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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Blog do Além

por Vitor Knijnik


EISENSTEIN


Sobre mim

Vou dizer pela última vez. É EISENstein e não Einstein. Que coisa.
Sobre o blog
Uma peça de propaganda comunista. Se você gostar, compartilhe (todos os seus pertences).
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2012 NOVEMBRO


QUEM NOS SALVARÁ DOS SUPER HERÓIS?

Nos seus primeiros anos de vida, logo após os irmãos Lumiere o parirem, o cinema não passava de uma atração de feira e exposições. Ninguém via grande futuro naquela invenção. Porém, era uma curiosidade que fazia as pessoas literalmente caírem da cadeira. O olhar virgem da plateia não demandava que os protocineastas contassem histórias. Para causar sensação, bastava apenas registrar as coisas em movimento e depois exibir a película. mais ou menos como são os filmes pornôs.

Mas o ser humano é um bicho enjoado e logo boceja quando não lhe apresentam novidades. Alguns pioneiros, então, decidiram contar histórias através do cinematógrafo para assim manter o interesse da audiência. Outros investiram no ramo da pipoca, apostando que no futuro ninguém conseguiria ficar duas horas sentado fazendo uma única coisa.

Uma das primeiras experiências narrativas relevantes aconteceu no Estados Unidos, através das mãos de D.W Griffith. Ele introduziu novas formas de fazer cinema. Foi o primeiro a usar dramaticamente a montagem, alternando closes e movimentos de câmera. Por isso é conhecido como pai da linguagem cinematográfica. Da mãe sabe-se apenas que fugiu com um rico produtor de Hollywood.

Minha contribuição para a consolidação do cinema como expressão artística foi decisiva. Eu percebi que a montagem poderia ir além de uma mera ligação de imagens relacionadas. Acreditei que uma terceira ideia poderia ser gerada na cabeça do espectador através da justaposição de duas imagens independentes. Essas colisões de imagens permitiram manipular as emoções da audiência e libertaram a linguagem cinematográfica para a criação de metáforas, coisa que o Stalin adorou.

Mas por que estou aqui a contar a história do cinema e a sublinhar minha importância? Ora, a intenção é justamente contrária. Sinto-me derrotado ao ver em que o meu legado foi transformado. Imaginei que, com minhas descobertas, as narrativas se sofisticariam e a linguagem cinematográfica se expandiria sem limites. Nada disso. O cinema se desinteressou pelo mundo adulto. Virou uma indústria dedicada apenas a adular adolescentes ou a infantilizar os maiores. Veja o que está em cartaz nesse momento (não importa qual). 70% das salas estão tomadas por personagens que precisam salvar o mundo de uma grande ameaça. Das 30 maiores bilheterias de todos tempos, 28 são dedicados aos menores de 18. Isso se você considerar que Avatar e Titanic têm temática adulta.

Há os que alegam que os filmes não precisam ser mais do que divertimento. Pode até ser. Mas da mesma maneira que as primeiras plateias exigiram ver mais do que movimento, as atuais pedem cada vez mais adrenalina. E os estudos respondem fazendo filmes caricatos que se parecem com uma montanha russa, só que sem aquela parte tranquila da primeira subida. As montagens estão tão frenéticas que, numa cena de luta ou perseguição, não sabemos quem é quem. Só sabemos que o herói irá sobreviver. É por isso que a o balde da pipoca não para de aumentar.

Me despeço coerente com meus princípios. Deixo aqui 3 frases. Monte as como quiser:

Heróis assassinos.

O cinema morreu.

Socorro, o 3D quer furar meu olho.



http://www.blogsdoalem.com.br/pt/

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Blog do da Vinci

Por Vitor Knijnik

Vitor é colunista da Revista Carta Capital,  assina a coluna Blogs do Além.


DA VINCI A ZERO


Se você não aguenta mais ouvir falar de Steve Jobs, imagina eu que, de uma hora para outra, quase perdi o posto de maior gênio da humanidade. As comparações entre os nossos feitos não cessam na imprensa e nas redes sociais. Não sou só eu que estou indignado. Jesus também não está gostando nada de ter o seu Sermão da Montanha irmanado ao discurso aos formandos da Universidade Stanford, proferido pelo pai da Apple, aquele que faz sucesso no YouTube.  
Entendo que todo morto célebre tem tendência a virar santo. Mas nem estão dando tempo de apurar os milagres de Jobs e já o estão canonizando. Enquanto devotos deixavam velas, flores e condolências nas Apple Stores, outros, a metros dali, ocupavam Wall Street e protestavam contra o sistema financeiro. O próprio Jobs alertava, em seu já referido discurso, sobre a importância de ligar os pontos. Mas parece que as pessoas não associaram um evento ao outro. Talvez a realidade rode em Flash. 
Notem, não quero diminuir o valor de Jobs. Sua contribuição é notável, especialmente quando a bateria ainda não se foi. Apenas é preciso colocar as coisas nos seus devidos lugares. Passei séculos sendo considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e como possivelmente a pessoa mais dotada de diversos talentos a ter vivido. Não é justo que alguém, em menos de uma semana, passe a ser tratado como exemplo de homem renascentista.
 Por isso, decidi comparar nossas obras mais conhecidas. Sei que é uma coisa estúpida fazer um paralelo entre máquinas e obras de arte. Mas todo gênio tem muito de idiota.  

Homem Vitruviano X iPod 
Meu famoso desenho é o símbolo da simetria básica do corpo humano, cujo funcionamento é uma analogia para o funcionamento do Universo. Ou seja, com meu esboço anatômico fiz uma cosmografia do microcosmo. 
O tocador de música da Apple destruiu a indústria fonográfica e gerou milhares de músicos de churrascaria. Além de nos criar o hábito de acumular músicas que jamais vamos ouvir.  

Mona Lisa x iPad 
A fila para ver a Mona Lisa é permanente. E há um bom tempo. 
A fila para comprar o iPad é grande. Mas só nos períodos de lançamento.

A Última Ceia x iPhone 
Fiz a Última Ceia para a iGreja de meu protetor, o Duque Lodovico Sforza.
É um dos quadros mais famosos do mundo. Baseia-se em João 13:21, no qual Jesus anuncia aos 12 apóstolos que alguém, entre eles, o trairia. Sua reprodução está nas casas de metade do planeta e nunca precisou ser atualizada. 
Já o iPhone acabou com todas as ceias coletivas. Hoje, cada um fica curvado esfregando os dedos na telinha. Jobs nunca avisou quando ia trair seus fiéis compradores. Lançou novas versões do seu smartphone a todo momento. O que tornava obsoletos os modelos recém-adquiridos.