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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Lulu e a sacanagem desautorizada


POR XICOSA

É, velho Crumb (ilustração), aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha.

Repare nessa história.

Vingativa, ela queimou o filme dele, um reles ficante –status “rolinho primavera”- no Lulu, o aplicativo que funciona como um clube onde as garotas avaliam os rapazes do desempenho sexual ao caráter propriamente dito.

Ô mundão objetivo e sem porteira. Mas pensando como cronista de costumes, Lulu é apenas uma vingança tardia das velhas notas masculinas para as moças na escola. Vingança lupicinicamente machista, óbvio,só vingança, vingança, vingança aos deuses clamar.

O Lulu é um SPC, um Serasa moral, um cadastro geral dos marmanjos para consumo.

Reproduz, para todas as mulheres do mundo, o que já se faz em pequenas rodas femininas.

Calma, meu rapaz, é só um banheiro ampliado, um tricô ao infinito, um fuxico hiperbólico.

Não vale pedir para as amigas lavar a sua honra, tornando-lhe um homem de qualidades. Relaxa. Leva na esportiva, fair play, brother, fair play.

Deu pra maldizer o nosso lar, pra sujar meu nome, me humilhar… Não passa nada.

O Lulu é a verdadeira biografia desautorizada. O Rei deve ser contra. Detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer.

A avaliação de usos e costumes também está valendo: #UsaRider. Melhor ainda é o critério estético: #CurteRomeroBritto. Essa é genial.

Sim, falam até de pau pequeno (#NãoFazNemCosca é a hashtag maldita), mas, meu amigo, você também acha que tem, por mais que normal ou saído à semelhança do “jumento na sacristia”, como no conto do gênio cearense Moreira Campos. O primeiro insatisfeito nessa parada é você mesmo.

Relax, meu rapaz, leve na buena onda, no humor, na graça, ser maldito também tem seu charme e a vida é sempre mais subjetiva do que sugere o vão aplicativo. Como diz a lírica do Conde do Brega: ninguém é perfeito e a vida é assim.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Não haverá mais espaço para o cinismo da imparcialidade", diz Jornalismo Wando

Via Bruno Perdigão

Por Camila Demario

Seguido por nomes conhecidos do jornalismo como Xico Sá, Bob Fernandes e Fred Melo Paiva – e também do entretenimento, como Maurício Meirelles, do “CQC”, o autor do perfil @JornalismoWando no Twitter tem feito sucesso entre profissionais de comunicação com suas críticas ao “jornalismo-fofurinha, estilo Sandra Annenberg, em que o jornalista ri, chora, se emociona e se envolve com a notícia como se estivesse num programa de auditório”.

Crédito:Reprodução

Perfil do Jornalismo Wando no Twitter

Apesar de já ter revelado sua identidade em uma entrevista em 2011, ano em que criou o perfil, João prefere hoje ser descrito apenas como um “morador de 33 anos da zona norte de São Paulo”. Ao contrário do que muitos dos seus seguidores pensam, João não é jornalista, mas tem interesse por debates políticos e sociais, como diz em entrevista exclusiva dada à IMPRENSA. Confira:

IMPRENSA - Quando o personagem foi criado e qual foi a motivação? Por quê o nome Wando?
JORNALISMO WANDO - Criei o @JornalismoWando em meados de 2011. Começou com uma brincadeira no Twitter sobre jornalistas fofos que paparicam os entrevistados, que evitam incomodar. Então o Jotabê Medeiros [jornalista do O Estado de S. Paulo] criou a hashtag #JornalismoWando, uma referência a esse grande artista popular, o cantor Wando, que com seu jeitinho sedutor e "querido" conquistou milhares de fãs. Foi a partir daí que começou a palhaçada toda. No mesmo dia criei o perfil e muita gente seguiu.

Como é sua rotina de trabalho? É formado? Como surgiu interesse pelo jornalismo?
Meu interesse pelo jornalismo vem do meu interesse pelos debates políticos e sociais. Não sou jornalista.

Você parece ser uma pessoa bastante influente no meio. As suas fontes já o conheciam ou aumentaram com a identificação com o personagem no Twitter? Muita gente o confunde com jornalista?
Pareço tão influente assim, é? Então estou enganando bem (risos). O Wando fez muitos amigos do meio e, às vezes, a gente fica sabendo de algumas coisas. Sempre cai um "offzinho" nas DMs e é por isso que há muitas pessoas que acham que sou algum jornalista se aproveitando do anonimato para proteger a imagem profissional.

Qual sua relação com os jornalistas? Já foi processado, recebeu ameaça?
Tem os que gostam, os que ignoram e os que bloqueiam. Tomo muito cuidado para não ser processado, mas já houve ameaças sim. Nada que uma conversa ao pé do ouvido com o Wando não resolva.

O que é, na prática, o “jornalismo Wando” praticado pelos profissionais e veículos atualmente? Essa forma de jornalismo cresceu nas últimas décadas?
Jornalismo Wando é esse pretenso jornalismo imparcial, como se isso fosse possível. É o jornalismo que trata a notícia com um produto a ser vendido e não um fato a ser dissecado, analisado e criticado. É aquele jornalismo mais centrado na forma que no conteúdo, em que o jornalista tem que apelar pra uma manchete babaca ou um infográfico inútil pra dar aquela colorida na matéria.
É também aquele jornalismo-fofurinha, estilo Sandra Annenberg, em que o jornalista ri, chora, se emociona e se envolve com a notícia como se estivesse num programa de auditório. Você viu a cobertura da visita do papa? Quem não é católico teve que aturar o jornalismo Wando apostólico romano 24h por dia. Os jornalistas da televisão estavam visivelmente emocionados com a visita do Santo Padre. A Leilane Neubarth só faltou ajoelhar no estúdio da GloboNews. Inacreditável.

Como foi o convite do Yahoo!? Tem contrato com número de posts, remuneração, é uma fonte de renda?
Habemus contratus.

O tumblr “Sou reaça, mas tô na moda” também é seu, mas a última atualização é de maio. Perdeu interesse ou falta tempo?
Falta tempo, quem sabe mais pra frente não volto a atualizar. Os reaças da moda se multiplicam numa velocidade impressionante e eu não estou dando conta. Se alguém quiser me ajudar a atualizá-lo, pago bem em cubo cards.

A crítica feita em seus textos tem a ver com a aproximação do jornalismo com o entretenimento?
Sim, principalmente na televisão, onde os dois estão cada vez mais próximos. Quantos jornalistas que já abandonaram a profissão para apresentar programas de entretenimento? Britto Jr, Pedro Bial, Tiago Leifert, Fátima Bernardes e vários outros. O Leifert abandonou também, porque aquilo que ele faz no "Globo Esporte" está mais pra "Caldeirão do Huck" do que jornalismo. E ainda alguns têm coragem de chamar aquela micagem que ele faz de revolução. O Celso Zucatelli, por exemplo, que apresentava o "Jornal da Cultura", hoje ensina receitas nas manhãs da Record. Não é coincidência. Parece que cada vez mais tem jornalista formado querendo ser rostinho bonito na televisão. Não é o que eu entendo por jornalismo. Não quero parecer tão ranzinza, acho que há espaço pra tudo e todos. O problema é que essa babaquice está virando a regra.

Quais jornalistas/veículos você – e seu personagem – acha que faz bom jornalismo?
Tirando a revista Veja, que não faz ideia do que seja jornalismo, há bons e maus exemplos em todos os veículos de imprensa. Difícil criticar ou elogiar em bloco. O maior problema da imprensa é o monopólio dos empresários de mídia. É aquela velha história: meia dúzia de famílias milionárias comanda o mercado da informação, formam monopólios, concentram poder e jogam com os 3 poderes. Não há nenhuma regulação no setor como há em todos as atividades da economia, o que é um absurdo. E só a democratização da mídia desconcentrará o mercado, trará novos atores, aumentará a concorrência e melhorará a qualidade do jornalismo.

A última “polêmica” sobre jornalismo no Twitter tem sido o Mídia Ninja, que divide opiniões entre os profissionais. Você já criticou a falta de transparência do grupo no perfil do Wando. Assistiu o "Roda Viva" O que acha do jornalismo feito pelo grupo?
Acho interessante a ideia e o formato do Mídia Ninja, mas acho que estão completamente equivocados politicamente. Foram entrevistar Eduardo Paes, por exemplo, e foram massacrados pela retórica do político profissional. Saíram pequenininhos da entrevista e só levantaram a bola para o prefeito. Acho importante que eles não se colocam como imparciais e admitem estarem fazendo política. Só acho que estão fazendo do jeito errado. Para o Mídia Ninja agora é interessante que haja protesto todos os dias, tanto que eles sempre incentivam nas suas transmissões. Aí a coisa complica.
Assisti ao "Roda Vida" e achei que eles foram muito bem e falaram verdades que nunca foram faladas ali. Mas o Capilé, mais uma vez, não conseguiu ser transparente com as questões financeiras do Fora do Eixo, apesar da sua retórica de político profissional. E eu gostaria de saber melhor com funciona a estrutura financeira, ainda mais porque acho que a vaidade política do Capilé supera esse espírito coletivista. Conheço muita gente que trabalhou com ele e sei que a coisa não é tão romântica assim. Acho que existe uma necessidade de se buscar um protagonismo pelo protagonismo.

Por quanto tempo pretende levar o personagem? Espera dar alguma contribuição?
Caramba, nunca pensei nisso. Sei lá, vou “lewando”.

Assim como o Wando, o jornalismo morreu? Sim/não, por quê?
Não morreu, mas está passando por uma profunda transformação e ninguém sabe muito bem onde vai dar. Mas uma coisa é certa: não haverá mais espaço para o cinismo da imparcialidade. Quem quiser sobreviver no mercado vai ter que ser cada vez mais transparente. Porque o cara escreve um texto cheio de falsidade no jornal e no mesmo dia já tem um blog desmascarando tudo.

Pretende levar o personagem para outras plataformas, como livro, por exemplo?
Nunca pensei nisso, mas realmente daria pra escrever um livro com as peripécias do Wandinho. Ele já cantou e encantou muita celebridade, jornalista, político.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

SP precisa sim `importar´ gente de toda parte

Ontem Gilberto Dimenstein na FSP criticou Haddad por ter nomeado Juca Ferreira, secretário de cultura. (Marvioli)

Por Xico Sá




E haja aspas, preconceituosas ou não, mas SP precisa sim “importar” não apenas um baiano, mas qualquer povo que a fez e que está disposto a uma possível refazenda urbana e moderníssima.

Até porque o movimento agora é de deixar a cidade. O que a torna humanamente mais pobre.

Como diria o rapper Cascão, o inventor do estilo e da expressão “vida loka”, SP não pode perder mais tempo sendo uma cidade fechada ao varejão do preconceito.

Pânico em SP , grande Clemente, salve sempre Inocentes.

Sao Paulo de Piratininga pós-Kassab, o homem das 1001 noites proibidas, carece retomar sua vocação de cidade aberta.

O novo prefeito carece fazer muito, mas sobretudo precisa devolver, no mínimo discutir, a ideia de uma Pauliceia de todos nós brasileiros.

Assim como foram e são as praias cariocas, as incomparáveis grandiosidades nordestinas, assim como são e serão os sertões, montanhas mineiras, pampas, chapadas & recôncavos etc .

Ah, gostei deveras, no meu barroquismo jamais sequestrável, diz aê velho poeta Gregório de Mattos, de ter um baiano como secretário da Cultura da cidade que habito há 22 anos.

Sim, o Juca Ferreira, bom currículo, ex-ministro do mesmo mundo, ex-pós-tudo de Gilberto Gil no Ministério idem da República.

Tem gente torcendo os beiços por aqui. Que mundinho sem horizonte.

Com desculpinhas babacas.

Não, não estou me referindo ao que todo tamarindo dá e muito menos ao colega desta Folha Gilberto Dimenstein. Entendi o questionamento localizado dele. Não foi preconceituoso, só rolou a bola de uma certa classe cultural paulistana insatisfeita e fechadinha. É papel do jornalista contar o que se passa na real-politik.

Como eterno novo “baiano” cearense e pernambucano - família metade de um Estado metade d´outro- fico orgulhoso que seja um soteropolitano o novo cara da secretaria de Cultura do meu município.

Digo: no mínimo não pode ser vetado por ser de tal origem.

Não, nem todo nordestino é baiano, assim como nem todo japonês é coreano e vice-versa.

Um dia, quem sabe, o sudeste aprenderá geografia, como um norte-americano que deixará de confundir Bogotá com Brasília, e saberá, só Deus sabe, separar os gentílicos. Mas isso é café-pequeno, bronca safada.

Enquanto isso, tá valendo, somos todos diferentíssimos nordestinos, cada um com seus Estados de origem, riquezas e prosódias, embora sejamos todos chamados de baianos em SP e paraíbas no Rio de Janeiro.

Nessas horas sempre solto um educado “fodam-se”, mas apenas para os meus boníssimos amigos paulistanos e cariocas que entendem o pugilato e a bossa nova de Juazeiro.

No geral, rimos dos preconceitos babacas, todos juntos, se é que você me entende, e, sábio do Crato que sou (rs), recito o velho Walt Whitman, o cara cuja pátria era apenas a árvore que o encobria naquele instante.

Se o Nordeste continua sendo uma ficção, para retomar um verso genial do Belchior, azar -ou inferno- dos outros. Se meu verso não deu certo, agora vou mineiramente de Drummond, foi seu ouvido que entortou.

SP precisa se livrar da praga de fomentar separações e proibições tão fermentadas quantos os pães branquinhos da Bella Paulista na madruga.

Salve esta lindeza de metrópole escancarada que recebeu japoneses, italianos, brasileiros de todos os nortes, itas e bússolas, judeus, árabes e bolivianos em busca de um bueno retiro possível.

Quantos jovens coreanos e novos africanos agora te habitam. Verás na praça Júlio Mesquista que já foi dos ciganos e agora tem o movimento negro, a cerveja de todos os banzos & blues de Luanda.

Só gritando em portunhol selvagem, poeta Douglas Diegues, para alertar essa gente covarde que não flana e não sabe da soma das ruas.

Que não conhece Esperanza, linda costureira de Cochabamba, Bolívia, que já vendeu seu trabalho escravo nas fabriquetas de costura de San Pablo e agora rifa o seu corpo no desejo crepuscular dos machos que flanam no Parque da Luz.

Como descrevi no meu romance “Caballeros solitários rumo ao sol puente”, quer saber o que é SP, veja uma pelada ao cair da tarde de sábado aos pés da estátua de Duque de Caxias, o facínora da Guerra do Paraguay:

Lá, no chão da praça, jogam latino-americanos X miseráveis brasileiros. Qualquer coisa contra o resto do mundo. Eis o clássico.

Peladas, como diiria o tio Nelson Rodrigues, mais complexas que toda a dramaturgia shakespereana.

Agora, com licença, daqui a uma estação do metrô estarei no Oriente…

SP tem os olhos mais incríveis do planeta, o bisturi de Deus a serviço permanente da mestiçagem, como acabo de ver agora ao descer da São Joaquim com a minha gueixa que nem me ama (ainda) tão direito assim.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O vinho de jurubeba visto por um enólogo

Por Xico Sá

Um blog tão diversificado de assuntos, da consulta sentimental à real-politik, não poderia deixar de ter também a sua velha opinião formada sobre vinhos, esse novo fetiche e arroto chique da pequeno burguesia brasuca. E nosso homem-bouquet deixa logo uma advertência: bebo para cacete e escrevo socialmente.

A primeira expedição, como no filme “Sideways”, teve como destino Aratu, na Bahia. Não poderíamos iniciar com outro licor dos deuses que não fosse o vinho macerado da Solanum paniculatum, a rica fruta conhecida vulgarmente como jurubeba, a pinot noir de quem nasceu para beber, não para cheirar a rolha e desgustar como uma freira.

Mal você abre a tampinha de lata reciclada –é mais ecológico, a cortiça vive uma crise na Europa- e já percebe se tratar de um vinho compacto, com um bloco de aromas em leque perfumando o ambiente, mesmo o pior dos pés-sujos da Lapa de Baixo.

De perfil aromático limpo e complexo –nosso crítico também não trabalha com amadeirados e quetais-, oJurubeba Leão do Norte guarda a essência de extratos de cravo, canela, quássia, boldo e genciana. O tanino de caráter rijo junta-se ao caramelo de milho e dá tintas finais à uma coloração entre o rubi e frutas negras do semi-árido -com halo aquoso ainda em formação.

Repare no sabor fugidio do jatobá e da flor de muçambê, com florais de mulungu e pau-d´arco ao longe. No todo, o equilíbrio chama a atenção. E de que mais precisamos, amigo papudinho, do este suposto equilíbrio no momento da volta ao lar doce lar?!

O vinho de jurubeba harmoniza bem com a gastronomia de sustança. Pratos sugeridos: mocotó, mão-de-vaca, chambaril, bode e caprinos no geral, javali, teju etc.

Podemos aplicar ao jurubeba o mesmo impressionismo paradoxal que o renomado crítico Robert Parker usou para definir o Romanée-Conti: “Aromas celestiais e surreais…”. Seja lá que diabo ele quis dizer com essa xaropada de adjetivos.

Saúde! Porque se os outros vinhos ajudam o coração, o jurubeba é reconhecido na medicina popular como um fortificante da cintura para baixo. Afrodisíaco no último.

Até a próxima visita às adegas e aos alambiques mais roots do país. Mande também a sua sugestão de nossos melhores licores. Como já dizia meu amigo Ibrahim Sued, ademã que eu vou em frente.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Passione - Junio Barreto




PASSIONE (letra e música- Jorge du Peixe e Junio Barreto)

PERFUME DO MEU PARAÍSO
BONITA ESTRAGO DO MEU CÉU
QUE ATÉ ME CUSTE, VALHA A VIDA
VOU TE AMAR, VOU TE AMAR

PASSIONE, TENHO POR TU
TANTO GUARDADINHO AMOR
AGRESSIVE NÃO
SAFADA, ÉS MEU VÍCIO
MORRO EM VOCÊ
PRA VIVER EM MIM.

O clipe foi dirigido por Lírio Ferreira (”Baile perfumado” e “Árido movie”) e Alexandre Stockler (”Cama de gato”).