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segunda-feira, 29 de julho de 2013

A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA

por Malvinier Macedo

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“Sempre desejei ser bibliotecária. Uma certeza que morava em mim e que me levou como tal, ao ESPLAR, uma instituição que assessora grupos de agricultores e agricultoras familiares.

O sertão nordestino tem uma rica diversidade de costumes, de riquezas, de personagens, de vida. E nesse universo, uma das demandas maiores é por água para o consumo humano.

No meu trabalho sempre dividindo o tempo entre os projetos, as atividades de representação institucional e a biblioteca, no ano de 2001, aconteceu o meu encontro com o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido: um milhão de cisternas rurais, por iniciativa da Articulação no Semiárido, cujo objetivo principal é construir uma cisterna de placas em cada casa de família com baixa renda, na zona rural semiárida.

Participei do seu nascimento e por 12 anos vivi sua implantação no sertão cearense. Esse encontro me rendeu intensas vivências que não dá para colocar em poucas palavras. E por ser um trabalho em equipe, isso me fez aprender muito, inclusive sobre mim, sobre meu papel nesse processo de transformação das condições de vida das famílias rurais.

Para levar a cisterna até às famílias, há um percurso em que é preciso localizá-las, cadastrá-las, organizar toda a documentação pedida pelo programa, consultar Cadastro da Pessoa Física, anotar o Número de Identificação Social e caso a pessoa não o tenha, encaminhá-la ao órgão da Prefeitura Municipal para que seja inserida no Cadastro Único do Governo federal.

Preencher a Ficha de Seleção e Cadastramento das Famílias é uma atividade que nos mostra a realidade dessa população através dos seus dados pessoais, nível de escolaridade, composição da família, moradia, fontes de abastecimento de água, situação socioeconômica, participação em grupos sociais, tipos de doença.

Chegamos a visitar mais de duas mil famílias em um ano e a coleta de tantos dados nos torna conhecedores in loco de uma realidade que apresenta também uma face dolorosa: alto grau de analfabetismo, doenças crônicas, pobreza, solidão, violência doméstica, dificuldades de acesso à terra, à água, a serviços básicos.

E como uma bibliotecária se inseriu nesse universo?

No atender ao público de forma satisfatória para o programa e para as famílias, levar orientação, ser atenta no preenchimento dos dados, pois um erro é fonte de problemas para o desenrolar da ação, organizar listas para os cursos das famílias e para a colocação de placas de identificação das cisternas, arquivamento das fichas das famílias por ordem numérica, ter em mãos o Termo de Recebimento da Cisterna para que a pessoa responsável pela cisterna o assine, conferir se o número da cisterna é igual ao do Termo, checar se as fotos de cada família ao lado de sua cisterna estão com qualidade para compor o Termo.

Enfim, um mundo de informações a serem coletadas, trabalhadas, cadastradas e arquivadas. Um universo no qual as bibliotecárias e os bibliotecários se sentem à vontade”.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ASA: articulando sonhos e lutas

Por Mavinier Macedo

A ASA (Articulação no Semiárido) tem provado, por de mais de uma década, que ações feitas em conjunto, sempre são fortes, marcantes, poderosas, únicas. E ela é uma articulação com esta marca. A marca do ajuntamento consciente de pessoas com objetivos comuns, da expressão da criatividade do povo do sertão, da alegria do encontro e reencontro.
Em todo recanto onde a ASA chegou, criou laços entre as pessoas, e entre estas e o sertão que até então era visto como algo carregado de dificuldades, espinhos, terra rachada, marginalidade nos processos de cidadania.
Fez eclodir uma revolução no semiárido brasileiro, via seus programas, que trouxeram ações inclusivas para largas parcelas da população rural e despertaram o sentimento de “ser tão sertão”. 

Malvinier Macedo na manifestação em Petrolina - Pe

E quando há uma razão para ir às ruas mostrar a sua cara, a sua diversidade e as suas reivindicações, é sempre algo bonito, emocionante, motivador.
Prova disto, foi a manifestação que esta articulação protagonizou na última terça-feira, protestando contra o rompimento da parceria entre o Governo federal e a ASA, em uma caminhada ente Juazeiro BA e Petrolina PE, aglutinando milhares de pessoas das mais diferentes idades, que percorreram quilômetros, vindas de todas as partes do semiárido, se vestiram com a sua coragem, se enfeitaram com seus sonhos, fizeram ecoar seu grito de povo que conhece e ama suas realizações, entendendo que tem voz e vez.
E o mais louvável foi que em menos de uma semana, este ato foi proposto, organizado e realizado, sinalizando que a ASA realmente plantou e fez crescer a cultura da mobilização nas diferentes localidades por onde tem suas iniciativas.
O cortejo enfeitado com faixas, cartazes, frases, maquetes, estandartes, sanfoneiros, banda de pífanos, instrumentos de percussão, apitos, ocupou a ponte sobre o rio São Francisco, chegando à Praça da Catedral em Petrolina, onde houve o ato com falas e músicas, que mostravam a riqueza do plantio feito por tantas mãos. Ficará na memória das pessoas que integram a ASA como um sinal da sua força, da sua organização e da sua vontade de continuar um trabalho que vem dando certo.
Vamos torcer para que tantas vozes que se uniram pela continuação da parceria entre o governo federal e a ASA, tenha como eco uma resposta positiva ao que foi reivindicado.

* Malvinier Macedo é sócia do Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Manifestação em Petrolina junta mais de 15 pessoas

Por Raimundo Mascarenhas

 
Cerca de 15 mil pessoas, segundo estimativa da policia militar de Pernambuco, participaram hoje de uma grande mobilização na cidade de Petrolina neste momento, mas a manifestação teve inicio por volta das 09h30 horário de Brasília na vizinha cidade de Juazeiro – BA. O ato foi mobilizado pela Articulação do Semi Árido (ASA)  para dizer não a decisão governo federal que não tem pretensão de renovar o Programa de construção de cisternas e iniciou a distribuição de cisternas fabricadas a base de PVC.
A grande quantidade de pessoas debaixo de sol forte saiu da Orla Nova na cidade de Juazeiro por volta das 10h horário de Brasília e portando faixas, cartazes, apitos e carros de som “invadiram” toda extensão da Ponte Presidente Dutra que liga as duas cidades. A grande multidão não teve pressa para deixar a ponte e acabou provocando grande congestionamento nos dois sentidos.

“ Essa manifestação não combina com esse povo, parece que estamos protestando como no passado com os governos Collor e FHC, saber que essa nossa luta é para mudar a idéia de Dilma eleita pelo partido que defendemos durante todo tempo, não da para entender.Nós lutamos pela política para a convivência com o semi árido tivemos uma grade conquista com a implantação do Programa 1 milhão de Cisternas que mudou a realidade do semi árido  com água para o povo e geração de emprego e renda, der repente vem essa proposta de suspender a parceria de passar a distribuir cisternas plásticas (PVC), fato que fere a honra do agricultor e das famílias que sofreram ao longo dos anos” . Esse foi o desabafo do jovem produtor rural Luiz Cláudio da cidade de Itapipoca no Ceará.
O ato foi motivado pela declaração do Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDS de que o aditivo já anunciado e publicado no Diário Oficial da União, para continuidade dos programas da ASA (P1MC e P1+2), não será concretizado, sob a argumentação de que o Governo está revendo seus arranjos para o Plano Brasil sem Miséria.
A cidade de Petrolina foi escolhida para sediar o evento devido tanto à localização geográfica, que permite concentrar um grande número de pessoas de outros estados do Semiárido, como pela história de luta de diversas organizações da região.
Enquanto a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) reivindica os recursos previstos para a continuidade de suas ações, o governo federal vai investir R$ 1,5 bilhão na instalação de 300 mil cisternas de plástico. O valor gasto pelo governo corresponde a mais que o dobro do que a ASA gastou para construir 371 mil cisternas de placas no Semiárido.
Cada cisterna de plástico custa aos cofres públicos R$ 5 mil, segundo informou o Ministério da Integração Nacional numa reunião com representantes da ASA, em Brasília.  A cisterna de placa custa R$ 2.080,00. No Programa Água para Todos, além das 300 mil cisternas de plásticos, serão construídas 450 mil de placa.
Aqui os manifestantes já planejam ir a Brasília, pois o movimento ganhou muita motivação, já que, em menos de oito dias para articular essa gente e que estava sendo aguardado a presença de  10 mil compareceram mais de 15 mil pessoas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Solução ou armadilha ?

Por ASA

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede formada por cerca de 750 organizações da sociedade civil que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida. Sua missão é fortalecer a sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido referenciados em valores culturais e de justiça social.