Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política
Mostrando postagens com marcador Cauby Peixoto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cauby Peixoto. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Começaria tudo outra vez


Por Marcos Sampaio

Logo na primeira cena do documentário Começaria tudo outra vez, Cauby Peixoto aparece com um semblante entre o cansaço e a mansidão. O compasso da respiração entrega que estar ali no palco não é mais um exercício simples para o cantor de mais de 80 anos. No entanto, ele não dispensa o paletó de lantejoulas brilhantes, a peruca encaracolada e a maquiagem discreta que já fazem parte do seu personagem.

Ecoando os versos de Caetano Veloso (“Minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação”), a cena que abre o filme de Nelson Hoineff resume o personagem que vai ser descrito nos próximos 90 minutos. Com depoimentos e imagens de arquivo, Começaria tudo outra vez, apresenta o retrato de um homem que só quer existir sob as luzes do palco, mantém sua agenda de shows e acaba de lançar um tributo ao ídolo Nat King Cole.

Hoineff perseguiu o cantor durante um bom tempo. Foram dois anos de aproximação e mais quatro de filmagem. Com isso, o diretor conseguiu extrair momentos saborosos do intérprete que imortalizou Conceição. Um dos mais chamativos é ouvir Cauby falando sobre experiências sexuais com outros garotos na infância. “Chegou um momento em que eu o coloquei muito a vontade. Nós estávamos falando sobre os ternos, deitados sobre a cama dele. Já tinha virado uma conversa de velhos amigos, com zero constrangimento”, lembra Hoineff, por telefone, revelando que conseguiu a fala driblando o olhar sempre atento da empresária e cuidadora Nancy Lara, que está sempre ao lado do cantor.

Apesar da sexualidade do homem que foi sex symbol nos anos 1950 ser motivo de discórdia desde então, Hoineff nega ser este o ponto alto de Começaria tudo outra vez. “Acho que o importante não é ser homossexual ou não. Nos anos 1950 já seria uma tolice, imagine hoje. Em represália, ele nunca falou disso. No entanto, o filme permitiu que, pela primeira vez, ele falasse nisso”, defende o diretor que optou por não contar uma história cronológica ou didática. Seguindo os passos do cantor por bastidores e em casa, o filme apresenta pistas sobre as causas e efeitos de uma carreira duradoura e ainda em plena atividade.

Depois de documentários retratando figuras como Paulo Francis (Caro, Francis), e Chacrinha (Alô, alô, Terezinha!), Hoineff sabe o que buscar nos seus personagens. “O que me interessa é a veia transgressora. Logo, não são documentários, mas filmes que se utilizam das pessoas para falar de transgressão”, define o diretor que encontrou nas dualidades de Cauby muito das suas transgressões. Entre o brega e o chique, o masculino e o feminino, o dono de uma das vozes mais admiradas do Brasil é também um homem calado e discreto, que, apesar de viver cercado pelo público, tem poucos amigos. “O que é grandioso nele é o olhar e eu vou buscá-lo ali. É isso que a gente tem que descobrir”, sugere.

SERVIÇO

Filme Cauby -Começaria tudo outra vezQuando: sexta,3, às 18h30 e domingo, 5, às 10h30
Onde: Cineteatro São Luiz
Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)


http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2015/07/02/noticiasjornalvidaearte,3463392/bastidores-em-cena.shtml

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

LUIZ GONZAGA - 100 anos

Por Marcus Vinicius


Thiago Marques Luiz vem produzindo discos com grandes nomes da música brasileira. Produziu recentemente duas pérolas - Angela Maria "Eu voltei" e três discos com Cauby Peixoto " O Mito - A voz do violão, 60 anos de música e Caubeatles". Numa terrinha tão ruim de memória, o trabalho de Thiago merece destaque e reverência. ( Lembro também os trabalhos relevantes feito por Charles Gavin, Rodrigo Faour e pelo selo discobertas, nesta linha da memória.). 
Mas, Thiago também vem produzindo também homenagens: Ataulfo Alves 100 Anos, Uma flor para Nelson Cavaquinho.
A mais recente são 50 gravações inéditas da obra de Luiz Gonzaga. 
Gonzaga faria 100 anos em 2012, no dia 13 de dezembro, dia também de Santa Luzia. 


PS - O autor da capa Elifas Andreato, imenso artista, foi um dos grandes "capistas" de muitos lps. O Diumtudo já publicou várias de suas obras.

CD 1 - SERTÃO
1. Asa Branca - Dominguinhos, Amelinha, Geraldo Azevedo, Ednardo e Anastácia
2. A Volta da Asa Branca - Fafá de Belém
3. A Morte do Vaqueiro - Zé Ramalho
4. No Meu Pé de Serra - Elba Ramalho
5. Estrada de Canindé - Geraldo Azevedo
6. Légua Tirana - Amelinha
7. Assum Preto - Vanguart
8. Acauã - Cida Moreira
9. Juazeiro - Daniel Gonzaga
10. Riacho do Navio - Ayrton Montarroyos
11. A Vida do Viajante - Zezé Motta
12. A Feira de Caruaru - Anastácia e Osvaldinho do Acordeon
13. Vozes da Seca - Cátia de França/Baião da Garoa - Passoca
14. Pau de arara - Chico César
15. Ave Maria Sertaneja - Guadalupe e Liv Moraes
16. Boiadeiro - André Rio (com participação especial de Mestre Genaro)
17.Noites Brasileiras - Gonzaga Leal


CD 2 - XAMÊGO
1. A Sorte É Cega - Filipe Catto
2. Orélia - Ylana Queiroga
3. Xamêgo - Maria Alcina
4. O Cheiro da Carolina - Forró in the Dark
5. Xanduzinha - Karina Buhr
6. Balance Eu - Thaís Gulin
7. Vem Morena - Ednardo
8. Cintura Fina - Gaby Amarantos
9. Qui Nem Jiló - Angela RoRo
10. Sabiá - Jussara Silveira
11. A letra I - Verônica Ferriani e Chorando as Pitangas
12. Açucena Cheirosa - Rolando Boldrin e Regional Imperial
13. O Xote das Meninas/Capim Novo - Elke Maravilha e Trio Dona Zefa
14. Roendo a Unha - Célia
15. Dúvida - Maria Creuza
16. Olha pro Céu - Vânia Bastos


CD 3 - BAIÃO
1. Baião - Wanderléa
2. Respeita Januário - Zeca Baleiro
3. Daquele Jeito - Dominguinhos
4. Imbalança - Paulo Neto
5. Paraíba - Márcia Castro
6. Dezessete Légua e Meia - Milena
7. Forró de Mané Vito - Eliana Pittman
8. ABC do Sertão - Virgínia Rosa
9. Forró no Escuro - Simoninha
10. Baião de Dois - Claudette Soares e B3 Orgão Trio
11. Dezessete e Setecentos/
Calango da Lacraia/O Torrado - Edy Star e Banda Monomotor
12.Deixa a Tanga Voar - Ela
13. Lorota Boa - Silvia Machete
14. Siri Jogando Bola - China
15. Derramaro o Gai - 5 a Seco
16. Mangaratiba - Silvia Maria e Dalua
17.Madame Baião - Nation Beat


Serviço:
100 anos de Gonzagão
três cds - 50 gravações inéditas
Capa - Elifas Andreato
Produtor - Thiago Marques Luiz
Selo - Lua Music

quarta-feira, 16 de março de 2011

Elis - Bolero de Satã

Este vídeo é porrada. Elis, Cauby, Guinga e PC Pinheiro juntos em  - Bolero de Satã





Bolero de Satã ( Guinga e PC Pinheiro)


Você penetrou como o sol da manhã
E em nós começou uma festa pagã
Você libertou em você a infernal cortesã
E em mim despertou esse amor
Atormentado e mal de Satã
Você me deixou como o fim da manhã
E em mim começou esse angústia, esse afã
Você me plantou a paixão imortal e mal sã
Que me enraizou e será meu maldito final amanhã
E agora me aperta a aflição
De chorar louco e só de manhã
É a seta do arco da noite
Sangrando-me agora
São lágrimas, sangue, veneno
Correndo no meu coração
Formando-me dentro esse pântano de solidão


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cauby Peixoto - 10 de fevereiro de 2011 - 80 Anos

Cauby Peixoto um dos maiores cantores brasileiros completa hoje 80 anos. Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu "Dunga") um dos seus maiores sucesos.



Conceição
(Jair Amorim e Dunga)

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem
Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que, descendo à cidade, ela iria subir
Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu
Pois hoje o seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou
Só eu sei
Que tentando a subida, desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez
Conceição


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cauby Peixoto, 80 anos (2) - 10 de Fevereiro de 2011

Segunda parte da matéria de Pedro Alexandre Sanches.


Por Pedro Alexandre Sanches @pdralex , repórter especial iG Cultura

"O jovem Cauby Peixoto contava poucos anos de sucesso quando a bossa nova chegou e tornou instantaneamente antiquado seu estilo estrondoso de interpretar. Sob essa película de anacronismo ele se manteve e se mantém, há seis décadas. Mesmo assim, Cauby significou enorme novidade nos anos 1950, muito devido às estratégias de marketing elaboradas empiricamente pelo empresário Di Veras, que convenceu todo um país de que o garoto suburbano carioca de cabelos encaracolados, tez morena e olhos escuros era, por baixo dos panos, um deslumbrante Frank Sinatra à brasileira.
Di Veras conduziu e dourou a pílula do delírio das fãs adolescentes diante de um Cauby bonito, gostoso e desejado. Mesmo cantando como um senhor, o rapazote virou ídolo da juventude, um de nossos primeiros, uma década e meia antes da explosão da Jovem Guarda (que seria conduzida por dois fãs de carteirinha de Cauby, Roberto e Erasmo Carlos). "Eu era um cantor da juventude. Meu empresário me promovia com reportagens assim: 'Quando Cauby canta, as meninas desmaiam'. Aí começou tudo. Só uma fã desmaiou, por incrível que pareça. Foi socorrida por um locutor da rádio Mayrink Veiga que era médico", ele relembra, com ironia sutil.

A transmutação foi dolorosa. Na biografia "Bastidores" (2001), o jornalista Rodrigo Faour relata, por exemplo, que em 1954 Cauby teve os dentes arrancados e substituídos por próteses que coincidissem melhor com a imagem de galã traçada para ele. O empresário, por sinal, confessou a Faour que era ele quem lia e respondia pessoalmente às cartas das fãs para o pupilo. Suas estratégias, que incluíam simular, fotografar e publicar brigas com cantores rivais, seriam adotadas adiante por Carlos Imperial e pelos meninos da Jovem Guarda - e não diferem muito da cultura de celebridades e subcelebridades que tem sido a cara destes primeiros anos 2000.
Outro dos truques de Di Veras que não caiu de moda até hoje era o de providenciar supostos namoros, romances e noivados de Cauby com estrelas que iam das cantoras locais Angela Maria e Ellen de Lima a celebridades internacionais, nas temporadas que Cauby passou nos Estados Unidos, tentando se estabelecer como um novo Sinatra ou Nat King Cole.
Fui namorado de mentirinha da (atriz) Jayne Mansfield", ri o Cauby de 2011. "Lá é assim, as coisas acontecem ou não dependendo de você estar perto de uma moça bonita. Então eles jogam como se fosse uma namorada, um 'date', 'cantor brasileiro namorando Jayne Mansfield'." O "lá" a que se refere é a América do Norte, mas bem podia ser aqui mesmo.
A ambiguidade de Cauby
Deve vir dos tempos de Di Veras o hábito de Cauby se referir ao conjunto de seus espectadores como "elas". Na dita vida real, ele nunca se casou oficialmente. Tampouco se furtou, dos anos 1970 em diante, a responder às provocações de jornalistas sobre sua sexualidade. Se nunca se afirmou explicitamente homossexual (como, de resto, a maioria quase absoluta de seus pares), tampouco fugiu do assunto ou negou que o fosse. Trata seus fãs no feminino, mas em alguns de seus meus melhores momentos faz igual consigo mesmo.
Foi o que aconteceu em 1980, no disco de ressurgimento "Cauby! Cauby!". Refez a "Ronda" de Vanzolini, mantendo o eu-lírico feminino ("volto pra casa abatida/ desencantada da vida"). Serviu ironia e autocrueldade na bandeja em "Dona Culpa", em dueto com o autor do samba-rock, Jorge Ben: "Dona culpa ficou solteira/ pois ninguém quis casar com ela/ (...) a minha geração não encontrou a esperada saída/ talvez a de vocês com sorte encontre ainda".
Sobretudo, esbanjou ambiguidade em "Bastidores", a canção que se tornaria sua marca maior, ao lado da popularíssima "Conceição". "Com muitos brilhos me vesti/ depois me pintei, me pintei, me pintei, me pintei/ (...) cantei, cantei/ jamais cantei tão lindo assim/ e os homens lá pedindo bis/ bêbados e febris a se rasgar por mim", afirmam os versos de Chico Buarque que Cauby transformou em seus, estivessem ou não no feminino.
Acontece que "elas", as fãs que Di Veras cobiçava, nuncam foram o único público sustentador de um gueto chamado Cauby Peixoto. Parte de sua longevidade musical se explica, facilmente, pela diversidade que ele atiça. Assim como o variado público que se une para aplaudi-lo, seu repertório é vasto como poucos entre os muitos valores musicais brasileiros atropelados pelas revoluções da bossa, Jovem Guarda, tropicália etc.
Sempre pautado pela fácil comunicação com a plateia, Cauby não despreza o poder comunicativo de "Conceição", "Bastidores" e "Ronda" nas noites barulhentas e despojadas do Bar Brahma, mas vai sempre bem além delas. Na noite presenciada pela reportagem do iG, senta-se e canta gêneros, tempos e idiomas diversos, sem intervalos ou delongas entre uma canção e outra.
"Luiza", standard bossanovista de Antonio Carlos Jobim, precede a anacrônica e infantilizada "Ci-Ciu-Ci, Canção do Rouxinol", que resiste em seu repertório desde 1956. Um ouvinte noviço pode se constranger com o trinado de pássaro simulado por Cauby, mas, ora, não era exatamente o que o pequeno Michael Jackson fazia em 1972 ao imitar o piado do tordo em "Rockin' Robin"?
Assim como sempre gostou de cantar de tudo um pouco, de Cole Porter a Wando, de Benito di Paula a Bertolt Brecht, no palco Cauby faz o standard macio norte-americano "Fly Me to the Moon" conviver pacificamente com a reverência à voz de terremoto de Raimundo Fagner, intérprete original de "Guerreiro Menino" (1983), de Gonzaguinha.
Ali os versos tratam de, mais uma vez, desconstruir e reconstruir a esfinge Cauby: "Um homem também chora, menina morena/ também deseja colo, palavras amenas/ precisa de carinho, precisa de ternura/ (...) é triste ver esse homem, guerreiro menino/ com a barra de seu tempo por sobre seus ombros/ eu vejo que ele berra/ eu vejo que ele sangra/ a dor que traz no peito, pois ama e ama/ um homem se humilha se castram seu sonho/ seu sonho é sua vida...". Juntas e emparelhadas, "Conceição", "Bastidores", "Ronda" e "Guerreiro Menino" bastam para contar a história de Cauby Peixoto e explicar a perenidade de um artista ímpar."

http://migre.me/3QEOG



Bastidores
(Chico Buarque)

Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim
E me tranquei no camarim
Tomei o calmante, o excitante
E um bocado de gim
Amaldiçoei
O dia em que te conheci
Com muitos brilhos me vesti
Depois me pintei, me pintei
Me pintei, me pintei
Cantei, cantei
Como é cruel cantar assim
E num instante de ilusão
Te vi pelo salão
A caçoar de mim
Não me troquei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que tu nunca mais vais voltar
Vais voltar, vais voltar
Cantei, cantei
Nem sei como eu cantava assim
Só sei que todo o cabaré
Me aplaudiu de pé
Quando cheguei ao fim
Mas não bisei
Voltei correndo ao nosso lar
Voltei pra me certificar
Que nunca mais vais voltar
Cantei, cantei
Jamais cantei tão lindo assim
E os homens lá pedindo bis
Bêbados e febris
A se rasgar por mim
Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim

Cauby Peixoto, 80 anos (1) - 10 de Fevereiro de 2011

Por Pedro Alexandre Sanches @pdralex , repórter especial iG Cultura


"O homem que completa 80 anos nesta quinta-feira (10 de fevereiro) gosta de se resguardar e de poupar ao máximo as energias que armazena. Anda em passos curtos. Prefere ficar sentado que de pé. Responde com frases curtas às perguntas daqueles que se amontoam ao seu redor numa segunda-feira, o único dia da semana em que ele costuma, religiosamente, sair de casa. “Olha, eu gostaria de sair mais se pudesse, se não fizesse mal. Beber, por exemplo, eu não bebo, porque sei que não é bom”, explica o resguardo, no dia da exceção.
Em algum momento da noite ele soltará de vez a voz, conhecida Brasil afora há 60 anos. E provará que ela, a voz, é a única coisa que ele, o cantor, extravasa sem economia de esforço. Niteroiense radicado em São Paulo, Cauby Peixoto mantém-se há oito anos em temporada contínua no igualmente histórico Bar Brahma, de São Paulo. É ali que ele dissipa a energia ainda acumulada no auge de seus 80 anos.
Na noite de 17 de janeiro, o mítico compositor paulista Paulo Vanzolini abrilhanta a plateia do bar, o que confere simbolismo extra à “cena de sangue num bar da avenida São João” de "Ronda", interpretada por Cauby três vezes durante o show, em português e em espanhol. A voz de trovão, acredite, está em grande medida preservada. Imóvel, Cauby faz ela verter pelo salão como se fosse o sangue do verso de Vanzolini. A plateia retribui acenando-lhe lenços brancos improvisados em guardanapos de papel. Ele devolve o gesto e o afeto, balançando em gestos mínimos seu lenço de linho.

“Eu não bebo, não me aborreço muito, tenho uma vida tranquila. Cuido muito de mim, sabe?”, Cauby explica o inexplicável, o fato de ele conseguir ser o único artista brasileiro de sua idade que mantém uma rotina intensa de apresentações e de contato direto com o público. O cantor de "Conceição" chega às 21h30 para o show que começará por volta de 22h30. Entra nas dependências do bar pelo anexo conhecido como Brahminha, atualmente desocupado, onde é montado seu camarim, à base do improviso e da simplicidade.
Concede mini-entrevistas antes de iniciar o show - não gosta de desperdiçar saliva fora do palco, a não ser na hora de contar quais músicas pretende selecionar para o disco de releitura de rocks dos Beatles, que lançará na sequência dos recentes álbuns devotados aos repertórios de Frank Sinatra e Roberto Carlos. Em vez de citar títulos como "Help", "Yesterday" e "Michelle", prefere fazer charme, entoando trechos das letras em pronúncia, sotaque e entonação 100% Cauby Peixoto.
As gravações mais antigas de Cauby datam de 1951, e sua trajetória resulta espetacular também pela época peculiar em que conseguiu se impor como artista. Eram os anos 1950, provavelmente o mais extenso e intenso período de transição da música brasileira do século passado.
Havia um mundo que envelhecia, dos sambas-canção românticos, derramados e cantados com toda a força do peito por coriscos vocais como Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves e Angela Maria. Ao mesmo tempo, um novo mundo eclodia, nas vozes estranhamente mansas e gentis de Dick Farney, Lúcio Alves, Johnny Alf, Dolores Duran, Tito Madi, Elizeth Cardoso, Maysa. Essa nova categoria de cantores prenunciava a chegada da da bossa nova, que só aconteceria em 1958.
Cauby pertencia à primeira turma, da cabeça aos pés, passando pela garganta em nada precursora da bossa. Quando surgissem João Gilberto e seus seguidores, ao final da transição, o Brasil aprenderia que Cauby, com 20 anos em 1951, já nascera velho como cantor.
Até por essa peculiaridade, ele pode entrar no salão do Bar Brahma em 2011, cercado de seguranças rombudos, pairar por sobre as décadas como se não pertencesse a nenhuma delas - e ainda causar tumulto numa plateia em que prevalecem contemporâneos seus, mas em meio à qual despontam uns tantos nas faixas etárias dos 40, dos 30, até dos 20 anos.
“Essas meninas cresceram e não deixaram de ser minhas fãs”, filosofa Cauby, antes mesmo de pousar os olhos no público do dia. “Acho que só quando eu desafinar é que deixarei de ter fãs. Enquanto eu tiver voz, eu terei o aplauso delas.” Resistem nele a confiança na própria afinação e o imaginário forjado pelo maranhense Di Veras, seu empresário, tutor e pai postiço praticamente o tempo inteiro, desde o início do pupilo até a morte, em 2000. Foi Di Veras quem desenvolveu, logo no princípio, a mística do Cauby arrasador de corações, provocador de desmaios entre as fãs adolescentes, galã caboclo quase hollywoodiano."


http://migre.me/3QENw





Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel)

Ne me quitte pas, Il faut oublier,
tout peut s'oublier qui s'enfuit deja.
Oublier le temps des malentendus
et le temps perdu a savoir comment.
Oublier ces heures qui tuaient parfois a coups de pourquoi
le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai, des perles de pluie venues de pays
ou il ne pleut pas
Je creusrai la terre jusqu'apres ma mort
pour couvrir ton corps d'or et de lumiere
Je f'rai un domain ou l'amour sera roi
ou l'amour sera loi ou tu sera reine.
Ne me quitte pas
Ne quitte pas

Ne me quitte pas Je t'inventerai
Des mots insensés que tu comprendras
Je te parlerai De ces amants-là
Qui ont vue deux fois Leurs coeurs s'embraser
Je te racontrain L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux Il est paraît-il
Des terres brûlées Donnant plus de blé Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler Je me cacherai là
A te regarder Danser et sourire
Et à t'écouter Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Versão de Fauto Nilo 


Não me deixes mais (Jacques Brel - Fausto Nilo0
Não me deixes mais
Vamos esquecer, tudo que passou, que ficou pra trás
Esquecer o tempo dos mau entendidos
O tempo perdido
Em pensar demais
Esquecer as horas que quase mataram
De dúvida e medo
A felicidade
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais
Vou te oferecer
Pérolas que vi
Chover num país
Onde não chove mais
Revolver a terra, muito além da morte
Dourar o teu corpo
Onde ele estiver
Onde eu viverei
O amor será rei, o amor será lei
E tu reinarás
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais
Não me deixes mais
Que eu inventarei
Palavras sem nexo
E tu compreenderas
Pra falar de amantes
Que por muitas vezes
Sentiram seu próprio coração queimar
Eu vou te contar
A história de um rei
Que morreu tão triste
Por nunca te encontrar
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais
Dizem que é comum
Renascer o fogo
De um velho vulcão
Que não arde mais
Também já se viu
Em terras destruidas renascer mais trigo
Que no melhor abril
E pra se inflamar
Uma tarde no ar, o vermelho e o negro
Não se casam jamais
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais
Não me deixes mais
Eu não vou chorar, não vou mais falar, vou ficar em paz
Quero só te viver
Dançar e sorrir
Quero te ouvir
Cantar e falar
Deixa-me existir à sombra da tua sombra
À sombra da tua mão
À sombra do teu cão
Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes ...