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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

MELHORES DISCOS DE 2018

por Marvioli

Um amigo, Rogério Ribeiro, me pede todo final de ano uma lista de dez discos, tipo os melhores do ano.

Sigo este critério: é disco físico (CD), lançados no ano e comprados e apreciados por mim.

Dito isto, lá vai a de 2018:



  • ARNALDO ANTUNES - RSTUVXS

  • CÉLIA - O QUE NÃO PODE MAIS SE CALAR (cd/dvd)



  • CEUMAR, PAULO FREIRE E LUI COIMBRA - VIOLA PERFUMOSA



  • ELZA SOARES - DEUS É MULHER



  • LUXO DA ALDEIA - TANTOS CARNAVAIS DEPOIS


  • DANI GURGEL - TUQTI


  • JOYCE MORENO E ALFREDO DEL-PENHO - ARGUMENTO .



  • CASUARINA -   + 100

  • GAL COSTA - A PELE DO FUTURO

  • ANA CAÑAS - TODXS


...E um décimo primeiro: o do Erasmo Carlos - O amor é isso.


...E um décimo segundo: Renato Braz - Canto Guerreiro . Levantados do Chão

VIOLA PERFUMOSA - "Marvada Pinga" - Ceumar, Lui Coimbra e Paulo Freire

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Manifestar é preciso, mas não é exato

Por Américo Souza


Em 1984 ocorreram, nos meses de março e abril, diversas manifestações em favor da eleição direta para presidente da República. Passados 31 anos, nos deparamos com novas manifestações, desta vez contra a atual presidente, eleita pelo voto direto.
Vários expressivos pensadores assumem a defesa da livre manifestação de ideias, independentemente dos temas que abordem. Noam Chomsky, linguista e filósofo estadunidense, conhecido por suas posições de esquerda, enfrenta com galhardia posições conservadoras em seu país e afirma que todos devem ter garantido o direito de se expressar. O mesmo dizia Paulo Freire, agente importante das “Diretas Já”, cujas ideias estranhamente parecem incomodar os manifestantes de hoje.
Em tempos assim, a grande questão que fica é relativa aos fundamentos do nosso pensar. Se por um lado a livre manifestação de ideais parece algo dado, por outro –indicam os teóricos da Escola de Frankfurt – importa pesar a influência da indústria cultural na determinação dos modos de perceber a realidade.
Nem toda opinião está imune aos devaneios da consciência ingênua. E convenhamos, atualmente, não é fácil posicionar-se de maneira totalmente livre e consciente. Uma professora experiente, ensinou-me que “quando o passarinho está mudando de pena, não canta”. Ou seja, devemos evitar emitir opiniões apressadas, para evitar o risco de graves enganos de interpretação. Há momentos para tudo, inclusive para calar.
Nem todos que se manifestam “livremente” o fazem exatamente com liberdade, já que a liberdade é o pleno domínio sobre nossas ideias e ações. Existem poucos, como foi Freire e como é Chomsky, cujo pensamento ingovernável estará sempre exposto, sem temores, diante dos outros pensamentos, mediocremente teleguiados por quem pauta de fato as manchetes que tão vorazmente consumimos. O exemplo que nos fica desses dois pensadores é fazer um esforço para que a mediocridade não nos consuma e, assim, possamos agir com e pela liberdade.

Américo Souza é historiador e professor da Unilab. Este artigo foi publicado originalmente na seção de Opinião do jornal O POVO.