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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Não haverá mais espaço para o cinismo da imparcialidade", diz Jornalismo Wando

Via Bruno Perdigão

Por Camila Demario

Seguido por nomes conhecidos do jornalismo como Xico Sá, Bob Fernandes e Fred Melo Paiva – e também do entretenimento, como Maurício Meirelles, do “CQC”, o autor do perfil @JornalismoWando no Twitter tem feito sucesso entre profissionais de comunicação com suas críticas ao “jornalismo-fofurinha, estilo Sandra Annenberg, em que o jornalista ri, chora, se emociona e se envolve com a notícia como se estivesse num programa de auditório”.

Crédito:Reprodução

Perfil do Jornalismo Wando no Twitter

Apesar de já ter revelado sua identidade em uma entrevista em 2011, ano em que criou o perfil, João prefere hoje ser descrito apenas como um “morador de 33 anos da zona norte de São Paulo”. Ao contrário do que muitos dos seus seguidores pensam, João não é jornalista, mas tem interesse por debates políticos e sociais, como diz em entrevista exclusiva dada à IMPRENSA. Confira:

IMPRENSA - Quando o personagem foi criado e qual foi a motivação? Por quê o nome Wando?
JORNALISMO WANDO - Criei o @JornalismoWando em meados de 2011. Começou com uma brincadeira no Twitter sobre jornalistas fofos que paparicam os entrevistados, que evitam incomodar. Então o Jotabê Medeiros [jornalista do O Estado de S. Paulo] criou a hashtag #JornalismoWando, uma referência a esse grande artista popular, o cantor Wando, que com seu jeitinho sedutor e "querido" conquistou milhares de fãs. Foi a partir daí que começou a palhaçada toda. No mesmo dia criei o perfil e muita gente seguiu.

Como é sua rotina de trabalho? É formado? Como surgiu interesse pelo jornalismo?
Meu interesse pelo jornalismo vem do meu interesse pelos debates políticos e sociais. Não sou jornalista.

Você parece ser uma pessoa bastante influente no meio. As suas fontes já o conheciam ou aumentaram com a identificação com o personagem no Twitter? Muita gente o confunde com jornalista?
Pareço tão influente assim, é? Então estou enganando bem (risos). O Wando fez muitos amigos do meio e, às vezes, a gente fica sabendo de algumas coisas. Sempre cai um "offzinho" nas DMs e é por isso que há muitas pessoas que acham que sou algum jornalista se aproveitando do anonimato para proteger a imagem profissional.

Qual sua relação com os jornalistas? Já foi processado, recebeu ameaça?
Tem os que gostam, os que ignoram e os que bloqueiam. Tomo muito cuidado para não ser processado, mas já houve ameaças sim. Nada que uma conversa ao pé do ouvido com o Wando não resolva.

O que é, na prática, o “jornalismo Wando” praticado pelos profissionais e veículos atualmente? Essa forma de jornalismo cresceu nas últimas décadas?
Jornalismo Wando é esse pretenso jornalismo imparcial, como se isso fosse possível. É o jornalismo que trata a notícia com um produto a ser vendido e não um fato a ser dissecado, analisado e criticado. É aquele jornalismo mais centrado na forma que no conteúdo, em que o jornalista tem que apelar pra uma manchete babaca ou um infográfico inútil pra dar aquela colorida na matéria.
É também aquele jornalismo-fofurinha, estilo Sandra Annenberg, em que o jornalista ri, chora, se emociona e se envolve com a notícia como se estivesse num programa de auditório. Você viu a cobertura da visita do papa? Quem não é católico teve que aturar o jornalismo Wando apostólico romano 24h por dia. Os jornalistas da televisão estavam visivelmente emocionados com a visita do Santo Padre. A Leilane Neubarth só faltou ajoelhar no estúdio da GloboNews. Inacreditável.

Como foi o convite do Yahoo!? Tem contrato com número de posts, remuneração, é uma fonte de renda?
Habemus contratus.

O tumblr “Sou reaça, mas tô na moda” também é seu, mas a última atualização é de maio. Perdeu interesse ou falta tempo?
Falta tempo, quem sabe mais pra frente não volto a atualizar. Os reaças da moda se multiplicam numa velocidade impressionante e eu não estou dando conta. Se alguém quiser me ajudar a atualizá-lo, pago bem em cubo cards.

A crítica feita em seus textos tem a ver com a aproximação do jornalismo com o entretenimento?
Sim, principalmente na televisão, onde os dois estão cada vez mais próximos. Quantos jornalistas que já abandonaram a profissão para apresentar programas de entretenimento? Britto Jr, Pedro Bial, Tiago Leifert, Fátima Bernardes e vários outros. O Leifert abandonou também, porque aquilo que ele faz no "Globo Esporte" está mais pra "Caldeirão do Huck" do que jornalismo. E ainda alguns têm coragem de chamar aquela micagem que ele faz de revolução. O Celso Zucatelli, por exemplo, que apresentava o "Jornal da Cultura", hoje ensina receitas nas manhãs da Record. Não é coincidência. Parece que cada vez mais tem jornalista formado querendo ser rostinho bonito na televisão. Não é o que eu entendo por jornalismo. Não quero parecer tão ranzinza, acho que há espaço pra tudo e todos. O problema é que essa babaquice está virando a regra.

Quais jornalistas/veículos você – e seu personagem – acha que faz bom jornalismo?
Tirando a revista Veja, que não faz ideia do que seja jornalismo, há bons e maus exemplos em todos os veículos de imprensa. Difícil criticar ou elogiar em bloco. O maior problema da imprensa é o monopólio dos empresários de mídia. É aquela velha história: meia dúzia de famílias milionárias comanda o mercado da informação, formam monopólios, concentram poder e jogam com os 3 poderes. Não há nenhuma regulação no setor como há em todos as atividades da economia, o que é um absurdo. E só a democratização da mídia desconcentrará o mercado, trará novos atores, aumentará a concorrência e melhorará a qualidade do jornalismo.

A última “polêmica” sobre jornalismo no Twitter tem sido o Mídia Ninja, que divide opiniões entre os profissionais. Você já criticou a falta de transparência do grupo no perfil do Wando. Assistiu o "Roda Viva" O que acha do jornalismo feito pelo grupo?
Acho interessante a ideia e o formato do Mídia Ninja, mas acho que estão completamente equivocados politicamente. Foram entrevistar Eduardo Paes, por exemplo, e foram massacrados pela retórica do político profissional. Saíram pequenininhos da entrevista e só levantaram a bola para o prefeito. Acho importante que eles não se colocam como imparciais e admitem estarem fazendo política. Só acho que estão fazendo do jeito errado. Para o Mídia Ninja agora é interessante que haja protesto todos os dias, tanto que eles sempre incentivam nas suas transmissões. Aí a coisa complica.
Assisti ao "Roda Vida" e achei que eles foram muito bem e falaram verdades que nunca foram faladas ali. Mas o Capilé, mais uma vez, não conseguiu ser transparente com as questões financeiras do Fora do Eixo, apesar da sua retórica de político profissional. E eu gostaria de saber melhor com funciona a estrutura financeira, ainda mais porque acho que a vaidade política do Capilé supera esse espírito coletivista. Conheço muita gente que trabalhou com ele e sei que a coisa não é tão romântica assim. Acho que existe uma necessidade de se buscar um protagonismo pelo protagonismo.

Por quanto tempo pretende levar o personagem? Espera dar alguma contribuição?
Caramba, nunca pensei nisso. Sei lá, vou “lewando”.

Assim como o Wando, o jornalismo morreu? Sim/não, por quê?
Não morreu, mas está passando por uma profunda transformação e ninguém sabe muito bem onde vai dar. Mas uma coisa é certa: não haverá mais espaço para o cinismo da imparcialidade. Quem quiser sobreviver no mercado vai ter que ser cada vez mais transparente. Porque o cara escreve um texto cheio de falsidade no jornal e no mesmo dia já tem um blog desmascarando tudo.

Pretende levar o personagem para outras plataformas, como livro, por exemplo?
Nunca pensei nisso, mas realmente daria pra escrever um livro com as peripécias do Wandinho. Ele já cantou e encantou muita celebridade, jornalista, político.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Corrupção e gastos: Brasil, é hora de olhar para o espelho

Via Bruno Perdigão

POR BOB FERNANDES

Dos 0,20 centavos dos ônibus e metrôs para a corrupção e desperdício de dinheiro público foi só um passo. O tema, embalado pelas "obras da Copa", está na agenda e nas ruas. Um ótimo momento para milhões de brasileiros olharem também, com muita atenção, para o espelho.
Porque, consequência inevitável, não existe corrupção sem corruptores. E corruptos e corruptores têm que, também inevitável, ter nascido e se criado em algum canto do planeta Terra.

Ainda, também uma evidência lógica, corruptos e corruptores moram e vivem, corrompem e são corrompidos em alguma cidade, estado, país. Que, no caso, certamente alguns se surpreenderão, é… no Brasil.

Além da Presidência e vice-presidência da República, no momento ocupadas por Dilma Rousseff e Michel Temer, o Brasil tem 27 governadores e 27 vice-governadores, 81 senadores, 513 deputados federais, 5.561 prefeitos, 5.561 vice-prefeitos, 1.059 deputados estaduais e 60.320 vereadores.

Assim, numa conta ligeira e certamente sujeita a imprecisões, o Brasil tem 73.149 "políticos", esses seres objeto de crescente repulsa. Cabem, em meio a tanta rejeição, algumas perguntas:
  •  De que planeta vieram os "políticos"? Chegaram ao Brasil numa nave especial, vindo de uma outra galáxia? Ou, talvez, algo mais próximo, como Júpiter?
  • Aplique-se, por hipótese, uma taxa mínima na média de renovação de mandatos, algo como 25% no tempo em que se dão eleições em todos os níveis e se chega a mais uns 18 mil novos "políticos" a cada quatro anos.
  • Por essa conta, e a renovação estimada muito por baixo desde a redemocratização, em 1985, tivemos desde então algo como 110 mil cidadãos e cidadãs com novos mandatos parlamentares. Os tais "políticos".
  • Pergunta-se: De que planeta eles vieram? Onde, em que cultura, adquiriram esse odiento hábito, o da gatunagem que, ao que parece, é tão estranho aos brasileiros?
  • Outra pergunta: um "político" nasce com determinação genética para tal? É uma cidadã, um cidadão programado para maus hábitos e por isso se torna "político"?
Notemos alguns números em torno do mundo destes seres. Estatísticas atribuídas ao Brasil.
  • O Brasil tem um Produto Interno Bruto estimado em R$ 4,14 trilhões. Leio que estima-se a corrupção em até 2,4% do PIB. Portanto, uns R$ 100 bilhões. Estimativas mais modestas apontam para R$ 70 bilhões/ano.
  • O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relata que 2.918 ações e procedimentos relativos à corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa prescreveram por falta de julgamento em 2012.
  • Ou seja, em quase 3 mil casos os responsáveis escaparam por falta de julgamento. Por outro lado, em 1.637 ações na Justiça 205 terminaram em condenação.
  • Ainda a Justiça e corrupção: tornaram-se ações 1.763 denúncias contra acusados de corrupção e lavagem de dinheiro e 3.742 procedimentos judiciais relacionados à prática de improbidade administrativa.
  • No final do ano tramitavam 25.799 ações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade. Os réus nessas ações são centenas de milhares de brasileiros. Se não prescrever, deverão ser julgados.
Parênteses. Nos idos do governo Collor estimava-se que as operações comandadas por PC Farias subtraíram mais ou menos R$ 1 bilhão.
  • No rastro daquilo, a Polícia Federal indiciou mais de 400 empresas e 110 grandes empresários. Só um grande personagem foi condenado. O finado PC Farias. Tudo mais prescreveu.
De volta à Justiça.
  • O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), rastreou e mostrou: entre 2000 e 2010 as movimentações financeiras atípicas nos tribunais somaram R$ 855 milhões.
  • Ou seja, excetuado o que é feito com cuidado ou a miuçalha, em 10 anos beirou o bilhão o dinheiro suspeito a circular pelos tribunais e seus altos e baixos funcionários, segundo o insuspeito Coaf.
Pergunta-se: em que planeta moram e trabalham, de onde vieram funcionários da Justiça suspeitos de embolsar pelo menos R$ 855 milhões de forma heterodoxa?

O ex-secretário da receita federal nos governos FHC, o atilado Everardo Maciel, relata: habitantes no Brasil, de todas as classes socais, devem – dívida já inscrita na União- mais de R$ 1 trilhão em impostos.
Não pagos por N motivos, ilegais e mesmo legais. E, claro, de muitos se ouvirá o fraseado “não pago porque vão roubar mesmo”.
Em tempo: em precatórios e assemelhados, o Estado e os estados brasileiros devem mais de R$ 100 bilhões aos cidadãos.
Pergunta: os que não pagam o R$ 1 trilhão em impostos são de onde? E que cultura admite Estado e estados não pagarem aos seus cidadãos uma dívida de mais de R$ 100 bilhões?

Como se vê e se verá na fúria dos fakes de redes socais e de alguns grupelhos fascistoides que têm se infiltrado na legítimas e democráticas manifestações nas ruas do Brasil, há os que sentem saudade do passado.

São os filhos, netos e já bisnetos da ditadura. Esse pessoal que ama Jair Bolsonaro, que baba ódio nas redes e prega um certo "Partido Militar".
Sem entrar em maiores considerações quanto aos 21 anos de ditadura, até porque a história já o fez, recordemos alguma coisa daquele passado.

No início dos anos 70, tendo o também general Golbery do Couto e Silva como grande mentor, o general e futuro presidente-ditador, Ernesto Geisel, revelou porque sentia-se obrigado a fazer a "Abertura Política".

Às páginas 150 e 151 do seu livro “História indiscreta da ditadura e da abertura, 1964-1985-“ o ex-ministro Ronaldo Costa Couto reproduz frase de Geisel ao Almirante Faria Lima:
- (…) Porque a corrupção nas Forças Armadas está tão grande, que a única solução para o Brasil é a abertura…
Frases nesse mesmo sentido são atribuídas ao ex-presidente e general Castelo Branco e ao ex-ministro da Justiça e censor-mór da ditadura Armando Falcão.

De que planeta eram eventuais corruptos e corruptores daqueles tristes tempos de tortura, silêncio obrigatório e assassinatos políticos?
Ardorosos defensores do passado citam como novidadeiro, e fruto apenas da “política” de hoje a corrupção, e o desperdício de dinheiro público.

Encerremos com uns poucos entre muitos exemplos:
Transamazônica. Para, entre outros motivos, povoar a região e evitar a ocupação por estrangeiros, o governo dos anos 70 imaginou e fez construir uma estrada de 4.162 km. Ao custo de US$ 12 bilhões.
A amazônica estrada de R$ 35 bilhões – a preços de hoje-, segue com 2.200 Km ainda sem pavimentação.

Escândalo da Mandioca. Em Pernambuco, entre 1979 e 1981. Da agência do Banco do Brasil de Floresta desviaram Cr$ 1,5 bilhão (R$ 20 milhões) do Programa de Incentivo Agrícola, o PROAGRO.
Quem apurou e denunciou foi o procurador Pedro Jorge de Melo e Silva. Que terminou assassinado no dia 3 de Março de 1982.
Uma lista dos casos de então seria longa, exaustiva. Em 21/01/1983, o Banco Central decretou intervenção nas sociedades de crédito imobiliário do Grupo Delfin.
O grupo tinha a maior empresa privada de poupança do país, com mais de três milhões de depositantes, em 83 agências.
Jornais daqueles tempos, os alternativos que lutavam contra a censura, relataram gatunagem em obras como a hidrelética de Itaipu. E em certos contratos na Petrobras.
De tudo aquilo e muito mais, e sem poder ir às ruas como hoje, quanto se soube no país sob ditadura e censura?

E de que planeta vieram, ao longo desse meio século, da ditadura à redemocratização, os cidadãos e cidadãs que fizeram e permitiram que se fizesse tanto?
http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2013/06/24/corrupcao-e-gastos-brasil-e-hora-de-olhar-para-o-espelho/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Em Berlim, Lula revela conversas reservadas com líderes mundiais

Por BOB FERNANDES



Em encontro com representantes da social democracia nesta sexta-feira, 07, em Berlim, o ex-presidente Lula revelou detalhes de algumas das suas conversas reservadas com líderes mundiais no tempo em que estava na presidência. Abaixo, relato do que foi dito por Lula:

”Vamos pegar o cara do Irã, que eu participei ativamente. O cara do Irã. Eu saí do Brasil e fui ao Irã. Contra a vontade de todo mundo… da minha companheira Angela Merkel, do companheiro Obama, do companheiro Sarkozy, do companheiro Medvedev, do companheiro…… eu estava convencido que era possível convencer o Irã a assinar o documento que a Agência (Internacional de Energia Atômica) precisava… e eles me diziam assim “Lula, você é um ingênuo, você está acreditando no Ahmadinejad e ele não está falando a verdade…”. Eu falei, “eu sou ingênuo, mas eu acredito na política".

Uma vez, na reunião de Princeton, perguntei:

- Obama, você já conversou com Ahmadinejad?

- Não.

- Sarkozy, você já conversou com Ahmadinejad?

- Não.

- Angela Merkel, você já conversou com Ahmadinejad?

- Não.

- Gordon Brown, você já conversou com Ahmadinejad?

- Não.

- Berlusconi, você já conversou com Ahmadinejad?

- Não.

- Ora, se ninguém tinha conversado com o cara, que diabo de política é essa?

(Gargalhadas e aplausos).

Prosseguiu Lula:

-Antes do Irã, passei em Moscou para conversar com o presidente Medvedev. Chego em Moscou e o presidente Obama tinha ligado para Medvedev:

- Olha, diga para o Lula não ir ao Irã porque ele não vai fazer acordo. Ahmadinejad não cumpre acordo…

Aí, passo no Qatar e o emir do Qatar recebeu um telefonema da secretária de Estado ( EUA) dizendo:

- Olha, diga para o Lula não ir, ele está sendo ingênuo, ele não pode ir porque o Irã não vai.

Eu fui… chegamos no Irã e eu fui conversar com o grande líder Kaminey, fui conversar como presidente do parlamento, e fui conversar com Ahmadinejad e falei com todas as palavras:

- Ahmadinejad, eu estou vindo aqui, os meus amigos estão brigando comigo, (e aí eu citei o nome de cada presidente), a imprensa brasileira está me batendo há uma semana e eu não saio daqui sem uma acordo…

(Risos da plateia)

- Não, mas Lula, você pode sair que eu concordo.

- Olha, tem de escrever. (Risos da plateia) Sabe por que tem de escrever, Ahmadinejad? Sabe o que eles pensam de você? Eles pensam que você é mentiroso e não cumpre a palavra… então, eu só saio daqui com uma documento escrito.

Qual não foi minha surpresa, e quando eu pensei que o conselho de segurança da ONU iria me dar um prêmio de agradecimento (Risos da plateia), eles deram a maior demonstração de ciúme do mundo e ainda assim resolveram punir o Irã. Ainda bem que a imprensa democrática do mundo publicou uma carta, que o presidente Obama tinha me mandado, dizendo quais as condições que eles aceitavam e o Ahmadinejad aceitou exatamente as condições que estava na carta. E ainda assim, eles fizeram retaliações com o Irã, não aceitaram o documento…

Então, o que eu percebi: eu percebi uma coisa que eu vou dizer com a maior sinceridade, eu acho que tem gente no mundo que não quer paz, quem quer paz é o povo. Mas tem quem precisa da discórdia, necessita da discórdia pra poder ser importante, senão, não teria nenhuma explicação a gente não ter paz no Oriente Médio. A mesma ONU que criou o estado de Israel porque não cria o estado Palestino?

(Aplausos da plateia).

Lula iniciou sua fala de 8 minutos dizendo o seguinte:

“Eu queria só lembrar uma coisa. Nós criamos o G-4; Brasil, Alemanha, Japão e índia. O que aconteceu? A Itália não quer que a Alemanha entre no Conselho de Segurança (da ONU). A China não quer que o Japão entre no Conselho de Segurança. Todo mundo defendia que o Brasil deveria entrar, mas não entrou. Ou seja.. dizem que não tem reforma das Nações Unidas porque qual é o país da África que vai entrar?

Olha, vamos ser francos…tem três 54 países na África…você tem três países importantes, grandes, com grande população…. África do Sul, Nigéria e Egito, por que não entra os três? Porque que não entra Brasil e México? Qual é o problema? O problema é que quem tá lá não quer repartir o poder. Essa é a verdade. É muito cômodo do jeito que tá. Então, o Brasil está disposto a se engajar, o Brasil está no Haiti já há bastante tempo.

Se dependesse de mim quando estava na Presidência eu teria retirado o Brasil do Haiti, não tiramos porque o presidente Préval pediu pra gente ficar, e nós ficamos lá e o Brasil presta um grande serviço. O dia que tiver no Haiti um sistema de segurança que diga que o Brasil não precisa ficar mais lá, nós traremos a nossa tropa. Agora, o que não dá é pra gente trabalhar com base em mentiras. Não dá. Ou seja, cadê as armas químicas do Iraque? Cadê? Se contou uma mentira pra humanidade, em toda essa mentira se invadiu um país…o que aconteceu?
 
http://terramagazine.terra.com.br/bobfernandes/blog/2012/12/07/em-berlim-lula-revela-conversas-reservadas-com-lideres-mundiais/

sábado, 13 de novembro de 2010

Mino Carta escreve sobre Marcelo Itagiba

A despedida de um jagunço

por Mino Carta, na CartaCapital

Na Câmara Federal, o ex-deputado tucano Marcelo Itagiba, ex-emedebista, ex-policial, deita falação para injuriar alguns jornalistas, precisamente aqueles que atuaram do lado oposto à compacta campanha de ódio a favor de José Serra desencadeada pela mídia nativa. Luiz Carlos Azenha é inepto, Bob Fernandes é mentecapto, mercenário desqualificado. Leandro Fortes, famigerado mitômano. Palmério Doria, profissional da mentira. Paulo Henrique Amorim, crápula. Luis Nassif, estelionatário. Marcelo Auler, hidrófobo. Quanto a mim, sou um velhaco de trajetória venal.

Creio que para os colegas ofendidos as injúrias de Itagiba equivalham a outros tantos reconhecimentos de honradez e qualidade profissional. O acima assinado passará a incluir as definições desse sabujo da tucanagem despenada entre as mais favoráveis que recebeu ao longo da sua vida de jornalista. Uma do colega Nirlando Beirão, companheiro de diversas jornadas: “Nunca o vi vacilar à frente dos poderosos”. A outra do então ditador aposentado João Baptista Figueiredo, pronunciada em 1988: “Ele é um chato que questiona tudo, reescreveria até os Evangelhos, Geisel o detestava, mas não tem rabo preso”.

Meu modelo é nonno Luigi, toscano, pai da minha mãe, falecido aos 56 anos, antes do meu nascimento. Perseguido pelo fascismo, afastado da direção de um diário genovês, esgrimista, desafiava os desafetos para duelos. Sabia ganhar e perder, certa vez foi ferido da ponta da orelha esquerda à base do pescoço, escapou por um triz.

Mas quem ousaria contestar o ex-esbirro- Itagiba, que se permite condenar Paulo Lacerda ou Protógenes Queiroz? Há de ser velhaco e venal quem ao sair da direção de Veja em fevereiro de 1976 teve de inventar os seus empregos porque não existiria barão midiático disposto a lhe oferecer trabalho. E ainda quem nunca deixou de defender a verdade factual e expor desabridamente suas opiniões.

Tenho pena de figuras como a de Marcelo Itagiba, jagunços de um poder no ocaso. Sinto no seu ataque a admirável interpretação do papel de janízaro, a cumprir a ordem do sultão humilhado, incapaz de conter a sede de vingança, o rancor inextinguível contra a vida e o mundo. No seu discurso federal, o porta-voz do ódio levanta casos de muitos anos atrás, todos a convergir em uma única direção. Basta segui-la para entender em nome de quem ele age. Boa pista para mentecaptos, ineptos, mitômanos e assim por diante.

Inclusive para velhacos e venais. Arrisco um palpite: trata-se da mesma personagem que acionou a procuradora Cureau contra CartaCapital.

FALEMOS DE REGULAÇÃO

O ministro Franklin Martins define como “fantasma” a assertiva bastante comum de que a liberdade de imprensa sofre ameaça no Brasil de Lula e Dilma. Também diz que a regulação da mídia é necessidade inadiável. Primeiro: respeita a verdade factual, nunca a mídia nativa foi tão livre de deturpar os fatos como se deu durante a campanha eleitoral. Segundo: o avanço tecnológico justifica plenamente a regulação da comunicação eletrônica, de sorte a adaptar à situação atual leis e regras superadas, ou seja, obsoletas.

O anteprojeto que o ministro pretende aprontar antes do fim do mandato do presidente Lula tratará dessa atualização técnica, sem risco algum para a liberdade de expressão. Temos aqui outro aspecto da questão, e o ministro passa por ele à margem do seminário internacional de Brasília, realizado nesta semana, ao condenar um conflito de interesse insuportável em um país democrático: inúmeros parlamentares são donos de instrumentos midiáticos, de jornais a rádios e tevês, ou contam com os préstimos de laranjas para esconder o verdadeiro proprietário.

No caso, o ministro volta a acertar. Trata-se de permitir outra regulação, a determinar de forma democrática os poderes e os alcances da mídia brasileira. Cabe ao Congresso a aprovação de uma lei que circunscreva claramente o raio de ação dos patrões (é aceitável que alguém seja dono de tudo?) e valorize os profissionais, a resguardá-los da prepotência medieval de serem comandados por um diretor de redação por direito divino.

Perguntava Joana D’Arc na peça de Bernard Shaw: “Quando, ó Deus, esta terra estará em condições de receber os seus santos?” Seria demais esperar pelos santos: bastariam deputados e senadores de boa-fé democrática, conscientes das suas responsabilidades.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tuiteiros

para seguir no Twitter:


 Pedro A. Sanches 
Minha deputada @ discursa!!



 cynara menezes 
patética miriam leitão RT @ “Bom Dia Brasil” evoca a princesa Isabel para falar de Dilma. 

 Antonio Luiz MCCosta 
 by cynaramenezes
A vitória da Dilma no jornal mexicano "La Jornada": "Sim, as mulheres podem" 

 Bob Fernandes 
"A campanha foi muito dura, azeda. É hora de conversar, temos que procurar Aécio, Richa, Teotônio", diz Eduardo Campos

 Luis Nassif 
Guerra e o chega prá lá em Graziano: Nassif & Amigos, rescaldos da campanha derrotada...agora é Sergio Guerra, que...


 Jose Roberto Toledo 
@ 
@Bob_Fernandes Ligar durante o discurso é inacreditável...