Por Lena Leão
O Esplar lançou seu livro!
Mas, tem histórias e profissionais bons o
suficiente pra lançar uma biblioteca.
Experiências lindas, pessoas
raras, conquistas, resgates, mudanças são marcantes na trajetória dessa
instituição cearense que ousa viver e resiste há mais de 40 anos.
E essa
história é muito diferenciada pela coragem de ser uma ferrenha
defensora da agroecologia; de apostar todas as suas cartas no feminismo;
por querer incansavelmente entender e explorar o potencial do
semiárido, pesquisando alternativas para conviver com as
irregularidades do nosso clima sejam as secas sejam as cheias que sempre
penalizam nosso sertão; por enxergar as crianças já como seres capazes
não só de mudar, mas de melhorar o futuro, respeitando o
(ante)passado...
Quem conhece o Esplar conhece o exemplo de que "sonho que se sonha junto é realidade". E eu faço parte deste sonho.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
terça-feira, 15 de julho de 2014
Gente do Esplar de todos os tempos (1)
Turma do tempo presente,
tempos atras comecei a publicar as fotos de pessoas que por aqui passaram (www.esplar.org.br) contando um tiquinho sobre elas.
Tô voltando hoje.
Foto 1 - Márcio Caetano - trabalhou aqui no Projeto Dom Hélder Câmara -PDHC. Fazia dupla com o Rogaciano Oliveira
Foto 2 - André Lima - foi bolsista. Trabalhou no projeto de Consórcios Agroecológicos.
Foto 3 - Letícia Peixoto - trabalhou no PDHC-Gênero.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA
por Malvinier Macedo
“Sempre desejei ser bibliotecária. Uma certeza que morava em mim e que me levou como tal, ao ESPLAR, uma instituição que assessora grupos de agricultores e agricultoras familiares.
O sertão nordestino tem uma rica diversidade de costumes, de riquezas, de personagens, de vida. E nesse universo, uma das demandas maiores é por água para o consumo humano.
No meu trabalho sempre dividindo o tempo entre os projetos, as atividades de representação institucional e a biblioteca, no ano de 2001, aconteceu o meu encontro com o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido: um milhão de cisternas rurais, por iniciativa da Articulação no Semiárido, cujo objetivo principal é construir uma cisterna de placas em cada casa de família com baixa renda, na zona rural semiárida.
Participei do seu nascimento e por 12 anos vivi sua implantação no sertão cearense. Esse encontro me rendeu intensas vivências que não dá para colocar em poucas palavras. E por ser um trabalho em equipe, isso me fez aprender muito, inclusive sobre mim, sobre meu papel nesse processo de transformação das condições de vida das famílias rurais.
Para levar a cisterna até às famílias, há um percurso em que é preciso localizá-las, cadastrá-las, organizar toda a documentação pedida pelo programa, consultar Cadastro da Pessoa Física, anotar o Número de Identificação Social e caso a pessoa não o tenha, encaminhá-la ao órgão da Prefeitura Municipal para que seja inserida no Cadastro Único do Governo federal.
Preencher a Ficha de Seleção e Cadastramento das Famílias é uma atividade que nos mostra a realidade dessa população através dos seus dados pessoais, nível de escolaridade, composição da família, moradia, fontes de abastecimento de água, situação socioeconômica, participação em grupos sociais, tipos de doença.
Chegamos a visitar mais de duas mil famílias em um ano e a coleta de tantos dados nos torna conhecedores in loco de uma realidade que apresenta também uma face dolorosa: alto grau de analfabetismo, doenças crônicas, pobreza, solidão, violência doméstica, dificuldades de acesso à terra, à água, a serviços básicos.
E como uma bibliotecária se inseriu nesse universo?
No atender ao público de forma satisfatória para o programa e para as famílias, levar orientação, ser atenta no preenchimento dos dados, pois um erro é fonte de problemas para o desenrolar da ação, organizar listas para os cursos das famílias e para a colocação de placas de identificação das cisternas, arquivamento das fichas das famílias por ordem numérica, ter em mãos o Termo de Recebimento da Cisterna para que a pessoa responsável pela cisterna o assine, conferir se o número da cisterna é igual ao do Termo, checar se as fotos de cada família ao lado de sua cisterna estão com qualidade para compor o Termo.
Enfim, um mundo de informações a serem coletadas, trabalhadas, cadastradas e arquivadas. Um universo no qual as bibliotecárias e os bibliotecários se sentem à vontade”.
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O sertão nordestino tem uma rica diversidade de costumes, de riquezas, de personagens, de vida. E nesse universo, uma das demandas maiores é por água para o consumo humano.
No meu trabalho sempre dividindo o tempo entre os projetos, as atividades de representação institucional e a biblioteca, no ano de 2001, aconteceu o meu encontro com o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido: um milhão de cisternas rurais, por iniciativa da Articulação no Semiárido, cujo objetivo principal é construir uma cisterna de placas em cada casa de família com baixa renda, na zona rural semiárida.
Participei do seu nascimento e por 12 anos vivi sua implantação no sertão cearense. Esse encontro me rendeu intensas vivências que não dá para colocar em poucas palavras. E por ser um trabalho em equipe, isso me fez aprender muito, inclusive sobre mim, sobre meu papel nesse processo de transformação das condições de vida das famílias rurais.
Para levar a cisterna até às famílias, há um percurso em que é preciso localizá-las, cadastrá-las, organizar toda a documentação pedida pelo programa, consultar Cadastro da Pessoa Física, anotar o Número de Identificação Social e caso a pessoa não o tenha, encaminhá-la ao órgão da Prefeitura Municipal para que seja inserida no Cadastro Único do Governo federal.
Preencher a Ficha de Seleção e Cadastramento das Famílias é uma atividade que nos mostra a realidade dessa população através dos seus dados pessoais, nível de escolaridade, composição da família, moradia, fontes de abastecimento de água, situação socioeconômica, participação em grupos sociais, tipos de doença.
Chegamos a visitar mais de duas mil famílias em um ano e a coleta de tantos dados nos torna conhecedores in loco de uma realidade que apresenta também uma face dolorosa: alto grau de analfabetismo, doenças crônicas, pobreza, solidão, violência doméstica, dificuldades de acesso à terra, à água, a serviços básicos.
E como uma bibliotecária se inseriu nesse universo?
No atender ao público de forma satisfatória para o programa e para as famílias, levar orientação, ser atenta no preenchimento dos dados, pois um erro é fonte de problemas para o desenrolar da ação, organizar listas para os cursos das famílias e para a colocação de placas de identificação das cisternas, arquivamento das fichas das famílias por ordem numérica, ter em mãos o Termo de Recebimento da Cisterna para que a pessoa responsável pela cisterna o assine, conferir se o número da cisterna é igual ao do Termo, checar se as fotos de cada família ao lado de sua cisterna estão com qualidade para compor o Termo.
Enfim, um mundo de informações a serem coletadas, trabalhadas, cadastradas e arquivadas. Um universo no qual as bibliotecárias e os bibliotecários se sentem à vontade”.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Enfrentando a violência contra as mulheres
A cartilha é uma realização do Esplar-Centro de Pesquisa e Assessoria e conta com o apoio da Intervita.
Autoras – Magnólia Said e Sarah Luiza.
Informações e contatos – (85) 3252.2410.
segunda-feira, 11 de março de 2013
O POVO -Tênis feito com algodão agroecológico do Ceará é lançado
por Marina Solon
O Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), Organização Não-Governamental (ONG) cearense que desenvolve atividades na área de agroecologia, foi homenageado pela empresa francesa Veja Fair Trade com o lançamento de um tênis denominado “Esplar”. O produto, que está à venda no site da empresa francesa, é produzido com algodão agroecológico do Ceará produzido com o apoio da ONG.
O pesquisador da Esplar, Pedro Jorge Lima, conta que o lançamento do tênis é resultado de uma parceria de nove anos entre Veja e Esplar. Desde 2004 a empresa francesa compra algodão agroecológico do Ceará produzido pela Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), no Sertão dos Inhamuns, que funciona por meio de parceria com a Esplar.
A Adec vende plumas de algodão orgânico aos mercados europeu, asiático e norte-americano para fabricação de tênis, bolsas, mochilas e carteiras. “A Adec, que se originou nas nossas iniciativas de apoiar agricultores e agricultoras familiares na produção de algodão orgânico, passou a produzir mais depois das garantias financeiras vindas do contrato com a Veja”, diz Pedro Jorge Lima. A Adec produz atualmente a décima safra em parceria com a empresa francesa.
Veja Fair Trade
A Veja Fair Trade foi fundada em Paris no início de 2004. Seu primeiro modelo de tênis foi fabricado no Rio Grande do Sul usando lona de algodão agroecológico do Ceará, borracha natural da Amazônia e couro do Rio Grande do Sul.
O novo modelo “Esplar” utiliza algodão agroecológico do Ceará e borracha produzida por seringueiros do Acre. Por enquanto, o tênis “Esplar” só pode ser comprado na Internet, por meio do site da Veja Fair Trade. O lançamento do calçado no Brasil está previsto para agosto deste ano.
ENTENDA A NOTÍCIA
O Esplar é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1974, com sede em Fortaleza (CE). Atua diretamente em municípios do semi-árido cearense, desenvolvendo atividades voltadas para a agroecologia, a serviço da agricultura familiar.
O Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), Organização Não-Governamental (ONG) cearense que desenvolve atividades na área de agroecologia, foi homenageado pela empresa francesa Veja Fair Trade com o lançamento de um tênis denominado “Esplar”. O produto, que está à venda no site da empresa francesa, é produzido com algodão agroecológico do Ceará produzido com o apoio da ONG.
O pesquisador da Esplar, Pedro Jorge Lima, conta que o lançamento do tênis é resultado de uma parceria de nove anos entre Veja e Esplar. Desde 2004 a empresa francesa compra algodão agroecológico do Ceará produzido pela Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), no Sertão dos Inhamuns, que funciona por meio de parceria com a Esplar.
A Adec vende plumas de algodão orgânico aos mercados europeu, asiático e norte-americano para fabricação de tênis, bolsas, mochilas e carteiras. “A Adec, que se originou nas nossas iniciativas de apoiar agricultores e agricultoras familiares na produção de algodão orgânico, passou a produzir mais depois das garantias financeiras vindas do contrato com a Veja”, diz Pedro Jorge Lima. A Adec produz atualmente a décima safra em parceria com a empresa francesa.
Veja Fair Trade
A Veja Fair Trade foi fundada em Paris no início de 2004. Seu primeiro modelo de tênis foi fabricado no Rio Grande do Sul usando lona de algodão agroecológico do Ceará, borracha natural da Amazônia e couro do Rio Grande do Sul.
O novo modelo “Esplar” utiliza algodão agroecológico do Ceará e borracha produzida por seringueiros do Acre. Por enquanto, o tênis “Esplar” só pode ser comprado na Internet, por meio do site da Veja Fair Trade. O lançamento do calçado no Brasil está previsto para agosto deste ano.
ENTENDA A NOTÍCIA
O Esplar é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1974, com sede em Fortaleza (CE). Atua diretamente em municípios do semi-árido cearense, desenvolvendo atividades voltadas para a agroecologia, a serviço da agricultura familiar.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/ceara/2013/03/09/noticiasjornalceara,3019697/tenis-feito-com-algodao-agroecologico-do-ceara-e-lancado.shtml
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
TÊNIS MODELO “ESPLAR” LANÇADO NA FRANÇA
Por Pedro Jorge B. F. Lima
O Esplar recebeu importante homenagem da Veja Fair Trade: foi lançado à venda via internet um novo tênis modelo denominado ESPLAR! A Veja Fair Trade é uma empresa do comércio justo, fundada em 2004 em Paris que no início de 2005 lançou seu primeiro modelo de tênis, fabricado no Rio Grande do Sul usando lona de algodão agroecológico do Ceará, borracha natural da Amazônia e couro do Rio Grande do Sul.
O Esplar recebeu importante homenagem da Veja Fair Trade: foi lançado à venda via internet um novo tênis modelo denominado ESPLAR! A Veja Fair Trade é uma empresa do comércio justo, fundada em 2004 em Paris que no início de 2005 lançou seu primeiro modelo de tênis, fabricado no Rio Grande do Sul usando lona de algodão agroecológico do Ceará, borracha natural da Amazônia e couro do Rio Grande do Sul.
O novo modelo “Esplar” utiliza algodão agroecológico do Ceará e borracha produzida por seringueiros do Acre. A homenagem é o reconhecimento pelos 9 anos de parceria que mantemos com aquela empresado comércio justo, que desde 2004 compra algodão agroecológico do Ceará, que tem origem nas nossas iniciativas de apoiar agricultores e agricultoras familiares nessa atividade.Por 10 safras seguidas que a ADEC, em Tauá vende a pluma de algodão orgânico para fabricação de fios com os quais é confeccionada a lona usada na fabricação de tênis e outros produtos como bolsas, mochilas, carteiras vendidos nos mercados europeu, asiático e norte americano.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
... mas quem paga a conta?
Por Ronildo Mastroianni
O
8 de março é comemorado no mundo, o Dia Internacional da Mulher, ou
seja dos 365 dias do ano, 364 são do homem;
As mulheres só tiveram o direito de votar, de fato, ainda que, por concessão do governo de Getúlio Vargas em 1932: detalhe só as casadas e que tivessem permissão dos maridos. Em 1946 a mulher de passou a efetivamente exercer o direito de votar igualmente os homens vinham fazendo desde 1532, essa conta é fácil, são 400 anos;
A agricultura foi inventada pela mulheres a aproximadamente 9 mil anos, porém quem recebe maiores estímulos e créditos para o exercício dessa atividade são os homens em qualquer parte desse Brasil e na maioria dos países do mundo.
O dia 15 de outubro de 1827 foi consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila, porém somente em 1947, 120 anos após a instituição desse dia, ocorreu a primeira comemoração efetivamente dedicada a essa categoria, e a partir de então passou a ser o Dia do Professor e não o Dia da Professora ou Educadora... fala sério!
A primeira Faculdade de Medicina foi criada em 1808, pelo príncipe regente D. João VI, porém sete décadas depois, ou mais de meio século depois ocorreu a primeira matricula de uma mulher na faculdade de medicina, foi a gaúcha Ermelina Lopes Vasconcelos...
A Ordem dos Advogados do Brasil, cujo nome inicial era Instituto dos Advogados do Brasil, existe desde 1843, porém, somente no inicio do século XX as mulheres passaram a ingressar na OAB, as pioneiras foram Myrthes de Campos e Leonilda Daltro, isso há mais de um século depois...
Ainda hoje, as mulheres recebem um salário menor que os homens para assumir o mesmo cargo e as mesmas responsabilidades...
Hoje o tempo de atendimento no serviço de saúde pública é menor para as mulheres negras, se comparado com o mesmo tipo de atendimento para as mulheres brancas;
Ainda hoje as principais vítimas da violência que ocorrem dentro das casas, ou seja a violência doméstica, são as mulheres as crianças e os idosos/as...
Ainda hoje, prioritariamente, a responsabilidade de fazer a alimentação da família, limpar, lavar cozinhar e cuidar dos idosos/as dentro da família, são atribuições colocadas para as mulheres...
Ainda hoje, a cada ano cresce o número de mulheres violentadas e mortas no Ceará, em 2009 houve aumento de 46% comparado 2008; em 2010 o aumento foi de 12% comparado a 2009, em 2011 segue o no mesmo ritmo...
Bem, acho que de fato devemos comemorar o dia 8 de março, como um dia de luta, um dia de superação sim!;
Como não cumprimentei com a palavra amigos no início dessa mensagem, é bem provável que alguém não tenha gostado e talvez não tenha chegado a ler o conteúdo dessa mensagem...
Pra finalizar: Que todos e todas, principalmente as mulheres, possam vivenciar o cotidiano de uma forma crítica, de como são vistas dentro dessa sociedade "moderna" que usa os artifícios do capitalismo e do patriarcalismo para perpetuar o que historicamente vendo estruturando as desigualdades de classe, raça e gênero, obviamente em níveis diferenciados, porém recorrente em todas os canto e sociedades do mundo.
Justiças, igualdade e efetivação de direitos para todas, para todos.
E aí: vamos comemorar! Mas quem paga essa conta?
Ronildo Mastroianni é Agroecologista e Agrônomo do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria
Amigas
| Ronildo Mastroianni |
As mulheres só tiveram o direito de votar, de fato, ainda que, por concessão do governo de Getúlio Vargas em 1932: detalhe só as casadas e que tivessem permissão dos maridos. Em 1946 a mulher de passou a efetivamente exercer o direito de votar igualmente os homens vinham fazendo desde 1532, essa conta é fácil, são 400 anos;
No
Brasil, após 122 anos de homens se reversando na presidência da
República, uma mulher assumiu esse cargo. Foram 34 homens anteriores
a Dilma Rousseff.
Será
que os outros homens presidentes eram tão competentes e as mulheres
necessitaram de quase um século e meio para construir essa
competência?
A agricultura foi inventada pela mulheres a aproximadamente 9 mil anos, porém quem recebe maiores estímulos e créditos para o exercício dessa atividade são os homens em qualquer parte desse Brasil e na maioria dos países do mundo.
As
Forças Armadas do Brasil existem oficialmente desde 1808, porém
somente em 1943, mais de um século depois as mulheres puderam
ingressaram no Exército Brasileiro. Mesmo assim, permanecem em
cargos de "cuidadoras ou socorristas" por que será isso?
Porque os grandes cargos e patentes só ficam para os homens?
O dia 15 de outubro de 1827 foi consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila, porém somente em 1947, 120 anos após a instituição desse dia, ocorreu a primeira comemoração efetivamente dedicada a essa categoria, e a partir de então passou a ser o Dia do Professor e não o Dia da Professora ou Educadora... fala sério!
A primeira Faculdade de Medicina foi criada em 1808, pelo príncipe regente D. João VI, porém sete décadas depois, ou mais de meio século depois ocorreu a primeira matricula de uma mulher na faculdade de medicina, foi a gaúcha Ermelina Lopes Vasconcelos...
A Ordem dos Advogados do Brasil, cujo nome inicial era Instituto dos Advogados do Brasil, existe desde 1843, porém, somente no inicio do século XX as mulheres passaram a ingressar na OAB, as pioneiras foram Myrthes de Campos e Leonilda Daltro, isso há mais de um século depois...
Ainda hoje, as mulheres recebem um salário menor que os homens para assumir o mesmo cargo e as mesmas responsabilidades...
Hoje o tempo de atendimento no serviço de saúde pública é menor para as mulheres negras, se comparado com o mesmo tipo de atendimento para as mulheres brancas;
Ainda hoje as principais vítimas da violência que ocorrem dentro das casas, ou seja a violência doméstica, são as mulheres as crianças e os idosos/as...
Ainda hoje, prioritariamente, a responsabilidade de fazer a alimentação da família, limpar, lavar cozinhar e cuidar dos idosos/as dentro da família, são atribuições colocadas para as mulheres...
Ainda hoje, a cada ano cresce o número de mulheres violentadas e mortas no Ceará, em 2009 houve aumento de 46% comparado 2008; em 2010 o aumento foi de 12% comparado a 2009, em 2011 segue o no mesmo ritmo...
Os
motivos são espetaculares: intolerância, ciúme, possessão,
agressividade, machismo!
Bem, acho que de fato devemos comemorar o dia 8 de março, como um dia de luta, um dia de superação sim!;
Para
os homens está tudo muito bem obrigado, porque tudo, absolutamente
tudo é construído a partir do referencial masculino.
Como não cumprimentei com a palavra amigos no início dessa mensagem, é bem provável que alguém não tenha gostado e talvez não tenha chegado a ler o conteúdo dessa mensagem...
Pra finalizar: Que todos e todas, principalmente as mulheres, possam vivenciar o cotidiano de uma forma crítica, de como são vistas dentro dessa sociedade "moderna" que usa os artifícios do capitalismo e do patriarcalismo para perpetuar o que historicamente vendo estruturando as desigualdades de classe, raça e gênero, obviamente em níveis diferenciados, porém recorrente em todas os canto e sociedades do mundo.
Essa
sim seria a maior revolução que poderíamos ter.
Justiças, igualdade e efetivação de direitos para todas, para todos.
E aí: vamos comemorar! Mas quem paga essa conta?
Ronildo Mastroianni é Agroecologista e Agrônomo do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Satisfação, Culpa e Vergonha
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| Elzira Saraiva |
Gostei muito do artigo do Plínio Bortolloti do "O POVO" de hoje, e que foi postado pelo Marvioli no DIUMTUDO (http://diumtudo-marvioli.blogspot.com/2012/01/e-se-o-exercito-resolver-fazer-greve.html).
Fiquei muito preocupada quando vi no “face” e nas conversas com alguns de vocês terça passada, o insuflamento ao descredenciamento da constitucionalidade a tão duras penas conseguida pelas gerações passadas. Rapidamente foi criada uma situação de pânico, onde uma análise com um mínimo de racionalidade virou DELÍRIO nas palavras dos insufladores.
Gostei muito também da análise do Márcio Caetano, também postada no DIUMTUDO.(http://diumtudo-marvioli.blogspot.com/2012/01/o-o-arrastao-meu-povo.html)
Acho que a reflexão feita por Plínio Bortolotti, mostra bem a inabilidade do Governador Cid para lidar com o funcionalismo público. Parece que isso é característica da família Gomes. O outro Gomes, o Ciro, também comprou uma briga grande com a turma do jaleco e se deu mal por isso.
Mas o que quero colocar pra vocês é um outro aspecto da situação criada na terça-feira, dia 4 de janeiro de 2012, em Fortaleza.O governador Cid Gomes, gostemos ou não dele, foi eleito pelo voto dos(as) cearenses. Se não conseguimos vencê-lo nas urnas, seja porque os setores que o apoiaram tinham mais poder econômico, ou porque tiveram mais competência política, insuflar a população a linchá-lo (tirá-lo do governo pela força é um linchamento político que facilmente poderia descambar para o linchamento físico), é uma atitude irresponsável e muito perigosa.
Vocês podem ler o que diz a história sobre esse tipo de atitude.
Leiam o que fizeram com Salvador Allende, no Chile (governo popular), com Sadam Husseim (governo, segundo as informações plantadas pelos EUA, não popular), com Kadhafi (governo, também segundo as informações plantadas pelos EUA, não popular), com Jesus Cristo(esse todo mundo sabe a história), e inúmeros outros no passado recente ou remoto.
Citei esses exemplos só pra dizer que qualquer linchamento, se por um lado traz a marca da satisfação imediata das mãos lavadas com o sangue do opositor, por outro traz a culpa e a vergonha permanente por essa satisfação.
De qualquer modo as consequências são sempre negativas. Alimentar o medo é uma atitude pra lá de arriscada, pois o medo é uma fera insaciável e poderosa. Já a vergonha, essa vai requerer muita energia para esconder a culpa. Para lidar com as duas, vergonha e culpa, necessário se faz criar justificativas, uma vez que a mente teima em trazer de volta o ato insano. E aí de novo nos deparamos com o linchamento, só que dessa vez sem sangue, mas não menos cruel, que
consiste na destruição da memória do linchado. Para quem não consegue lidar com a culpa, os preconceitos são muito úteis. Assim, a mente culpada inverte a realidade transformando o linchado em "o culpado". Aí vale tudo para culpar. Quem é negro, homossexual, mulher, nordestino, enfim quem já foi vítima de preconceito sabe bem do que estou falando.
O resto vocês podem imaginar...
*Elzira Saraiva - Agrônoma e sócia do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
ASA: articulando sonhos e lutas
Por Mavinier Macedo
A
ASA (Articulação no Semiárido) tem provado, por de mais de uma
década, que ações feitas em conjunto, sempre são fortes,
marcantes, poderosas, únicas. E ela é uma articulação com esta
marca. A marca do ajuntamento consciente de pessoas com objetivos
comuns, da expressão da criatividade do povo do sertão, da alegria
do encontro e reencontro.
Em
todo recanto onde a ASA chegou, criou laços entre as pessoas, e
entre estas e o sertão que até então era visto como algo carregado
de dificuldades, espinhos, terra rachada, marginalidade nos processos
de cidadania.
Fez
eclodir uma revolução no semiárido brasileiro, via seus
programas, que trouxeram ações inclusivas para largas parcelas da
população rural e despertaram o sentimento de “ser tão sertão”.
| Malvinier Macedo na manifestação em Petrolina - Pe |
E
quando há uma razão para ir às ruas mostrar a sua cara, a sua
diversidade e as suas reivindicações, é sempre algo bonito,
emocionante, motivador.
Prova
disto, foi a manifestação que esta articulação protagonizou na
última terça-feira, protestando contra o rompimento da parceria
entre o Governo federal e a ASA, em uma caminhada ente Juazeiro BA e
Petrolina PE, aglutinando milhares de pessoas das mais diferentes
idades, que percorreram quilômetros, vindas de todas as partes do
semiárido, se vestiram com a sua coragem, se enfeitaram com seus
sonhos, fizeram ecoar seu grito de povo que conhece e ama suas
realizações, entendendo que tem voz e vez.
E
o mais louvável foi que em menos de uma semana, este ato foi
proposto, organizado e realizado, sinalizando que a ASA realmente
plantou e fez crescer a cultura da mobilização nas diferentes
localidades por onde tem suas iniciativas.
O
cortejo enfeitado com faixas, cartazes, frases, maquetes,
estandartes, sanfoneiros, banda de pífanos, instrumentos de
percussão, apitos, ocupou a ponte sobre o rio São Francisco,
chegando à Praça da Catedral em Petrolina, onde houve o ato com
falas e músicas, que mostravam a riqueza do plantio feito por tantas
mãos. Ficará na memória das pessoas que integram a ASA como um
sinal da sua força, da sua organização e da sua vontade de
continuar um trabalho que vem dando certo.
Vamos
torcer para que tantas vozes que se uniram pela continuação da
parceria entre o governo federal e a ASA, tenha como eco uma resposta
positiva ao que foi reivindicado.
sábado, 5 de novembro de 2011
ONGs se organizam para exigir regulamentação de convênios
Por Marcela Belchior
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| Foto - Mauri Melo |
Cinco dias após a presidente da República Dilma Rousseff (PT) suspender por um mês o repasse de recursos referentes a convênios com Organizações Não Governamentais (ONGs) em todo o País, entidades do Terceiro Setor que atuam no Ceará se reuniram para unificar uma tomada de posição. Eles deverão divulgar nota oficial do coletivo na próxima segunda-feira, 7, e agendar um ato público ainda para novembro. O esforço é pelo estabelecimento de um marco regulatório de acesso ao dinheiro público pelas entidades e para protestar contra a corrupção.
Na manhã de ontem, 18 entidades, dentre filantrópicas, pastorais, ONGs, estiveram representadas na sede da ONG Cearah Periferia, no bairro Aldeota, em discussão para articular reação daqueles que fazem o Terceiro Setor no Ceará. O coordenador-geral da ONG Comunicação e Cultura, que trabalha com mídia impressa popular, Daniel Raviolo, ressalvou que se deve observar os casos de corrupção partindo, principalmente, da atuação do Estado brasileiro.
“Não está, nem são as empresas ou as ONGs, mas no Estado, que vive um momento endêmico de corrupção. (...) Não são todas as ONGs que são sujeitos (de corrupção), mas ações governamentais. O que há é uma ponta do governo, que busca um canal para colocar o dinheiro para fora”, disse.
Para ele, o grande prejuízo para o setor está na imagem das entidades como um todo, que afeta na adesão da sociedade, mas também passa pela própria divisão do bolo orçamentário entre as iniciativas. “Vivemos num mundo onde imagem é tudo. Pode dificultar as parcerias e a mobilização das pessoas para as ações sociais. (...) E se eu compito com um corrupto, vou sempre me dar mal”, apontou Daniel Raviolo.
Marco regulatório
A coordenadora executiva da ONG Cearah Periferia, Suzany Costa, afirma que o momento agora é propício para agregar as organizações e avançar nas negociações com o Governo Federal em torno da regulamentação dos convênios entre Estado e entidades. Trata-se da formulação de um arcabouço de instrumentos legais das áreas trabalhista, administrativa e tributária que normatiza o acesso aos recursos públicos.
Ela diz que a grande dificuldade em se aprovar o marco pode ser a diversidade de tipos de organizações da sociedade civil que compõem o Terceiro Setor. São fundações empresariais, ONGs, filantrópicas, igrejas, Ocips (Organizações Sociais de Interesse Público), entre outras classificações. “Existe essa discussão há anos. O que a gente precisar fazer é desenhar esse mapa para efetivar”, disse a coordenadora. A perspectiva é que as regras sejam fechadas ainda durante a gestão Dilma.
Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
ONGs de todo o Brasil voltaram a ser alvo de questionamentos após denúncias de desvios de verbas públicas no programa federal Segundo Tempo, que acabaram provocando a queda do ministro do Esporte, Orlando Silva.
Saiba mais
Os recursos suspensos pelo Governo Federal só voltarão a ser liberados após emitido parecer técnico que ateste a regularidade da parceria com as entidades privadas sem fins lucrativos.
Só em 2011, mais de R$ 2 bilhões foram repassados a esse tipo de organização.
No Ceará, são 17 as ONGs que compõem a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong): 1) Associação para o Desenvolvimento Local Co-Produzido (Adelco), 2) Agência de Notícias Esperança (Anote), 3) Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza, 4) Cearah Periferia, 5) Centro de Estudos e Apoio ao Trabalhador e à Trabalhadora, 6) Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca-CE), 7) Centro Cultural-Educativo de Lazer, Informação, Trabalho e Ação Social,8) Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria do Trabalhador (Cetra), 9) Comunicação e Cultura, 10) Esplar Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), 11) Grupo de Apoio às Comunidades Carentes do Ceará, 12) Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS do Ceará (Gapa-CE), 13) Instituto Juventude Contemporânea (IJC), 14) Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec), 15) Instituto Terramar, 16) Instituto de Revitalização para o Trabalho, 17) Valorização do Indivíduo e Desenvolvimento Ativo (Vida Brasil-CE).
Serviço
Acesse a Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil. Lá estão disponíveis:
1. Signatários do movimento
2. Suas principais propostas
3. Espaço para realizar adesões
4. Notícias.
5. Contatos das organizações
Site: http://plataformaosc.org.br
No site da Associação Brasileira de ONGs (Abong), você conhece carta aberta escrita à presidente Dilma Rousseff (PT) e, dia 7, a nota oficial do coletivo do Ceará:
Site: www.abong.org.brdomingo, 30 de outubro de 2011
Utopia como motor para as atividades no interior cearense
Por Bruno Cabral
Uma das ONGs mais respeitadas e com mais tempo de atuação no Ceará, o Esplar desenvolve diversos projetos de formação, educação e inclusão social na região do semi-árido cearense. A proposta da entidade é desenvolver projetos ecologicamente sustentáveis baseados na agroecologia e na igualdade de gênero. “Essa é a nossa missão. É utópica? É. Mas é a utopia que nos move”, explica a presidente Magnólia Azevedo Said, uma das fundadoras da ONG.
Criado em 1974 por um pequeno grupo de jovens idealistas recém saídos da universidade, o Escritório de Planejamento e Assessoria Rural (Esplar) iniciou suas atividades “traduzindo” o Estatuto da Terra para pequenos produtores rurais, fazendo oposição sindical no Interior do Estado. E em 1978, constituiu-se legalmente como uma ONG.¹
No início, a entidade funcionou com recursos dos próprios fundadores. E anos depois passou a receber financiamento da empresa britânica International Cocoa Organization (ICCO)², parceria que dura até hoje, e em seguida passou a trabalhar com a agência norte-americana Inter-American Foundation.
Hoje a entidade é financiada por agências internacionais, como Evangelische Entwicklungsdienst (Alemanha), Intervita (Itália), ActionAid (Reino Unido) e Veja (França). Em 2012 será iniciada parceria de cinco anos com a União Europeia, na qual o Esplar irá atuar juntamente com a ONG Ceará Periferia em trabalho urbano focado na geração de renda para mulheres dos municípios de Fortaleza, Pacatuba, Quixadá e Ocara. Além dos convênios com organismos internacionais, o Esplar participa dos projetos do Governo Federal, “1 milhão de cisternas” e “Dom Helder Câmara”. Além de financiamento, a ONG conta³ com o apoio de voluntários de outros países para orientar e capacitar pessoas das zonas rurais.
O Esplar atua hoje em 16 municípios cearenses (Sobral, Forquilha, Canindé, Santana do Acaraú, Quixeramobim, Quixadá, Choró, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Tamboril, Ibicuitinga, Banabuiú, Senador Pompeu, Aracoiaba, Ocara e Massapé), atendendo ao todo 130 comunidades. Dos projetos desenvolvidos, se destaca o de cultivo de algodão orgânico, cuja produção é exportada para França para fabricação de calçados.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2011/10/29/noticiapoliticajornal,2325008/utopia-como-motor-para-as-atividades-no-interior-cearense.shtml
(1).Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria;.
(2) O correto é: A ONG holandesa ICCO - ICCO é a organização inter-eclesial para o desenvolvimento. Atua em 41 países na África, Ásia, América Latina e Europa Oriental.
(3) onde se lê conta leia-se contou
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