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sábado, 24 de março de 2012

Thais Gulin - Show em Fortaleza

Por Marcus Vinicius

Thais Gulin esteve em Fortaleza em fevereiro de 2012. No dia 5, um domingo, numa programação de-Férias da Prefeitura de Fortaleza. Fez um belo show no anfiteatro da beira-mar. O registro em fotos. 























segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

terça-feira, 19 de julho de 2011

Chico Buarque de Hollanda era Aurora era Amélio era Aurélia…

Por Pedro Alexandre Sanches

O narrador perdido no tempo-espaço dos livros Estorvo(1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009) invadiu de vez a música popular brasileira. E não parece ser mais um personagem de ficção, pois o primeiro disco de canções inéditas de Chico Buarque em cinco anos se chama, simples e explicitamente, Chico.

Aos 67 anos, o maior herói da politizada geração 1960 da MPB parece estar morto, ou no mínimo hibernante atrás dos sonhos, delírios e pesadelos existenciais enfileirados em sua fase literário-jobiniana, burilada desde no mínimo o disco As Cidades, de 1998. De “Vai Passar” (1984) para cá, foi desaparecendo aos poucos o Chico engajado e combativo de Construção(1971).

O lugar vago vai sendo ocupado por uma versão desencantada e nada ingênua do Chico de “A Banda” (1966), o qual em público o Chico de Chicoparadoxalmente demonstra desgostar e desacreditar. No novo CD, parece ser alguém que vê a banda passar pela janela o narrador de, por exemplo, “Rubato”, “Barafunda”, “Querido Diário” ou “Tipo um Baião”.

Chico segue conciso em dez composições curtas e pouco mais de 30 minutos de duração, na seguinte sequência:

“Querido Diário” – Mirando à distância “Construção” ou “Cotidiano” (ambas de 1971), o narrador anda pelas ruas, recolhe um cão, alucina “amar uma mulher sem orifício”, pensa em religião, cogita em negativo violentar uma mulher (“não bato nela nem com uma flor”) e constata, ambíguo: “Trouxe um porrete a mó de me quebrar/ mas eu não quebro porque sou macio”.

“Rubato” (parceria com Jorge Helder) – Os jogos de espelhos dos romances viram canção, numa levada marcial que deixa um perfume de “A Banda” no ar. O narrador-compositor canta seu amor por uma Aurora, é surrupiado por um segundo compositor que passa a cantar para uma Amora, e, “Rubato” (“roubado”, em italiano), termina em poder de um terceiro que canta para uma Teodora. Se os três se chamarem Chico, a impressão é de que Crise de Identidade é o nome real da musa inspiradora.

“Essa Pequena” – O tema é o amor de um homem maduro por uma mulher jovem: “Meu tempo é curto, o tempo dela sobra/ meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora”. Vão longe os tempos nacionalistas, emepebistas, anti-iê-iê-iê e antitropicalistas, como denota a matreira citação em inglês, “fique à vontade, eu digo, take your time”. “Sinto que ainda vou penar com essa pequena”, declama o narrador, não se sabe se realista ou pessimista.

“Tipo um Baião” – Homenagem enviesada ao “rei do baião” Luiz Gonzaga, destronado no final dos anos 50 pela bossa nova dos pais buarquianos Tom Jobim e João Gilberto. A amada “infla” e “esmaga” o coração do narrador, “igual que nem fole de acordeão/ tipo assim num baião do Gonzaga”. Há 50 anos, a bossa nova exilou a sanfona gonzaguiana da música popular brasileira; o “baião-canção” (segundo o autor) “Tipo um Baião” é levado ao piano.

“Se Eu Soubesse” – É interpretada em dueto com a jovem cantora paranaenseThaís Gulin, que os tabloides de fofoca dizem ser namorada do autor. A parte não-falada do arranjo diz, ensolarada, o que as palavras do resto todo do CD elegem não afirmar: em “lararás” e “liriris” bem-humorados, arejados, felizes, Thaís e Chico quase fazem esquecer os versos palavrosos da chanson.

“Sem Você 2” – O título estabelece conexão com “Sem Você”, de Tom Jobim eVinicius de Moraes, lançada em 1959 em interpretações de Lenita Bruno e deSylvia Telles. À época, a vertente barquinho-violão-praia, sal-sol-(zona)sul, da bossa nova ainda não era hegemônica, e “Sem Você” dialogava com a canção de fossa dos anos 50, entre termos como “sofrimento”, “desespero” e “solidão”. “Sem você é o fim do show”, suaviza (mas não muito) o narrador. “Sem você o tempo é todo meu/ posso até ver o futebol”, graceja, beliscando algum otimismo.

“Sou Eu” (parceria com Ivan Lins) – A voz à antiga do sambista Wilson das Neves compartilha com Chico a historieta algo feminista, algo misógina, sobre uma namorada que pinta e borda nos bailes da vida. “Quem é que carrega a moça para casa?/ sou eu”, constatam, uníssonos, Chico e Wilson.

“Nina” – Em referência “noir” à Ninotchka de Greta Garbo, a protagonista da canção vaga pelos sonhos do narrador-sonhador-delirador. “Nina adora viajar, mas não se atreve/ num país distante como o meu”, diz o narrador, sem explicitar se seu país é o Brasil ou um país de sonhos (e pesadelos) como os do desterrado romance Budapeste.

“Barafunda” – A penúltima faixa inicia se espelhando à segunda: “Era Aurora/ não, era Aurélia/ ou era Ariela/ não me lembro agora”. Nomes, pessoas e lugares se embaralham na mente confusa do narrador, mas não a ponto de chegar à Amélia do samba de Ataulfo Alves, ou à Maria Amélia mãe do autor, morta no ano passado, aos 100 anos. “Salve este samba antes que o esquecimento baixe seu manto/ seu manto cinzento”, canta o autor, nublado, no instante do CD em que o Chico-compositor mais se aproxima do Chico-escritor.

“Sinhá” (parceria e dueto com João Bosco) – Adotando tom de afro-samba mais à maneira do parceiro João Bosco que do bossa-novista Baden Powell, Chico termina o disco em seu ápice, na canção mais intensa e confessional, irmã do romance Leite Derramado. O narrador é um escravo no tronco, açoitado por ter espichado os olhos para sinhá – o que ele nega (“por que talhar meu corpo?/ eu não olhei sinhá”), mas ao final confirma.

A última estrofe da canção “Sinhá” (e do disco Chico) embaralha de vez a ficção e a vida real do artista de olhos claros, herdeiro obediente dos Buarque de Hollanda e da tradição nacional-emepebista, que se tornou sogro de Carlinhos Brown e avô de netos sarará: “E assim vai se encerrar/ o conto de um cantor/ com voz de pelourinho/ e ares de senhor/ cantor atormentado/ herdeiro sarará/ do nome e do renome/ de um feroz senhor de engenho/ e das mandingas de um escravo/ que no engenho enfeitiçou sinhá”.

(Texto publicado originalmente no iG Cultura.)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Se Eu Soubesse (Chico Buarque)


Por Alfredo Pessoa



Esta valsa canção também faz parte do novo disco de Chico Buarque que sera lancado no fim deste mes. Tem um registro anterior feito por Thais Gulin com participação de Chico que pode ser conferido no seguinte endereco: http://letras.terra.com.br/thais-gulin/1887352/

Thais Gulin e Chico Buarque

Vale a pena ouvir e tocar. Aos poucos Chico tá voltando.











Se Eu Soubesse (Chico Buarque)


Eb/F Bb7M Bº Cm6 Abm6/B

Ah, se eu soubesse não andava na rua

Gb6/Bb Gb(b5)/Bb

Perigos não corria

Ab4(7)/9 Ab7(b9) Db7M(9)

Não tinha amigos, não bebia

Bb7 Ebm7(#9) Ebm6(9)

Já não ria a toa

Dm7(#9) G7(b13) Cm7(#9) F7(b13)

Não enfim, cruzar contigo jamais

Bb7M Bº Cm6 Abm6/B

Ah, se eu pudesse te diria na boa

Gb6/Bb Gb(b5)/Bb

Não sou mais uma das tais

Ab4(7)/9 Ab7(b5) D7/b9(#5) Gm7 Gbm7

Não ando com a cabeça na lua

Fm7 Bb7(9) Eb7M(9) Ebm6

Nem cantarei eu te amo demais

Bb7M/D G7(b13) Gm6 F7(13)

Casava com outro se fosse capaz

Bb7M Bº Cm7 C#º

Mas acontece que eu saí por aí

Bb7M/D Dbm6(#5) Cm7 Eb/F

E aí, larari larari larari larara

Bb7M Bº Cm6 Abm6/B

Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa

Gb6/Bb Gb(b5)/Bb

Não ia mais à praia

Ab4(7)/9 Ab7(b9) Db7M(9)

De noite não gingava a saia

Bb7 Ebm7(#9) Ebm6(9)

Não dormia nua

Dm7(#9) G7(b13) Cm7(#9) F7(b13)

Pobre de mim, sonhar contigo, jamais

Bb7M Bº Cm6 Abm6/B

Ah, se eu pudesse não caía na tua

Gb6/Bb Gb(b5)/Bb

Conversa mole outra vez

Ab4(7)/9 Ab7(b5) D7/b9(#5) Gm7 Gbm7

Não dava mole a tua pes----soa

Fm7 Bb7(9) Eb7M(9) Ebm6

Te abandonava prostrado aos meus pés

Bb7M/D G7 Cm7(#9) F7

Fugia nos braços de um outro rapaz

Bb7M Bº Cm7 C#º

Mas acontece que eu sorri para ti

Bb7M/D Dbm6(#5) Cm7 Eb/F

E aí larari larara lariri, lariri

Bb7M Bº Cm7

Pom, pom, pom...

C#º

Bom...bom, bom, bom bom

Bb7M/D G7(b9) F#7M(9)

Pom, pom, pom

F7(b9) Bb7M

Bom...bom, bom, bom, bom.