Por Marcus Peixoto
O Clorpirifós é um ativo proibido pela Anvisa como defensivo agrícola. Seu uso ainda acontece no Estado
Fortaleza. O pepino e o tomate comercializados na Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa) apresentaram substância agrotóxica proibida. Trata-se do Clorpirifós, que tem sua comercialização vedada no País.
A constatação foi divulgada, ontem, pela Fundação Núcleo de Tecnologia do Ceará (Nutec). Esses dois produtos somaram-se a mais três, a fim de serem submetidos à exame para avaliar o teor tóxico de produtos da fruticultura e horticultura, com histórica incidência de contaminação.
Dos alimentos encaminhados à análise, melão, pimentão e alface revelaram "resultado satisfatório", com relação aos ingredientes ativos pesquisados. As análises foram encomendadas pelo Diário do Nordeste, com o propósito de verificar a existência ou não de substâncias que são consideradas ilegais pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os produtos foram comprados na Ceasa em 26 de novembro passado e no mesmo dia levados à exame pelos técnicos do Nutec. O laudo foi assinado pela química industrial Maria da Conceição do Nascimento Monteiro e pela supervisora do Núcleo de Tecnologia de Alimentos e Química, Ana Luiza Maia. Os resultados constataram ainda a presença ilegal de permetrina no tomate, mas em níveis baixos.
O engenheiro de alimentos Rubéns Cariús, da equipe técnica do Nutec, disse que a análise levou em consideração 35 itens, de acordo com as monografias de agrotóxicos publicadas pela Anvisa, com atualização de 17 de agosto de 2011.
O uso ilegal e indiscriminado de agrotóxico atinge dois produtos que também aparecem na relação dos alimentos com maior número de amostras contaminadas pela Anvisa. Na pesquisa divulgada esta semana, o pepino e o tomate incluem-se na relação dos líderes do ranking de elementos nocivos à saúde.
A relação é liderada, no entanto, pelo pimentão e o morango, com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico, durante o ano de 2010. Segundo dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) da Anvisa, divulgados, ontem, no caso do pepino, o percentual de amostras irregulares foi de 58%. As irregularidades decorrem de dois problemas detectados na análise das amostras: teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas.
No caso do Ceará, o engenheiro químico Rivelino Cavalcante, autor de um inventário do uso do agrotóxico na Chapada do Apodi, afirma que os danos para a saúde causados por essas substâncias vão desde o aparecimento de depressão, passando por doenças de origem nervosa, até o surgimento de cânceres.
Ele lembra que, apesar de serem itens proibidos na comercialização, vêm sendo vendidos livremente no comércio do interior, especialmente junto aos estabelecimentos que mantiveram os defensivos em seus agrotóxicos.
Agricultura familiar
Além disso, Rivelino diz que, ao invés de haver uma retração no uso, aconteceu uma disseminação. "Antes o agrotóxico envolvia especialmente o agronegócio. Atualmente, se estende para o pequeno produtor e, especialmente, aquele que pratica a agricultura familiar", afirma Rivelino.
Para o assessor técnico da Agência de Defesa Agropecuária (Adagri), órgão mantido pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Tito Carneiro, a fiscalização tem sido ostensiva, a ponto de, entre 2010 a este ano, terem sido identificados 500 estabelecimentos que vendiam agrotóxicos fora das normas previstas pelos órgãos regulares. Cerca de 200 deles foram fechados. "Nós constatamos que há muitos casos de casas comerciais vendendo produto sem autorização do agrônomo ou outras lojas que utilizam esses profissionais para a liberação dos defensivos proibidos", disse.
Fiscalização
Já o diretor administrativo da Ceasa, Oscar Saldanha, disse que o problema de produtos comercializados com indicadores de agrotóxicos é antigo. No entanto, ele informou que a Central vem se mobilizando para manter um escritório da Adagri, no sentido de incrementar a fiscalização. "O interesse pela venda de produtos não contaminados é coletivo. Isso é importante para o produto, para o vendedor e para o consumidor", disse Oscar Saldanha. Ele afirma que a instalação de um laboratório na Ceasa seria inviável pelos custos e pelos resultados imediatos, que devem ser atacados na fonte. Ou seja, no campo. A ideia da pesquisa do Diário do Nordeste levou em consideração a compra de um quilo de alface, pimentão, melão, pepino e tomate. Os itens foram escolhidos de acordo com a história passada de alto teor tóxico. O assunto foi objeto de um caderno especial publicado pelo Diário do Nordeste no ano passado.
Com as compras feitas na Cesa, o passo seguinte foi encaminhar ao Nutec, para exame das substâncias tóxicas. O laudo foi expedido na terça-feira passada. Diferente da avaliação feita pela Anvisa, que se dá em diferentes pontos de vendas, a do jornal foi restrita a um só estabelecimento e sem diversidade de amostras.
No balanço geral feito pela Anvisa, das 2.488 amostras coletadas pelo Para, 28% estavam insatisfatórias. Deste total, em 24,3% dos casos, os problemas estavam relacionados à constatação de agrotóxicos não autorizados para a cultura analisada. Segundo a Anvisa, para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, o consumidor deve optar por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas.
É importante, ainda, que a população escolha alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada (que a princípio recebem carga menor de agrotóxicos).
MAIS INFORMAÇÕES
Nutec. Rua Professor Rômulo Proença, S/N, Fortaleza. (85) 3101.2445
Adragri. Telefone: (85) 3101.2500
Labomar. Telefone: (85) 3242.8355
CHAPADA DO APODI
Inventário mapeia produtos nocivos
Fortaleza. Um estudo coordenado pelo professor Rivelino Cavalcante, apoiado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), elaborou o primeiro inventário dos agrotóxicos utilizados na região do Baixo Jaguaribe e Litoral de Aracati, a respeito do uso de agrotóxicos.
Através dos dados do inventário, foi verificado o uso de 207 produtos agrícolas, com mais de 150 princípios ativos, os quais podem estar presentes de forma unificada ou através de misturas, contendo dois ou até três princípios ativos por produto agrícola. O grande número de agrotóxicos administrados nessa região é o reflexo do aumento da área de plantio, impulsionado pelos incentivos ao setor agrícola, e principalmente pela isenção de impostos.
"Comparando com escassos e incompletos levantamentos nas principais regiões agrícolas do País, a diversificação de produtos agrícolas administrados na região estudada, bem como princípios ativos, é bem maior quando comparado com alguns estudos nas regiões Sul e Sudeste. Isso torna a região dos perímetros de irrigação dos Municípios de Russas, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Quixeré, um dos maiores e mais diversificados no uso de agrotóxicos no país", afirma Rivelino.
Analisando os dados do inventário, próximo de 75% pode ser aplicável nas culturas do milho e feijão, além de outras culturas. Segundo o professor, esse dado é interessante uma vez que as culturas do milho e feijão são as principais dos pequenos agricultores ou da agricultura familiar, bem como dos grandes agricultores.
Classificação
Como essas culturas são populares e não necessitam de grandes recursos na produção, o comércio direcionou a venda dos produtos em função das culturas predominantes. Segundo a pesquisa, esse direcionamento pode ser devido à procura, reflexo da diminuição do preço desses venenos e políticas de divulgação maciça promovidas pelas empresas fabricantes.
Dos 207 produtos agrícolas administrados na região de estudo, quanto à classificação toxicológica, próximo de 48% pertence à classe I e II (extremamente e altamente tóxicos, respectivamente). Quanto à classificação ambiental, é mais preocupante ainda. Acima de 60 % pertence à classe I e II (Produto Altamente Perigoso e Muito Perigoso ao Meio Ambiente, respectivamente).
Dos agrotóxicos administrados na região, 27% tem um alto risco de contaminação dos recursos hídricos, e 32% apresentam risco médio de contaminação da água. Esses dados mostram que a adoção por agrotóxicos mais potentes (mais tóxicos e de maior perigo ambiental) parece ser predominante e crescente, e que políticas agrícolas de conscientiza-ção não estão funcionando. "A divulgação e discussão do problema por setores competentes não está surgindo efeito".
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
FAO advierte que el agua es una barrera para alimentar al mundo
Editado por Maite González
"El agua se ha convertido en el principal obstáculo para aumentar la producción, especialmente en algunas áreas como la región andina, Sudamérica y los países subsaharianos", dijo en entrevista con la BBC el que será próximo número uno del Organismo de Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura (FAO).
De acuerdo con los cálculos de la FAO, en 2050 la producción de alimentos tendrá que ser un 70% mayor para poder mantener el ritmo de crecimiento de la población.
Graziano afirma que, pese a la presión sobre los recursos naturales que supone el creciente número de seres humanos sobre la Tierra, es posible terminar con el hambre con cuatro acciones principales: aplicación de modernas técnicas en la agricultura (muchas ya disponibles), crear una red de seguridad social para la población más vulnerable, recuperar para la agricultura los productos locales y cambiar los patrones de consumo de los países ricos.
"Si pudiéramos cambiar los patrones de consumo de los países desarrollados, habría comida para todos", comenta. "Desperdiciamos mucha comida en la actualidad, no solo en la producción, sino también en transporte y consumo".
Según Graziano, titulado en Agronomía, Economía Rural y Sociología, mientras en los países ricos desperdician comida, 1.000 millones de personas pasan hambre.
"Necesitamos asegurar que esa población pueda alimentarse, facilitarles buenos trabajos bien pagados o, si no, encontrar una fórmula de protección social".
El brasileño dice que los programas de transferencia de dinero sirven a unas 120 millones de personas en América Latina, lo que ha ayudado a reducir las tasas de desnutrición en la región.
Graziano aboga por expandir esos programas a otros países afectados, especialmente en África.
Mercados locales
Otra acción que podría ayudar a luchar contra el hambre, argumenta, es recuperar la agricultura de productos típicos de cada región.Además, agrega que, en tanto esos productos no son materias primas, no se ven afectados por cambios repentinos en el precio, beneficiando así a consumidores y productores. También pueden crear un ciclo de producción y consumo local.
"Lo que hace la comida cara es el transporte, porque la producción es muy barata. Si pudiéramos diversificarla, volver regionales los canales de distribución, los precios serían mucho menores".
Graziano también afirma que estimular los productos tradicionales ayudaría a diversificar las fuentes de comida.
"En la actualidad, hay sólo unos pequeños productos responsables de la alimentación de 7.000 millones de personas".
Según comentó en la entrevista, la prioridad dada a los alimentos presentes en los mercados internacionales, por ejemplo, reduce la capacidad de América Latina en la producción de fríjol, una fuente tradicional con alto valor nutritivo que se obtiene a bajo costo.
Problema de la obesidad
La diversificación de la producción agrícola también serviría para afrontar otras preocupaciones relacionadas con la comida: el incremento de la obesidad, incluso en países pobres.Graziano asegura que el número de personas con una dieta inadecuada o con obesidad ya está en los 2.000 millones, el doble de quienes pasan hambre.
Y lo atribuye al estilo de vida moderna, que desincentiva la actividad física y facilita el acceso a comida industrializada, normalmente con altas concentraciones de azúcares.
Por eso, el brasileño cree que la lucha contra la obesidad debería incluir campañas educativas "que están siendo descuidadas".
"Creemos que nuestras madres sabían lo que se debía comer. Eso podría servir para nuestras abuelas, que solían tomar los alimentos de la huerta, pero las madres de hoy buscan comida rápida porque pasan mucho tiempo trabajando fuera de la casa".
Graziano también argumenta que las multinacionales de comida rápida deberían ser conscientes de su responsabilidad en este problema e incrementar la presencia en sus menús de alimentos frescos, como frutas y verduras.
Biocombustibles
El que en la actualidad es todavía director regional de la FAO para América Latina y el Caribe destaca otros dos problemas que, junto a la obesidad, son parte de la reciente discusión sobre la producción de alimentos alrededor del mundo.Son la supuesta competición entre agricultura para la alimentación y la producción de biocombustibles, y los riesgos que la agricultura impone a la preservación del medioambiente.
Destaca que dos de las tres áreas que más producen biocombustibles, EE.UU. y Europa, han experimentado alzas en el precio de algunos alimentos por tener que competir con los biocombustibles.
Pero en la tercera, su país natal, los estados en que se produce etanol a partir de caña de azúcar no están observando ningún impacto en los precios de los alimentos, pues la fuente está sobre todo en tierras que no eran productivas y que lo son gracias a la modernización de las técnicas.
"Igual que hay colesterol bueno y malo, eso pasa con los biocombustibles".
Graziano agrega que no hay conflicto entre la preservación ambiental y la necesidad de expandir la producción agrícola.
"La intensificación de la producción a través de tecnologías modernas, reduciendo el uso de fertilizantes y pesticidas, pueden beneficiar enormemente el medio ambiente".
"Los avances tecnológicos en esa dirección deberían terminar con esta dicotomía entre los ambientalistas y los agricultores".
http://www.radiohc.cu/noticias/ciencia/7786-fao-advierte-que-el-agua-es-una-barrera-para-alimentar-al-mundo.html
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
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