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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Simplemente, Elis - samba da Vai-Vai 2015



Simplesmente, Elis
Compositores: Zeca do Cavaco, Zé Carlinhos e Ronaldinho FDQ

Reluziu, seu canto ecoou no meu Brasil
Cantora igual jamais se ouviu
Saracura a cantar, bem mais feliz
Simplesmente Elis

Carnaval a Bela Vista está em festa
Qua qua ra qua qua
Vem viajar, a hora é esta
Mergulhando na emoção
Encontrei inspiração
Divina voz, salve a rainha
Fiz Louvação em aquarela
Na passarela hoje tem arrastão

Upa neguinho na estrada é demais
Vou a romaria como nossos pais
De um falso brilhante eu fiz fantasia
Maria Maria

Águas de março a rolar
Trem azul vai passar, um sonho mais lindo
Na batucada da vida, um samba no Bexiga
Vai amanhecer
A cantar a dor o amor o bêbado e a equilibrista
A voz do povo diz que o show de todo artista
Tem que continuar
Glória fino da bossa com Jair só alegria
Hoje retrato em preto e branco na folia
A grande estrela deste meu país

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O BERÇO DA BOSSA NOVA

Por Flávia Ribeiro

Fotos Eduardo Zappia






Nos fim dos anos 1950 e ao longo dos 1960, quatro bares localizados em uma travessa sem saída na Rua Duvivier, em Copacabana, concentravam shows da nata da então incipiente bossa nova. No Ma Griffe, Little Club, Bacará e Bottle’s Bar apresentaram-se Elis Regina, Nara Leão, Baden Powell, Sérgio Mendes, Leny Andrade e muitos outros. Na época, o lugar era chamado de Beco das Garrafas, pois moradores dos prédios vizinhos lançavam das ditas cujas para acabar com o burburinho provocado pelos assíduos frequentadores. Abandonado por décadas, o local está de volta, depois de um projeto de revitalização capitaneado pela cantora e produtora Amanda Bravo e com investimentos da Heineken.

Filha do músico Durval Ferreira, coautor de clássicos da bossa nova como Estamos Aí e Tristeza de Nós Dois, Amanda decidiu realizar o sonho do pai, morto em 2007, e pôs de pé os planos de transformar o Beco das Garrafas novamente em um lugar relevante para a cena musical carioca. “Aquele foi um ambiente fértil, que ajudou a revolucionar a MPB. Meu pai e um sócio, Sérgio De Martino, tentaram revivê-lo no fim da década de 80, mas a ideia não foi para a frente. Há pouco mais de um ano, liguei para o Sérgio. Transformamos o Bottle’s e o Bacará em um só espaço e abrimos no último réveillon”, conta ela.




Por uma feliz coincidência, a Heineken havia incluído o Rio de Janeiro em sua campanha global, Cities of the World, com lançamento de garrafas comemorativas e investimento em locais icônicos de seis cidades: além da capital fluminense, Nova York, Xangai, Berlim, Amsterdã e Londres. E o Beco das Garrafas foi o grande escolhido na Cidade Maravilhosa para ser o centro do projeto e passou por uma ampla reforma.




“Queremos resgatar a história da bossa nova e o frescor que a musicalidade brasileira possui. Para isso, nada melhor do que o ponto que foi o berço desse estilo musical”, explica Bernardo Spielmann, diretor de marketing da marca e de patrocínios da cervejaria no Brasil. “O Bottle’s Bar, com o Bacará incorporado a ele, e o Little Club passaram por uma reestruturação completa, preservando o formato original. Foram feitas diversas reformas em alvenaria, aprimoramentos no design e na decoração, sempre respeitando sua rica história.”





A reinauguração foi realizada em setembro, com um show em homenagem a Elis Regina. Desde então, há apresentações de terça a sábado, sempre das 18h às 2h. Já passaram por lá, nessa nova fase, nomes como Victor Biglione, Chico Batera, Carol Saboya, Ricardo Silveira e Patrícia Marx, além de novos talentos, como Júlia Vargas e Suricato. Duas vezes por mês, aos sábados, há ainda o Clubinho, às 16h, com espaço para bandas formadas por crianças e cantores mirins. No cardápio, petiscos como aipim frito, pastéis, casquinha de siri, sanduíches e batata frita. Para beber, cerveja, chope e drinks.





“O lugar é tipicamente carioca, no coração de Copacabana. É despojado, pois qualquer um pode frequentá-lo de bermuda e havaianas”, comenta Amanda, garantindo que nenhum vizinho jogou garrafas desde sua reabertura.

Beco das Garrafas, R. Duvivier, 37, Copacabana, Rio de Janeiro. Couvert artístico entre R$30 e R$50. T 21 2543 2962

http://www.azulmagazine.com.br/v1/?p=8678/bottlesbar.com.br

segunda-feira, 2 de junho de 2014

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Basta de Clamares Inocência (Cartola)

Por Alfredo Pessoa

Esta música foi gravada por Elis Regina (Disco Essa Mulher, 1979, Warner Music) Cláudia Telles (Interpreta Cartola e Nélson Cavaquinho, 1995, produzido por Roberto Menescal) e Ney Matogrosso (Interpreta Cartola, ao vivo, 2002, Universal Music).
Uma pérola do mestre Cartola. 
O arranjo tá um pouco modificado, mas tá mais parecido com o do César Camargo Mariano.

Basta de Clamares Inocência (Cartola)

Am7(9) C7(13) B7 E7 (2 vezes) Am7(9) Bb7M
Am9          Am9/G  Bm7(9/b5) E7(b9)
Basta    de clamares    inocência,
Am7(9)      C7(13)  B7       E7
Eu sei todo mal que mim você fez.
Em7(b5)    A7(b9)  Dm7M(9)   Dm7/C
Você desconhece consciência,
B7(13)      B7(b13)     Bm7(b5) E7(b9)
Só deseja o mal a quem o bem te  fez.
Dm7         Bm7(b5) E7(b13)  Am7(9)
Basta, não ajoelhes    vá   embora,
C7(13) B7     E7              Am9(7)  Bb7M
  Se estás arrependida, vê se chora.
C7(13) B7     E7              Am9(7)  
  Se estás arrependida, vê se chora.
Bm7(b5)                      Bb7(b5)      Am7
Quando você partiu, me disse chora, não chorei.
Eb/F        F7(9)      Bm7(b5)          E7(b9)
Caprichosamente fui esquecendo que eu te amei.
Dm7       Bm7(b5)E7(b9) Am7(9)          Abm7(9)
Hoje me encontras tão alegre e diferente,
Gm7(9)     C7(13)    F6(9) F6(9)/C F6(9) Eb7(9)
Jesus não castiga um filho que está inocente,
Dm7          Bm7(b5) E7(b13) Am7(9) C7(13)
Basta não ajoelhes   vá   embo----ra,
     B7        E7           Em7(9) A7(b13)
Se estás arrependida, vê se chora.
Dm7         Bm7(b5) E7(b13) Am7(9) C7(13)
Basta não ajoelhes  vá   embo-----ra,
     B7        E7           F7M  Dm7(9)
Se estás arrependida vê se chora.
Am7(9) C7(13) B7(13) Bb7(13)
Am7(9) C7(13) B7(6) E4(7)/Bb Am7

domingo, 17 de março de 2013

ELIS REGINA


Antes do lançamento do disco “Essa mulher”, um compacto com O Bêbado e a equilibrista e As aparências enganam já anunciava que o ano de 1979 seria marcante para Elis Regina. A parceria de João Bosco e Aldir Blanc que pedia a “volta do irmão do Henfil” transformou-se rapidamente no Hino da Anistia. Elis se aproximava do movimento de metalúrgicos de São Paulo, captava a revolução feminina na música brasileira e começava a alçar vôos mais altos, como a participação no Festival de Jazz de Montreux (Suíca).

O pensamento ágil, o bom humor, a desconfiança da cantora em relação a esses e outros temas podem ser conferidos em entrevista rara, concedida por Elis à Rádio Nacional do Rio de Janeiro em julho de 79. Para conferi-la, acesse o link abaixo. Afinal, a gente sabe que o show de todo artista tem que continuar.

http://www.ebc.com.br/essa-mulher-entrevista-de-elis-regina-a-radio-nacional-em-1979

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Zambi - Edu Lobo e Gianfrancesco Guanieri



Zambi (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri)

É Zambi no açoite, ei, ei, é Zambi
É Zambi tui, tui, tui, tui, é Zambi
É Zambi na noite, ei, ei, é Zambi
É Zambi tui, tui, tui, tui, é Zambi

Chega de sofrer, ei!
Zambi gritou
Sangue a correr
É a mesma cor
É o mesmo adeus
É a mesma dor

É Zambi se armando, ei, ei, é Zambi
É Zambi tui, tui, tui, tui, é Zambi
É Zambi lutando, ei, ei, é Zambi
É Zambi tui, tui, tui, tui, é Zambi

Chega de viver, ê
Na escravidão
É o mesmo céu
O mesmo chão
O mesmo amor
Mesma paixão

Ganga-zumba, ei, ei, ei, vai fugir
Vai lutar, tui, tui, tui, tui, com Zambi
E Zambi, gritou ei, ei, meu irmão
Mesmo céu, tui, tui, tui, tui
Mesmo chão

Vem filho meu
Meu capitão
Ganga-zumba
Liberdade
Liberdade
Liberdade
Vem meu filho

É Zambi morrendo, ei, ei, é Zambi
É Zambi, tui, tui, tui, tui, é Zambi
Ganga Zumba, ei, ei, ei, vem aí
Ganga Zumba, tui, tui, tui, é Zambi

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Artistas da Vida (Gozaguinha)


A atriz e cantora Paula Alexander, com seu personagem "Atriz Regina", canta Artistas da Vida, música de Gonzaguinha nunca gravada por Elis Regina.




Artistas da Vida (Gonzaguinha)

Vozes de um só coração
Igual no riso e no amor
Irmão no pranto e na dor
Na força da mesma velha emoção
Nós vamos levando este barco
Buscando a tal da felicidade
Pois juntos estamos no palco
Das ruas nas grandes cida...des
Nós os milhões de palhaços
Nós os milhões de arlequins
Somos apenas pessoas
Somos gente, estrelas sem fim
Sim
Somos vozes de um só coração
Pedreiros, padeiros,
Coristas, passistas,
Malabaristas da sorte
Todos, João ou José
Sim nós
Esses grandes artistas da vida
Os equilibristas da fé
Pois é!
Sim nós
Esses grandes artistas dessa vida

terça-feira, 31 de julho de 2012

Elis Regina ganha nova biografia - Compra antecipada

Por Danilo Casaletti


Essa é capa da nova biografia da cantora Elis Regina (1945-1982). O livro, publicado pela editora Master Books, foi escrito por Allen Guimarães (também curador da mostra de mesmo nome, Viva Elis, que está rodando por cinco capitais brasileiras) e é resultado de uma pesquisa de quase uma década. Ao longe desse tempo, Allen colheu depoimentos de dezenas de artistas e pessoas que conviveram e trabalharam com Elis. Além disso, o autor mergulhou em recortes de revistas e jornais para traçar um panorama do que foi a carreira da cantora.


De acordo com o autor, trata-se de uma “biografia artística”. “O livro não traz detalhes vida pessoal da Elis. Os fatos da vida dela que cito servem para costurar ou justificar os dados artísticos”, diz Allen.


A narrativa é feita em ordem cronológica. Da cantoria de menina que encantava seus avós, ainda em Porto Alegre, cidade onde nasceu, ao seu derradeiro show, Trem Azul, em 1981. Os fatos são ilustrados por depoimentos de artistas que participaram daquele momento ou por entrevistas concedidas por Elis a diversos meios de comunicação da época.


Há passagens bem interessantes e ignoradas por biografias anteriores (a mais famosa é Furacão Elis, da jornalista Regina Echeverria), como a do disco que Elis planejava lançar apenas com músicas do compositor Vinicius de Moraes. O álbum seria gravado em 1979, quando Elis deixou a gravadora Philips (atual Universal) devendo um disco. A ideia da cantora era gravar, apenas acompanhada pelo piano do seu então marido, o músico César Camargo Mariano, as composições do Poetinha. Porém, a gravadora, para se “vingar” da saída de Elis, lançou um disco com gravações que não haviam entrado em seus discos anteriores, o que fez com que a cantora desistisse do projeto.


O livro também dá destaque para dois grandes projetos inovadores realizados por Elis. O primeiro é o “Circuito Universitário”, de 1973, quando Elis e seus músicos saíram em um ônibus para apresentações por diversas cidades do interior de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. “Foi a maior coisa que fiz na minha vida. Sabe lá o que é você cantar para gente que sai de casa exclusivamente para te ouvir?”, diz Elis, em reportagem reproduzida pelo livro.


Outro grande êxito da carreira da cantora, o show Falso Brilhante, que ficou em cartaz entre 1975 e 1977, apenas em São Paulo, também é destacado. As apresentações, que aconteciam de terça a domingo, sempre com o teatro lotado, foram um marco no show business brasileiro. “Pintou a ideia da gente conta a vida da gente, não a minha vida ao a do César (Camargo Mariano) e sim a vida da classe da gente. Mostrar como vivem os músicos e uma cantora latino-americana”, disse Elis, em depoimento à época.


Uma das passagens mais bonitas do livro está presente em um depoimento do artista gráfico Elifas Andreato, autor da programação visual do último show da Elis. Ele conta que, pouco antes da cantora morrer, chegou ao apartamento de Elis e a encontrou sentada no show, junto com Maria Rita, então com quatro anos de idade, na penumbra, ouvindo o disco Elis & Tom. Segundo ele, Elis lhe disse: “Elifas, nunca mais vai acontecer uma coisas dessas (referindo-se à gravação com Tom Jobim). Jamais! É muito bonito!”


Viva Elis ainda traz diversas fotos de diferentes fases da carreira de Elis. Entre elas, uma do show Transversal do Tempo, de 1978, na qual Elis aparece vestida com um manto que representa a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Era o momento em que ela, no show, cantava “Romaria”. O adereço foi usado apenas nas primeiras apresentações da temporada e logo foi proibido.


O livro, que teve patrocínio da Nivea, via Lei de Incentivo à Cultura, será distribuído em escolas e instituições de ensino de todo o país, além de ser colocado à venda. O lançamento está previsto para acontecer no Rio de Janeiro, durante a passagem da exposição Viva Elis pela cidade (de 09 de agosto a 30 de setembro, no Centro Cultural Banco do Brasil).


Fotos: Divulgação; Arquivo Editora Globo


(Danilo Casaletti)

domingo, 6 de maio de 2012

Maria Rita, entregue a Elis Regina

Por Pedro Alexandre Sanches


No Parque da Juventude tomado, sob a memória soterrada do presídio do Carandiru, Maria Rita, 34 anos, entregou a uma multidão paulistana feliz, de estimadas 60 mil pessoas, sua homenagem de filha aElis Regina (1945-1982). E a química aconteceu, como era de se esperar.


Mais que as músicas, mais que os arranjos das músicas, mais que a banda, mais que as interpretações da cantora: bonito de ver, mesmo, é a entrega de Maria Rita à mãe, e ao repertório da mãe, e à paixão do público pela memória de – sua, nossa – mãe.
“Eu tinha 4 anos, não tenho lembrança nenhuma da gente juntas”, disse, na constatação pública que é provavelmente a mais pungente de sua vida profissional.


O choro tomou o parque como tomou, em diversos flagrantes, o rosto da filha que mal se lembra do contato de sua – nossa – mãe.


Canções de intérprete, “Se Eu Quiser Falar com Deus” (1981), de Gilberto Gil, e “Essa Mulher” (1979), deJoyce e Ana Terra, foram cantadas em sequência e citadas como prediletas por Maria. Bonito, muito bonito.


Ao mencionar a veia politizada de Elis, cantou, juntas, “Menino” (1980), de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, e “11 Fitas” (1980), de Fatima Guedes, arrancando das entranhas cada verso e cada significado. Muito, muito, muito bonito.


Maria, Maria, indicou carinho especial pelo afiliado da mãe (e padrinho musical dela própria) ao encerrar o show com um trio de miltons: “Morro Velho” (1967), “O Que Foi Feito Devera/ O Que Foi Feito de Vera” (comFernando Brant e Márcio Borges) e “Maria, Maria” (com Brant), ambas de 1978. Bonito, bonito, bonito.


Camadas de significados podem-se desprender da releitura de “Morro Velho”, história do menino negro que cresceu com o menino branco, antes de serem separados pelas diferenças brasileiras de classe social. Bonito, e lancinante.


O menino branco e o menino preto podem-se descascar daí, em qualquer de diversas combinações: Elis & Milton, Elis & Gil, Elis & Jair Rodrigues (em “Imagem”, de Luiz Eça e Aloysio de Oliveira, de 1967, que abre a apresentação), Elis & Wilson Simonal - Maria, Maria refez esse vínculo cantando “Zazueira”, de Jorge Ben, lançada por Simonal em 1968 e tomada emprestada por Elis no ano seguinte. Bonito, abrasivo, abrasador.


O encontro no feminino, menina morena e menina ruiva, Elis & Rita Lee, foi acariciado em “Doce de Pimenta”, que Rita fez para Elis cantar – e Elis cantou, mas não chegou a gravar.


Em espetáculo grande e grandiloquente, Maria Rita elegeu contemplar a maioria entre as facetas adultas (a brotolândia, como de hábito, ficou de fora) da porta-voz triste do país triste. ”Arrastão” (1965), de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, representou a era dos festivais. O mito Elis & Tom Jobim disse alô em “Águas de Março” (1973). O vínculo tenso e tênue Elis-Chico Buarque ressurgiu em “Tatuagem” (1976). O vínculo tênue e tenso com Caetano Veloso não compareceu.


A exacerbadora de talentos alheios apareceu em standards de Baden Powell & Paulo César Pinheiro (“Vou Deitar e Rolar – Quaquaraquaquá”, 1970), Guinga & Paulo César (“Bolero de Satã”, 1979), Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza (“Madalena”, 1971), João Bosco & Aldir Blanc (“O Bêbado e a Equilibrista”, 1979), Maurício Tapajós & Aldir (“Querelas do Brasil”, 1978), Belchior (“Como Nossos Pais”, 1976), Gonzaguinha (“Redescobrir”, 1980), Renato Teixeira (“Romaria”, 1977), Guilherme Arantes(“Aprendendo a Jogar”, 1980). Bonito, sempre bonito.


A única nota dissonante à beleza toda era a empresa patrocinadora, Nívea – uma fábrica de beleza -, de que nós precisávamos para (e agradecemos por) viabilizar o evento histórico – mas que, ostensiva e agressiva, parecia querer aparecer mais que Maria e – pior – mais que Elis. A voracidade não venceu: mesmo com o nome Nívea em primeiríssimo plano, no palco e na plateia, Elis e Maria não foram ofuscadas.


Tampouco em momento algum Maria venceu a mãe no palco – certamente essa não era a intenção. Maria não canta como a mãe, nem melhor que ela. Mas a entrega, ah, a entrega… Bonita de ver, arrepiante.


http://www.farofafa.com.br/2012/05/06/maria-rita-entregue-a-elis-regina/4857?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed

segunda-feira, 19 de março de 2012

Elis por César Camargo Mariano (2)

Por Cesar Camargo Mariano

Cesar Camargo Mariano
Eu não estava mais na TV Record e já tinha me separado da Marisa havia algum tempo quando a Rede Globo fez uma série de programas, chamada Som Livre Exportação, comandada por Ivan Lins, Elis e Simonal. O SOM 3 foi contratado para fazer quatro programas em diferentes estados, e dois deles com o Simonal, um no Rio e outro em Brasília. Já tínhamos praticamente nos separado do Simonal, mas continuávamos amigos, e, de acordo com o contrato entre o SOM 3 e ele, teríamos de fazer mais esses dois trabalhos. Antes do programa de Brasília, Simonal me ligou e, numa conversa breve, pediu para eu preparar duas músicas novas. Quando chegamos para ensaiar, apareceu uma novidade: tinham decidido mudar o repertório da apresentação do Simonal. Outras músicas e outros arranjos que não eram os meus já estavam prontos. E tinham decidido que tudo ia ser feito com orquestra, e o SOM 3 não participaria do programa.

Essas mudanças acontecem na produção de um programa de televisão ao vivo, e as razões nem sempre são muito definidas. Mas nós não fomos sequer comunicados. ó soubemos quando recebemos o roteiro do programa, no camarim, já trocando de roupa.

Simonal estava no palco, ensaiando com a orquestra, quando fui falar com ele, em particular, para saber o que tinha acontecido. Ele, em voz alta, na frente de todos e muito irritado, disse que não sabia de nada e que eu fosse me acertar com a produção do programa.

Fiquei ali parado, sem graça, muito triste e sem entender aquela atitude. Não quis ouvir nenhuma explicação de ninguém. Queria ouvir dele

Pegamos nossas coisas e voltamos para o hotel. Os meninos subiram para seus quartos, e eu fiquei sentado no saguão, sozinho, tentando entender, pensando...quando, horas depois chegou o Nelson Mota com a Elis, e ambos se sentaram ao meu lado, tentando me consolar e me dar justificativas. Não só eles, mas todos perceberam quanto a situação ficou incômoda.
Um mês depois, o Som Livre Exportação foi para Porto Alegre, e o SOM 3 foi escalado para tocar com o Ivan Lins. Seria o último da série. No avião, estava todo o elenco, os músicos da orquestra, os técnicos, só não estava a Elis. Aquilo me chamou a atenção. Fui falar com Chiquinho de Moraes, arranjador do programa e amigo particular da Elis, que me explicou que ela não viria por causa de um problema odontológico de última hora.

Fizemos o programa. Correu tudo bem, e, no final, fomos todos convidados para um churrasco, em algum lugar, e, não sei por quê, eu continuava preocupado com Elis.

Do livro:
SOLO memórias - de Cesar Camargo Mariano 
Editora LeYa

domingo, 18 de março de 2012

Elis Regina por César Camargo Mariano (1)

César Camargo Mariano escreveu suas memórias. 
Estão no livro SOLO, lançado pela Editora LeYa.
Obrigatório para quem gosta de música. Excelente livro.
Devo publicar aqui,  as memórias de César sobre Elis. Eis a primeira.
Marcus Vinicius

Por César Camargo Mariano


Cesar Camargo Mariano
O bar ao lado do Teatro Record era um lugar de grandes conversas e servia de relaxamento das tensões, dos cansativos e corridos ensaios daqueles shows diários. Em um canto do bar, Caçulinha contava histórias e aventuras hilariantes; em outro, Ciro Monteiro sempre tinha um causo sobre alguma música ou sobre compositores de uma época em que eu nem sabia que um dia seria músico; Ronnie Von falava de seu avião e seus carros, todos azul-marinho; Simonal, Erasmo, Wanderléa, Elizeth, Hebe Camargo...todos ficavam ali, se descontraindo, trocando informações e tomando café naquela uma hora que tínhamos antes do início de cada programa.


Todos os dias, praticamente, eu convivia com o cast inteiro da Record, fazendo grandes amizades. A única pessoa que raramente aparecia no bar e, portanto, com quem eu não tinha o menor contato era a ELIS.


Lembro que tinha acabado de entrar no teatro, no início da tarde, e estava indo em direção aos camarins quando, virando a esquina de um corredor, demos um superencontrão. Elis estava chorando. O cabide de roupas que eu carregava caiu no chão, misturando-se com seus livros, sua bolsa e mais um monte de papéis que ela trazia nas mãos. Pedi desculpa, e ela chorava muito enquanto juntávamos as coisas no chão.


- Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - perguntei
- Nada - respondeu. E sumiu.






O Zimbo Trio, que era o trio, digamos, oficial da Elis e do programa O Fino da Bossa, foi fazer uma apresentação fora do Brasil naquela semana, e Manoel Carlos, então, escalou o SOM 3 e o quinteto do Luiz Loy para o programa. Seria a primeira vez que eu ia tocar com ela.


Nos ensaios dentro de um dos camarins, o clima foi tenso. Sabá e Toninho já tinham trabalhado e gravado com ela quando ainda eram o Jongo Trio, e aconteceu alguma coisa entre eles que, aparentemente, ainda não estava resolvida. De minha parte, era somente mais uma cantora que eu ia acompanhar, apesar de existir uma coisa que estava meio que pesando sobre a minha cabeça, que era a responsabilidade de substituir o Zimbo, tocando exatamente os mesmos arranjos de dois sucessos dela. Eram somente duas músicas, mas a situação era meio delicada. O clima ficava cada vez mais tenso à medida quew íamos ensaiando. Ela, sentada em uma cadeira, ao lado do piano, nem sequer olhava pra mim. Não falava nada: nem sim, nem não, nem tá bom ou está ruim. Nada.


Quando as duas músicas ficaram prontas e já íamos para o bar ao lado relaxar um pouco, ela me chamou:
- Tô com vontade de cantar mais uma com vocês - disse timidamente sem se levantar da cadeira e olhando para o chão


Era a música nova do Edxu Lobo que ela ainda não havia cantado.
Voltamos para os instrumentos, e fiz o arrajo de "Upa, Neguinho".
E foi só.

Do Livro:
SOLO - Cesar Camargo Mariano - Memórias - Editora LeYa - 2011

sábado, 17 de março de 2012

Elis Regina - 17 de março de 1945

Por Marcus Vinicius

Muitos lembraram os 30 anos de morte. Prefiro lembrar seu nascimento.
Elis Regina Carvalho Costa - 17 de Março de 1945.

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 DE MARÇO

Por Marcus Vinicius

ELIS REGINA
EMMA GOLDMAN
MARIA BONITA
INGRID BERGMAN
DONA IVONE LARA
LEILA DINIZ
CHIQUINHA GONZAGA
NAIR DE TEFÉ - (RIAN)
PAGU
SIMONE WEIL

Janis Joplin
Billie Holiday

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Elis Vive


Por Marcelo Carneiro da Cunha

Pois estimados milhares de leitores, rolou uma lágrima furtiva por esse meu rosto insensível, nesse exato instante. Meu erro foi clicar nesse link (youtube.com/watch?v=YL-TSspMl1o) e ouvir "Cais"cantado por Elis, acompanhada por um ilustre trio em branco e preto, como toda a grande música deve ser tocada e vista. O beiço está até agora tremendo. Com vocês acontece a mesma coisa?

Viva o youtube, viva a internet, viva a chance que temos de simplesmente cutucar um pouco e encontrar quase tudo de bom que já produzimos, para ver, ouvir, acreditar que sim, fomos capazes de criar tudo isso, e sim, tivemos, por mais incrível que pareça, uma Elis. Ela existiu, caríssimos leitores, e temos provas.

Eu a vi uma vez, tão pequena. Me faz lembrar a história do general espartano que removeu as penas de um rouxinol e disse, desapontado "É apenas uma voz, e mais nada". E mais tudo, estimado espartano, e mais tudo. Elis era uma voz e mais tudo. Olhem, ouçam. Não era?

No dia 19 de janeiro de 1982 eu estava em um trem na distante e fria Alemanha, quando alguém descobriu que eu era brasileiro e veio perguntar o que havia acontecido com Elis. Eu não sabia, fiquei sabendo naquele trem, e subitamente lá fora era não mais a Baviera, mas a Sibéria, caros leitores. A Sibéria. Desde então a gente passou a morar num frio siberiano, mesmo que nem sempre a gente perceba. Pois olhando para esses vídeos se percebe. Ouçam Meio de Campo, Canção do Sal, Ladeira da Preguiça, Tiro ao Álvaro, e, sugestão, não se arrisquem a ouvir Águas de Março, porque isso pode comprometer a alma e a cacunda de maneira irreversível.

Eu lembro de comprar Elis e Tom, em 74 mesmo, bem novinho, e ficar escutando junto com a minha namorada igualmente adolescente e apaixonada, muito mais por Elis do que por mim, no que estava muito certa. Aquilo era tão grande que até adolescente se dava conta de que havia algo no mundo maior do que o seu umbigo. Não é pouco, caros leitores, não é pouco.

Um amigo escritor defende a tese de que não existe "intérprete genial", pois a palavra genial é de uso restrito de compositores. Eu concordo discordando, mas discordo para valer no caso de Elis. Ela via o que estava lá e ninguém mais via. Ela via montanhas no meio do nada e provava. Ela transformava a nossa topografia cantando o que a gente precisava ouvir, de um jeito que ninguém jamais cantou antes, ou depois.

Eu não consigo deixar de pensar que o Brasil foi capaz de tudo isso, em pleno regime militar, apesar dele, contra ele, por conta dele. Havia Chico, havia Gil no melhor, havia Tom. E havia uma Elis juntando os pontos, dando sentido para a coisa toda, traduzindo para a gente um Adoniran, Milton Nascimento, no auge, cantando lindamente aquelas letras sem pé nem cabeça dos mineiros, cantando Bolero de Satã com Cauby Peixoto, minha gente. Alguém aí já ouviu o Bolero de Satã cantado pela Elis?

No momento dos trinta anos da morte física de Elis, vêm aí um ótimo tsunami de lançamentos, caixas e caixas da Elis que todos ouvimos e coisas que nunca ouvimos. Esse país desmemoriado aparentemente sabe o que precisa lembrar, de um jeito ou de outro. Elis, que nunca facilitou nada para ninguém, de alguma maneira conseguiu superar a obsessão brasileira com o isopor e nos fez sentir paixão pelo denso, pelo rico tecido da nossa musicalidade.

Eu fico pensando se com ela o nosso presente seria outro. Ela teria apenas 67 anos agora, se estivesse ainda mais viva do que está. Será que ela encontraria algum oasis nesse deserto que a nossa música virou? Eu creio que sim, eu sei que sim, e por isso dói tanto a falta que ela faz. Podemos e devemos ouvir o que ela fez e que é incrível, mas se ela estivesse aqui, ouvindo e olhando, quem sabe ela nos tiraria desse muito pouco em que andamos atolados? Hoje o Brasil me parece muito mais a sexta economia do que uma grande nação. Ouvindo Elis a gente se dá conta da diferença entre uma coisa e a outra.

De minha parte, assumo aqui o compromisso perante os meus milhares de leitores de que o Manuel Carneiro da Cunha, por enquanto com dois meses de idade, vai crescer e conhecer Elis. É o mínimo que se espera de cada brasileiro consciente dos seus deveres de cidadão.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5555843-EI8423,00-Elis+vive.html