrarmos em pleno século 21 equipados com uma "superestrutura" mental que data do século 19. É um engano gravíssimo um Estado contemporâneo não dar a devida importância à agenda das políticas culturais, pois a economia sem a cultura não pode mais do que propagar a desvalorização de uma sociedade, colocando-a a mercê de interesses estritamente econômicos.
Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008, a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir. Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a decadência do protagonismo do governo federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma "cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a) ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária. Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a) ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos profissionais, quer em familiaridade com a política da criação contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida nacional.
POR MARILENA CHAUÍ, EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO, SUELY ROLNIK, LAYMERT GARCIA DOS SANTOS, GABRIEL COHN, MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, MOACIR DOS ANJOS

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eleições 2012 (2) - A PRIVATARIA TUCANA

Por Marcus Vinicius


Já que as eleições se aproximam e a temporada de caça está aberta, uma dica: compre e leia ou só leia o livro "A PRIVATARIA TUCANA" de Amaury Ribeiro Jr, lançado pela Geração Editorial.
O livro faz parte da colação História Agora e mostra com farta documentação sobre as "irregularidades" nas privatizações durante o governo FHC. Mostra também como familiares e amigos de políticos tornaram-se novos ricos nas Ilhas Virgens Britânicas. Aliás, um desses políticos está se candidatando a candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB.
O livro mostra também as disputas por espaço e poder dentro de uma campanha eleitoral. Especificamente as disputas na área da comunicação da campanha de Dilma Rousseff a presidência da República.
O livro que passou em brancas nuvens pela grande imprensa será lançado hoje as 19 horas no Auditório da Faculdade de Direito da UFC.
http://diumtudo-marvioli.blogspot.com/2012/03/convite.html

sexta-feira, 9 de março de 2012

... mas quem paga a conta?

Por Ronildo Mastroianni

Amigas

Ronildo Mastroianni
O 8 de março é comemorado no mundo, o Dia Internacional da Mulher, ou seja dos 365 dias do ano, 364 são do homem;

As mulheres só tiveram o direito de votar, de fato, ainda que, por concessão do governo de Getúlio Vargas em 1932: detalhe só as casadas e que tivessem permissão dos maridos. Em 1946 a mulher de passou a efetivamente exercer o direito de votar igualmente os homens vinham fazendo desde 1532, essa conta é fácil, são 400 anos;

No Brasil, após 122 anos de homens se reversando na presidência da República, uma mulher assumiu esse cargo. Foram 34 homens anteriores a Dilma Rousseff.
Será que os outros homens presidentes eram tão competentes e as mulheres necessitaram de quase um século e meio para construir essa competência?

A agricultura foi inventada pela mulheres a aproximadamente 9 mil anos, porém quem recebe maiores estímulos e créditos para o exercício dessa atividade são os homens em qualquer parte desse Brasil e na maioria dos países do mundo.

As Forças Armadas do Brasil existem oficialmente desde 1808, porém somente em 1943, mais de um século depois as mulheres puderam ingressaram no Exército Brasileiro. Mesmo assim, permanecem em cargos de "cuidadoras ou socorristas" por que será isso? Porque os grandes cargos e patentes só ficam para os homens?

O dia 15 de outubro de 1827 foi consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila, porém somente em 1947, 120 anos após a instituição desse dia, ocorreu a primeira comemoração efetivamente dedicada a essa categoria, e a partir de então passou a ser o Dia do Professor e não o Dia da Professora ou Educadora... fala sério!

A primeira Faculdade de Medicina foi criada em 1808, pelo príncipe regente D. João VI, porém sete décadas depois, ou mais de meio século depois ocorreu a primeira matricula de uma mulher na faculdade de medicina, foi a gaúcha Ermelina Lopes Vasconcelos...

A Ordem dos Advogados do Brasil, cujo nome inicial era Instituto dos Advogados do Brasil, existe desde 1843, porém, somente no inicio do século XX as mulheres passaram a ingressar na OAB, as pioneiras foram Myrthes de Campos e Leonilda Daltro, isso há mais de um século depois...

Ainda hoje, as mulheres recebem um salário menor que os homens para assumir o mesmo cargo e as mesmas responsabilidades...

Hoje o tempo de atendimento no serviço de saúde pública é menor para as mulheres negras, se comparado com o mesmo tipo de atendimento para as mulheres brancas;

Ainda hoje as principais vítimas da violência que ocorrem dentro das casas, ou seja a violência doméstica, são as mulheres as crianças e os idosos/as...

Ainda hoje, prioritariamente, a responsabilidade de fazer a alimentação da família, limpar, lavar cozinhar e cuidar dos idosos/as dentro da família, são atribuições colocadas para as mulheres...

Ainda hoje, a cada ano cresce o número de mulheres violentadas e mortas no Ceará, em 2009 houve aumento de 46% comparado 2008; em 2010 o aumento foi de 12% comparado a 2009, em 2011 segue o no mesmo ritmo...
Os motivos são espetaculares: intolerância, ciúme, possessão, agressividade, machismo!

Bem, acho que de fato devemos comemorar o dia 8 de março, como um dia de luta, um dia de superação sim!;

Para os homens está tudo muito bem obrigado, porque tudo, absolutamente tudo é construído a partir do referencial masculino.

Como não cumprimentei com a palavra amigos no início dessa mensagem, é bem provável que alguém não tenha gostado e talvez não tenha chegado a ler o conteúdo dessa mensagem...

Pra finalizar: Que todos e todas, principalmente as mulheres, possam vivenciar o cotidiano de uma forma crítica, de como são vistas dentro dessa sociedade "moderna" que usa os artifícios do capitalismo e do patriarcalismo para perpetuar o que historicamente vendo estruturando as desigualdades de classe, raça e gênero, obviamente em níveis diferenciados, porém recorrente em todas os canto e sociedades do mundo.

Essa sim seria a maior revolução que poderíamos ter.

Justiças, igualdade e efetivação de direitos para todas, para todos.
E aí: vamos comemorar! Mas quem paga essa conta?

Ronildo Mastroianni é Agroecologista e Agrônomo do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Solução ou armadilha ?

Por ASA

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede formada por cerca de 750 organizações da sociedade civil que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida. Sua missão é fortalecer a sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido referenciados em valores culturais e de justiça social.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Governo Dilma anuncia retomada da reforma agrária

Pressionado durante toda a semana por milhares de trabalhadores rurais acampados em Brasília e em manifestações pelo país, o governo aceitou retomar a reforma agrária. Vai preparar um programa de assentamentos com metas para os próximos três anos. E liberar, de imediato, R$ 400 milhões para compra de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As medidas foram anunciadas na noite desta sexta-feira pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, após horas de negociações com lideranças da Via Campesina, que promovou a mobilização.
Gilberto Carvalho
Principal interlocutor do Palácio do Planalto junto aos movimentos sociais, o ministro foi até o acampamento central improvisado por cerca de 4 mil camponeses, para fazer o anúncio. “Vocês conseguiram recolocar a reforma agrária no centro da pauta de discussão do governo Dilma”, disse Carvalho aos sem-terra.
Durante a semana, as principais entidades que lutam por terra no país promoveram mobilizações na capital federal e em diversos estados. Em Brasília, ocuparam o Ministério da Fazenda, participaram de passeatas e se reuniram com representantes de 11 ministérios.
– Esta semana foi um marco na história recente da luta pela terra. Combinamos a pressão da luta com negociação efetiva – disse Valdir Misnerovicz, da coordenação do Movimento Nacional dos Sem-Terra (MST).
Segundo ele, o crédito suplementar de R$ 400 milhões para o Incra vai beneficiar, pelo menos, 20 mil famílias. O MST diz que existem hoje cerca de 200 mil famílias acampadas no país à espera de assentamento. Estas devem ser contempladas pelo Plano Nacional de Reforma Agrária, a ser lançado até o fim do ano.
– A presidenta Dilma determinou que sua equipe apresente, ainda no início de setembro, uma proposta para assentar, de forma qualificada e definitiva, todas as famílias acampadas, entre 2012 e 2014 – esclareceu o ministro.
O governo também anunciou  a concessão imediata de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a fundo perdido, para projetos de agroindústria. Serão R$ 200 milhões para projetos de até R$ 50 mil e R$ 250 milhões para projetos de até R$ 250 mil.
No início de setembro, o governo deve anunciar as primeiras concessões da recém-lançada Bolsa Verde, um pagamento periódico a pequenos agricultures que preservarem a vegetação de suas propriedades. Ainda em caráter experimental, o projeto vai beneficiar 15 mil famílias sem-terra e extrativistas, com a concessão de benefícios similares aos da bolsa-família.
De acordo com o ministro, o governo autorizou, ainda, a liberação dos R$ 15 milhões do Programa Nacional de Educação para Reforma Agrária (Pronera), que haviam sido contingenciados, e se comprometeu a implementar um amplo programa para erradicar o analfabetismo no campo.
Sem acordo
Gilberto Carvalho afirmou também que o governo aprovou um projeto de refinanciamento das dívidas de até R$ 20 mil dos pequenos agricultores, em sete anos, a juros de 2% ao ano.
Os trabalhadores rurais, entretanto, não ficaram satisfeitos. “Para fechar acordo com o governo, reivindicamos que seja incluído, pelo menos, um bônus de adimplência, como forma de evitar novos endividamentos”, justifica Plínio Silva, do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA).
Segundo a Via Campesina, 520 mil famílias estão com problemas para pagar dívidas com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A dívida total é de R$ 30 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões precisariam ser roladas já.
Governo e trabalhadores rurais permanecem discutindo também uma série de outras reivindicações dos movimentos camponeses, como a implementação de um programa de habitação rural, a homologação de terras indígenas e quilombolas, a regulamentação do uso de agrotóxicos e a questão do desterramento das populações atingidas pelas grandes obras no campo.

http://correiodobrasil.com.br/pressionado-governo-dilma-anuncia-retomada-da-reforma-agraria/327808/

sábado, 5 de novembro de 2011

ONGs se organizam para exigir regulamentação de convênios


Por Marcela Belchior

Foto - Mauri Melo 
Cinco dias após a presidente da República Dilma Rousseff (PT) suspender por um mês o repasse de recursos referentes a convênios com Organizações Não Governamentais (ONGs) em todo o País, entidades do Terceiro Setor que atuam no Ceará se reuniram para unificar uma tomada de posição. Eles deverão divulgar nota oficial do coletivo na próxima segunda-feira, 7, e agendar um ato público ainda para novembro. O esforço é pelo estabelecimento de um marco regulatório de acesso ao dinheiro público pelas entidades e para protestar contra a corrupção.

Na manhã de ontem, 18 entidades, dentre filantrópicas, pastorais, ONGs, estiveram representadas na sede da ONG Cearah Periferia, no bairro Aldeota, em discussão para articular reação daqueles que fazem o Terceiro Setor no Ceará. O coordenador-geral da ONG Comunicação e Cultura, que trabalha com mídia impressa popular, Daniel Raviolo, ressalvou que se deve observar os casos de corrupção partindo, principalmente, da atuação do Estado brasileiro.

“Não está, nem são as empresas ou as ONGs, mas no Estado, que vive um momento endêmico de corrupção. (...) Não são todas as ONGs que são sujeitos (de corrupção), mas ações governamentais. O que há é uma ponta do governo, que busca um canal para colocar o dinheiro para fora”, disse.

Para ele, o grande prejuízo para o setor está na imagem das entidades como um todo, que afeta na adesão da sociedade, mas também passa pela própria divisão do bolo orçamentário entre as iniciativas. “Vivemos num mundo onde imagem é tudo. Pode dificultar as parcerias e a mobilização das pessoas para as ações sociais. (...) E se eu compito com um corrupto, vou sempre me dar mal”, apontou Daniel Raviolo.

Marco regulatório

A coordenadora executiva da ONG Cearah Periferia, Suzany Costa, afirma que o momento agora é propício para agregar as organizações e avançar nas negociações com o Governo Federal em torno da regulamentação dos convênios entre Estado e entidades. Trata-se da formulação de um arcabouço de instrumentos legais das áreas trabalhista, administrativa e tributária que normatiza o acesso aos recursos públicos.

Ela diz que a grande dificuldade em se aprovar o marco pode ser a diversidade de tipos de organizações da sociedade civil que compõem o Terceiro Setor. São fundações empresariais, ONGs, filantrópicas, igrejas, Ocips (Organizações Sociais de Interesse Público), entre outras classificações. “Existe essa discussão há anos. O que a gente precisar fazer é desenhar esse mapa para efetivar”, disse a coordenadora. A perspectiva é que as regras sejam fechadas ainda durante a gestão Dilma.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA

ONGs de todo o Brasil voltaram a ser alvo de questionamentos após denúncias de desvios de verbas públicas no programa federal Segundo Tempo, que acabaram provocando a queda do ministro do Esporte, Orlando Silva.

Saiba mais

Os recursos suspensos pelo Governo Federal só voltarão a ser liberados após emitido parecer técnico que ateste a regularidade da parceria com as entidades privadas sem fins lucrativos.

Só em 2011, mais de R$ 2 bilhões foram repassados a esse tipo de organização.
 
No Ceará, são 17 as ONGs que compõem a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong): 1) Associação para o Desenvolvimento Local Co-Produzido (Adelco), 2) Agência de Notícias Esperança (Anote), 3) Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza, 4) Cearah Periferia, 5) Centro de Estudos e Apoio ao Trabalhador e à Trabalhadora, 6) Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE), 7) Centro Cultural-Educativo de Lazer, Informação, Trabalho e Ação Social,8) Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria do Trabalhador (Cetra), 9) Comunicação e Cultura, 10) Esplar Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), 11) Grupo de Apoio às Comunidades Carentes do Ceará, 12) Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS do Ceará (Gapa-CE), 13) Instituto Juventude Contemporânea (IJC), 14) Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec), 15) Instituto Terramar, 16) Instituto de Revitalização para o Trabalho, 17) Valorização do Indivíduo e Desenvolvimento Ativo (Vida Brasil-CE).

Serviço

Acesse a Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil. Lá estão disponíveis:

1. Signatários do movimento
2. Suas principais propostas
3. Espaço para realizar adesões
4. Notícias.
5. Contatos das organizações
Site: http://plataformaosc.org.br 
No site da Associação Brasileira de ONGs (Abong), você conhece carta aberta escrita à presidente Dilma Rousseff (PT) e, dia 7, a nota oficial do coletivo do Ceará:
Site: www.abong.org.br