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sábado, 9 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Essa nossa vida de artista...
Por Felipe Araújo
Peço ao distinto leitor que, por alguns instantes, se imagine um músico profissional. Você tem um show agendado no principal equipamento de cultura do Estado, no caso o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A apresentação é resultado da aprovação de um projeto que você submeteu a um edital público. Pela importância do equipamento e pela responsabilidade que você, como cidadão, tem em relação ao dinheiro público, sua decisão foi preparar o melhor de seu trabalho.
Para isso, teve de ensaiar com sua banda, digamos, três vezes. Três sessões de duas horas num estúdio mediano em Fortaleza não saem por menos de R$ 150. O frete (ida e volta) dos equipamentos para o ensaio lhe custou algo em torno de R$ 100 (isso porque o dono do frete é amigo seu e lhe quebrou um galho). No dia da apresentação, sua corrida de táxi até Dragão fica em R$ 25 (você, afinal, não mora tão longe do equipamento). Ida e volta, lá se vão R$ 50. Os dois músicos que lhe acompanham são amigos de infância e tocarão por módicos R$ 100, cada um (R$ 200 ao todo). Pronto, sua despesa foi de R$ 500 para preparar sua apresentação.
Pois bem, qual não é sua surpresa ao notar que, ao receber seu cachê, você gastou mais do que recebeu. Isso mesmo - e agora já não estamos mais no campo da fantasia. O edital do programa Sons do Ceará, produzido pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) para o ano de 2013 prevê (inacreditáveis) R$ 500 de cachê - valor bruto, do qual serão abatidos os impostos devidos - para cada projeto selecionado.
Deixo, portanto, a cargo da inteligência e da sensibilidade do leitor a avaliação sobre quão desrespeitoso para com uma categoria profissional é o edital do Dragão do Mar. E também sobre como é difícil viver de arte no Ceará. Ainda que se fale em viradas culturais, em cadeias produtivas, em formação e outros solipsismos da Secretaria de Cultura do Estado.
Em tempo: o edital pode ser acessado no seguinte endereço: bit.ly/UlGg44
Peço ao distinto leitor que, por alguns instantes, se imagine um músico profissional. Você tem um show agendado no principal equipamento de cultura do Estado, no caso o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A apresentação é resultado da aprovação de um projeto que você submeteu a um edital público. Pela importância do equipamento e pela responsabilidade que você, como cidadão, tem em relação ao dinheiro público, sua decisão foi preparar o melhor de seu trabalho.
Para isso, teve de ensaiar com sua banda, digamos, três vezes. Três sessões de duas horas num estúdio mediano em Fortaleza não saem por menos de R$ 150. O frete (ida e volta) dos equipamentos para o ensaio lhe custou algo em torno de R$ 100 (isso porque o dono do frete é amigo seu e lhe quebrou um galho). No dia da apresentação, sua corrida de táxi até Dragão fica em R$ 25 (você, afinal, não mora tão longe do equipamento). Ida e volta, lá se vão R$ 50. Os dois músicos que lhe acompanham são amigos de infância e tocarão por módicos R$ 100, cada um (R$ 200 ao todo). Pronto, sua despesa foi de R$ 500 para preparar sua apresentação.
Pois bem, qual não é sua surpresa ao notar que, ao receber seu cachê, você gastou mais do que recebeu. Isso mesmo - e agora já não estamos mais no campo da fantasia. O edital do programa Sons do Ceará, produzido pelo Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) para o ano de 2013 prevê (inacreditáveis) R$ 500 de cachê - valor bruto, do qual serão abatidos os impostos devidos - para cada projeto selecionado.
Deixo, portanto, a cargo da inteligência e da sensibilidade do leitor a avaliação sobre quão desrespeitoso para com uma categoria profissional é o edital do Dragão do Mar. E também sobre como é difícil viver de arte no Ceará. Ainda que se fale em viradas culturais, em cadeias produtivas, em formação e outros solipsismos da Secretaria de Cultura do Estado.
Em tempo: o edital pode ser acessado no seguinte endereço: bit.ly/UlGg44
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Um novo comando no Dragão do Mar daria novo fôlego para a Cultura?
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| Ricardo Guilerme |
A questão da política pública do Ceará para a Cultura não é de gestão, mas de gestação.
O impasse provém não de um político, mas da política em si.
Sem uma mudança conceitual não haverá um salvador da pátria.
E se a instauração de uma nova gerência significar a restauração do velho modelo que criou o Dragão, a perspectiva gera ainda mais preocupações, pois resgata uma experiência que além de contrariar seu DNA (a Ecoa, de Augusto Pontes) desconsiderou que sem as parcerias culturais, de caráter público-privado, no entorno do tal Centro a Praia de Iracema ficaria refém da especulação imobiliária.
Parece também inoportuno reeditar administrações que privilegiem centrais de produção em detrimento de projetos de descentralização capazes de propiciar nos bairros populares o fomento à partilha de fazeres e saberes. Novo fôlego, portanto, não seria necessariamente mudar o mentor mas, sim, mudar a mentalidade.
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