Manifesto do Fórum pela Vida no Semiárido da Microrregião de Sobral
Queremos no semiárido/Terra livre do patrão
Água descentralizada/Servindo a população
Estocando o que comer/Todo mundo irá viver
Sem seca e sem precisão
Reunidos no dia 19 de abril de 2013, com a participação, de 12 municípios, oFórum pela Vida no Semiárido da Microrregião de Sobral se manifesta profundamente contra a forma pela qual o governo vem tratando as ações paliativas e emergenciais em relação à seca enfrentada na nossa região e no nosso estado.
A escuta da realidade dos municípios demonstram que:
- A produção de legumes será de perda total por falta chuvas ou irregularidade das mesmas;
- Os recursos propagados pelo governo não estão chegando às comunidades que enfrentam escassez de água e de alimentos para os animais e as pessoas;
- A aquisição do milho distribuído pela CONAB tem sido uma verdadeira humilhação para os agricultores/as, pois a maioria dos que estão cadastrados não receberam e aqueles/as que tiveram acesso foram mal atendidos;
- Há um número muito pequeno de aprovação de projetos (PRONAF estiagem) através do Banco do Nordeste bem como a demora para a liberação dos recursos;
- As demandas de poços profundos que já foram alocados não tem atendido a real necessidade da população e ao mesmo tempo existem muitos poços que precisam apenas de concertos de bombas e isso não é feito;
- Os carros pipas que ainda são poucos e às vezes chegam atrasados, levam água pra o consumo humano por vezes imprópria para o consumo e ainda falta água pra lavar roupa, tomar banho e pra os animais beberem;
- Tem carro pipa parado por que não recebem pagamentos de serviços prestados e têm famílias comprando uma carrada de água por R$ 180,00;
- Há politicagem com carro pipa para atender mais aos cabos eleitorais que estimulam a violência, as intrigas e divergências entre as famílias camponesas e isso é um reforço da indústria da seca;
- Os municípios de Marco, Morrinhos, Bela Cruz, Senador Sá e Uruoca não estão segundo o Ministério da Integração Nacional dentro do Semiárido Legal, mas estão vivenciando as mesmas realidades de escassez de outros municípios, portanto reivindica-se que possam ser contemplados com as medidas emergenciais.
- Os alimentos básicos que os camponeses produzem (farinha, feijão e milho) estão caros e acima do poder de compra;
- Somos contra e lamentamos a imposição do governo em impor a oferta de cisternas de plásticos em dois municípios (Alcântara e Meruoca) da nossa região. Uma vez que o valor de da cisterna de plástico é três vezes maior do que as cisternas de placas, considerando ainda que não existe mobilização social com as famílias e nem gera empregos para agricultores/as pedreiros/as das comunidades;
- Os programas sociais (Bolsa Família, Brasil Carinhoso, Seguro Safra, Bolsa Estiagem) não dão conta da garantia de direitos básicos das famílias a sobreviverem frente ao período de seca existente e ainda existem famílias em situação mais graves, pois não recebem estes benefícios;
- As áreas dos perímetros irrigados estão nas mãos dos fazendeiros ou comerciantes e precisa-se se fazer um recadastramento pelo DNOCS para que os mesmos fiquem para os agricultores/as familiares;
- Os reservatórios de grande porte (açudes, barragens) ainda estão com um aproximadamente de 35% de suas capacidades, portanto são águas centralizadas;
- A demanda por Cisternas de placas para consumo humano ainda é grande, principalmente para segunda água (água para produzir).
- As cisternas de placas facilitaram e muito a vida da população, pois tem sido os únicos reservatórios para receber água fornecida pelos carros pipas;
- Precisa-se ter um programa de incentivo ao trabalho de preservação das sementes crioulas através da implantação de casas de sementes comunitárias a luz de onde já existe.
Repudiamos que o termo usado pelo governo de “combate a seca” é impróprio, pois as ações e tecnologias de Convivência com o Semiárido implementadas pela Articulação do Semiárido Brasieliro – ASA já demonstrou para toda sociedade, inclusive para o governo que a seca não é dragão para se combater e sim um fator climático propriamente do Semiárido e desse modo, exige-nos um novo olhar e a construção de iniciativas para convivermos com ele.
Por isso, entendemos que a situação de pobreza não é causada pelo fator climático, mas principalmente pela falta de uma política contextualizada que possa trabalhar os potenciais locais, descentralizar a terra e a água, pensar o desenvolvimento a partir das vocações existentes e, acima de tudo, compreender as que ações estruturantes de Convivência com o Semiárido criando uma nova cultura de condições sustentáveis para nossa região.
Nesse sentido as cisternas de placas para consumo humano, cisternas calçadão e enxurradas para produção, barragens subterrâneas, quintais produtivos, tanque de pedra, bomba d’água popular, barreiros tricheiras, mandalas, sistemas agroflorestais, casas de sementes, poços profundos, olhos d‘água, hortas comunitárias, criação de pequenos animais, plantação de forrageiras tem sido meios que os agricultores/as relatam está servindo e garantindo uma vida melhor nos sertões da região de Sobral.
Reivindicamos uma resposta concreta para suprir a realidade desde o compromisso político até as comunidades serem beneficiadas pelos programas paliativos e ressaltamos que o compromisso do nosso Fórum é lutar para que as ações emergenciais possam dar continuidade na forma de políticas institucionais permanentes que garantam segurança hídrica e alimentar, incentivando o uso de tecnologias adaptadas à realidade climática da nossa região em vista de um semiárido democrático e sustentável para todos/as.
Sobral, 19 de abril de 2013
FÓRUM PELA VIDA NO SEMIÁRIDO DA MICRORREGIÃO DE SOBRAL
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quarta-feira, 24 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
Foi Deus Quem Me Deu (ou: diálogos com o Deus da prosperidade)
Por Rogério Lama
Chico Mãozinha, agricultor da comunidade do Arisco em Quixadá, Sertão Central cearense, escreve num papel de pão uma solicitação de audiência com Deus. Amarra a missiva à um pequeno seixo, o apruma em sua baladeira e atira pra cima. Com os olhos castigados de tanta luz, vigia o solo seco ao seu redor. A pedra não volta. Afia os ouvidos à espera de ouvi-la cair no chão esturricado. Nada, também. Tudo o que se ouvia eram alguns pássaros brigando por um pedaço de sombra no único pé de algaroba que havia ali.
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| Foto de Wagner Viana |
- Essa pedra é sua?
- Não. É do rio que secou. O que era meu estava amarrado nela.
- Isso aqui? – diz estendendo a outra mão e mostrando um papel cor de terra.
- É, sim senhor. Quebrou seu telhado?
- Não. Recebi isso de um encarregado na hora do almoço.
- Ahn... e o que o senhor quer, então?
- Sou eu quem lhe pergunta. Não querias uma audiência comigo?
- E o senhor é Deus, por acaso?
- Sim, mas não me peça milagres como prova. Acho isso um saco.
- Omi... marrapaiz... me deixe pelo menos lavar o rosto. Já volto! O senhor quer uma aguazinha de pote?
- Traga quando voltar.
- Pegue. Sente-se, por favor!
- Hmm... boa, essa espreguiçadeira...
- É o seguinte, Seu Deus: a cada vez que vou à cidade vejo mais carros com um adesivo que diz “FOI DEUS QUEM ME DEU!”. É cada carrão com vento gelado no lado de dentro! Já aqui no sertão a gente rala os joelhos toda noite pedindo água ao senhor. Mas até agora nada.
- Bom, err...
- Deixa só eu terminar, Seu Deus. Eu vou repetir: Só pedimos água! O resto é por nossa conta. Então a gente aqui do Arisco queria saber como é que faz pra conseguir a graça que o povo da cidade tá alcançando.
- Olha, Chico, você vê jornal?
- Só almoço assistindo o Barra.
- Não, eu me referia ao... esquece isso. Deixa te explicar: com a isenção temporária de IPI, sai muito mais em conta doar automóveis. A água até que tem seus incentivos fiscais, mas tem uma logística muito cara. Veja: carros-pipa e adutoras são equipamentos bem dispendiosos. Além do que fica mais difícil colar adesivos em minha honra.
- Nossa... esse cálculo deve ser fruto da sua infinita benevolência e sabedoria. É provavelmente por isso que eu não esteja entendendo.
- O que você precisa entender, Chico, é que os automóveis são bens de alto valor agregado! Fábricas de carros geram inúmeros empregos para servos que se espalham numa cadeia produtiva. E cada servo desse aguarda o dia em que eu coloque em sua vida a graça de receber um automóvel, entendeu?
- Sim... err... não. Não entendi. Afinal de contas o senhor dá ou as pessoas trabalham pra comprar o carro?
- Bom... é um trato do tipo “uma mão lava a outra”, sacou?
- Mais ou menos... mas o caso é que eu não preciso de um carro. Preciso de água, senão vou perder todas as sementes que plantei.
- Ô Chico, assim você está dificultando as coisas! Serve uma mansão com quadra de tênis na Serra do Estevão?
- Olha, eu não preciso de uma, mas... tá bom. Eu aceito a casa na serra. Ainda que eu já tenha minha casinha no Arisco.
- Deixa de ser bobo, Chico! Você vai triturar o povo de tanta inveja! Já pensou? Sua casa de muro alto e cerca elétrica com os dizeres: “FOI DEUS QUEM ME DEU”! Quanta gente vai querer ser como você! Todos perguntarão como fez pra conseguir!
- Não tinha pensado nisso, Seu Deus. Como eu faço pra alcançar o benefício?
- Ah! Agora vem a parte boa! Você precisa ir numa igreja. Lá chegando você diz que quer renunciar ao que é mundano e vai entregar ao pastor o documento dessa terra imprestável.
- Como assim? Minha terrinha? Com a casa? Minhas criações e tudo?
- É, Chico. Tudo.
- Mas eu vou morar aonde, Seu Deus?
- Ai é que está a sacada! Você vai viver na carne o que está nos escritos sagrados. Você vai ser exemplo para toda a humanidade com sua história de humildade e desapego, e a igreja vai ficar entupida de fiéis, e com mais dinheiro, mais riqueza, mais ostentação e...
- E depois de estar na rua, o que eu faço?
- Ai eu vou... eu vou... te eleger vereador de Quixadá! Em 6 meses você comprará sua mansão na serra e pintará o muro em letras garrafais que fui eu quem te deu.
-É pra isso que serve vereador?
- Não, exatamente. Mas essa é a ética do mercado.
-Hmm... até ai eu entendi. Mas senhor, se eu serei exemplo de desapego enquanto estiver na miséria, eu deixarei de sê-lo quando comprar minha mansão, não é?
- É.
- Mas o senhor havia dito que quando eu tivesse a minha mansão, todos iriam querer ser como eu. Que exemplo o senhor quer que eu dê, afinal?
- Que mania essa sua de complicar as coisas, Chico! Lembra que te expliquei sobre a cadeia produtiva? Pois é! É legal ser miserável e tal. Fica bonito na foto e tudo mais. Lembra do ex-ministro Rafael Greca, que disse que havia “lirismo na miséria”? Pois é, é bem por ai. Só que isso não dá emprego pros meus servos nas fábricas. Assim, o desejo do supérfluo é o que mantém o emprego de gente sem estudo como você!
- Ahnn... mas tem um evangelista que narrou Jesus dizendo que o reino dele não é deste mundo. Se assim é, como pode a riqueza material ter tanta importância pro senhor?
- Olha, essas declarações já me deram uma dor de cabeça danada. Vamos fazer assim: dorme bem essa noite que ela é a última que você passa aqui. Amanhã cedo leva a escritura dessas terras pra igreja e chore cheio de remorso pra impressionar todo mundo com a sua renúncia. FUI!
E assim, Chico Mãozinha seguiu a risca o que Deus lhe ordenou e na eleição seguinte se elegeu vereador. Comprou sua mansão na Serra do Estevão com quadra de tênis, pintando bem grande no muro “FOI DEUS QUEM ME DEU!”. Queria ser justo. Fazia parte do trato.
Naquele entardecer, do alto da sua mansão observou as localidades do Arisco, Califórnia e Palmares. Continuavam secos e sem perspectiva. Pela manhã desceu a serra com a escritura da mansão sob o braço e a trocou pela sua antiga fazendinha e com o que sobrou, comprou 1.200 cisternas de placa pra espalhar pelas terras que viu lá de cima.
domingo, 11 de novembro de 2012
Seca Terrívi
Por Ana Mary C. Cavalcante
O que técnicos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) classificam como a sexta pior seca, ocorrida no Estado desde 1958, pode ser medido em pessoas e lugares. Os últimos dados da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Ceará, atualizados em fins de setembro, revelam: 1.884.338 pessoas, moradoras dos 178 municípios que declararam estado de emergência, foram afetadas pela estiagem de 2012. Apenas seis cidades cearenses não compõem este mapa.
Perdas agrícolas e dificuldade de acesso à agua traçam o retrato dos atingidos. A quantidade de chuva, entre janeiro e maio (período demarcado como a “quadra chuvosa”), ficou abaixo da média – entre 33% e 54% negativos - em todas as macrorregiões do Ceará, observou a Funceme.
Foram 352,1 milímetros registrados, colocando 2012 no ranking das piores estiagens desde quando a Funceme iniciou o monitoramento, relata o meteorologista Paulo José dos Santos: 1958 – 230 milímetros, 1998 – 270 milímetros, 1993 – 290 milímetros, 1983 – 315 milímetros e 2010 – 320,7 milímetros.
Somando relatórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), calcula-se em 69,37% as perdas na safra total. A SDA avaliou a produção de grãos em sequeiro (oleaginosas, cereais e leguminosas), típica do semiárido, e mandioca, entre janeiro e julho – o tempo da safra de 2012.
“Dos 182 municípios avaliados - considerando a safra de grãos e mandioca - 166 sofreram perdas maiores que 50%. Destes, 87 sofreram perdas acima de 80%”, sublinha o 13º relatório “Situação da Safra Agrícola de Sequeiro” (SDA). Colheu-se menos 85,85% do que se esperava. Em síntese, deu-se a “pior safra dos últimos 17 anos”.
Os sertões de Inhamuns/Crateús e de Canindé, o Vale do Jaguaribe e Sobral estão entre as regiões mais afetadas pela seca de 2012. E quando a plantação morre de sede, o homem padece com a fome: Crateús (74.249 atingidos), Crato (65 mil atingidos), Tauá e Cascavel (37.667 atingidos, cada) espelham os cidadãos da estiagem.
O que técnicos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) classificam como a sexta pior seca, ocorrida no Estado desde 1958, pode ser medido em pessoas e lugares. Os últimos dados da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Ceará, atualizados em fins de setembro, revelam: 1.884.338 pessoas, moradoras dos 178 municípios que declararam estado de emergência, foram afetadas pela estiagem de 2012. Apenas seis cidades cearenses não compõem este mapa.
Perdas agrícolas e dificuldade de acesso à agua traçam o retrato dos atingidos. A quantidade de chuva, entre janeiro e maio (período demarcado como a “quadra chuvosa”), ficou abaixo da média – entre 33% e 54% negativos - em todas as macrorregiões do Ceará, observou a Funceme.
Foram 352,1 milímetros registrados, colocando 2012 no ranking das piores estiagens desde quando a Funceme iniciou o monitoramento, relata o meteorologista Paulo José dos Santos: 1958 – 230 milímetros, 1998 – 270 milímetros, 1993 – 290 milímetros, 1983 – 315 milímetros e 2010 – 320,7 milímetros.
Somando relatórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), calcula-se em 69,37% as perdas na safra total. A SDA avaliou a produção de grãos em sequeiro (oleaginosas, cereais e leguminosas), típica do semiárido, e mandioca, entre janeiro e julho – o tempo da safra de 2012.
“Dos 182 municípios avaliados - considerando a safra de grãos e mandioca - 166 sofreram perdas maiores que 50%. Destes, 87 sofreram perdas acima de 80%”, sublinha o 13º relatório “Situação da Safra Agrícola de Sequeiro” (SDA). Colheu-se menos 85,85% do que se esperava. Em síntese, deu-se a “pior safra dos últimos 17 anos”.
Os sertões de Inhamuns/Crateús e de Canindé, o Vale do Jaguaribe e Sobral estão entre as regiões mais afetadas pela seca de 2012. E quando a plantação morre de sede, o homem padece com a fome: Crateús (74.249 atingidos), Crato (65 mil atingidos), Tauá e Cascavel (37.667 atingidos, cada) espelham os cidadãos da estiagem.
“Temos uma insegurança alimentar e hídrica maior. O Estado não produz o que é necessário para seu consumo”, avalia Marcus Vinícius de Oliveira, diretor técnico do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria (ONG atuante no semiárido cearense desde 1974).
Ele explica que a insegurança hídrica está na baixa dos reservatórios – açudes ou cisternas. Já a insegurança alimentar vem anexa à alta nos preços dos alimentos. E o agricultor passa a comprar o que não conseguiu produzir, como o milho e o feijão. “E há uma descapitalização grande, quando ele vende os animais que serviam de ‘poupança’”.
Entre perdas e danos, de algum modo salvaram-se todos por uma convivência renovada com a seca. “Políticas assistencialistas”, relaciona o especialista, “diminuíram o impacto social” da estiagem no Ceará. Não se veem mais as levas de retirantes ou os múltiplos saques dos famintos, literariamente retratados por jornalistas e escritores.
“A previdência social chega ao campo, no fim da década de 90. Fernando Henrique começa o programa de transferência de renda e o Lula prosseguiu. Isso mudou o perfil no campo e diminuiu a vulnerabilidade dessas pessoas”, aponta Marcus Vinícius. Ao passo em que avançam projetos de boa convivência com o semiárido – como Um milhão e cisternas e P1 +2, uma terra e duas águas. “Outra questão é a ambiental, os agricultores já têm como preocupante. O cuidado com seu espaço aumentou. E a água é vista como um bem”, completa.
Hoje a desesperança do sertanejo não é, necessariamente, anunciada pelo mau tempo. “Os programas (pautados por editais) não têm continuidade. É necessário que se tornem mais permanentes, de longo prazo, para saber onde queremos chegar”, considera o diretor técnico do Esplar.
O problema ainda é resolvido com paliativos. Até setembro deste ano, a Defesa Civil do Estado recebeu R$ 10 milhões do Governo Federal para realizar a distribuição de água por carros-pipa. Outros R$ 13 milhões foram para a limpeza de poços profundos, soma Ioneide Araújo, assistente técnica da Defesa Civil.
O Ceará tem 94 municípios inscritos no Programa de Distribuição de Água – Operação Pipa, de acordo com informações da Seção de Comunicação Social da 10ª Região Militar. O programa é desenvolvido com 679 carros-pipa e atende a 720.412 pessoas.
Ele explica que a insegurança hídrica está na baixa dos reservatórios – açudes ou cisternas. Já a insegurança alimentar vem anexa à alta nos preços dos alimentos. E o agricultor passa a comprar o que não conseguiu produzir, como o milho e o feijão. “E há uma descapitalização grande, quando ele vende os animais que serviam de ‘poupança’”.
Entre perdas e danos, de algum modo salvaram-se todos por uma convivência renovada com a seca. “Políticas assistencialistas”, relaciona o especialista, “diminuíram o impacto social” da estiagem no Ceará. Não se veem mais as levas de retirantes ou os múltiplos saques dos famintos, literariamente retratados por jornalistas e escritores.
“A previdência social chega ao campo, no fim da década de 90. Fernando Henrique começa o programa de transferência de renda e o Lula prosseguiu. Isso mudou o perfil no campo e diminuiu a vulnerabilidade dessas pessoas”, aponta Marcus Vinícius. Ao passo em que avançam projetos de boa convivência com o semiárido – como Um milhão e cisternas e P1 +2, uma terra e duas águas. “Outra questão é a ambiental, os agricultores já têm como preocupante. O cuidado com seu espaço aumentou. E a água é vista como um bem”, completa.
Hoje a desesperança do sertanejo não é, necessariamente, anunciada pelo mau tempo. “Os programas (pautados por editais) não têm continuidade. É necessário que se tornem mais permanentes, de longo prazo, para saber onde queremos chegar”, considera o diretor técnico do Esplar.
O problema ainda é resolvido com paliativos. Até setembro deste ano, a Defesa Civil do Estado recebeu R$ 10 milhões do Governo Federal para realizar a distribuição de água por carros-pipa. Outros R$ 13 milhões foram para a limpeza de poços profundos, soma Ioneide Araújo, assistente técnica da Defesa Civil.
O Ceará tem 94 municípios inscritos no Programa de Distribuição de Água – Operação Pipa, de acordo com informações da Seção de Comunicação Social da 10ª Região Militar. O programa é desenvolvido com 679 carros-pipa e atende a 720.412 pessoas.
"MAS DOUTÔ UMA ESMOLA / A UM HOMEM QUI É SÃO / OU LHE MATA DE VERGONHA OU VICIA O CIDADÃO / É POR ISSO QUE PIDIMO PROTEÇÃO A VOSMICÊ / HOME PUR NÓIS ESCUÍDO PARA AS RÉDIAS DO PUDÊ - “VOZES DA SECA”
A QUENTURA DO MAR
Os meses de fevereiro a maio compreenderam a estação chuvosa de 2012 no Ceará, demarca a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O déficit de chuva que caracterizou a sexta pior seca dos últimos 54 anos tem influência da temperatura dos oceanos Atlântico (Sul e Norte) e Pacífico. O aquecimento e o resfriamento dos oceanos, combinados a outros fatores naturais (como a geografia local), resultam em menos, ou mais chuvas para a região, sintetiza Paulo José dos Santos, meteorologista da Funceme.
“Anos de El Niño são mais secos (ao contrário do fenômeno La Niña, quando há um resfriamento da temperatura do Pacífico)”, traça o meteorologista, em linhas gerais. Este ano, observa, o Atlântico Sul estava neutro, o Norte foi aquecido e o Pacífico apresentou La Niña fraca. “São eles (oceanos) que determinam se a estação vai ser chuvosa ou seca. Não tem uma periodicidade certa, há indícios. O período é irregular, não tem uma causa certa”, explica Paulo José.
Os meteorologistas esperam, então, uma resposta do Pacífico sobre a previsão para 2013. “Em dezembro (quando é possível perceber resfriamento ou aquecimento da sua temperatura), já pode ser determinado. Ainda é muito cedo”, conclui Paulo.
A QUENTURA DO MAR
Os meses de fevereiro a maio compreenderam a estação chuvosa de 2012 no Ceará, demarca a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O déficit de chuva que caracterizou a sexta pior seca dos últimos 54 anos tem influência da temperatura dos oceanos Atlântico (Sul e Norte) e Pacífico. O aquecimento e o resfriamento dos oceanos, combinados a outros fatores naturais (como a geografia local), resultam em menos, ou mais chuvas para a região, sintetiza Paulo José dos Santos, meteorologista da Funceme.
“Anos de El Niño são mais secos (ao contrário do fenômeno La Niña, quando há um resfriamento da temperatura do Pacífico)”, traça o meteorologista, em linhas gerais. Este ano, observa, o Atlântico Sul estava neutro, o Norte foi aquecido e o Pacífico apresentou La Niña fraca. “São eles (oceanos) que determinam se a estação vai ser chuvosa ou seca. Não tem uma periodicidade certa, há indícios. O período é irregular, não tem uma causa certa”, explica Paulo José.
Os meteorologistas esperam, então, uma resposta do Pacífico sobre a previsão para 2013. “Em dezembro (quando é possível perceber resfriamento ou aquecimento da sua temperatura), já pode ser determinado. Ainda é muito cedo”, conclui Paulo.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/planetaseca/2012/11/10/noticiasplanetaseca,2951312/seca-terrivi.shtml
domingo, 29 de abril de 2012
Convivência com o semiárido
Via Marcelo Pinheiro
Imagens do satélite Meteosat-9, via Universidade Federal de Alagoas, mostram a situação da seca no nordeste nas áreas em vermelho.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/29/imagens-de-satelite-mostram-80-do-semiarido-nordestino-afetado-por-maior-seca-em-30-anos.htm
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| à esquerda abril de 2011 - à direita abril de 2012 |
Imagens do satélite Meteosat-9, via Universidade Federal de Alagoas, mostram a situação da seca no nordeste nas áreas em vermelho.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/29/imagens-de-satelite-mostram-80-do-semiarido-nordestino-afetado-por-maior-seca-em-30-anos.htm
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