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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Soledade solo-ao vivo na casa de Francisca

Discaço de Cida Moreira - Soledade solo-ao vivo na casa de Francisca


"Falar sobre cantar canções... e gravar canções... e viver canções... tarefa de responsabilidade difusa, no meio de tudo que um artista pode realizar como seu. Num dia de 2015, em plena fase de gravação de SOLEDADE, a soledade brasileira que estava entranhada em mim, fiz um show descompromissado na nossa linda Casa de Francisca. 
Este show foi gravado e filmado por Murilo Alvesso e Césinha. Passou o tempo... SOLEDADE estreou, embelezou, justificou meu espanto brasileiro, ampliou meu amor por este país.

E a outra Soledade ficou guardada, até vir à tona numa manhã de domingo, quando eu e Zé Pedro Selistre ouvimos... ficamos perplexos e encantados com tudo que ali estava cantado... um estado poético e musical, um sentimento de soledade pessoal, referenciado em canções que não entraram no SOLEDADE; e outros muitos sentidos vindos da memória, da poesia, de uma viagem antiga pelas cidades, pelos amores, pelas grandes referências a um estado de alma feminino, de uma artista que em tudo canta um Brasil profundo, e suas experiências estéticas e gostos pelo contundente, pelo estranho, pelo radical, pela palavra rasgada no piano solitário e na voz de uma mulher que acredita que cantar canções traz pra dentro de sua vida um sentido, um fio precioso, capaz de costurar qualquer tecido; esburacados tecidos que somos nós, com nossas lembranças, nossas ideologias e sonhos, cumpridos ou não debaixo deste céu, através dos ventos que levam tudo; só nos deixando a poesia, dona de mim."


Cida Moreira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Silvia Maria - Ave Rara

Por DJ Zé Pedro

Os ouvidos brasileiros pouco sabem de Silvia Maria. Suas aparições no mercado de discos desse país foram raras: o álbum Porte De Rainha de 1973 e sete anos depois , em 1980, um LP independente chamado Coragem. Foi aí nessa virada de década, numa breve mas inesquecível apresentação no programa TV Mulher da Rede Globo cantando Samba da Partida de Baden Powell e Herminio Bello de Carvalho, que sua forte presença cênica me levou a fazer uma peregrinação pelas lojas do Rio de Janeiro em busca desse (hoje quase impossível de ser encontrado) disco. E Silvia Maria sumiu do meu campo de visão. E Silvia Maria mais uma vez não alcançou as rádios do Brasil. De tempos em tempos na minha casa, do fundo das minhas prateleiras cheias de cantoras, sua voz pedia para me emocionar novamente. Quando conheci o produtor musical Thiago Marques Luiz (um incansável pesquisador das vozes femininas brasileiras), falei da importância de Silvia Maria e assim demos a partida em busca de informações sobre seu paradeiro. E foi assim que a encontramos no dia 21 de Outubro de 2010, literalmente, numa sala de espelhos, lugar que tem esse nome localizado nos fundos do Memorial da América Latina em São Paulo, onde ela faria uma quase secreta aparição para uma platéia formada de amigos e admiradores dos velhos tempos. E o meu impacto foi grande. E a minha emoção me tomou de tal forma que na saída do espetáculo Silvia já estava comprometida para, no dia seguinte, entrar em estúdio e gravar esse disco que você tem agora nas mãos. Aqui está o registro preciso e emocionado de uma artista urgente que, em apenas doze sessões de estúdio e cercada por competentes músicos, mostrou que o Brasil não pode esquecer ou deixar de conhecer essa grande voz . Dona de um repertório inesperado que visita canções quase escondidas de Milton Nascimento, Marcos Valle, Assis Valente e Eduardo Gudin, Silvia Maria poderá , a partir desse momento, ser reconhecida e admirada por muitos, só depende de você. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Então aperte o play e boa viagem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Quem vê DJ não vê coração

Por Marcus Vinicius


Essa  tirinha do André Dahmer http://www.malvados.com.br/  é reveladora. 
E ela me vem à lembrança quando da descoberta de que o DJ Zé Pedro tinha aberto uma gravadora e que estava lançando um pacote de quatro cds. Lembrei do Zé Pedro dos tempos que andava com a Galisteu em seus áureos momentos. Aquela figura onde sobresaiam os óculos e os chapéus. E logo eu, que embora sabendo que ser DJ é muito mais que selecionar músicas e pilotar picape numa festa ou boate, tenho uma certa implicância quando escuto DJ afirmando - "toco isso", "estou tocando lá na..". E, existe uma banalização do termo.
Mas, quem vê DJ não vê coração.
E, a gravadora criada por Zé Pedro promete. A jóia moderna é "um território exclusivo de vozes femininas nesse vasto país de cantoras", "um selo onde mulheres importantes da cena musical brasileira de ontem e hoje poderão lançar seus trabalhos inéditos. Além disso, a Jóia Moderna se preocupará em relançar alguns discos clássicos da MPB que ainda não voltaram ao mercado em formato de cd." Comprei os 4 cds do pacote inicial: 
  •  Zezé Motta no álbum Negra Melodia onde ela interpreta a obra de Jards Macalé e Luiz Melodia;
  • Cida Moreira com um disco de voz e piano chamado A Dama Indigna;
  • A Voz da Mulher Na Obra de Taiguara e
  • Ave Rara com Silvia Maria 
Ainda não recebi o da Cida Moreira, essas coisas de compras via internet, mas ouvi os outros três. Excelentes discos, necessários e imprescindíveis em qualquer discoteca que se preze. 
No entanto, Ave Rara de Silvia Maria é imperdível. Antigamente diria, corra a loja mais próxima prá comprar o disco. Hoje você nem precisa correr, compre pela internet mesmo.
Compre, escute, colecione os discos da Jóia Moderna.
Valeu, DJ Zé Pedro