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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Um dia atrás do outro...

Por Marcus Vinicius

Nas duas primeiras fotos a "recepção" aos médicos cubanos, promovida pelo Sindicato dos Médicos do Ceará. Uma das "vaiantes" filiou-se ao PSDB e será candidata a deputada estadual ano que vem.
Na terceira foto, cerimônia em que Dilma disse que o profissional ("recepcionado" da primeira foto) sofreu um "imenso constrangimento" e pediu desculpas a ele, em nome do povo brasileiro.
Fotos de Jarbas Oliveira







Foto de Roberto Stuckert Filho
 http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-pede-desculpas-a-medico-cubano-vaiado,1088436,0.htm

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Eu não peço desculpas..

Por Marcus Vinicius

Pois "num é" que Jorge Mautner e Caetano Veloso já não pediam desculpas. O pessoal fez escola, pois por aqui, o rapaz também não pede desculpas. No entanto o cronista pediu:



Eu não peço desculpas (Caetano Veloso e Jorge Mautner)

Eu não peço desculpa
E nem peço perdão
Não, não é minha culpa
Essa minha obsessão
Já não agüento mais
Ver o meu coração
Como um vermelho balão
Rolando e sangrando,
Chutado pelo chão

Psicótico,
Neurótico,
Todo errado...
Só porque eu quero alguém
Que fique vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração, eternamente colado...
No meu coração, eternamente colado...

Hipócrates, perdoai, eles não sabem o que fazem

Por Mário Mamede

Não levante a voz, melhore seus argumentos! Não consigo tirar da cabeça esta frase do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, desde a lamentável cena protagonizada por algumas pessoas formadas em Medicina sob a equivocada liderança de um sindicalismo anacrônico, caduco e nocivamente corporativo, desrespeitando e agredindo os médicos estrangeiros, sobretudo os cubanos, na Escola de Saúde Pública, na segunda-feira passada.

Neste momento de inquietação sobre o futuro do País e na busca de uma sociedade com justiça social, precisamos buscar novos paradigmas para a formação profissional e para o exercício da prática médica. Não é fácil ser protagonista deste processo, pois exigente do ponto de vista intelectual, tanto em sua formulação teórica como no exercício da práxis política.

Nesta busca, é preciso compromisso e sensibilidade para que o Estado Brasileiro, a sociedade, médicos e todos os profissionais de saúde possam garantir atenção básica à saúde nos pequenos, pobres e distantes municípios, com baixo IDH e indicadores de morbi-mortalidade vergonhosos.

O discurso político do sindicalismo médico cearense vem se estruturando em cima de verdades distorcidas, falseando a realidade. Não encontra lugar diante dos desafios colocados à categoria médica. Pela pobreza de argumentos, apelam para o grito, levantam a voz e partem para atitudes agressivas, tendo nos cubanos o alvo principal. Como é possível uma cultura de paz com comportamentos violentos?

Certamente, alguns estabanados, ao adjetivarem os colegas de “incompetentes” e “escravos”, não se apercebem que são escravos de uma vaidade desmedida, de sede de prestígio e um indisfarçado desejo de enriquecimento. Nos movimentos reivindicatórios por melhores salários, condições de trabalho, em defesa do SUS e saúde para todos, garantida a conquista salarial, as reivindicações “acessórias’’ são rapidamente esquecidas, e as pessoas à margem de qualquer atenção à saúde permanecem aonde estavam e estão abandonadas e sofridas.

Gostaria que os “valorosos manifestantes”, com a devida humildade, pedissem desculpas não só aos médicos e médicas cubanos, mas à sociedade pelo inconsequente e desastrado ato, incapaz de contribuir para o debate sobre os rumos da política de saúde em nosso País.

Neste momento cabe lembrar o pensamento de José Martí, herói Nacional de Cuba: “A verdadeira Medicina devemos ter em nossos corações”.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Pela livre circulação de pessoas

Por Vladimir Safatle

Há algum tempo, o governo tem discutido a possibilidade de incentivar médicos estrangeiros a atuar no Brasil. Com as manifestações de junho, tal ideia entrou na pauta das prioridades. Ela foi a única resposta do Executivo à indignação popular contra um sistema público de saúde que sofre brutalmente de subfinanciamento. Todos conhecem a sina de problemas de infraestrutura, pessoal e baixos salários que atinge a saúde pública brasileira, ainda mais depois do fim da CPMF. Sem fonte suficiente de financiamento, a saúde pública parece fadada a ser um dos setores em que a falência do nosso modelo econômico fica mais evidente.

É de causar estranheza, porém, a reação violenta dos médicos contra a vinda de profissionais de outros países. São compreensíveis as manifestações que procuram insistir na maior amplitude dos problemas da área e que fazem questão de lembrar que ainda há muito para ser feito. Mas não é compreensível que isso sirva de justificativa para manifestações contra a possibilidade de estrangeiros serem chamados para trabalhar no Brasil.

No fundo, talvez sem perceber, os médicos acabam por protagonizar passeatas a favor dos “brasileiros, primeiro” que mais parecem saídos do álbum de família da extrema-direita xenófoba comum no mundo desenvolvido. Não é possível admitir nenhuma forma de reserva de mercado de trabalho, pois ela quebra um princípio caro à vida democrática: a livre circulação de pessoas. Pois durante muito tempo vimos com os olhos da indignação como países europeus e norte-americanos impediam indivíduos à procura de trabalho de circular livremente, tratando-os como criminosos em potencial. Muitos brasileiros e latino-americanos foram vítimas dessas práticas deploráveis. Por isso, não há razão alguma para repetirmos tais ações em nosso País.

Na verdade, achamos natural uma situação em que o capital tem direito à livre circulação e as pessoas têm circulação restrita. O capital pode transitar de um país a outro em qualquer momento, assim como os produtos, isso ao menos segundo os preceitos liberais da economia. Já os seres humanos devem obedecer aos limites da fronteira e ficar onde estão, a não ser se queiram fazer turismo ou trabalhem em áreas estratégicas para outras nações. Melhor seria se o inverso fosse realidade, ou seja, que o capital tivesse circulação restrita e os cidadãos tivessem liberdade de viver suas vidas onde quisessem.

Nesse sentido, o problema da validação do diploma poderia ser resolvido de maneira simples. Há uma confusão do Ministério da Educação em relação ao assunto. Ele diz respeito tanto a diplomas de graduação quanto àqueles de mestrado e doutorado. Veja o caso dos títulos de mestrado e doutorado. Se alguém faz uma tese em outro país, por exemplo, o ministério exige um pedido de validação de diploma em alguma universidade brasileira. Tal universidade comporá então uma segunda banca para avaliar a tese que já foi objeto de uma banca de avaliação em outro país. Nada mais irracional e corporativista. Muito melhor seria se o ministério estabelecesse, de uma vez por todas, uma lista das universidades consideradas compatíveis com o nível de exigência das universidades brasileiras, o que simplificaria em muito o processo de validação.

Com essas pequenas ações e reações acabamos por decidir o rosto do país que queremos. Não haveria nada pior do que utilizarmos a justa indignação contra condições aviltantes de trabalho e de infraestrutura para escondermos um estranho sentimento segregacionista que, em alguns casos, foi alimentado por reações dignas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), pelo fato de boa parte dos médicos a ser chamados ter nacionalidade cubana. Uma sociedade rica é uma sociedade que acolhe aqueles que procuram refazer suas vidas em outro lugar e auxiliar na construção do dsenvolvimento social.

http://www.cartacapital.com.br/revista/758/pela-livre-circulacao-de-pessoas-6988.html

terça-feira, 21 de maio de 2013

GIL EM CUBA

Gil Sá*


Fiquei indignado logo que voltei com a noticia de uma reportagem na Veja denegrindo os médicos cubanos e dizendo que lá a medicina é atrasada e sem atualização tecnológica.
Vivi um experiência de excelência no atendimento médico e hospitalar que descrevo abaixo: 
Havana Velha


Chico Buarque tem razão quando diz que ir a Cuba é um processo de humanização. 

Uns “mojitos” a mais com boa música na noite anterior e um café da manhã às pressas me levou a uma “hipoglicemia” desencadeando uma                    “ fibrilação atrial” com “isquemia miocárdica”. Foi mais ou menos isso que eu entendi pelos médicos cubanos. 

Isso aconteceu em plena rua da Havana Velha as 
09 h de uma ensolarada manhã do dia 30 de abril. 

Paramédicos chegaram em minutos após atendimento  inicial de dois médicos amigos que estavam no passeio. Fui levado imediatamente para um posto de saúde (sem fila) e um atendimento de 1º mundo com médico e enfermeiros super atenciosos, com exames, eletrocardiograma e medicação específica, daí fui transferido para um Hospital para mais exames  e novamente uma excelência em atendimento numa unidade de observação com equipamentos moderníssimos e a presença de 4 médicos que me acompanharam durante toda a tarde até 20h, quando me liberaram após medicação e recomendações e a segurança de que eu estava bem.

Não foi preciso nem o cartão seguro saúde. Lamento o susto dado aos amigos o que deixou os médicos cubanos impressionados com a solidariedade do grupo de mais 20 amigos que estavam no passeio.

Agradeço a todos o apoio solidário e a certeza de que voltamos  de Cuba mais humanizados com tudo que vimos, sentimos e aprendemos


*Gil Sá esteve em Cuba no período de 23 de abril a 4 de maio de 2013.