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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Música no Mambembe > suporte: vinil.

Por Marcus Vinicius
Fotos - Roberto Félix, Dora Moreira, Ana Costa e Rebeca Moura.

"Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçom (Meu Deus do Céu, que baile bom!)" 

Como se fosse um Baile no Elite (http://www.youtube.com/watch?v=JI4NH08oQBk), fui discotecar vinis no Mambembe a convite da Dora.  
O Mambembe - comida e outras artes, tocado por Dora, Darwin e Ramon ( me perdoem se tiver mais tocadores) é uma boa opção não só para os"bicudos"¹
Dos bares "cultbacaninas" (deve ter  uns três em Fortaleza) é o que eu frequento. Boa acolhida, boa comida, bebidas a preços razoáveis. 
No campo musical estão ousando e trazendo gente boa para pequenos shows. Já teve por lá Passo Torto, Daniel Goove, Gustavo Portela e em novembro, dia 1, Alessandra Leão, Caçapa e Kiko Dinucci, farão show antes da festa "La Tabaquera".
Ah! tem também as "Fertinha".
Ontem só as mulheres cantaram no Mambembe: Elis, Angela Ro Ro, Nana, Aretha Franklin, SarahVaughan. Billie, Diana Pequeno, Beth Carvalho, Clara Nunes, Vania Bastos, Clementina, Jovelina, Rita Lee, Maria Alcina, Anita O'Day, Ella, Nina Simone, Gal, Simone, Elizeth, Mercedes Sosa, Violeta Parra, Piaf, Rosa Passos, Gal, Aparecida, Marina Lima, Nara Leão, Cristina, Zezé Mota, Miucha, Fátima Guedes, com as participações especiais de Eumir Deodato, Serguei e Passo Torto.
Valeu.

(1) Bicudos = jovens. É como uma amiga classifica os jovens, tal qual a praga do algodão, estão em todos os lugares e tomam conta de todos os bares.





Valeu Levi.







quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Anticomputador Sentimental - discotecagem analógica

Por Marcus Vinicius

E agora?
A Dora me chamou: quer botar vinil no Mambembe? Respondi que se aceitasse estaria em impedimento. Ela não entendeu.
Expliquei: no Mambembe só tem "menino e menina" e eu estaria muito à frente da linha dos zagueiros.
Mas, e sempre tem um, aceitei. É hoje a estreia.
Ps - Neste campo, do suporte vinil, meu "chefe" é Alan Morais.


terça-feira, 27 de março de 2012

Ivan Lessa: A volta do vinil



Um grande jornalista. Foi da turma do Pasquim. Vive em Londres há anos. O texto é de 2005. 

Para Alan Morais


Por Ivan Lessa

Era um ritual simples e gostoso. Você tirava o bichinho da capa, punha no prato da vitrola, pegava a pequena alavanca do braço (ou pick-up), virava para o lado que queria (78 ou 33 e 45) e, com cuidado, deixava pousar no sulco do disco.

Daí ficava curtindo o som gordo e amigo. E, às vezes tinha uns estalinhos ou chiado. Igualzinho à vida. E tome polca, com ou sem Adelaide Chiozzo. Ou valsa, samba, chorinho, fox-trot, Bach, Beethoven, Mozart.

Nessa desordem que chamam de progresso, se fué o vinil. Digitalizamo-nos. Viramos vítimas das “armas espertas” daqueles que manobram a tecnologia das indústrias.

Fomos invadidos como um Iraque e nos deram até o relativíssimo poder de decidir nossa constituição. Contanto, é lógico, que não fosse analógica e em vinil.

Não satisfeitos, tacaram o MP3. Nome que bem define o torpedo arrasador que nos acabou com a vida. Nem vou falar das capas dos LPs. Uma arte que também acabou.

Capinhas dos 45 rotações, agora chamados de singles, como corretores safados registrados com nome falso em motel, também dava para virar arte. Bastaria imaginação e engenho.

Tudo acabado, como cantava Dalva de Oliveira. Mas acabado mesmo?

Não é o que informa a BPI, ou seja, a Indústria Fonográfica Britânica (eles morrem de vergonha desse “fonográfica”). O vinil está voltando. Feito Madonna, para ficar numa comparação desagradável porém inteligível ao grande público.

Dizem os números que as vendas dos singles aumentaram em 87,3%. E mencionam o cidadão Paul Weller que vendeu 55,44% em CD e 38,56% em vinil. Que bom para o vinil. Tanto se me dá o tal de Weller.

Por fim, a HMV, a maior rede de lojas de discos do Reino Unido, vem se gabando de que nunca vendeu tanto vinil quanto neste ano, agora, neste século que nos põe para rodar na vitrola. Ou fonógrafo. Ou toca-discos. Ou aparelho de som. Qualquer coisa. Contanto que seja em vinil.

Um dia, ainda chegaremos a Artie Shaw, Charlie Parker, Sarah Vaughan, por aí. Tudo em vinil.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/11/051130_ivanlessa.shtml