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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gildo, o carnavalesco da Unidos da Cachorra

Por Naara Vale
Gildo da Unidos da Cachorra ( Foto André Salgado)
    Quem um dia ousou cantar que “todo Carnaval tem seu fim” nunca entrou na casa de um carnavalesco nato. Sim, ali as quartas-feiras de cinzas também se vão, mas a essência que move os carnavais nunca larga a morada de seu fazedor. Na casa 374 da rua Marechal Deodoro, pelo menos, é assim. Desde que assumiu a presidência da bateria Unidos da Cachorra, em 2003, Gildo não se despediu mais do Carnaval.
    A casa que há 30 anos foi morar com a sua Odilva, no bairro Benfica, passou a ser também a sede da agremiação. Desde então, a alegria do verde e laranja que estampa o estandarte da Cachorra enfeita o seu quintal o ano inteiro e toma seu tempo com a confecção e consertos de instrumentos de percussão para a bateria. “Isso aqui pra mim é uma vida, é o meu terceiro amor. Primeiro, minha esposa, meu filho, depois vem a Cachorra”, anuncia. 
    Nascido em 14 de abril de 1954, em uma localidade de Quixadá, no Sertão Central do Ceará, Gildo foi registrado Hermenegildo, o nome do avô, mas depois que a mãe perdeu sua certidão de nascimento e foi procurar a segunda via, descobriu que o nome do menino tinha sido oficializado José de Castro Moreira. Assim ficou nos documentos, mas foi o apelido que pegou e é o que vale até hoje. Carregando a alcunha dada pelo avô, Gildo chegou a Fortaleza para estudar ainda meninote. “Vim chorando como se estivesse indo pra prisão. Foi um baque pra mim porque eu adorava o sertão, aquela liberdade, vivia sem medo de ser feliz”, lembra Gildo, hoje engenheiro mecânico formado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
    Logo se casou e mudou-se para a rua Marechal Deodoro, então conhecida como rua da Cachorra Magra. Diz-se que o nome surgiu por conta de uma cadela faminta que andava por ali, caçando os bichos que passavam pela rua a caminho de um matadouro das proximidades. Se é verdade, ninguém sabe, mas o apelido ficou e deu nome à troça criada, em 1988, por um magote de festeiros que todo Carnaval tinha vontade de se juntar aos blocos que desfilavam pela avenida Domingos Olímpio. No Carnaval daquele ano, pela primeira vez desceu pela Marechal Deodoro, ao som de instrumentos de sopro e percussão, o bloco da Cachorra Magra.
    Gildo, que até então não se dizia um carnavalesco, viu a movimentação puxada pelos vizinhos Amauri, Joãozinho Barry White e Paulo Brasil virar Carnaval. Ele, no entanto, ficou de fora, só acompanhando o repertório de marchinhas e frevos. Em 1998, o bloco montou sua própria bateria de escola de samba, bem aos moldes do Carnaval carioca. Na falta de gente para tocar, foi o jeito Gildo juntar-se aos vizinhos e cair no samba também, se arriscando em um surdo de terceira. Nascia aí a bateria Porra da Cachorra. O nome nada familiar acabou sendo trocado por Unidos da Cachorra, para manter a ligação com o berço.
    Depois da saída do então presidente Paulo Brasil, já nos anos 2000, o bloco passou dois anos sem desfilar. Gildo, nesses tempos já um amante assumido do Carnaval, para não deixar o samba morrer, se propôs a comandar a agremiação. A esposa, antes cabreira, passou a abrir a casa para os ritmistas e oferecer o caldinho da sustança pra quem estava nas últimas. “O samba foi um acaso na minha vida. Apareceu na frente da nossa casa e foi o jeito a gente aceitar”, conta, rindo. 
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    No próximo sábado, 7, a Cachorra lança o clipe oficial do samba enredo Balança Cachorra!, de autoria de Haroldo Guimarães, Leandro Rodrigues e Felipe Splinter. 
    A música foi a ganhadora de um concurso promovido pelo bloco para escolher o samba de 2012. A exibição acontece a partir das 15 horas, durante o último ensaio da bateria, na Quadra da Unidos da Cachorra (Rua Dragão do Mar quase esquina com  Almirante Jaceguai). 
    Neste ano, os desfiles do bloco acontecem nos dias 14, 21 e 28 de janeiro e 4 e 11 de fevereiro, a partir das 16 horas, com concentração em frente ao Clube 20, na Praia de Iracema.
    Vídeo do Samba enredo da Unidos da Cachorra 2012

terça-feira, 25 de outubro de 2011

GRES VILA ISABEL

Por Marcus Vinicius

Samba enredo da Vila Isabel para o carnaval de 2012. 



Você Semba Lá... Que Eu Sambo Cá. O Canto Livre de Angola!


Autores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens
Vibra, oh minha Vila
A sua alma tem negra vocação
Somos a pura raiz do samba
Bate meu peito à sua pulsação
Incorpora outra vez Kizomba e segue na missão
Tambor africano ecoando, solo feiticeiro
Na cor da pele, o negro
Fogo aos olhos que invadem,
Pra quem é de lá
Forja o orgulho, chama pra lutar

Reina Ginga, ê matamba
Vem ver a lua de Luanda nos guiar
Reina Ginga, ê matamba
Negra de Zâmbi, sua terra é seu altar

Somos cultura que embarca
Navio negreiro, correntes da escravidão
Temos o sangue de Angola
Correndo na veia, luta e libertação
A saga de ancestrais
Que por aqui perpetuou
A fé, os rituais, um elo de amor
Pelos terreiros (dança, jongo, capoeira)
Nasce o samba (ao sabor de um chorinho)
Tia Ciata embalou
Com braços de violões e cavaquinhos a tocar
Nesse cortejo (a herança verdadeira)
A nossa Vila (agradece com carinho)
Viva o povo de Angola e o negro Rei Martinho

Semba de lá, que eu sambo de cá
Já clareou o dia de paz
Vai ressoar o canto livre
Nos meus tambores, o sonho vive

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

“... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual”

Por Marcus Vinicius

Letra do samba enredo da Portela para o carnaval de 2012.


“... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual”
Autores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo

Meu Rei
Senhor do Bonfim alumia
Os caminhos da Portela
Que eu guardo no meu patuá
Eu vim com a proteção dos meus guias
Com Clara Guerreira à Bahia
Cheguei, eu cheguei pra festejar
Deixa lavar, nos altares e terreiros
Tem jarro com água de cheiro
Vou jogar flores no mar

No mar
Procissão dos Navegantes
Eu também sou almirante
De Nossa Senhora Iemanjá

Vou no gongá
Bater tambor
Rezo no altar
Levo o andor
Vem chegando os batuqueiros
Desce a ladeira, meu amor
Que a patuscada começou
Eu vim pra rua
Que o samba de roda chegou

Iaiá
De saia rendada em cetim
Bota o tempero na festa
Oi, tem abará e quindim

Portela cheia de encantos
Acolhe a Bahia em seu canto
De festas, rezas, rituais
Vestido de azul e branco
Eu venho estender o nosso manto
Aos meus santos do samba que são orixás

Madureira sobe o Pelô...tem capoeira
Na batida do tambor...samba Ioiô
Rola o toque de Olodum...lá na Ribeira
A Bahia me chamou

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Estação Primeira de Mangueira - 2012

por Marcus Vinicius


Letra do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira para o carnaval de 2012. A estação primeira homenageará o Bloco do Cacique de Ramos em seu cinquentenáerio.



“Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira”
Autores: Igor Leal, Lequinho, Junior Fionda e Paulinho Carvalho

Salve... A tribo dos bambas

Um “Doce refúgio” de inspiração
Salve... O palácio do sambaOnde um simples verso se torna canção
Debaixo da tamarineira
Um índio guerreiro me fez recordar
Um lugar... O meu berço, num novo lar
Seguindo com os “pés no chão”“Raiz”, que se tornou religião
Da boêmia dos antigos carnavais
Não esquecerei jamais

Firma o batuque que eu quero sambar... Me leva!

Já começou... A festa!
Esqueça a dor da vida, Caciqueando na avenida

“Sim”... Vi o bloco passando

O nobre rezando, e o povo a cantar
“Sim”... Era um nó na garganta
Ver o Bafo da Onça, a desfilar
“Chora... Chegou à hora eu não vou ligar”
Minha cultura é arte popular
Nasceu em Fundo de Quintal
Sou Imortal e vou dizer agonizar não é morrer
Mangueira... Fez o meu sonho acontecer (hei, hei, hei...)
“O povo não perde o prazer de cantar”
Por todo universo minha voz ecoou
“Respeite quem pôde chegar”
“Onde a agente chegou”

domingo, 9 de outubro de 2011

Dona Ivone Lara, Enredo do meu samba

A  Império Serrano já tem samba escolhido para o desfile de 2012. O escolhido foi "Dona Ivone Lara, enredo do meu samba de Arlindo Cruz, Tico do Império e Arlindo Neto.

Dona Ivone Lara, Enredo do Meu Samba
Autores: Arlindo Cruz, Tico do Império e Arlindo Neto
Serra dos anos dourados da nossa história
Desperta e vem cantar feliz
O jongo e o samba de raiz
No enredo desse carnaval
Que não é sonho meu pois ela é real
Ivone Lara ia
Quero ver quem não vai se embalar
No encanto do tié oia lá oxá
Desfilando em verde e branco
E a sinfônica demonstra seu amor
Batendo forte no balanço do agogô
A rainha da casa, mãe esposa de fé
Diz que o dom de compor é coisa de mulher
Com o mestre venceu o desafio
Nos cinco bailes da história do meu Rio
Dona, dama, diva...
Estrela do samba de luz radiante
Show no Opinião
Parceria de bambas carreira brilhante
Com a liberdade num lindo alvorecer
Sonha nossa terna Mãe Baiana
Seu sorriso negro não dá pra esquecer
E hoje nosso Império aclama
Dona Ivone
Lara ia laia
Lara laia
Lara laia