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sexta-feira, 6 de março de 2015

Ciclo das águas - Fernando Pellon

Fernando Pellon tem dois discos. Um no século passado e o outro neste século. Em "Aço fio de um punhal" o disco mais recente, dez pérolas, que passeiam entre o mórbido, o poético, o escatológico, o lírico, o sublime, o amor. 
Aqui a sublime "Ciclo das águas". 


Ciclo das águas (Fernando Pellon)

Eu sei que fui água do balde
Que você jogou fora
E que escoei pelo ralo
Indo assim embora

Penetrando no vil submundo
De tantos dejetos humanos
Sarjeta onde agora padeço
Com meus desenganos

Mas a vida um dia, eu sei
Me fará desaguar
No curso de um rio
Num lago
Ou mesmo no mar

E na presença do sol
Verei brilhar a esperança
Sendo erguido aos céus
Até a nuvem branca

Quando findar a estiagem
Pretendo voltar
Fertilizando algum campo
Fazendo o amor brotar

E caso isso aconteça
Guardo um ardente desejo
Ter destino diferente
Das águas de despejo

terça-feira, 2 de abril de 2013

Foi Deus Quem Me Deu (ou: diálogos com o Deus da prosperidade)

 Por Rogério Lama

Chico Mãozinha, agricultor da comunidade do Arisco em Quixadá, Sertão Central cearense, escreve num papel de pão uma solicitação de audiência com Deus. Amarra a missiva à um pequeno seixo, o apruma em sua baladeira e atira pra cima. Com os olhos castigados de tanta luz, vigia o solo seco ao seu redor. A pedra não volta. Afia os ouvidos à espera de ouvi-la cair no chão esturricado. Nada, também. Tudo o que se ouvia eram alguns pássaros brigando por um pedaço de sombra no único pé de algaroba que havia ali.

Foto de Wagner Viana
Voltou pra casa e passou o resto da tarde consertando sua tarrafa. Cedo ou tarde teria serventia novamente. A noite se senta na rede e bate a areia dos pés antes de se esticar quando ouve um “ô de casa”. Abre a parte de cima da porta e se depara com um homem segurando um seixo.

- Essa pedra é sua?
- Não. É do rio que secou. O que era meu estava amarrado nela.
- Isso aqui? – diz estendendo a outra mão e mostrando um papel cor de terra.
- É, sim senhor. Quebrou seu telhado?
- Não. Recebi isso de um encarregado na hora do almoço.
- Ahn... e o que o senhor quer, então?
- Sou eu quem lhe pergunta. Não querias uma audiência comigo?
- E o senhor é Deus, por acaso?
- Sim, mas não me peça milagres como prova. Acho isso um saco.
- Omi... marrapaiz... me deixe pelo menos lavar o rosto. Já volto! O senhor quer uma aguazinha de pote?
- Traga quando voltar.
- Pegue. Sente-se, por favor!
- Hmm... boa, essa espreguiçadeira...
- É o seguinte, Seu Deus: a cada vez que vou à cidade vejo mais carros com um adesivo que diz “FOI DEUS QUEM ME DEU!”. É cada carrão com vento gelado no lado de dentro! Já aqui no sertão a gente rala os joelhos toda noite pedindo água ao senhor. Mas até agora nada.
- Bom, err...
- Deixa só eu terminar, Seu Deus. Eu vou repetir: Só pedimos água! O resto é por nossa conta. Então a gente aqui do Arisco queria saber como é que faz pra conseguir a graça que o povo da cidade tá alcançando.
- Olha, Chico, você vê jornal?
- Só almoço assistindo o Barra.
- Não, eu me referia ao... esquece isso. Deixa te explicar: com a isenção temporária de IPI, sai muito mais em conta doar automóveis. A água até que tem seus incentivos fiscais, mas tem uma logística muito cara. Veja: carros-pipa e adutoras são equipamentos bem dispendiosos. Além do que fica mais difícil colar adesivos em minha honra.
- Nossa... esse cálculo deve ser fruto da sua infinita benevolência e sabedoria. É provavelmente por isso que eu não esteja entendendo.
- O que você precisa entender, Chico, é que os automóveis são bens de alto valor agregado! Fábricas de carros geram inúmeros empregos para servos que se espalham numa cadeia produtiva. E cada servo desse aguarda o dia em que eu coloque em sua vida a graça de receber um automóvel, entendeu?
- Sim... err... não. Não entendi. Afinal de contas o senhor dá ou as pessoas trabalham pra comprar o carro?
- Bom... é um trato do tipo “uma mão lava a outra”, sacou?
- Mais ou menos... mas o caso é que eu não preciso de um carro. Preciso de água, senão vou perder todas as sementes que plantei.
- Ô Chico, assim você está dificultando as coisas! Serve uma mansão com quadra de tênis na Serra do Estevão?
- Olha, eu não preciso de uma, mas... tá bom. Eu aceito a casa na serra. Ainda que eu já tenha minha casinha no Arisco.
- Deixa de ser bobo, Chico! Você vai triturar o povo de tanta inveja! Já pensou? Sua casa de muro alto e cerca elétrica com os dizeres: “FOI DEUS QUEM ME DEU”! Quanta gente vai querer ser como você! Todos perguntarão como fez pra conseguir!
- Não tinha pensado nisso, Seu Deus. Como eu faço pra alcançar o benefício?
- Ah! Agora vem a parte boa! Você precisa ir numa igreja. Lá chegando você diz que quer renunciar ao que é mundano e vai entregar ao pastor o documento dessa terra imprestável.
- Como assim? Minha terrinha? Com a casa? Minhas criações e tudo?
- É, Chico. Tudo.
- Mas eu vou morar aonde, Seu Deus?
- Ai é que está a sacada! Você vai viver na carne o que está nos escritos sagrados. Você vai ser exemplo para toda a humanidade com sua história de humildade e desapego, e a igreja vai ficar entupida de fiéis, e com mais dinheiro, mais riqueza, mais ostentação e...
- E depois de estar na rua, o que eu faço?
- Ai eu vou... eu vou... te eleger vereador de Quixadá! Em 6 meses você comprará sua mansão na serra e pintará o muro em letras garrafais que fui eu quem te deu.
-É pra isso que serve vereador?
- Não, exatamente. Mas essa é a ética do mercado.
-Hmm... até ai eu entendi. Mas senhor, se eu serei exemplo de desapego enquanto estiver na miséria, eu deixarei de sê-lo quando comprar minha mansão, não é?
- É.
- Mas o senhor havia dito que quando eu tivesse a minha mansão, todos iriam querer ser como eu. Que exemplo o senhor quer que eu dê, afinal?
- Que mania essa sua de complicar as coisas, Chico! Lembra que te expliquei sobre a cadeia produtiva? Pois é! É legal ser miserável e tal. Fica bonito na foto e tudo mais. Lembra do ex-ministro Rafael Greca, que disse que havia “lirismo na miséria”? Pois é, é bem por ai. Só que isso não dá emprego pros meus servos nas fábricas. Assim, o desejo do supérfluo é o que mantém o emprego de gente sem estudo como você!
- Ahnn... mas tem um evangelista que narrou Jesus dizendo que o reino dele não é deste mundo. Se assim é, como pode a riqueza material ter tanta importância pro senhor?
- Olha, essas declarações já me deram uma dor de cabeça danada. Vamos fazer assim: dorme bem essa noite que ela é a última que você passa aqui. Amanhã cedo leva a escritura dessas terras pra igreja e chore cheio de remorso pra impressionar todo mundo com a sua renúncia. FUI!

E assim, Chico Mãozinha seguiu a risca o que Deus lhe ordenou e na eleição seguinte se elegeu vereador. Comprou sua mansão na Serra do Estevão com quadra de tênis, pintando bem grande no muro “FOI DEUS QUEM ME DEU!”. Queria ser justo. Fazia parte do trato.

Naquele entardecer, do alto da sua mansão observou as localidades do Arisco, Califórnia e Palmares. Continuavam secos e sem perspectiva. Pela manhã desceu a serra com a escritura da mansão sob o braço e a trocou pela sua antiga fazendinha e com o que sobrou, comprou 1.200 cisternas de placa pra espalhar pelas terras que viu lá de cima.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ASA: articulando sonhos e lutas

Por Mavinier Macedo

A ASA (Articulação no Semiárido) tem provado, por de mais de uma década, que ações feitas em conjunto, sempre são fortes, marcantes, poderosas, únicas. E ela é uma articulação com esta marca. A marca do ajuntamento consciente de pessoas com objetivos comuns, da expressão da criatividade do povo do sertão, da alegria do encontro e reencontro.
Em todo recanto onde a ASA chegou, criou laços entre as pessoas, e entre estas e o sertão que até então era visto como algo carregado de dificuldades, espinhos, terra rachada, marginalidade nos processos de cidadania.
Fez eclodir uma revolução no semiárido brasileiro, via seus programas, que trouxeram ações inclusivas para largas parcelas da população rural e despertaram o sentimento de “ser tão sertão”. 

Malvinier Macedo na manifestação em Petrolina - Pe

E quando há uma razão para ir às ruas mostrar a sua cara, a sua diversidade e as suas reivindicações, é sempre algo bonito, emocionante, motivador.
Prova disto, foi a manifestação que esta articulação protagonizou na última terça-feira, protestando contra o rompimento da parceria entre o Governo federal e a ASA, em uma caminhada ente Juazeiro BA e Petrolina PE, aglutinando milhares de pessoas das mais diferentes idades, que percorreram quilômetros, vindas de todas as partes do semiárido, se vestiram com a sua coragem, se enfeitaram com seus sonhos, fizeram ecoar seu grito de povo que conhece e ama suas realizações, entendendo que tem voz e vez.
E o mais louvável foi que em menos de uma semana, este ato foi proposto, organizado e realizado, sinalizando que a ASA realmente plantou e fez crescer a cultura da mobilização nas diferentes localidades por onde tem suas iniciativas.
O cortejo enfeitado com faixas, cartazes, frases, maquetes, estandartes, sanfoneiros, banda de pífanos, instrumentos de percussão, apitos, ocupou a ponte sobre o rio São Francisco, chegando à Praça da Catedral em Petrolina, onde houve o ato com falas e músicas, que mostravam a riqueza do plantio feito por tantas mãos. Ficará na memória das pessoas que integram a ASA como um sinal da sua força, da sua organização e da sua vontade de continuar um trabalho que vem dando certo.
Vamos torcer para que tantas vozes que se uniram pela continuação da parceria entre o governo federal e a ASA, tenha como eco uma resposta positiva ao que foi reivindicado.

* Malvinier Macedo é sócia do Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Manifestação em Petrolina junta mais de 15 pessoas

Por Raimundo Mascarenhas

 
Cerca de 15 mil pessoas, segundo estimativa da policia militar de Pernambuco, participaram hoje de uma grande mobilização na cidade de Petrolina neste momento, mas a manifestação teve inicio por volta das 09h30 horário de Brasília na vizinha cidade de Juazeiro – BA. O ato foi mobilizado pela Articulação do Semi Árido (ASA)  para dizer não a decisão governo federal que não tem pretensão de renovar o Programa de construção de cisternas e iniciou a distribuição de cisternas fabricadas a base de PVC.
A grande quantidade de pessoas debaixo de sol forte saiu da Orla Nova na cidade de Juazeiro por volta das 10h horário de Brasília e portando faixas, cartazes, apitos e carros de som “invadiram” toda extensão da Ponte Presidente Dutra que liga as duas cidades. A grande multidão não teve pressa para deixar a ponte e acabou provocando grande congestionamento nos dois sentidos.

“ Essa manifestação não combina com esse povo, parece que estamos protestando como no passado com os governos Collor e FHC, saber que essa nossa luta é para mudar a idéia de Dilma eleita pelo partido que defendemos durante todo tempo, não da para entender.Nós lutamos pela política para a convivência com o semi árido tivemos uma grade conquista com a implantação do Programa 1 milhão de Cisternas que mudou a realidade do semi árido  com água para o povo e geração de emprego e renda, der repente vem essa proposta de suspender a parceria de passar a distribuir cisternas plásticas (PVC), fato que fere a honra do agricultor e das famílias que sofreram ao longo dos anos” . Esse foi o desabafo do jovem produtor rural Luiz Cláudio da cidade de Itapipoca no Ceará.
O ato foi motivado pela declaração do Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDS de que o aditivo já anunciado e publicado no Diário Oficial da União, para continuidade dos programas da ASA (P1MC e P1+2), não será concretizado, sob a argumentação de que o Governo está revendo seus arranjos para o Plano Brasil sem Miséria.
A cidade de Petrolina foi escolhida para sediar o evento devido tanto à localização geográfica, que permite concentrar um grande número de pessoas de outros estados do Semiárido, como pela história de luta de diversas organizações da região.
Enquanto a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) reivindica os recursos previstos para a continuidade de suas ações, o governo federal vai investir R$ 1,5 bilhão na instalação de 300 mil cisternas de plástico. O valor gasto pelo governo corresponde a mais que o dobro do que a ASA gastou para construir 371 mil cisternas de placas no Semiárido.
Cada cisterna de plástico custa aos cofres públicos R$ 5 mil, segundo informou o Ministério da Integração Nacional numa reunião com representantes da ASA, em Brasília.  A cisterna de placa custa R$ 2.080,00. No Programa Água para Todos, além das 300 mil cisternas de plásticos, serão construídas 450 mil de placa.
Aqui os manifestantes já planejam ir a Brasília, pois o movimento ganhou muita motivação, já que, em menos de oito dias para articular essa gente e que estava sendo aguardado a presença de  10 mil compareceram mais de 15 mil pessoas.

Articulação do Semiárido diz que parceria será rompida


Por Sara Rebeca Aguiar

“Um grande retrocesso das políticas públicas de acesso à água dentro do contexto de participação da sociedade civil organizada”. Assim resumiu a coordenadora nacional da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Valquíria Lima, o possível rompimento da parceria entre a ASA e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), nos programas de construção de cisternas nas comunidades rurais.

“O MDS disse simplesmente que a ASA não receberia mais os recursos e que, a partir de agora, a verba seria repassada diretamente para o Estado e os municípios”, declarou Valquíria. Uma das queixas da articulação respalda-se na ausência da formação da mão-de-obra local para a construção dos reservatórios, o que vinha sendo feito pela ASA. Além disso, a articulação aponta também a falta de qualificação das famílias beneficiadas para a manutenção das cisternas, caso a decisão não seja revista.

“O que eles querem é simplesmente instalar o maior número de cisternas em um menor tempo, sem a preparação das famílias. Assim, não há o envolvimento das comunidades no resgate à cidadania. Quer-se atingir metas passando por cima do processo”, acredita Valquíria.

Segundo o coordenador-executivo do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, Alessandro Nunes, o MDS quer implantar cisternas de plástico, que, além de serem mais caras, não são adequadas à realidade local, como as cisternas de placas, construídas pela ASA. “Elas custam mais que o dobro das de placa e não há estudos que comprovem a durabilidade e qualidade da água armazenada nelas.

Destaque

As cisternas foram destaque na série de matérias que O POVO publicou em outubro deste ano. Elas foram apontadas como esperança e solução no semiárido. Responsável pela execução dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2), desde 2003, com o financiamento do MDS, a ASA vem se sentindo desconfortável com a não renovação do aditivo que concede à organização o direito de continuar à frente dos programas.

A suposta quebra da parceria foi anunciada pelo MDS no início do mês. Hoje, um ato público acontece em Petrolina (PE) a fim de externar o repúdio à deliberação federal diante das consequências que ela pode trazer às populações beneficiadas. A ação também objetiva reafirmar a importância da sociedade civil na construção de políticas públicas de convivência com o semiárido, que, segundo a ASA, será afetada com a decisão.

Valquíria considera ainda que a decisão federal é um retorno ao passado de clientelismo e de concentração de recursos para as empresas que vão fornecer o produto já pronto.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA
Desde 2003, a ASA mantém parceria com o MDS para a construção de cisternas no semiárido. A construção prevê o envolvimento das famílias, bem como o uso da mão-de-obra local no processo.
Saiba mais

Cisterna no semiárido
Considerada tecnologia popular, a cisterna é um reservatório de captação de água da chuva. As de placa são construídas por pedreiros das próprias comunidades do semiárido. Levam, em média, quatro dias para ficarem prontas. As de plástico são entregues já prontas às famílias pelas empresas. São instaladas no mesmo dia.

O P1MC, até então gestado e executado pela ASA, já beneficiou diretamente mais de dois milhões de pessoas, em 1.076 municípios, a partir da construção de quase 372 mil cisternas de placa.

O ato público, realizado pela ASA, em Petrolina (PE), pretende reunir cerca de 10 mil pessoas, entre deputados, senadores, entidades apoiadoras e agricultores.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Declaración de los Pueblos Indígenas del Mundo ante la COP 17

Nosotros, los pueblos indígenas del mundo, unidos ante la urgencia de la crisis climática y frente a la falta de voluntad política de los Estados, principalmente de los mayores emisores de gases de efecto invernadero, demandamos la inmediata adopción de acuerdos vinculantes con responsabilidades diferenciadas pero compartidas, a fin de detener el calentamiento global y definir modelos alternativos de desarrollo en armonía con la Madre Tierra.

Desde hace décadas los pueblos indígenas hemos advertido que los cambios climáticos confirman el quiebre de la relación armónica entre los hombres y la Madre Tierra, poniendo en peligro el futuro de la humanidad en pleno. Es todo un modelo de civilización el que está en crisis, aquel que se inició hace 500 años con el saqueo de los bienes naturales para el enriquecimiento y la acumulación de capital. La alternativa es cambiar el sistema, no el clima, apostando por un nuevo paradigma civilizatorio, por el Buen Vivir, en armonía entre los pueblos y la Madre Naturaleza.

Nuestras propuestas

Marco general:
Reconocer y respetar la libre determinación de los pueblos indígenas, particularmente nuestros derechos a los territorios y bienes naturales, de conformidad con la Declaración sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas de la ONU.
Asegurar y garantizar la participación plena y efectiva de los pueblos indígenas en todos los niveles, respetando los procesos basados en la consulta y el consentimiento previo, libre e informado, de conformidad con la Declaración sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas de la ONU.
Reconocer, respetar y fortalecer la contribución fundamental de los conocimientos, innovaciones y prácticas tradicionales de los pueblos indígenas.
Revisar las concepciones de desarrollo basadas en la acumulación de riquezas que acentúan la explotación sin límite de los bienes naturales.

Visión compartida:
Urgimos a los países desarrollados a alcanzar un marco de compromisos vinculantes con marcos concretos de reducción de emisiones de gases de efecto invernadero (GEI) como seguimiento al Protocolo de Kioto que vence el año 2012.
Planteamos una reducción de emisiones de por lo menos 45% bajo los niveles de 1990 para el 2020 y de por lo menos el 95% para el 2050.
Eliminación gradual del desarrollo de combustibles fósiles, y una moratoria para nuevos modelos de desarrollo en o cerca de nuestros territorios y tierras indígenas, respetando los derechos al desarrollo de los pueblos indígenas.
La visión compartida para la acción de cooperación a largo plazo no debe reducirse a definir el límite en el incremento de la temperatura y la concentración de GEI en la atmósfera, sino que debe comprender de manera integral y equilibrada un conjunto de medidas financieras, tecnológicas, de adaptación, de desarrollo de capacidades, de patrones de producción, consumo y otras esenciales como el reconocimiento de los derechos de la Madre Tierra para restablecer la armonía con la naturaleza.

Transferencia de tecnología:
El conocimiento es universal y por ningún motivo puede ser objeto de propiedad y utilización privativa, como tampoco sus aplicaciones en forma de tecnologías. Los países desarrollados deben compartir su tecnología con los países en desarrollo, crear centros de investigación para la creación de tecnologías e innovaciones propias.
La transferencia e instalación de tecnologías debe ser inmediata, oportuna, libre de costo alguno, en armonía con la Madre Tierra y sin condicionalidades, tanto de tecnología ya patentada como de información no divulgada.
El régimen de derechos de propiedad intelectual debe modificarse para garantizar el acceso a tecnologías limpias de mitigación y adaptación, en especial las desarrolladas, con participación de fondos públicos, considerando las 45 recomendaciones adoptadas en el marco de la Agenda para el Desarrollo por la Asamblea General de la Organización Mundial de la Propiedad Intelectual. Deben incluir la develación de la fuente de origen de los saberes ancestrales, el consentimiento fundamentado previo y la participación equitativa en los beneficios.
Establecer los lineamientos para crear un mecanismo multilateral y multidisciplinario para el control participativo, la gestión y la evaluación continua del intercambio de tecnologías. Estas tecnologías deben ser útiles, limpias y socialmente adecuadas.
Establecer un fondo de financiamiento e inventario de tecnologías apropiadas y liberadas de derechos de propiedad intelectual, en particular de patentes que deben pasar de monopolios privados a ser de dominio público, de libre accesibilidad y bajo costo.
Toda evaluación, recuperación y desarrollo de acciones de mitigación y adaptación debe incorporar los conocimientos y tecnologías de los pueblos indígenas, sujeto a su consentimiento libre, previo e informado, y a la vez garantizar la plena participación de expertos indígenas.

Adaptación y mitigación:
Garantizar el respeto, la protección y el fomento de los conocimientos tradicionales y los modos de vida sostenibles de los pueblos indígenas. Incluir salvaguardas ambientales y sociales de los pueblos indígenas, incluyendo aspectos culturales y espirituales.
Políticas y fondos públicos que prioricen el reconocimiento territorial integral de los pueblos indígenas. Reconocer y promover los sistemas propios de los pueblos indígenas en el uso, manejo y conservación de los bienes naturales.
El sistema de monitoreo, reporte y verificación no debe limitarse a medir los cambios en la cobertura boscosa sino incorporar variables sociales, en particular la relativas al cumplimiento de los derechos indígenas.
Toda evaluación, recuperación y desarrollo de acciones de mitigación y adaptación debe incorporar los conocimientos y tecnologías de los pueblos indígenas, sujeto a su consentimiento previo, libre e informado y a la vez garantizar la participación de expertos indígenas.
Demandamos que el Foro Permanente de Asuntos Indígenas de la ONU recomiende a la Oficina del Alto Comisionado de las Naciones Unidas que el Relator Especial sobre los derechos humanos y las libertades fundamentales de los pueblos indígenas elabore un informe sobre los impactos del Cambio Climático en los Pueblos Indígenas.
Los Estados deben asegurar que los pueblos indígenas tengan el derecho de movilidad y no sean forzados a reubicaciones lejos de sus territorios y tierras tradicionales, y que los derechos de los pueblos en aislamiento voluntario se respeten.
En el caso de migrantes por cambio climático, los programas y las medidas adecuadas deberán ser acordes con sus derechos, estatus, condiciones y vulnerabilidades.

Financiamiento:
Todo mecanismo de financiamiento para la mitigación y adaptación del cambio climático debe ser establecido bajo la Convención Marco de Naciones Unidas para Cambio Climático y deben proporcionarse recursos directos para los pueblos indígenas.
Establecer mecanismos participativos para garantizar la transparencia y la rendición de cuentas en todos los procedimientos y operaciones de financiamiento. Los recursos deben proceder de fuentes públicas y ser adicionales a los fondos de ayuda al desarrollo.
Establecer un fondo especial que permita a los pueblos indígenas y comunidades locales desarrollar sus propias actividades y contribuciones para remediar el cambio climático.
Los países desarrollados deben comprometer un financiamiento anual nuevo de al menos 6% de su producto bruto interno para enfrentar el cambio climático en los países en desarrollo.
El financiamiento debe ser directo, sin condicionamiento y no vulnerar la soberanía nacional ni la libre determinación de las comunidades y grupos más afectados.
Las instituciones financieras internacionales, como el Banco Mundial, deben quedar fuera de la administración de los fondos creados y a crearse. Porque financian proyectos que contribuyen al calentamiento global y con mayor razón ahora que el Banco Mundial pretende eliminar las salvaguardas para pueblos indígenas a través del “Programa por Resultados” – P4R.
Los países desarrollados, principales causantes del cambio climático, asumiendo su responsabilidad histórica y actual, deben reconocer y honrar su deuda climática en todas sus dimensiones, como base para una solución justa, efectiva y científica al cambio climático.
En el marco de la deuda climática, exigimos a los países desarrollados que restablezcan a los países en desarrollo el espacio atmosférico que está ocupado por sus emisiones de GEI.

Mercados de carbono y mecanismos conexos:
Retamos a los Estados a abandonar las soluciones falsas al cambio climático que impactan de manera negativa en nuestros derechos, tierras, aire, océanos, bosques, territorios y aguas como pueblos indígenas. Estas falsas soluciones incluyen la energía nuclear, las represas hidroeléctricas masivas, técnicas de geoingeniería, el “carbón limpio”, los agrocombustibles, las plantaciones, los mecanismos de mercado de carbón, los Mecanismos para el Desarrollo Limpio y la compensación de bosques.
Las soluciones propuestas por los gobiernos y ONG internacionales para enfrentar los efectos del cambio climático basadas en la lógica de mercado, tanto los referidos al mecanismo de desarrollo limpio como las propuestas de REDD+, constituyen nuevas formas de geopolítica económica que amenazan los derechos indígenas garantizados en múltiples instrumentos internacionales y los medios de vida de nuestros pueblos.
REDD+ debe garantizar y respetar los derechos de los pueblos indígenas, los modos tradicionales de vida y la gobernanza consuetudinaria de los bosques.

Durban, Sudáfrica, noviembre del 2011.

Foro Indígena Global sobre Cambio Climático

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Solução ou armadilha ?

Por ASA

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede formada por cerca de 750 organizações da sociedade civil que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida. Sua missão é fortalecer a sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido referenciados em valores culturais e de justiça social.



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

FAO advierte que el agua es una barrera para alimentar al mundo

Londres, 27 Oct (BBC-RHC) La necesidad de incrementar la productividad agrícola para alimentar a la creciente población global -ya somos 7.000 millones- está ejerciendo una fuerte presión sobre los recursos naturales, especialmente el agua, según el brasileño José Graziano, director general electo de la FAO.

"El agua se ha convertido en el principal obstáculo para aumentar la producción, especialmente en algunas áreas como la región andina, Sudamérica y los países subsaharianos", dijo en entrevista con la BBC el que será próximo número uno del Organismo de Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO).
De acuerdo con los cálculos de la FAO, en 2050 la producción de alimentos tendrá que ser un 70% mayor para poder mantener el ritmo de crecimiento de la población.

Graziano afirma que, pese a la presión sobre los recursos naturales que supone el creciente número de seres humanos sobre la Tierra, es posible terminar con el hambre con cuatro acciones principales: aplicación de modernas técnicas en la agricultura (muchas ya disponibles), crear una red de seguridad social para la población más vulnerable, recuperar para la agricultura los productos locales y cambiar los patrones de consumo de los países ricos.

"Si pudiéramos cambiar los patrones de consumo de los países desarrollados, habría comida para todos", comenta. "Desperdiciamos mucha comida en la actualidad, no solo en la producción, sino también en transporte y consumo".

Según Graziano, titulado en Agronomía, Economía Rural y Sociología, mientras en los países ricos desperdician comida, 1.000 millones de personas pasan hambre.

"Necesitamos asegurar que esa población pueda alimentarse, facilitarles buenos trabajos bien pagados o, si no, encontrar una fórmula de protección social".

El brasileño dice que los programas de transferencia de dinero sirven a unas 120 millones de personas en América Latina, lo que ha ayudado a reducir las tasas de desnutrición en la región.
Graziano aboga por expandir esos programas a otros países afectados, especialmente en África.

Mercados locales

Otra acción que podría ayudar a luchar contra el hambre, argumenta, es recuperar la agricultura de productos típicos de cada región.
Además, agrega que, en tanto esos productos no son materias primas, no se ven afectados por cambios repentinos en el precio, beneficiando así a consumidores y productores. También pueden crear un ciclo de producción y consumo local.
"Lo que hace la comida cara es el transporte, porque la producción es muy barata. Si pudiéramos diversificarla, volver regionales los canales de distribución, los precios serían mucho menores".
Graziano también afirma que estimular los productos tradicionales ayudaría a diversificar las fuentes de comida.
"En la actualidad, hay sólo unos pequeños productos responsables de la alimentación de 7.000 millones de personas".
Según comentó en la entrevista, la prioridad dada a los alimentos presentes en los mercados internacionales, por ejemplo, reduce la capacidad de América Latina en la producción de fríjol, una fuente tradicional con alto valor nutritivo que se obtiene a bajo costo.

Problema de la obesidad

La diversificación de la producción agrícola también serviría para afrontar otras preocupaciones relacionadas con la comida: el incremento de la obesidad, incluso en países pobres.
Graziano asegura que el número de personas con una dieta inadecuada o con obesidad ya está en los 2.000 millones, el doble de quienes pasan hambre.
Y lo atribuye al estilo de vida moderna, que desincentiva la actividad física y facilita el acceso a comida industrializada, normalmente con altas concentraciones de azúcares.
Por eso, el brasileño cree que la lucha contra la obesidad debería incluir campañas educativas "que están siendo descuidadas".
"Creemos que nuestras madres sabían lo que se debía comer. Eso podría servir para nuestras abuelas, que solían tomar los alimentos de la huerta, pero las madres de hoy buscan comida rápida porque pasan mucho tiempo trabajando fuera de la casa".
Graziano también argumenta que las multinacionales de comida rápida deberían ser conscientes de su responsabilidad en este problema e incrementar la presencia en sus menús de alimentos frescos, como frutas y verduras.

Biocombustibles

El que en la actualidad es todavía director regional de la FAO para América Latina y el Caribe destaca otros dos problemas que, junto a la obesidad, son parte de la reciente discusión sobre la producción de alimentos alrededor del mundo.
Son la supuesta competición entre agricultura para la alimentación y la producción de biocombustibles, y los riesgos que la agricultura impone a la preservación del medioambiente.
Destaca que dos de las tres áreas que más producen biocombustibles, EE.UU. y Europa, han experimentado alzas en el precio de algunos alimentos por tener que competir con los biocombustibles.
Pero en la tercera, su país natal, los estados en que se produce etanol a partir de caña de azúcar no están observando ningún impacto en los precios de los alimentos, pues la fuente está sobre todo en tierras que no eran productivas y que lo son gracias a la modernización de las técnicas.
"Igual que hay colesterol bueno y malo, eso pasa con los biocombustibles".
Graziano agrega que no hay conflicto entre la preservación ambiental y la necesidad de expandir la producción agrícola.
"La intensificación de la producción a través de tecnologías modernas, reduciendo el uso de fertilizantes y pesticidas, pueden beneficiar enormemente el medio ambiente".
"Los avances tecnológicos en esa dirección deberían terminar con esta dicotomía entre los ambientalistas y los agricultores".


http://www.radiohc.cu/noticias/ciencia/7786-fao-advierte-que-el-agua-es-una-barrera-para-alimentar-al-mundo.html

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Água, dona da vida

"E não é que ele topou , o Chico ! "

"Eu lia nos jornais sobre as chuvas no Nordeste, sobre os desabrigados, aos que perderam toda a lavoura, suas casas, seus sonhos e esperanças. A sugestão, uma idéia antiga minha, era usar as agências de um grande banco, espalhadas por todo o Brasil, como ponto de vendas de discos. Nesse caso, não um disco qualquer, mas um disco muito especial.
“Se os caras lá fora compuseram e gravaram “We are the world”, porque não nós aqui ?”
“Legal !”, disseram os músicos da nova diretoria (do sindicato dos músicos do RJ), “mas quem vai amarrar o guizo no rabo do gato ?” “É ...Quem toca o projeto?”, questionaram em uníssono. “Vou ligar pro Chico Buarque”, falei. Como diz Paulinho da Viola, fez-se “uma pausa de mil compassos”. “Será que ele vai querer ajudar?”, indagaram. “Vou ligar e tentar”, sentenciei.
E não é que ele topou, o Chico !
Uma semana depois, casa do Chico: “É do gabinete do Presidente da Caixa Econômica Federal ? Por favor, eu poderia falar com o Marcos? É, Marcos Freire, o Presidente da Caixa...Diga que é o Chico Buarque”. Fumando sem parar e andando de um lado para o outro enquanto falava ao telefone, Chico me olha...às vezes. “Marcos, tudo bem ? Olha, tem uma idéia aqui que me parece um ovo de Colombo... Então tá, depois de amanhã você vem ao Rio e a gente se encontra aqui em casa. Vou ver se o Gil e o Caetano também vêm...”
“Gil, É o Chico...” “Caetano, É o Chico...” Fagner, É o Chico...” Foi assim, disparando telefonemas, que Chico Buarque montou o grupo que compôs “Chega de Mágoa”. Mais de 150 nomes da MPB gravaram-na, assim como, também, “Seca D’Água”, de Patativa do Assaré. A tiragem de quinhentas mil cópias numeradas do disco foi vendida nas agências da Caixa Econômica Federal, em todo o Brasil, em apenas duas semanas. Vale dizer que a venda se deu em dez dias úteis e apenas durante o expediente bancário."
do livro “O Gogó de Aquiles” de Aquiles Rique Reis, Ed. Girafa, SP, 1ª ed. 2004

Músicos participantes do projeto:

 Aizik, Alceu, Alceu Valença, Alcione, Alves, Amelinha, Antônio Carlos, Aquiles (MPB-4), Baby Consuelo, Bebeto, Belchior, Beth Carvalho, Bussler, Caetano Veloso, Camarão, Carlinhos Vergueiro, Carlão, Celso Fonseca, Charlot, Chico Buarque, Cláudio Nucci, Cristina, Cristovam Bastos, Dadi, Daltro de Almeida, Dinorah (as gatas), Dorinha Tapajós, Dori Caymmi, Ednardo, Edu, Edu Lobo, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Elifas Andreato, Elisete Cardoso, Elza Soares, Emilinha Borba, Eunydice, Erasmo Carlos, Fafá de Belém, Faini, Fátima Guedes, Fernando Brant, Gal Costa, George Israel, Geraldo Azevedo, Gereba, Gilberto Gil, Golden Boys, Gonzaguinha, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Jamil, Jacques Morelembaum, Joana, João Mário Linhares, João do Vale, José Luiz, Joyce, Kleiton e Kledir, Kid Vinil, Lana, Leoni, Leo Jaime, Lúcio Alves, Luiz Avellar, Luiz Carlos, Luiz Carlos da Vila, Luiz Duarte, Luiz Gonzaga, Luiz Melodia, Lulu Santos, Magro (MPB-4), Malard, Manassés, Maria Bethânia, Marina, Marlene, Martinho da Vila, Marçal, Maurício Tapajós, Mauro Duarte, Mazola, Miguel Denilson, Mirabô, Miltinho (MPB-4), Milton Banana, Milton Nascimento, Milton Araújo, Miúcha, Moraes Moreira, Olívia Byington, Olívia Hime, O Quarteto, Paulinho da Viola, Patativa do Assaré, Paula Toller, Pareschi, Penteado, Perrotta, Perrottão, Pepeu Gomes, Raimundo Fagner, Rafael Rabello, Reinaldo Arias, Ricardo Magno, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Roberto Carlos, Roberto Ribeiro, Roberto Teixeira, Rosane Guedes, Roger (Ultraje a Rigor), Rosemary, Rubão, Rui (MPB-4), Sandra de Sá, Sérgio Ricardo, Simone, Sílvio Cézar, Sueli Costa, Stephani, Tânia Alves, Tavito, Teo Lima, Telma, Telma Costa, Terezinha de Jesus, Tim Maia, Tom Jobim, Tunai, Verônica Sabino, Vilma Nascimento, Virgílio, Yura, Wagner Tiso, Walter, Zenilda, Zé da Flauta, Zé Ramalho, Zé Renato, Zizi Possi. 


Abaixo o vídeo oficial do compacto simples gravado em 1985.





 A capa é do Elifas Andreato





CHEGA DE MÁGOA
(criação coletiva)


(MILTON)
Nós não vamos nos dispersar
Juntos é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão
(DJAVAN)
Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
(RITA LEE)
Chega
Brinca na fonte
Desce do monte
Vem como amiga
(CORO)
Te quero água de beber, um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã
(GAL)
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
(GONZAGUINHA)
Chama,
(ELBA)
Tem que ter feira,
(GONZAGUINHA)
Tem que ter festa,
(GONZAGUINHA E ELBA)
Vamos pra vida
(CHICO)
Te quero terra pra plantar,
(CHICO E FAFÁ)
Te quero verde
(CAETANO)
Te quero casa pra morar,
(CAETANO E SIMONE)
Te quero rede
(PAULA TOLLER E ROGER)
Depois da chuva o sol da manhã
(MARIA BETHÂNIA)
Chega de mágoa,
Chega de tanto penar
(CORO)
Canto, o nosso canto,
Joga no vento
Uma semente, gente
Olha essa gente
(ELISETE CARDOSO)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
(GILBERTO GIL)
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
(ELISETE CARDOSO)
Depois da chuva o sol da manhã
(CORO)
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
(CORO)
Gente
(ROBERTO CARLOS)
Quero te ver crescer bonita
(CORO)
Olha essa gente
(ERASMO CARLOS)
Quero te ver crescer feliz
(CORO)
Olha essa gente
(ROBERTO E ERASMO)
Olha essa terra, olha essa gente
(CORO)
Olha essa gente
(ROBERTO CARLOS)
Gente pra ser feliz, feliz
(CORO COM TIM MAIA)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o sol da manhã
( FAGNER )
Chega de mágoa
Chega de tanto penar.

Elifas Andreato - "pintor de música" (12)


Capa do disco Nordeste Já, pelo artista Elifas Andreato.