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domingo, 27 de dezembro de 2020

OS CD QUE MAIS GOSTEI EM 2020 (parte 2)

 por Marvioli


Dos critérios: 

1.  mídia física (CD) comprada.
2. gostei mais que os outros.
3. não entra aqui álbuns lançados em streaming. 


V. ENTRE MIL.. VOCÊ - UM TRIBUTO A JACOB DO BANDOLIM

DANIELA  SPIELMANN E SHEILA ZAGURY


Daniela Spielmann - sax soprano, tenor e flauta.
Sheila Zagury - piano.
Almir Côrtes - bandolim
Clarice Guimarães - pandeiro, caixa de fósforo
Roberta Valente - pandeiro
Catherine Bent - violoncelo
Rodrigo Villa - baixo acústico e elétrico
Soraya Ravenle - voz
Xande Figueiredo - bateria 

Kuarup discos, 2020




VI. RIMA

ANTÕNIO NÓBREGA


Músicos:

Cleber Almeida - bateria
Daniel Allain - flauta e sax tenor
Edmilson Capelupi - violão de 7, guitarra, arranjos e direção musical
Edson Alves - baixo, violão e arranjos
Jotagê Alves - clarinete e clarone
Leo Rodrigues - percussão
Olivinho - sanfona
Zé Pitoco - clarinete e sax alto

Tratore, 2020



VII. ABRICÓ DE MACACO

JOÃO BOSCO


Músicos:

Kiko Freitas - bateria
Ricardo Silveira - guitarra
Guto Wirtti - baixo
João Bosco - voz e violão
Anat Cohen - sax soprano
Marcelo Caldi - sanfona
Marcello Gonçalves - violão de 7

Convidados:

Moysés Marques
João Cavalcanti
Alfredo Del-Penho
Pedro Miranda

Som Livre, 2020


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Aldir Blanc: "Estamos vivendo uma ditadura com luvas de pelica"

por Pedro Alexandre Sanches 
Leo Martins/Agência O Globo


Um militante desavisado do MBL depara-se com uma letra de Aldir Blanc. Em rala-rala é que se educa a molhadinha/ se tu não peca, meu bem, cai a peteca, neném/ vira polícia da xereca da vizinha, canta a portuguesa Maria João no álbum recém-lançado A Poesia de Aldir Blanc (Sesc), para horror do jovem conservador empenhado na causa da sigla que esconde por trás de si o pícaro Movimento Brasil “Livre”.

Entre a santa e a meretriz/ só muda a forma com que as duas se arreganha/ eu só me queixo se criar teia de aranha, prossegue Maria João na feminina O Coco do Coco, lançada originalmente em 1996 pela paraense Leila Pinheiro. E lá se vai para a fogueira mais uma obra artística atentatória da “moral e dos bons costumes”.

Não é só O Coco do Coco. Letrista visado pela censura da ditadura anterior, o carioca Aldir teria parte substancial de uma obra colossal destroçada pelos dentes arreganhados e o ouvido que tudo escuta do neofascismo popular brasileiro. Vale para as ásperas parcerias mais recentes com o também carioca Guinga, como O Coco do Coco, e para a série histórica de arranhões musicais dos anos 1970 e 1980 em dupla com o mineiro João Bosco.
É bem possível que o jovem do MBL visse macumba e feitiçaria em versos de Bosco & Blanc, como levou as minhas cuecas pro bruxo rezar/ coou meu café na calça pra me segurar (de Incompatibilidade de Gênios, 1976) ou costurou na boca do sapo o resto de angu/ a sobra do prato que o pato deixou/ depois deu de rir feito Exu Caveira/ maridoinfiel vai levar rasteira (de Boca de Sapo, de 1979), ambas interpretadas na origem pela mãe preta de todos nós, Clementina de Jesus.

“Estamos vivendo uma ditadura com luvas de pelica, fedendo a fezes”, afirma Aldir sobre o episódio da mostra Queermuseu, promovida e cancelada sob pressão pelo Santander Cultural em Porto Alegre (RS), terra da maior intérprete do imaginário de Blanc & Bosco, Elis Regina.

“Coco do Coco inspira-se na belíssima tradição picaresca de músicas nordestinas, baiões, cordel, que tratam o sexo de forma escrachada, e verdadeira”, ensina o mestre das palavras. “Algumas feministas politicamente corretas sentaram o pau, e o fizeram porque se arvoram em saber uma porção de merdas, mas não conhecem picas de cultura popular”, provoca, destemido em tocar pontos vulneráveis.

Hoje com 71 anos, Aldir vive entre a reclusão e altos papos via e-mail, ou entre osilêncio e o grito, como dizia a letra de O Chefão. Cantada em 1974 pela paulistana Marlene, a balada noir O Chefão foi retomada em 2014 pela mineira Maria Alcina, outra intérprete inaugural de Bosco & Blanc, com as antológicas Kid Cavaquinho e Beguine Dodói (1974).

Meses antes da reeleição de Dilma Rousseff, Alcina cantava a necessidade de manter as janelas sempre bem fechadas/ contra o perigo de um golpe/ contra o perigo de um golpe de ar. Pode ser mera simbologia, mas o autor de O Chefão ataca frontalmente temas e termos tornados tabus na oficialidade impopular brasileira de 2017. “Sociólogos, historiadores, professores e artistas (como o imenso Raduan Nassar) mais importantes do que eu já escreveram que estamos num estado de exceção”, afirma.

“Aqui ficaram todos os torturadores soltinhos da silva, conspirando. O golpe voltou, um golpe constitucional. Isso existe. A Constituição pode abrir frestas para vários tipos de golpes, e só babacas dizem ‘se está na Constituição, não é golpe’. Vão se fifar, burros – ou coniventes”, escreve, em pena ferina que transforma Michel Temer em “Temeroso” e “Temereca” e Janaína Paschoal em “Dra. Janaraca”.

“O que vi de palhaço que pegava jabá, corrupto até a alma, considerando julgamentos de pedaladas ‘técnicas e corretas’, sem levar em consideração que Tribunardis levava bola quando parlamentável, Anastasia é corrupto, Cunha já está com a mão na grade, sem falar da Dra. Janaraca. Pelo amor dos meus netinhos, sejam golpistas menos cínicos e safados.”

Jabaculê, jargão usado para designar o “mensalão” com que gravadoras suborna(va)m meios de comunicação para veicular este ou aquele artista, é vocabulário presente desde sempre no léxico de Aldir. Jabaculê/ vixe, espetacular/ assunto assim às vez é mió calar, cantou Maria Alcina em Foi-Se o Que Era Doce, também em 1974, entre referências culinárias a inhame, bobó, frango assado, cuscuz e maracujá.
Elis Regina foi a mais importante intérprete (Foto: Reprodução)

A verve faminta de Blanc sempre privilegiou os diversos prazeres da carne, mesmo na voz solene de Elis. Os boias-frias quando tomam umas birita espantando a tristeza/ sonham com bife à cavalo, batata frita/ e a sobremesa é goiabada cascão com muito queijo, gravou Elis em O Rancho da Goiabada (1978), relicário assombroso de um Brasil que viria a resplandecer após três décadas, sob as caravanas de Luiz Inácio Lula da Silva.Elis Regina foi a mais importante intérprete.

São pais de santo, paus de arara, são passistas/ são flagelados, são pingentes, balconistas, desfilava o rancho, quando o comandante plantonista deste bordel dos Estados Unidos era Ernesto Geisel. “Dizem que ninguém é profeta em sua própria terra, mas João e eu fomos.

Veja o caso de De Frente pro Crime”, diz Aldir, citando o samba lançado pela baiana Simone em 1974, o mesmo ano-susto em que Elis apresentou Dois pra Lá, Dois pra Cá (e a ponta de um torturante/ Band-aid no calcanhar) e O Mestre-Sala dos Mares.

“Mais de 40 anos depois, De Frente pro Crime ainda retrata o Rio. Sabe o que parte da crítica dizia desses sambas? ‘João Bosco e Aldir Blanc, com suas habituais obsessões com uma violência inexistente’. Gostaria de soltar todos esses críticos no Jacarezinhopara uma injeção de Brasil na bunda.”

Previsto para outubro, o próximo álbum de João Bosco trará uma nova parceria da dupla, retomada em 2009, após duas décadas de afastamento. Duro na Queda trata de uma Janaína que certamente não é a Paschoal: Eu não sei viver sem minha Janaína/ mulata de olhos claros, vale o mundo/ no morro, é meu barraco com piscina.

“Começa com um clima sombrio dos sambas de antes e se abre, como se a Esperança Equilibrista se recusasse a cair”, define Aldir, em referência cruzada ao hino de anistia O Bêbado e a Equilibrista (1979), ápice do trio Blanc-Elis-Bosco.

Tal qual as bijuterias banhadas a ouro dos anos 1970, Duro na Queda encerra muito domistério poético do ex-médico psiquiatra Aldir Blanc. Nascido no Estácio de Ismael Silva e Luiz Melodia e criado na Vila Isabel de Noel Rosa e Martinho da Vila, ele transpira sensibilidade suburbana a cada verso.
m 2014, Maria Alcina resgatou O Chefão (Foto: Olga Vlahou)
“O que mais me revolta é que esse Brasil sempre esteve na cara de todos, só que aparece maquiado até hoje”, autodefine-se. “Temereca é o maior criminoso e entreguista do País. Sou contra a pena de morte, mas, quando vejo o que esse merda está fazendo, fico em dúvida se não seria melhor julgá-lo com rigor, direito amplo de defesa, mas com fuzilamento incluído na pena. Institucionalmente, Temeroso é muito pior que Marcola e Fernandinho Beira-Mar juntos.”

Duro na queda, Aldir também visita a ternura. Ela aparece quando fala das cantoras que o têm interpretado, inclusive Clara Nunes, Maysa, Elizeth Cardoso, Beth Carvalho, Nana Caymmi e Dorina (que em 2016 lançou CD devotado a ele).

“Essa relação com as cantoras é uma das grandes alegrias da minha vida profissional. Se as lindas homenagens quase simultâneas de Dorina, Maria João e Mariana Baltar (ainda inédita) não me matarem, nem preciso fazer novos exames. Por trás da pose, sou um tremendo chorão. Às vezes, um neto telefona de outro estado e minha mulher tem de tirar o telefone da minha mão e dizer: ‘Peraí um pouco! Deixa ele acabar de chorar!’ E é assim também com música.”

Há que se acrescentar, aí, a literatura: por meio de financiamento coletivo, Aldir acaba de bater a meta de 28 mil reais para completar a coleção Aldir 70, de crônicas reunidas em cinco volumes.

Por ora, Aldir prossegue incólume ao moralismo de fachada engarrafado na pátria de Donald Trump e encampado pela juventude MBL. Ainda que a sanha venha a colhê-lo, gritarão em silêncio os versos de Querelas do Brasil, eternizada por Elis em 1978 e resistente, até hoje, como um dos nossos mais cruéis autorretratos: O Brasil nunca foi ao Brazil/ (...) o Brazil não merece o Brasil/ o Brazil tá matando o Brasil.


https://www.cartacapital.com.br/revista/970/aldir-blanc-estamos-vivendo-uma-ditadura-com-luvas-de-pelica

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Nas frestas do mundo

Por Luiz Antonio Simas


Cresci em uma cidade que sacraliza o profano e, ao mesmo tempo, profana o sagrado

O escritor Marques Rebelo, cronista dos saberes das ruas, dizia que uma cidade é feita de várias cidades. A sentença é um golaço que fala do Rio de Janeiro como uma segunda do Marçal numa primeira do Bide ou uma desaforada da dupla Bosco e Blanc. Por isso mesmo acho bom esclarecer, para abrir a gira neste espaço, de qual dos rios eu venho.

Cresci em uma cidade que sacraliza o profano e, ao mesmo tempo, profana o sagrado. Aprendi a rezar para os deuses sem deus nas arquibancadas de cimento do Maracanã, ao lado do pai e do avô, como um menino achando que o sabor da vida era o da laranja-lima que comprávamos na entrada do estádio e chupávamos subindo a rampa; aquela que levava ao túnel. Atravessado na corrida, dele se descortinava o umbigo do mundo entre duas traves e uma marquise mais alta que o céu incendiado.

Sou de um Rio em que o cantor de tangos Carlos Gardel baixava em um centro espírita na Fazenda da Bica, entre Quintino e Cascadura. Nas sessões em que descia, tendo como cavalo uma manicure de um salão cheio dos salamaleques e elegâncias tijucanas, Gardel cantava tangos em lunfardo, a fala cheia de gírias do porto de Buenos Aires. Acompanhando Gardel no bandoneon, baixava o espírito de um índio tupinambá que, segundo o próprio, saiu no cacete com os portugueses no século XVI, durante a batalha de Uruçumirim. O índio aprendeu a tocar bandoneon depois de morto e fez com Gardel, que meu avô que não falava espanhol só chamava de El Zorzal Criollo, uma dupla da pesada.

A minha cidade é a das barbearias de rua, botequins vagabundos, açougues e quitandas de esquina. É bem distante, portanto, da onda mais recente das barbearias descoladas dos shoppings, dos bares de grife, das butiques de carne e dos hortifrutis que mais parecem enfermarias de frutas. Um Rio das sociabilidades meninas dos debicadores nas alamedas dos cemitérios suburbanos em tempo de pipa, dos pregoeiros da Central, dos torneios de sueca nas praças, dos artistas anônimos do Japeri, dos boiadeiros cavalgadores dos ventos e de certo Zé de terno de linho e chapéu panamá; malandro que saiu das Alagoas e chegou firmando ponto no Largo da Lapa, no arrepiado das capoeiras.

Nos últimos anos comecei a amadurecer dois princípios que hoje são a base do que escrevo. O primeiro é o de que os temas que me interessam são vinculados aos processos de invenção e reconstrução de laços de sociabilidade no campo das sapiências das ruas: sambas, escolas de samba, carnavais, terreiros, pequenos comércios, quermesses de igrejas, saberes da trívia e os modos de criação da vida de crianças, mulheres e homens comuns: aquilo que podemos definir como cultura.

O segundo é o de que recebi da minha criação uma herança da qual não quero abrir mão. Nasci dentro de um terreiro, neto de uma mãe de santo versada nos segredos da encantaria que rezava pra tirar quebranto com guiné, saião e fedegoso. Fui batizado nos conformes da curimba, protegido pelo caboclo Peri e oferecido aos cuidados da Dindinha Lua num terreiro de Nova Iguaçu. Corri descalço nas ruas das Baixada Fluminense — numa delas meu umbigo está enterrado —, morei em Laranjeiras, bairro querido, joguei bola no Jardim Clarice, brinquei de pique-esconde no Valqueire, frequentei matinês nos cinemas de Botafogo e me apaixonei pela moça que se transformava na Konga, a mulher gorila do Parque Shangai. Nunca fui de praia. Gosto do sol, mas ele me detesta.

No meio do fuzuê, entre sons de tiro, ladainhas, aleluias, sambas, tambores, tombos, tapas, ruídos de buzinas, espasmos de amor e ódio, flores de feira e punhais afiados, vou seguindo em um território em disputa, com a certeza de que o tempero da cidade é o sal da memória dos dias longos e da noite grande. A lufada de esperança vaga que tenho é porque continuo apostando que nos deslocamentos e nas frestas — entre as gigantescas torres empresariais viradas em esqueletos de concreto, as ruínas de arenas multiuso e as vielas de lama e sangue — os couros percutidos continuarão cantando a vitória da vida sobre a morte no terreiro grande da Guanabara.

A nossa história afirma isso em cada gargalhada zombeteira dos exus, no desengasgo de São Brás e nos três pulinhos de São Longuinho. Somos filhos das sonoridades insinuantes e dos corpos em transe; crias dos gritos, cantos e acalantos que saem dos terreiros entocados, das brechas do fim do mundo, das tocas de bicho-homem, das saias das pombagiras, da lua de Luanda, e da terra que nos pariu e nos ensinou que a vida, feito o samba do Hermínio e do Paulinho pra Mangueira, não é só isso que se vê. Tem que ser um pouco mais.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/nas-frestas-do-mundo-21793788#ixzz4sU50FB8f
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Mestre-Sala dos Mares (João Bosco/Aldir Blanc)

Por Alfredo Pessoa


Esta música é épica. A letra, uma bela homenagem. Foi gravada por Elis Regina, pelo próprio João Bosco e agora por Chico Buarque no CD João Bosco 40 anos depois. O arranjo, um pouco modificado, mas bem legal de tocar. Agradeço contribuições para trocar ou rever alguma nota.

O Mestre-Sala dos Mares (João Bosco/Aldir Blanc)



E7M(9)                    A7(b5)        E7M(9) A7(13)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
Abm7            Gº    F#m7 C#7(b9) F#m7            B7
O dragão do mar reapareceu. Na figura de um bravo feiticeiro
F#m7         B7(13)        E7M(9) A7(13) G#m7(b5) C#7(b9) F#m7
A quem a história não esqueceu. Conhecido como o navegante negro
D#m7(b5) G#7(b13)      C#m7       Am7
Tinha dignidade de um mestre-sala
G#m7                  Gº         F#m7
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
F#m7M F#m7                              F#m6
Foi saudado no porto, pelas mocinhas francesas
Am/C              B7            E7M(9) Am7
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Abm7(b5) C#7(b9) F#m7    D#m7(b5)                G#7(b13)
Rubras                   cascatas. Jorravam das costas dos santos
C#m7              Am7 G#m7 Gº      F#m7 C#7(b9)          F#m7
Entre cantos e chibatas.       Inundando o coração.Do pessoal do porão
Am/C           B7        E7M(9)        B7(13)
Que a exemplo do feiticeiro. Gritava então
E7M(9) D7 C#m7 G7(b5) F#m7 C7(13) B7(13) Am7 G#m7 C#m7 F#m7
Glória            aos           piratas.      Às mulatas.               Às sereias
F7 E7M(9) D7 C#m7 G7(b5) F#m7 C7(13) B7(13) B/A E/G#
Glória           à               farofa.        À cachaça.       Às baleias
Abm7(b5) B/C# C#7(b9) Abm7(b5) B/C#
Glória  à todas as lutas       inglórias
C#7(b9)                     Abm7(b5)
Que através de nossa história
Bm7 E7(9)            A7M A7(b13) A7(13) A7(b13)
Não esquecemos jamais
Gdim Bbdim D#7(b9) G#m7 C#7(b9)               F#7
Salve o navegante         negro. Que tem por monumento
F#m7(b5) B7(b9) Bm7 E7(9)    Am/C     B7      E7M(9)
As pedras pisadas do cais.      As pedras pisadas no cais.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

João Bosco - 13 de julho de 1946




Perfeição
João Bosco/Francisco Bosco

Copacabana
Fim de semana
Nu de Modigliani
Clara beleza
Teto de igreja
Filme de Fellini
Som de Donato
Mar do Caribe
Um azul sem fim
Velhos retratos
Pra recordar
Sonhos são assim

Minha menina felina, meu mel, arranhão
Minha menina menino, meu sol, meu irmão

Sonhos são sonhos
Mas na verdade
Te amar é perfeição:
Pois eu te amo
O bom e o mau, o sim e o não

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pura Emoção - Aldir no Estephanio´s Bar

Via Edu Goldenberg


 
Filmado pela Tainá, na tarde da filmagem do filme "Praça Saens Pena", cedido pela Gisela Menezes, em HD, Aldir Blanc canta "O Bêbado e a Equilibrista", dele e de João Bosco, acompanhado por Tiago Prata, no 7 cordas -(2007) - Edu Goldenberg

http://www.youtube.com/user/edugoldenberg

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Incompatibilidade de renda


por Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo
Infelizmente, Aldir Blanc não é o único a receber imenso reconhecimento por parte do público e do meio musical e não ser devidamente remunerado por suas criações. No passado, nomes como Nelson Cavaquinho e os portelenses Argemiro do Pandeiro e Jair do Cavaquinho morreram com os bolsos vazios. A bola da vez escolhida pelo descaso é Hélio Delmiro. Para se ter uma ideia, o compositor, guitarrista e violonista referencial está internado no Rio com problemas cardiovasculares e, sem condições de pagar seu próprio tratamento, ganhou dos amigos e conhecidos destaque no blog solitarioousolidario.wordpress.com para captar doações para Delmiro.


"O direito autoral é uma gangorra, né? Eu sempre me pergunto como estarão nomes como Casquinha, Zé Luiz do Império e tantos outros que deveriam ser tratados como patrimônios nacionais, mas não são. O caso do Helinho é ainda pior, porque acho que nem plano de saúde ele tem, se bem que eu costumo chamar esses planos de planos de doença. Às vezes, você tem até de entrar na Justiça, mesmo que sem sucesso", comenta Aldir.
Sobre ações judiciais, o compositor já teve de mover algumas. As próprias experiências revelaram que ter ganho de causa nem sempre significa receber a indenização. Há alguns anos, o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) usou em uma campanha política Querelas do Brasil, de Aldir e Maurício Tapajós. "Eles usaram a música indevidamente, sequer nos consultaram. Abrimos um processo, ganhamos em última instância e teríamos de receber R$ 80 mil. Meu advogado, Eduardo Goldenberg, entrou em contato com Roberto Jefferson. Ele disse que não tinha o dinheiro e que não pagaria. Teriam de se desfazer dos bens, mas isso não acontece. A Justiça não funciona no Brasil", diz Aldir.
A luta do compositor pela justa remuneração da classe de seus pares e outros artistas não é de hoje. No passado, ao lado de outros nomes importantes, Aldir foi um dos fundadores de diversas entidades de controle e discussão sobre os direitos autorais. Entre elas, a Sombras (sociedade responsável pela arrecadação de direitos autorais), a Saci (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes) e a Amar (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes).
Na primeira metade dos anos 1970, O Mestre-Sala dos Mares, gravada por João Bosco, Kid Cavaquinho, por Maria Alcina, Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, por Elis Regina, e De Frente Pro Crime, pelo MPB-4, todas em parceria com João Bosco, estavam entre as 12 músicas mais tocadas no Brasil. Até hoje Aldir não recebeu o dinheiro dos direitos relativos àquele período. "A Sombras me custou caro. Na época, eu fui sumariamente excluído pela Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais. Como venceu o decurso de prazo, eu nunca vi aquele dinheiro, nunca recebi por aquele período", reclama o letrista sobre as associações.
Trajetória estelar. Foi justamente nos anos 1970 que Aldir despontou para o País como um dos maiores letristas de todos os tempos. Ainda no começo da década, em parceria com Sílvio da Silva Júnior, classificou alguns temas em festivais, além de compor Amigo É Pra Essas Coisas, pulsante até hoje. Logo depois, conheceria João Bosco, com quem formaria aquela que é considerada por muitos como a tabelinha mais perfeita da música brasileira. Ao lado do violonista, cantor e compositor mineiro, foram sucessos como O Bêbado e a Equilibrista, Agnus Sei, Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, Caça À Raposa, Kid Cavaquinho, O Ronco da Cuíca e Incompatibilidade de Gênios, entre outros.
Grande parte do repertório foi eternizada na voz de Elis, ganhando também belos registros de João Bosco. No meio da caminho, Aldir ainda emplacou temas nas vozes de Elizeth Cardoso, Djavan, Clementina de Jesus, Fafá de Belém, Simone, Ângela Maria, MPB-4 e Clara Nunes. Ao longo da carreira, mais gente renomada gravaria Aldir, como Nana Caymmi, Walter Alfaiate, Paulinho da Viola, Edu Lobo e tantos outros.
Na década de 1980, destaque para os discos autorais com Maurício Tapajós e Moacyr Luz. Em 1988, ele conhece Guinga, que se tornaria um de seus parceiros mais constantes, tendo temas gravados nos discos do amigo também vascaíno, entre 1991 e 2009, como Simples e Absurdo, Delírio Carioca, Cheio de Dedos, Suíte Leopoldina, Cine Baronesa, Noturno Copacabana, Casa de Villa e Saudade do Cordão.
"Hoje eu recebo 70%, 80% menos do que recebia há dez anos. Eu não culpo o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). A culpa é da pirataria e da internet, que causaram esse desmoronamento dos direitos para os autores. A CPI do Ecad pode até acontecer no sentido de modernizar a instituição, mas ela já começou mal intencionada. Outro dia, um senador do PSOL, cujo nome me foge agora, disse que havia conversado comigo e apresentou minhas ideias lá. Eu nunca vi esse sujeito na minha vida, é um absurdo."
Atualmente com seu tema e de João Bosco, Bijuterias, na abertura de O Astro, na Rede Globo, o compositor também faz críticas à distribuição que recebe dos direitos sobre composições suas em novelas da emissora exibidas no exterior. "Tenho mais de 30 músicas em novelas e dez aberturas. Muitas viajam pelo mundo e eu não recebo. Só coisas cômicas, como os R$ 2,30 da novela exibida em Israel", reclama.
Desenganos à parte, Aldir chega aos 65 anos enredado por familiares, amigos e parceiros conquistados em mais de quatro décadas de carreira, com especial devoção a Elis (1945-1982). Tem saudade da infância no Estácio, lembra com carinho das passagens por Vila Isabel, Largo da 2ª-Feira, e enche a boca para falar da escola do coração, o Salgueiro, e da neta Cecília. É um contador de histórias nato. Seja em verso ou em prosa, Aldir Blanc segue como um dos mestres da palavra no País. "Eu não dirijo, minha mulher tem um Corsa, dos mais baratos, encostado na garagem. Tenho quatro filhos fazendo especializações e cinco netos. Preciso ajudá-los, e frequentemente tenho de fazer empréstimos", completa o letrista.
ANTOLOGIA
Com João Bosco
O Bêbado e a Equilibrista
O Mestre-Sala dos Mares
Incompatibilidade de Gênios
Bala Com Bala
Caça à Raposa
Agnus Sei
Kid Cavaquinho
De Frente Pro Crime
Falso Brilhante
Ronco da Cuíca
Transversal do Tempo
Linha de Passe
Com Guinga
Catavento e Girassol
Sete Estrelas
Canibaile
Choro pro Zé
Baião de Lacan
Chá de Panela
Mingus Samba
Yes, Zé Manés
Orassamba
Abluesado
Tudo Fora de Lugar
DEPOIMENTOS
João Bosco
Compositor, violonista e cantor
"É muito difícil falar assim do Aldir, já que a gente é muito próximo. Fica difícil fazer uma análise com distanciamento da nossa parceria. Só posso resumir dizendo que ele é um grande amigo desses anos. Aldir é um parceiro de todas as horas, de todos os momentos. Sem contar que é um contador de histórias único, fantástico. Ele é mesmo um mestre da palavra."
Paulo César Pinheiro
Letrista, poeta e escritor
"Aldir é meu amigo desde os tempos da adolescência. Nós temos uma relação de irmãos. Tanto que em aniversários anteriores dele eu o presenteei com dois poemas, um deles é Irmão de Sangue. Se não consegui resumir em dois poemas o que eu sinto por ele, não será aqui. O que posso dizer é que todo mundo conhece esse lado de cronista, de gozador, que ele é craque, mas tem um lado dele que pouca gente conhece, que ele não demonstra muito, não sei o motivo, mas é quando ele se mete a escrever com lirismo, mostrando o lado sentimental, derramado. Nesse tipo de escrita ele é imbatível."
Edu Lobo
Compositor, cantor e violonista
"É um grande letrista e eu poderia falar de muitas letras fantásticas que ele costuma fazer. Para simplificar, vou me ater a Bala Com Bala, parceria com outro craque, João Bosco, que tive a alegria e o prazer de gravar: é uma obra-prima e, já que o Aldir gosta de futebol, um "gol de placa"."
Leila Pinheiro
Intérprete
"A importância do Aldir é incontestável. Ele é um dos pilares da poesia moderna, é uma escola para as grandes e novas gerações de poetas. O Aldir tem um estilo inconfundível, próprio. Você lê uma frase e já sabe que é dele, é raro, com uma importância vasta com todos os parceiros com quem ele gravou. Para mim, a parceria mais particular, mais diferente é a dele com o Guinga. Eu tive uma experiência muito alucinante de ter gravado o Catavento e Girassol, em 1996. Em muitos casos, a gente trabalhava nos arranjos sem ter ainda a letra do Aldir. Depois ele mandava a letra por fax. Às vezes, a gente mudava uma palavrinha ou outra, quase nada. Eu já sabia que iria me deparar com um universo muito ousado com aquelas composições de Guinga e Aldir." 

Artesão da Palavra


por Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo
"Às vezes, de madrugada, eu cruzo comigo mesmo, mas finjo que não me conheço. Nem eu sei direito quem é esse tal de Aldir, sei que é um sujeito neurótico, quieto, grilado. Sem demagogia, eu encaro como uma homenagem ser um ilustre desconhecido." O depoimento é de Aldir Blanc, o Bardo da Muda, da Tijuca, que amanhã completa 65 anos, envolto em uma situação corriqueira entre grandes nomes do cancioneiro nacional: o descaso. 

Cabotinismo e inflação do próprio ego definitivamente não fazem parte do caráter de Aldir. Considerado por muitos, entre eles Dorival Caymmi, que o batizou de "ourives do palavreado", como um dos maiores letristas do País, ao lado de nomes como Chico Buarque e Paulo César Pinheiro, Aldir tem quase 500 composições suas gravadas, pelo menos dez músicas de aberturas de novelas - fora os temas de personagens ao longo das tramas -, mas mesmo assim há anos começa diversos meses do ano com as contas no vermelho.
A exemplo de grandes compositores do passado, como Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa e tantos autores do Estácio, que vendiam seus sambas a troco de alguns vinténs, Aldir também já teve de se desfazer de algumas de suas crias. Para se ter uma ideia, por apertos financeiros ele teve de vender para a Rede Globo os direitos sobre o termo "Globeleza" (que aparece no samba de Franco e Jorge Aragão) e sobre a famosa vinheta que antecede os jogos de futebol transmitidos na emissora. Há cerca de três anos ele não recebe nem mais um tostão por isso.
Injustiças sobre sua remuneração à parte, atualmente tem colocado a cabeça para pensar em projetos menos usuais. Em relação às composições, ele tem trabalhado com João Bosco (seu parceiro mais constante em toda a carreira), o pianista Cristovão Bastos e o cavaquinista Jayme Vignoli. "Eu e o João (Bosco) temos conversado e trocado muitas ideias. Não sentamos necessariamente para compor, mas é só querer, essas coisas vêm que nem enxurrada. Mas temos pensado em projetos mais ambiciosos e inéditos. O samba você compõe, grava no disco, depois ele é pirateado, cai na internet, não vende mais... Então, vamos logo fazer uma ópera (risos)", brinca Aldir. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sinhá (João Bosco/Chico Buarque)


Por Alfredo Pessoa

É a segunda parceria de Bosco e Chico. Antes apenas o registro de "Mano a Mano" (Chico, 1984). A peculiaridade da canção afro-escravista é que ela é quase toda tocada com três dedos (polegar, indicador e médio) e o escravo que nega ter seduzido Sinhá, para não ser castigado, ao final se entrega e diz que enfeitiçou Sinhá. Chico talvez tenha se inspirado na obra pós-abolição “O Neguinho e a Madame” (Noel Rosa de Oliveira). Como diria Gilberto Freire, em Casa Grande e Senzala (1933), o mestiço é o melhor, embora Chico não tenha chegado no fruto do amor entre o escravo e a Sinhá.

P.S. Veja João Bosco executando esta música e Chico cantando em www.chicobastidores.com.br



Sinhá (João Bosco-Chico Buarque)


Cm* Fm6* Bm(5M) Cm* Fm6*
Bm(5M) Cm(5M) Cm* Fm6* Bm(5M)
Cm* Cm*/A C#* G7* Cm*
Bb6* D7*/A Fm6*/Ab G7* Cm*

                                       Fm6*        Cm*
Se a dona se banhou. Eu não estava lá
D7*/A          Gm7*       D7*/A    Bm(5M)
Por Deus Nosso Senhor. Eu não olhei Sinhá
                    Cm* Fm6*              Cm*
Estava lá na roça. Sou de olhar ninguém
     D7*/A        Gm*/Bb D7*/A      Bm(5M)
Não tenho mais cobiça. Nem enxergo bem
                                  Ab6*                  G7* Cm*
Para que me pôr no tronco. Para que me aleijar
                     Gm7*                 C* Fm6*
Eu juro a vosmecê. Que nunca vi Sinhá
                          Bb4(7)*/F           Bb7* Cm/D#
Por que me faz tão mal . Com olhos tão azuis
           Cm         C#6*   Bm(5M) (Cm*
Me benzo com o sinal. Da santa cruz
Bb6* D7*/A Fm6*/Ab G7* Cm*)
                                           Fm6*     Cm*
Eu só cheguei no açude. Atrás da sabiá
D7*/A          Gm7*     D7*/A   Bm(5M)
Olhava o arvoredo. Eu não olhei Sinhá
                        Cm*     Fm6*          Cm*
Se a dona se despiu. Eu já andava além
D7*/A     Gm*/Bb    D7*/A       Bm(5M)
Estava na moenda. Estava para Xerém      
                            Ab6*               G7* Cm*
Por que talhar meu corpo. Eu não olhei Sinhá
                              Gm7*                 C* Fm6*
Para que que vosmincê. Meus olhos vai furar
                     Bb4(7)*/F          Bb7* Cm/D#
Eu choro em iorubá. Mas oro por Jesus
          Cm             C#6*     Bm(5M) (C7M C7M/G)
Para que que vassuncê. Me tira a luz
                          Em/B     A4(7)               Dm4*
E assim vai se encerrar. O conto de um cantor
                         G7/B           F#º        Cº
Com voz do pelourinho. E ares de senhor
                      C7M             B7(13)  E7
Cantor atormentado. Herdeiro sarará
          A7*        Dm7(#9)        D#º(b13)             Em7(#9)
Do nome e do renome. De um feroz senhor de engenho
                 Fm6*              Cm*                   Cm(5M)
E das mandingas de um escravo. Que no engenho
         Ab6*  G7* (Cm* Bb6* D7*/A Fm6*/Ab G7* Cm*)
Enfeitiçou Sin---há

Cm* = X310XX
Fm6* = 1X01XX
Bm(5M) = 7X00XX
Cm(5M) = X311XX
Cm*/A = 5310XX
C#* = X431XX
G7* = 3X34XX
Bb6* = 6X00XX
D7*/A = 5X45XX
Fm6*/Ab = 4X35XX
Gm7* = 3X33XX
Gm*/Bb = 6X53XX
Ab6* = 4X35XX
C* = X320XX
Bb4(7)*/F = X868XX
Bb7* = 6X67XX
Cm/D# = X6(10)88X
Cm = 8X(10)88X
C#6* = 9X8(10)XX
C7M = X32000
C7M/G = 33200X
Em/B = X2200X
A4(7) = X0203X
Dm4* = X530XX
G7/B = X2303X
F#º = 23121X
Cº = X34242
B7(13) = X2X244
E7 = 02X130
A7* = 5X56XX
Dm7(#9) = X5356X
D#º(b13) = X6X577
Em7(#9) = X7578X

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Bala com Bala


Por Alfredo Pessoa

Já que é niver do João Bosco vai a primeira dele que a Elis gravou. 
A cifra abaixo tem arranjo de Edu Lobo para o songbook de Bosco. 

Repare que quase toda a música tem acidentes de 7 e 13 ou 7 e 9. 

É difícil botar letra nesses intervalos. 
Salve João Bosco e Aldir Blanc.


Bala com Bala (João Bosco/Aldir Blanc)

(D7(#9) D7(#9)/A)
A sala cala / o jornal prepara / quem está na sala
Com pipoca e bala / e o urubú sai voando / manso
O tempo corre / e o suor escorre
Vem alguém de porre / e há um corre-corre
E o mocinho chegando / dando
G7/13               C7/9       F7/13             Bb7/9
Eu esqueço sempre nesta hora linda loura
A7/13                Ab7/13            G7/13   D#7/13 D7/13
Minha velha fuga em todo impasse
G7/13           C7/9           F7/13            Bb7/9
Eu esqueço sempre nesta hora linda loura
A7/13                  Ab7/13         G7/13
Quanto me custa dar a outra face
(C7/13 Bb7/13 Ab7/13 G7/13) meio e final 4x
(D7(#9) D7(#9)/A)
O tapa estala / no balacobaco / é fala com fala
É bala com bala / e o galã se espalhando / dando
No rala-rala / quando acaba a bala
É faca com faca / é rapa com rapa
E eu me realizando / bambo
G7/13                C7/9            F7/13                Bb7/9
Quando a luz acende é uma tristeza, trapo presa
A7/13                Ab7/13         G7/13    D#7/13 D7/13
Minha coragem muda em cansaço
G7/13               C7/9           F7/13           Bb7/9
Toda fita em série que se preza dizem reza
A7/13             Ab7/13         G7/13
Acaba sempre no melhor pedaço