Por José Paulo Paes
Pescaria
Um homem
que se preocupava demais
com coisas sem importância
acabou ficando com a cabeça cheia de minhocas.
Um amigo lhe deu então uma ideia
de usar as minhocas
numa pescaria
para se distrair das preocupações.
O homem se distraiu tanto
pescando
que sua cabeça ficou leve
como um balão
e foi subindo pelo ar
até sumir nas nuvens.
Onde será que foi parar?
Não sei
nem quero me preocupar com isso.
Vou mais é pescar.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A poesia de José Paulo Paes (18)
Por José Paulo Paes
Atenção, detetive
Se você for detetive.
descubra pra mim
que ladrão roubou o cofre
do banco do jardim
e que padre disse amém
para o amendoim.
Se você for detetive,
faça um bom trabalho:
me encontre o dentista
que arrancou o dente de alho
e a vassoura sabida
que deixou a louca varrida.
Se você for detetive,
um último lembrete:
onde foi que esconderam
as mangas do colete
e quem matou os piolhos
da cabeça do alfinete?
Atenção, detetive
Se você for detetive.
descubra pra mim
que ladrão roubou o cofre
do banco do jardim
e que padre disse amém
para o amendoim.
Se você for detetive,
faça um bom trabalho:
me encontre o dentista
que arrancou o dente de alho
e a vassoura sabida
que deixou a louca varrida.
Se você for detetive,
um último lembrete:
onde foi que esconderam
as mangas do colete
e quem matou os piolhos
da cabeça do alfinete?
domingo, 6 de maio de 2012
A poesia de José Paulo Paes (17)
Por José Paulo Paes
Ana e o pernilongo
Ana e o pernilongo
para a Aninha Vogt
1
Toda semana
eu me lembro da Ana.
Para mim não há semAna
sem Ana.
2.
Havia um pernilongo
chamado Lino
que tocava violino.
Mas era tão pequenino
o Lino
e tocava tão fino
o seu violino,
que nunca ouví o Lino
nem vi o Lino.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A poesia de José Paulo Paes (16)
Letra Mágica
Que pode fazer você
para o elefante
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o f por g !
Mas se trocar, no rato,
o r por g
transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo:
o gato.
Que pode fazer você
para o elefante
tão deselegante
ficar elegante?
Ora, troque o f por g !
Mas se trocar, no rato,
o r por g
transforma-o você
(veja que perigo!)
no seu pior inimigo:
o gato.
terça-feira, 24 de abril de 2012
A poesia de José Paulo Paes (15)
Convite
Poesia
![]() |
| ilustração de Luiz Maia |
como se brinca
com bola, papagaio, pião
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de Poesia?
de Poemas para Brincar de José Paulo Paes - Editora Ática - 3ª edição - 1991
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
O PINTINHO CEGO
Lembrança da Nova Seleta, poemas lidos na infância que a www faz reviver.
O Pintinho cego
de Olegário Mariano
É ridículo, não nego:
Mas como me comovia
Aquele pintinho cego
Que eu criava e não me via.
O meu cuidado primeiro,
Quando cansado chegava,
Era indagar do caseiro
Meu ceguinho como estava.
E ele que vivia a sós,
Num momento aparecia.
Certamente conhecia
O timbre da minha voz.
Vinha vinda e tateando
Pela grama do jardim.
Abaixava-se piando
A esperar com alegria
A festa que eu lhe fazia
Quando o tinha junto a mim.
Uma vez... (se bem me lembro
Era o mês de dezembro)
Pus a criadagem tonta...
Ninguém dele dava conta.
Fiquei louco, furibundo,
Pus em campo todo mundo,
Gente corria assustada
Pelo jardim, pela estrada,
Até que o acharam com frio,
Longe, num campo baldio,
Tonto, sem poder voltar.
O seu caminho de volta
Era escuro e misterioso
Como uma noite sem luar.
Então resolvi prende-lo:
Fiz-lhe uma casa de palha
E a todo instante ia vê-lo.
Desse modo procurava
Dar-lhe paciência e esperança
Enquanto ele era criança,
Para aguardar o futuro
Mais escuro que o esperava.
Mas o destino, na trama
Como a aranha o prendeu.
O caseiro resolveu
Soltá-lo um pouco na grama...
E ele desapareceu.
Quando no fim de semana
Voltei à minha choupana...
Vinha feliz! Mal sabia
Que ele não mais existia.
E me acreditem, não nego,
Chorei com pena e saudade
Daquele pintinho cego
Que não via a claridade
Do sol que ilumina o dia,
Que dá vida a todos nós,
E entanto me conhecia
E era feliz quando ouvia
O timbre da minha voz.
O Pintinho cego
de Olegário Mariano
É ridículo, não nego:
Mas como me comovia
Aquele pintinho cego
Que eu criava e não me via.
O meu cuidado primeiro,
Quando cansado chegava,
Era indagar do caseiro
Meu ceguinho como estava.
E ele que vivia a sós,
Num momento aparecia.
Certamente conhecia
O timbre da minha voz.
Vinha vinda e tateando
Pela grama do jardim.
Abaixava-se piando
A esperar com alegria
A festa que eu lhe fazia
Quando o tinha junto a mim.
Uma vez... (se bem me lembro
Era o mês de dezembro)
Pus a criadagem tonta...
Ninguém dele dava conta.
Fiquei louco, furibundo,
Pus em campo todo mundo,
Gente corria assustada
Pelo jardim, pela estrada,
Até que o acharam com frio,
Longe, num campo baldio,
Tonto, sem poder voltar.
O seu caminho de volta
Era escuro e misterioso
Como uma noite sem luar.
Então resolvi prende-lo:
Fiz-lhe uma casa de palha
E a todo instante ia vê-lo.
Desse modo procurava
Dar-lhe paciência e esperança
Enquanto ele era criança,
Para aguardar o futuro
Mais escuro que o esperava.
Mas o destino, na trama
Como a aranha o prendeu.
O caseiro resolveu
Soltá-lo um pouco na grama...
E ele desapareceu.
Quando no fim de semana
Voltei à minha choupana...
Vinha feliz! Mal sabia
Que ele não mais existia.
E me acreditem, não nego,
Chorei com pena e saudade
Daquele pintinho cego
Que não via a claridade
Do sol que ilumina o dia,
Que dá vida a todos nós,
E entanto me conhecia
E era feliz quando ouvia
O timbre da minha voz.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O museu dos contos
As botas de um gato.
Uma maça envenenada.
O fuso em que uma princesa espetou o dedo.
Um machado que cortava sozinho.
A panela onde caiu o ratão
doido pra comer feijão.
Uma janela de casinha de doces.
Dois dos três fios do cabelo do diabo.
Aí estão.
Entra. Olha pra eles.
Mas cuidado. Não pode tocar
que eles se transformam em pó,
em bolhas azuis,
num punhado daquela tristeza que os sonhos deixam
quando se acabam.
ANTONIO ORLANDO RODRIGUEZ
(Tradução : Luiz Raul Machado
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