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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

MEUS BLOCOS DE PRÉ-CARNAVAL - FORTALEZA, CE 2019

"Não sei os motivos", mas esses 4 blocos, eu gosto e é muito.


1. Concentra mas não sai 

18 anos concentrando. 14 no coração da cidade.
Nestes tempos de laranjais vem de laranja e Ataulfo Alves.
"O negócio é concentrar desfilar não tá com nada"






















2. Luxo da Aldeia 

bom D+. Só tem gente boa. E o CD do bloco tá um arraso.
A camisa com este baobá com folhas "libertárias"
e o povo ao redor. Tá o bicho.
"É no meio da rua, que a gente começa a brincar / no bloco luxo da aldeia um bloco do Ceará"



3. É só isso mesmo

Bem novim. Bem bonzim. Bela música tema. De arrastim, como uns e outros adoram.
A camisa arrasa. Frente rosa e costa azul. Nas costas Daniela e Caetano.
Seria uma sutil "homenagem" a sinistra dosMares?
A música do bloco:
"É isso mesmo/É isso mesmo/
É só isso mesmo.... é só isso mesmo" uma criação coletiva.










4. Pra quem gosta é bom

Com Débora e Raquel que me trouxeram o bloco.
Ritmos, boa música e gente jovem reunida.
Beleza.
Aqui o punho cerrado da resistência envolto num triângulo alegre.

Meu carnaval resiste.


Tem muitos outros.. tão bons quanto.
Mas o quarteto fantástico, acima é de lascar


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

MÚSICA, COMIDA E BEBIDA (7)



O Diumtudo "está fazendo" uma nova enquete com amigxs que gostam de bebida, comida e música.
São quatro categorias:


  • Bar, Botequim 
  • Local de boa comida
  • Local para beber, comer nas altas horas
  • Local com boa música

Américo


Américo Souza - Historiador, torcedor do Tricolor de aço, carnavalesco, agitador cultural, professor e quase boêmio.

Indica:

  • Bar - Alpendre
  • Comida - Cantinho do Frango
  • Altas horas - Seu Fernando
  • Música - Serpentina

Serviço:

Alpendre - Rua Torres Câmara, 181 - Aldeota, Fortaleza, Ce

Cantinho do Frango - Rua Torres Câmara, 71 - Aldeota- Fortaleza, Ce

Seu Fernando - Rua Silva Paulet, entre Torres Câmara e Afonso Celso.  Aldeota Fort-Ce

Serpentina Bar e Cultura - Av. Heráclito Graça, 760 - Centro, Fortaleza, CE


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A política nos jogos olímpicos

Por Américo Souza
Américo  Souza


Desde o seu início, os Jogos Olímpicos têm sido sistematicamente utilizados para fazer política, especialmente a promoção de Estados e regimes controversos. Quem não lembra dos boicotes de EUA e URSS, respectivamente em 1980 e 1984, ou o esforço de promoção do nazismo nos jogos de 1936 e do comunismo chinês nos jogos de 2008? Nos recém-encerrados Jogos do Rio, não foi diferente.

Vimos a forma habilidosa como a ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) convenceu o Comitê Olímpico a bancar a Delegação de Atletas Refugiados, chamando a atenção do mundo para a grave crise humanitária que conflitos como os da Síria e do Sudão do Sul promovem. Todavia, as mensagens políticas mais fortes e provocadoras não se fizeram por via institucional, mas pela manifestação espontânea de atletas e torcedores. Mensagens como a da nadadora dos EUA Simone Manuel, que ao ganhar o ouro disse lamentar a elitização de seu esporte, evidenciada por ser ela a única nadadora negra nas finais, e de sua compatriota Ibtihaj Muhammad, que dedicou seu bronze à luta contra o preconceito sofrido pelos muçulmanos em seu país. Ainda entre os atletas, o desabafo de Rafaela Silva contra o racismo hipócrita da sociedade brasileira foi duro e necessário.

Nas arquibancadas, mereceu destaque o protesto da torcedora iraniana Darya Safai, nos jogos de vôlei, pedindo por mais liberdade para as mulheres em seu país, e a criatividade de vários torcedores brasileiros para manifestar sua insatisfação com o governo golpista de Michel Temer, ambas dura e vergonhosamente reprimidas pela polícia, para quem esporte e política não combinam.

Esses episódios, noticiados por vezes a contragosto da imprensa, eram, no dia seguinte, pragmaticamente “esquecidos” diante do brilho inebriante das medalhas e dos recordes.

Assim, terminada a Olimpíada, seguimos confortáveis em nossas poltronas deliberadamente, alheios aos que, por seu gênero, sua cor ou sua crença, precisam lutar diariamente por dignidade e cidadania.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2016/08/26/noticiasjornalopiniao,3652599/a-politica-nos-jogos.shtml

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Isaquias Queiroz, um mito histórico


Na edição do Rio de Janeiro do Jogos Olímpicos dois atletas foram reiteradamente aclamados como mitos do esporte, o nadador estadunidense Michael Phelps (ganhador de 28 medalhas em 4 olimpíadas) e o jamaicano Usain Bolt (primeiro tricampeão olímpico das provas de velocidade do atletismo).
Mas o que um atleta precisa realizar para tornar-se um mito? Aliás, é possível classificar uma conquista esportiva como mítica? 
O mito, nos ensina a História, é, necessariamente, uma narrativa alegórica que busca nos ajudar a compreender a vida, mas sem compromisso com a verdade. Significa, então que os mitos são uma mentira? Pensemos...
Para Mircea Eliade, o mito é sempre uma narrativa que procura contar, graças aos feitos dos “seres sobrenaturais”, como uma realidade passou a existir. Neste sentido, temos sempre o relato de uma criação e de um momento fundador, relato esse que procura mostrar como algo foi produzido e a partir de quando começou a existir. Roland Barthes, por sua vez, alargou os horizontes da interpretação mítica por meio de análises de diversos aspectos da vida francesa (para ele, o mito poderia ser visto numa luta de telecatch, no strip-tease, nas propagandas de detergentes, no rosto da atriz Greta Garbo etc.). Ou seja, Tudo seria capaz de constituir-se num mito, desde que fosse suscetível de ser julgado por um discurso. O mito, assim, não se definiria pelo objeto de sua mensagem, mas pela maneira como ela é proferida. 
Por último, importa mencionar Joseph Campbell, para quem o herói na narrativa mítica, invariavelmente, realiza um caminho baseado no trinômio “separação-iniciação-retorno”: alguém que provém do mundo cotidiano acaba por aventurar-se numa zona de “prodígios sobrenaturais”; ao longo dessa aventura, é preciso que ele seja submetido a diversas provas, até obter a vitória decisiva. Alcançada a recompensa, tem-se o caminho da volta, tão penoso quanto o inicial: o herói deve agora retornar sob as bênçãos alcançadas e, com o elixir da vitória, restaurar o mundo inicial, ao qual ele pertencia antes de iniciar a aventura.
Se tomarmos como válidas as reflexões destes três intelectuais, podemos compreender duas coisas. A primeira delas é que o mito não é uma mentira, mas uma necessidade humana de olhar o mundo e formular exemplos positivos, que antes eram protagonizados por seres sobrenaturais, atualmente por homens comuns que se fazem extraordinários. A segunda é que o esporte é, em nosso tempo, um campo mais que fértil para a produção de mitos. Isto posto, é certo que Phelps e Bolt, assim como Mohamed Ali, Nadia Comaneci, Javier Soltomayor, Florence Griffith-Joyner, são exemplos perfeitos disso que podemos chamar de mito moderno, ou de mito histórico, posto que se constrói por meio de uma narrativa histórica concreta e tem como heróis seres humanos reais. 
Tá, tudo bem, mas e o Isaquias Queiroz, este texto não é sobre ele? Você deve estar se perguntando. Pois bem, correndo o risco de soar ufanista, penso que o menino-herói de Ubaitaba, mais que qualquer outro cumpre os requisitos para ser reverenciado como um mito. 
Ao conquistar pela primeira vez três medalhas olímpicas, ele cumpre a premissa de Eliade e funda um novo momento: hoje diferentemente de ontem o país inteiro sabe o que é a canoagem esportiva. A maneira como a narrativa de suas conquistas se construiu, repleta de drama, suspense e aventura, o mitifica exemplarmente, segundo os critérios de Barthes. Por fim, a exigência de Campbell de que haja o sofrimento probatório que leva à vitória e o retorno triunfal do herói laureado, encontra em Isaquias Queiroz, jovem negro e pobre, nascido em um país racista e elitista, que ainda na infância venceu a doença e a violência, que na juventude se jogou no mundo e obteve conquistas em terras distantes (Durenberg e Moscou), e que hoje, em sua terra natal, torna-se o maior atleta olímpico brasileiro, a realização mais que perfeita.
Viva Isaquias Queiroz, mito histórico brasileiro!

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

15 de outubro, dia do professor: há o que comemorar?

por Américo Souza

Sempre achei que ser professor é mais do que pertencer a uma categoria profissional. Tão pouco considero que seja um sacerdócio, ou uma vocação abnegada de pessoas iluminadas. O que significa então ser professor? Esta é a pergunta que se instalou em minha cabeça há 15 anos, quando iniciei na docência. Ainda não tenho uma resposta precisa para oferecer, mas gostaria de compartilhar aqui algumas reflexões que me fazem acreditar que estou mais próximo de tê-la.

Costumo pensar que eu caí na docência por acaso, que o que eu queria mesmo, quando ingressei no Curso de Licenciatura em História, foragido da Engenharia, era ser um oráculo que falasse frases belas e de efeito, que todo mundo achasse o máximo. Ser um pesquisador brilhante, agente de descobertas que mudariam a forma como pensamos a trajetória histórica do Brasil e do mundo, esse era o meu pretencioso sonho de calouro.

Sim, eu já fui um abestado, talvez tenha sido o maior de todos.

Naquele tempo ser professor apresentava-se a mim como algo que exigia um sacrifício altruísta do qual eu não era capaz.

Guardava comigo muito respeito e admiração pelos meus professores, mas
guardava também, seus lamentos pelas condições de trabalho desfavoráveis: infraestrutura comprometida, ambiente de trabalho desconfortável, parcos recursos financeiros, limitações de materiais didáticos-pedagógicos e tecnológicos, o peso da burocratização, o desinteresse da maioria dos estudantes, dentre outras. Não me concebia capaz de enfrentar tudo isso. No entanto, compelido pelo previsível fracasso do idílio primeiro e pela necessidade do vil metal, ministrei minhas primeiras aulas em março de 2000, no Curso de História do Campus de Araguaína-TO da então UNITINS, hoje UFTO,

Passados 15 anos, posso dizer-lhes que sou aquele professor que adora o período de férias, quando os estudantes desaparecem e tudo se aquieta, como a calmaria que se segue à tempestade. Os primeiros dias são de um alívio regenerador, os demais de uma sofreguidão ansiosa, quase uma crise de abstinência; desejo inconteste de que as aulas recomecem: a gente não sofre de emoções, sofre de retórica, aprendi um dia desses.

Pois bem, hoje me sinto – e me sinto feliz, importa dizer – mais professor do que historiador. Por que me sinto assim? Esta é a segunda pergunta que mais escuto (a primeira é se a atividade que pedi à turma vai valer ponto), e a que mais faço a mim mesmo.

O discurso pedagógico dominante no senso comum responsabiliza em demasia os professores quanto à prática pedagógica e à qualidade de ensino. Embora isso apenas reflita a realidade de um sistema centrado na figura do professor como condutor visível da ação educativa (algo que precisamos mudar com urgência), reflete, também, como a sociedade atual afeta a educação formal (escolar e universitária), transferindo a esta e, principalmente, aos professores, um número cada vez maior de funções, para as quais muitas vezes não estamos preparados e, muitas vezes, são funções não relacionadas diretamente com a nossa profissão. É preciso ter clareza das funções do professor para não se sujeitar à desprofissionalização.

A partir de minha experiência individual e particular como docente percebo que, para além da complexidade inerente à docência, ao estar em sala de aula (este universo plural, de múltiplos desejos, expectativas, afetos, dores e prazeres), colocam sobre os nossos ombros uma carga extra de responsabilidade, que, em muitos aspectos resulta do abandono que as famílias e a sociedade dedicam às crianças e aos jovens, para os quais já não têm tempo, nem paciência e, por isso mesmo, delegam ao outro incumbências que são suas.

Tudo bem, você deve estar pensando, mas o que isso me diz sobre o “sentir-se feliz” mencionado anteriormente? Isso diz muita coisa, acredite. Muito embora a sociedade e em especial as famílias devam assumir suas reponsabilidades educativas, esse movimento de hiper-responsabilização dos professores tem algo a nos ensinar. A vida não existe como uma engrenagem perfeita, com cada peça exercendo sua função e nada mais que isso. Na vida a regência maior é feita pelo imponderável e não pelo previsível. Compreender e aceitar esta realidade é difícil. Por isso ficamos doentes de
tanto buscar uma harmonia plena, que não existe.

O trabalho do professor, como eu o concebo, é uma ação transformadora tanto objetiva, quanto subjetiva, revestido de peculiaridades que lhes são próprias. Devemos ensinar história, matemática, engenharia, agronomia, mas também devemos provocar em nossos estudantes reflexões sobre a vida, sobre suas dores e delícias. Em outras palavras, assim como não devemos nos deixar sobrecarregar assumindo responsabilidades que são de outros, seguramente não podemos cair da esparrela de formar crianças e jovens para que atinjam metas objetivas e estreitas, como passar no ENEM, ou ingressar bem no mercado de trabalho. Não podemos empobrecer o universo.

Estou em pleno acordo com o filósofo Mário Sérgio Cortella, quando este afirma que todo professor íntegro (que o é por inteiro) leciona por amor. Não por amor ao trabalho, como já insinuou um certo político, mas por amor à ideia de que gente foi feita para ser feliz, ou, como disse Caetano Veloso, “para brilhar e não para morrer de fome”.

Por isso mesmo não acredito em uma docência que não sofra da incapacidade de achar que as coisas são como são e não há alternativas. Mudar o modo como as coisas são é, ou pelo menos deveria ser, o princípio (fundamento), o meio (método) e o fim (objetivo) da prática docente.

A educação é um espaço de conflitos, rejeições, antipatias, paixões, adesões, medos e sabores. Por isso a prática docente exala humanidade e precariedade. A criação e a recriação do conhecimento não estão apenas em falar ou fazer coisas prazerosas, mas, principalmente em falar e fazer as coisas com prazer. Quando um educador encontra alegria em seu ofício, ele inspira interesse pelo que ensina e isso o faz feliz.

Isso me faz feliz, porque renova em mim a esperança de que o mundo pode ser um lugar. Há quem diga que, em se tratando da realidade educacional brasileira, esta esperança é uma tolice. Como se ter esperança se temos que ministrar aulas em salas precárias e lotadas, se não há os recursos técnicos necessários, sem um salário suficiente, sem a necessária valorização pela sociedade? Pois bem, é justamente em condições adversas que a esperança se faz ainda mais necessária, mesmo
imprescindível. Só se desiste de algo, ou de alguém, quando morre a esperança. Se não posso desistir da docência, igualmente não posso perder a esperança de que ela pode sim modificar as pessoas e as coisas. Como bem disse Belchior, “Amar e mudar as coisas, me interessa mais”.

Por fim, em resposta à pergunta que nomeou e inspirou este texto eu digo: sim há o que comemorar. Há que se celebrar a persistência da esperança em poder fazer do mundo um lugar melhor do que é hoje.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Manifestar é preciso, mas não é exato

Por Américo Souza


Em 1984 ocorreram, nos meses de março e abril, diversas manifestações em favor da eleição direta para presidente da República. Passados 31 anos, nos deparamos com novas manifestações, desta vez contra a atual presidente, eleita pelo voto direto.
Vários expressivos pensadores assumem a defesa da livre manifestação de ideias, independentemente dos temas que abordem. Noam Chomsky, linguista e filósofo estadunidense, conhecido por suas posições de esquerda, enfrenta com galhardia posições conservadoras em seu país e afirma que todos devem ter garantido o direito de se expressar. O mesmo dizia Paulo Freire, agente importante das “Diretas Já”, cujas ideias estranhamente parecem incomodar os manifestantes de hoje.
Em tempos assim, a grande questão que fica é relativa aos fundamentos do nosso pensar. Se por um lado a livre manifestação de ideais parece algo dado, por outro –indicam os teóricos da Escola de Frankfurt – importa pesar a influência da indústria cultural na determinação dos modos de perceber a realidade.
Nem toda opinião está imune aos devaneios da consciência ingênua. E convenhamos, atualmente, não é fácil posicionar-se de maneira totalmente livre e consciente. Uma professora experiente, ensinou-me que “quando o passarinho está mudando de pena, não canta”. Ou seja, devemos evitar emitir opiniões apressadas, para evitar o risco de graves enganos de interpretação. Há momentos para tudo, inclusive para calar.
Nem todos que se manifestam “livremente” o fazem exatamente com liberdade, já que a liberdade é o pleno domínio sobre nossas ideias e ações. Existem poucos, como foi Freire e como é Chomsky, cujo pensamento ingovernável estará sempre exposto, sem temores, diante dos outros pensamentos, mediocremente teleguiados por quem pauta de fato as manchetes que tão vorazmente consumimos. O exemplo que nos fica desses dois pensadores é fazer um esforço para que a mediocridade não nos consuma e, assim, possamos agir com e pela liberdade.

Américo Souza é historiador e professor da Unilab. Este artigo foi publicado originalmente na seção de Opinião do jornal O POVO.