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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Fidel Castro está agonizando

POR FIDEL CASTRO

BASTOU uma mensagem aos graduados do primeiro curso do Instituto das Ciências Médicas "Victoria de Girón", para que o galinheiro de propaganda imperialista se alvoroçasse e as agências informativas se lançassem vorazes à procura da mentira. Não só isso, mas em seus despachos cabográficos adicionaram ao paciente as mais insólitas estupidezes.




O jornal ABC da Espanha publicou que um médico venezuelano, que mora nem se sabe onde, revelou que Castro havia sofrido uma embolia em massa na artéria cerebral direita, "posso dizer que não vamos voltar a vê-lo publicamente". O pretenso médico, que sendo assim abandonaria primeiro a seus próprios compatriotas, qualificou o estado de saúde de Castro de "muito próximo do estado vegetativo neurológico".

Embora muitas pessoas no mundo sejam enganadas pelos órgãos de informação, quase todos eles nas mãos dos privilegiados e ricos, que publicam estas imbecilidades, os povos acreditam cada vez menos nelas. Ninguém gosta de ser enganado, até o mentiroso mais incorrigível gosta que lhe digam a verdade. Todo mundo acreditou, em abril de 1961, as notícias publicadas pelas agências de notícias acerca de que os invasores mercenários de Girón ou Baía dos Porcos, como a queiram chamar, estavam chegando a Havana, quando na realidade alguns deles tentavam infrutiferamente de chegar em barcos aos navios de guerra ianques que os escoltavam.


Fidel Castro

Os povos aprendem e a resistência cresce frente às crises do capitalismo que se repetem cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou novas armas, poderão impedir o derrubamento de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.

Há poucos dias, muito próximo do 50º aniversário da "Crise de Outubro", as agências assinalaram três culpados: Kennedy, recém chegado à chefia do império, Kruschov e Castro. Cuba nada teve a ver com a arma nuclear, nem com a chacina desnecessária de Hiroshima e Nagasaki, perpetrada pelo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, estabelecendo a tirania das armas nucleares. Cuba defendia seu direito à independência e à justiça social.

Quando aceitamos a ajuda soviética em armas, petróleo, alimentos e outros recursos foi para defendermo-nos dos planos ianques de invadir nossa Pátria, submetida a uma suja e sangrenta guerra que esse país capitalista nos impôs desde os primeiros meses, e que custou milhares de vidas e mutilados cubanos.

Quando Kruschov nos propôs instalar projéteis de alcance médio, similares aos que Estados Unidos tinha na Turquia — ainda mais perto da URSS, que Cuba dos Estados Unidos— como uma necessidade solidária, Cuba não vacilou em aceder a tal risco. Nossa conduta foi eticamente imaculada. Nunca pediremos desculpas a ninguém por aquilo que fizemos. O certo é que decorreu meio século e ainda estamos cá, de testa erguida.

Eu gosto de escrever e escrevo; gosto de estudar e estudo. Há muitas tarefas na área dos conhecimentos. Nunca as ciências, por exemplo, avançaram a uma velocidade tão espantosa.

Deixei de publicar Reflexões porque, certamente, meu papel não é o de ocupar as páginas de nossa imprensa, consagrada a outras tarefas que requer o país.

Aves de mau agouro! Não recordo, sequer, o que é uma dor de cabeça. Como constância de quão mentirosos são, lhes deixo de presente as fotos que acompanham este artigo.



Fidel Castro Ruz
21 de outubro de 2012
10h12.

http://www.granma.cu/portugues/cuba-p/220ct-Fidel%20Castro.html

terça-feira, 17 de maio de 2011

Fabricar pretextos


Editorial do GRANMA

A Revolução cubana foi alvo de centenas de campanhas de desinformação, geralmente orquestradas pelo governo norte-americano, com a cumplicidade de aliados europeus e o concurso das poderosas forças e interesses que controlam os empórios da mídia, mas nada conseguiu desviar os cubanos de seus ideais de independência e socialismo, nem confundir os povos do planeta que, apesar de tudo, com sua sabedoria e instinto, descobrem qual a verdade.

São campanhas sem limite político nem ético, que chocam com a força moral de Cuba e somente maculam seus autores.

A manobra mais recente, procedente de seus "várias vezes premiados" informantes, se desfez em 72 horas. Os políticos mentirosos, os meios de imprensa que caluniaram por interesse político e os jornalistas que noticiaram um fato que não existiu, sem tentar fazer uma mínima confirmação, não deveriam ficar impunes. Pelo menos, deveriam confessar o erro e pedir desculpas à família, cujo funeral desrespeitaram.

Curiosamente, todos elem mantêm silêncio sobre o milhão de mortos civis no Iraque e no Afeganistão, que definem como "danos colaterais" e sobre as execuções extrajudiciais com aviões não tripulados em países soberanos.

Mantêm silêncio sobre o uso da tortura, ocultam a existência de cárceres secretos norte-americanos na Europa, dificultam a investigação dos crimes cometidos em Abu Ghraib e na base naval de Guantánamo, usurpada a Cuba, e dos vôos secretos da CIA com pessoas sequestradas em outros Estados.

Também não se comovem ante a forma brutal em que os governos na Europa descarregam as consequências da crise econômica nos mais pobres e nos imigrantes.

Olham para outro lado quando os desempregados e os estudantes são reprimidos com inusitada violência nessas sociedades opulentas.
Contudo, andam à caça de pretextos para atacar Cuba. E como não os encontram, então os fabricam.

Com grande desvergonha, batalharam por converter uma pancreatite em um assassinato político; uma justificada detenção policial de menos de três horas por alteração da ordem, sem o uso da força, em uma surra mortal; uma pessoa com cadastro policial, condenada a dois anos de prisão por delito comum, num dissidente político, vítima de longa condenação.

O povo compartilha o protesto da família pela campanha fabricada e a indignação dos médicos, praticamente acusados de cumplicidade num homicídio.

O mundo tem exemplos suficientes da vocação humanística dos nossos médicos que, sem pouparem energias e pondo em risco suas vidas, prestam seus serviços em todos os continentes.

O legislador David Rivera, célebre por corrupção eleitoral e por suas campanhas extremistas para eliminar o direito dos cubanos emigrados a viajarem a seu país, que há só umas semanas acusou o presidente Carter de ser "um agente cubano", afirmou sob juramento, no Congresso dos Estados Unidos, que o falecido "foi assassinado a pancadas e cacetadas no parque Vidal de Villa Clara, no domingo passado".

Nem sequer se incomodou em verificar que o homem esteve no parque, antes e depois da breve detenção, quinta-feira, 5 de maio, e não domingo, quando já estava hospitalizado. Não surpreende que minta, mas sim que o faça de maneira tão estúpida.

Um tal Salafranca, parlamentar europeu do Partido Popular, de muitos méritos anticubanos e pró-ianque, que diz que os relatórios sobre os vôos secretos da CIA não oferecem dados adicionais, e fecha os olhos para se abster ante qualquer condenação, afirmou no Parlamento Europeu que a pessoa "morreu depois de sua detenção e surra por parte da polícia cubana".

O jornal El País, da Espanha do Grupo Prisa e as confabulações do PP, publicou um artigo intitulado "Dissidente cubano morre depois de receber uma surra da polícia". O ABC, historicamente a serviço das piores causas, noticiou "Opositor cubano morre após uma surra da polícia castrista". Não lhes interessa confirmar a verdade dos supostos fatos e nem sequer se incomodam em dissimular o conluio com títulos diferentes.

Insolitamente, até o presidente Barack Obama, em Miami e ante uma pergunta da tendenciosa rede Univisón, embora dissesse que faltavam por precisar alguns detalhes, se pronunciou sobre os fatos do parque Vidal que jamais ocorreram.
É curioso que Obama, sempre tão ocupado, possa lembrar o caso de uma pessoa detida num parque cubano, que depois de algum tempo retornou ao lugar.

Contudo, ele não disse coisa alguma e possivelmente nem se lembre do rosto angustiado ou do relato da menina iraquiana Samar Hassan, publicado no jornal The New York Times, em 7 de maio passado, enquanto contava a terrível experiência do assassinato de seus pais por uma patrulha norte-americana, quando retornavam do hospital, após sarar as feridas de seu irmão.

Mas, no caso de Cuba, a pior falta não são as burdas mentiras que dia após dia se fabricam e reproduzem. O imperdoável é que se censurem as grandes verdades e a história dum povo heróico e bloqueado, capaz de atingir o que para a grande maioria da Humanidade ainda é um sonho.

No passado, tentaram isolar a Cuba ou provocar desordens internas para que se produzisse uma intervenção norte-americana. O que pretendem com estas campanhas? Somente denegrir ou algo pior? Será que os que mexem os fios e a seus empreiteiros internos lhes gostaria invocar a "proteção de civis" para bombardear Havana?

Nosso povo não se deixará confundir pelos contrarrevolucionários internos que buscam o pretexto da mídia, com o objetivo de promover um conflito com os Estados Unidos e saberá responder com serenidade e firmeza ante as ações destes mercenários.

Os argumentos da Revolução cubana não se fabricam como as mentiras dos nossos inimigos, se constroem com a dignidade e integridade do nosso povo que aprendeu que a verdade é a arma mais limpa dos homens.