Por Marvioli
Tomei conhecimento do livro através de indicação da revista Continente, pernambucana, dedicada a cultura.
"Uma lei para a História, a legalização do aborto na França" de Simone Veil.
"Em novembro de 1974, Simone Veil, então ministra da saúde, discursou na Assembleia Nacional Francesa, defendendo projeto de lei que legalizava o aborto, que naquela época obrigava cerca de 300 mil mulheres a procurarem saídas clandestinas, humilhantes e perigosas para interromper a gravidez indesejada."
"enfrentando com firmeza uma oposição virulenta, Simone Veil garantiu esse importante direito às mulheres na França."
"Após cerca de 25 horas de intenso debate,com intervenção de 74 oradores, a lei que autoriza o aborto é aprovada pela Assembleia francesa, no dia 29 de novembro de 1974, por 284 votos contra 189."
No senado a votação foi mais tranquila, 184 votos a favor e 90 contra.
O discurso de Simone na Assembleia Nacional Francesa é uma beleza de conteúdo, convencimento e tática.
"Eu sabia - até mesmo pela correspondência recebida - que os ataque seriam vigorosos, já que o tema contrariava convicções filosóficas e religiosas sinceras. Mas eu não imaginava o ódio que suscitaria, a monstruosidade do discurso de certos parlamentares, nem sua grosseria contra mim. Uma linguagem de caserna. Pois, ao que parece, ao abordar esse tipo de teme, e diante de uma mulher, certos homens lançam mão espontaneamente de um discurso saturado de machismo e vulgaridade."
"As deputadas eram bem poucas! E nem todas foram favoráveis à lei. Mas nenhuma lançou mão de palavras duras. E me lembro do apoio corajoso de Hélène Missoffe, mãe de oito filhos, e igualmente exposta, no meio da Assembleia, a discursos desagradáveis."
Os achados que me trouxe o livro.
"Eleito, Valéry Giscard d'Estaing se pronuncia claramente a favor de uma liberalização do aborto, chega a empenhar toda a sua autoridade e impõe a reforma a seu primeiro-ministro Jacques Chirac, que é hostil a ela."
Simone é convidada para o Ministério da Saúde e o projeto é elaborado por este ministério.
Lembremos que o governo Giscard d'Estaing e de seu primeiro-ministro Jacques Chirac, era um governo conservador, digamos de centro-direita.
Simone, politicamente, também se aninhava, neste espectro.
Nascida em 1927, judia, viveu em campo de concentração, feminista. Foi fundamental na aprovação da lei em 1974.
E termina assim seu discurso:
"Não faço parte dessas pessoas que temem o futuro. As novas gerações nos surpreendem, às vezes, por serem tão diferentes de nós; nós mesmo as educamos de maneira distinta da que fomos educados. Mas essa juventude é corajosa, tão capaz quanto as outras de entusiasmo e sacrifício. Saibamos confiar nela para conservar à vida seu valor supremo."
Serviço:
UMA LEI PARA A HISTÓRIA a legalização do aborto na França
Simone Veil
Ed. Bazar do Tempo
Preço R$ 35,00
Mostrando postagens com marcador Aborto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aborto. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 16 de maio de 2019
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Xeque-Mate - Edu Krieger
XEQUE-MATE (Edu Krieger)
Diz aí o que é pior
Legalizar o aborto
Ou saber que aquele menor
Pela mão do sistema também vai ser morto
Eis aí o xeque-mate
Legalizar o entorpecente
Ou saber que o tráfico abate
A cada minuto mais um inocente
Quando ela engravidou
Não tinha a menor condição
Pois aquele pequeno embrião
Jamais poderia ganhar seu amor
Ela então procurou o doutor
Mas a clínica é clandestina
A polícia invadiu dando show
“Você não é mãe, você é assassina”
E o apresentador
Do programa da televisão
Aplaudiu a polícia e gritou
“Quem faz um aborto é filho do cão”
O recém-deputado-pastor
Que foi recorde na votação
Disse ao povo que Deus dá a vida
E mãe homicida não ganha perdão
E nasceu mais um coitado
Apanhando da mãe todo dia
E a mulher toda hora dizia
“Se fosse por mim eu teria abortado”
O moleque cresceu sem afeto
Do seu pai nunca teve notícia
Desprezado desde que era feto
Com medo da mãe e também da polícia
Quando fez quatorze anos
Já sabia o que é ser vida louca
E fazia um monte de planos
Queria um dia ser dono da boca
Quando a guerra sangrenta estourou
Contra a forte facção rival
Uma bala perdida encontrou
Um pacato senhor que olhava o jornal
Nunca usou droga nenhuma
Era exemplo de pai de família
Mas a bala de quem engatilha
Atinge também quem não cheira nem fuma
A polícia cercou a favela
Foi porrada pra tudo que é lado
Gente de bem que também mora nela
Acaba pagando por ser favelado
Quatro mortos, três feridos
Novo saldo da guerra do pó
A polícia caçando bandidos
Às vezes atira sem mira e sem dó
Mas a bala não é de borracha
Nem é bomba de efeito moral
E ainda tem muita gente que acha
Que nesse país todo mundo é igual
E aquele adolescente
Que a mãe não queria gerar
Exibia o fuzil HK
E atirava em tudo que via na frente
De repente foi surpreendido
Por um tiro calibre 40
Seu esquálido corpo caído
Entrou num processo de síncope lenta
E o apresentador
Do programa da televisão
Aplaudiu a polícia e gritou
“Quem é traficante é filho do cão”
Quando a mãe chegou perto pra ver
O desfecho do filho bandido
Ouviu dele antes de morrer:
“Eu preferia jamais ter nascido”
Diz aí o que é pior
Legalizar o aborto
Ou saber que aquele menor
Pela mão do sistema também vai ser morto
Eis aí o xeque-mate
Legalizar o entorpecente
Ou saber que o tráfico abate
A cada minuto mais um inocente
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Xeque-Mate - Edu Krieger
XEQUE-MATE (Edu Krieger)
Diz aí o que é pior
Legalizar o aborto
Ou saber que aquele menor
Pela mão do sistema também vai ser morto
Eis aí o xeque-mate
Legalizar o entorpecente
Ou saber que o tráfico abate
A cada minuto mais um inocente
Quando ela engravidou
Não tinha a menor condição
Pois aquele pequeno embrião
Jamais poderia ganhar seu amor
Ela então procurou o doutor
Mas a clínica é clandestina
A polícia invadiu dando show
“Você não é mãe, você é assassina”
E o apresentador
Do programa da televisão
Aplaudiu a polícia e gritou
“Quem faz um aborto é filho do cão”
O recém-deputado-pastor
Que foi recorde na votação
Disse ao povo que Deus dá a vida
E mãe homicida não ganha perdão
E nasceu mais um coitado
Apanhando da mãe todo dia
E a mulher toda hora dizia
“Se fosse por mim eu teria abortado”
O moleque cresceu sem afeto
Do seu pai nunca teve notícia
Desprezado desde que era feto
Com medo da mãe e também da polícia
Quando fez quatorze anos
Já sabia o que é ser vida louca
E fazia um monte de planos
Queria um dia ser dono da boca
Quando a guerra sangrenta estourou
Contra a forte facção rival
Uma bala perdida encontrou
Um pacato senhor que olhava o jornal
Nunca usou droga nenhuma
Era exemplo de pai de família
Mas a bala de quem engatilha
Atinge também quem não cheira nem fuma
A polícia cercou a favela
Foi porrada pra tudo que é lado
Gente de bem que também mora nela
Acaba pagando por ser favelado
Quatro mortos, três feridos
Novo saldo da guerra do pó
A polícia caçando bandidos
Às vezes atira sem mira e sem dó
Mas a bala não é de borracha
Nem é bomba de efeito moral
E ainda tem muita gente que acha
Que nesse país todo mundo é igual
E aquele adolescente
Que a mãe não queria gerar
Exibia o fuzil HK
E atirava em tudo que via na frente
De repente foi surpreendido
Por um tiro calibre 40
Seu esquálido corpo caído
Entrou num processo de síncope lenta
E o apresentador
Do programa da televisão
Aplaudiu a polícia e gritou
“Quem é traficante é filho do cão”
Quando a mãe chegou perto pra ver
O desfecho do filho bandido
Ouviu dele antes de morrer:
“Eu preferia jamais ter nascido”
Diz aí o que é pior
Legalizar o aborto
Ou saber que aquele menor
Pela mão do sistema também vai ser morto
Eis aí o xeque-mate
Legalizar o entorpecente
Ou saber que o tráfico abate
A cada minuto mais um inocente
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
"O acto sexual é para ter filhos - diz ele"
Por Natália Correia
"O acto sexual é para ter filhos - diz ele"
Já que o coito — diz Morgado —
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou — parca ração! —
uma vez. E se a função
faz o órgão — diz o ditado —
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
Natália Correia em resposta a João Morgado, deputado da bancada parlamentar do CDS (Portugal), no debate sobre a legalização do aborto, no dia 3 de Abril de 1982.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
O conservadorismo na Câmara de Fortaleza
por Meiry Coelho
No artigo passado, chamei a atenção para o Projeto de Lei 223/2012, de autoria do atual presidente da Câmara de Fortaleza, que tem como objetivo instituir no calendário oficial da cidade a Marcha pela Vida e Contra o Aborto. É dele também a proposta de transmitir na TV Pública Legislativa missas e cultos, denotando que conduzirá seu mandato por princípios morais e religiosos, negando o caráter laico do Estado brasileiro e da Constituição Federal.
O PL 223/2012, por exemplo, resulta da articulação de grupos conservadores e está tramitando na Câmara Municipal de forma privada, sem permitir o acompanhamento da sociedade civil.
Não há informação na Procuradoria Municipal e o site da Câmara não permite o acompanhamento do projeto.
É inegável o interesse do Movimento Provida e dos grupos conservadores entranhados na cena política municipal no trabalho da Comissão Especial para a Reforma do Código Penal Brasileiro, especificamente no que concerne ao artigo 128 de descriminalização dos casos de interrupção da gravidez que “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”.
Embora compreenda a proposta como tímida, é, sem dúvida, um avanço, exigindo do prefeito de Fortaleza o apoio ao debate e o imediato veto ao PL 223/2012. Apoiar esta marcha é reforçar o grau de hipocrisia com o qual o aborto é tratado no Brasil, pois a grande maioria das/dos brasileiras/os já viveu e compartilhou alguma situação envolvendo a decisão ou o apoio a uma mulher que realizou o aborto. O que fica patente é a existência de uma dupla moral, a que marcha e condena o aborto, e a outra tolerante quando o assunto está no âmbito privado. Ao Município cabe combater a mortalidade materna, normatizar e qualificar o serviço público de saúde para melhor conhecer e atender as mulheres quando abortam, jamais a criminalização ou o apoio à perseguição feita por grupos conservadores e religiosos.
No artigo passado, chamei a atenção para o Projeto de Lei 223/2012, de autoria do atual presidente da Câmara de Fortaleza, que tem como objetivo instituir no calendário oficial da cidade a Marcha pela Vida e Contra o Aborto. É dele também a proposta de transmitir na TV Pública Legislativa missas e cultos, denotando que conduzirá seu mandato por princípios morais e religiosos, negando o caráter laico do Estado brasileiro e da Constituição Federal.
O PL 223/2012, por exemplo, resulta da articulação de grupos conservadores e está tramitando na Câmara Municipal de forma privada, sem permitir o acompanhamento da sociedade civil.
Não há informação na Procuradoria Municipal e o site da Câmara não permite o acompanhamento do projeto.
É inegável o interesse do Movimento Provida e dos grupos conservadores entranhados na cena política municipal no trabalho da Comissão Especial para a Reforma do Código Penal Brasileiro, especificamente no que concerne ao artigo 128 de descriminalização dos casos de interrupção da gravidez que “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”.
Embora compreenda a proposta como tímida, é, sem dúvida, um avanço, exigindo do prefeito de Fortaleza o apoio ao debate e o imediato veto ao PL 223/2012. Apoiar esta marcha é reforçar o grau de hipocrisia com o qual o aborto é tratado no Brasil, pois a grande maioria das/dos brasileiras/os já viveu e compartilhou alguma situação envolvendo a decisão ou o apoio a uma mulher que realizou o aborto. O que fica patente é a existência de uma dupla moral, a que marcha e condena o aborto, e a outra tolerante quando o assunto está no âmbito privado. Ao Município cabe combater a mortalidade materna, normatizar e qualificar o serviço público de saúde para melhor conhecer e atender as mulheres quando abortam, jamais a criminalização ou o apoio à perseguição feita por grupos conservadores e religiosos.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Nota da Marcha Mundial de Mulheres
Via Sarah Luiza
Pela descriminalização e legalização do aborto
Hoje, 11 de novembro de 2012, nós, militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, fomos ao aterrinho da Praia de Iracema, em Fortaleza-CE, para mostrarmos a sociedade que também somos a favor da vida. Para mostrarmos nossa indignação à criminalização das mulheres que recorreram à prática do aborto.
Não acreditamos que o aborto é questão de polícia, mas de saúde pública. Ao tratar o aborto como crime, acabamos por contribuir para que milhares de mulheres, em sua maioria negra e pobre, morram.
Tratá-lo como um ato clandestino, preferindo negar a realidade da falta de uma política pública integral de saúde sexual e reprodutiva, tem trazido problemas de saúde física e psicológica para as mulheres, além de risco de morte.
A prática do aborto clandestino é a quinta maior causa de internação hospitalar de mulheres no SUS, responde por 9% das mortes maternas e 25% das causas de esterilidade por problemas tubários. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com seqüelas de aborto.
Tratar as mulheres que por algum motivo acabaram por recorrer à prática do aborto como criminosas não resolverá o problema, pois ao negá-lo continuaremos vendo mulheres sangrando nos corredores dos hospitais sem atendimento, além de serem maltratadas no serviço de saúde pela simples suspeita de terem provocado um aborto.
Não podemos deixar de considerar que na sociedade machista em que vivemos grande parte as mulheres ainda têm pouco autonomia sobre seus corpos, sobre a decisão no uso dos contraceptivos e frente ao desejo da maternidade. Ainda assim são elas que sofrem a acusação de criminosas. Por isso perguntamos “Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”.
Não nos cabe julgar os motivos que fizeram uma mulher buscar o abortamento, nem acreditamos que a questão deva ser tratada a partir de uma perspectiva religiosa. Vivemos em um estado laico que não deve permitir que as religiões definam as leis e se imponham sobre a vida de todas as pessoas.
Precisamos acabar com essa hipocrisia! Muitas mulheres estão morrendo! Defender a vida é defender a legalização do aborto com assistência garantida no Sistema Único de Saúde.
Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer!
Pela descriminalização e legalização do aborto
Hoje, 11 de novembro de 2012, nós, militantes feministas da Marcha Mundial das Mulheres do Ceará, fomos ao aterrinho da Praia de Iracema, em Fortaleza-CE, para mostrarmos a sociedade que também somos a favor da vida. Para mostrarmos nossa indignação à criminalização das mulheres que recorreram à prática do aborto.
Não acreditamos que o aborto é questão de polícia, mas de saúde pública. Ao tratar o aborto como crime, acabamos por contribuir para que milhares de mulheres, em sua maioria negra e pobre, morram.
Essa hipocrisia dá hemorragia
Tratá-lo como um ato clandestino, preferindo negar a realidade da falta de uma política pública integral de saúde sexual e reprodutiva, tem trazido problemas de saúde física e psicológica para as mulheres, além de risco de morte.
A prática do aborto clandestino é a quinta maior causa de internação hospitalar de mulheres no SUS, responde por 9% das mortes maternas e 25% das causas de esterilidade por problemas tubários. Cerca de 60% dos leitos de ginecologia no Brasil são ocupados por mulheres com seqüelas de aborto.
Tratar as mulheres que por algum motivo acabaram por recorrer à prática do aborto como criminosas não resolverá o problema, pois ao negá-lo continuaremos vendo mulheres sangrando nos corredores dos hospitais sem atendimento, além de serem maltratadas no serviço de saúde pela simples suspeita de terem provocado um aborto.
Não podemos deixar de considerar que na sociedade machista em que vivemos grande parte as mulheres ainda têm pouco autonomia sobre seus corpos, sobre a decisão no uso dos contraceptivos e frente ao desejo da maternidade. Ainda assim são elas que sofrem a acusação de criminosas. Por isso perguntamos “Cadê o homem que engravidou? Porque o crime é da mulher que abortou?”.
Não nos cabe julgar os motivos que fizeram uma mulher buscar o abortamento, nem acreditamos que a questão deva ser tratada a partir de uma perspectiva religiosa. Vivemos em um estado laico que não deve permitir que as religiões definam as leis e se imponham sobre a vida de todas as pessoas.
Precisamos acabar com essa hipocrisia! Muitas mulheres estão morrendo! Defender a vida é defender a legalização do aborto com assistência garantida no Sistema Único de Saúde.
Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto seguro para não morrer!
Fortaleza, 11 de novembro de 2012.
Marcha Mundial das Mulheres - Ceará
Marcha Mundial das Mulheres - Ceará
segunda-feira, 26 de março de 2012
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
A questão do aborto
Por Drauzio Varela
Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele. Como consequência, milhões de adolescentes e mães de família que engravidaram sem querer recorrem ao abortamento clandestino, anualmente.
A técnica desses abortamentos geralmente se baseia no princípio da infecção: a curiosa introduz uma sonda de plástico ou agulha de tricô através do orifício existente no colo do útero e fura a bolsa de líquido na qual se acha imerso o embrião. Pelo orifício, as bactérias da vagina invadem rapidamente o embrião desprotegido. A infecção faz o útero contrair e eliminar seu conteúdo.
O procedimento é doloroso e sujeito a complicações sérias, porque nem sempre o útero consegue livrar-se de todos os tecidos embrionários. As membranas que revestem a bolsa líquida são especialmente difíceis de eliminar. Sua persistência na cavidade uterina serve de caldo de cultura para as bactérias que subiram pela vagina, provoca hemorragia, febre e toxemia.
A natureza clandestina do procedimento dificulta a procura por socorro médico, logo que a febre se instala. Nessa situação, a insegurança da paciente em relação à atitude da família, o medo das perguntas no hospital, dos comentários da vizinhança e a própria ignorância a respeito da gravidade do quadro colaboram para que o tratamento não seja instituído com a urgência que o caso requer.
A septicemia resultante da presença de restos infectados na cavidade uterina é causa de morte frequente entre as mulheres brasileiras em idade fértil. Para ter ideia, embora os números sejam difíceis de estimar, se contarmos apenas os casos de adolescentes atendidas pelo SUS para tratamento das complicações de abortamentos no período de 1993 a 1998, o número ultrapassou 50 mil. Entre elas, 3.000 meninas de dez a quatorze anos.
Embora cada um de nós tenha posição pessoal a respeito do aborto, é possível caracterizar três linhas mestras do pensamento coletivo em relação ao tema.
Há os que são contra a interrupção da gravidez em qualquer fase, porque imaginam que a alma se instale no momento em que o espermatozoide penetrou no óvulo. Segundo eles, a partir desse estágio microscópico, o produto conceptual deve ser sagrado. Interromper seu desenvolvimento aos dez dias da concepção constituiria crime tão grave quanto tirar a vida de alguém aos 30 anos depois do nascimento. Para os que pensam assim, a mulher grávida é responsável pelo estado em que se encontra e deve arcar com as consequências de trazer o filho ao mundo, não importa em que circunstâncias.
No segundo grupo, predomina o raciocínio biológico segundo o qual o feto, até a 12ª semana de gestação, é portador de um sistema nervoso tão primitivo que não existe possibilidade de apresentar o mínimo resquício de atividade mental ou consciência. Para eles, abortamentos praticados até os três meses de gravidez deveriam ser autorizados, pela mesma razão que as leis permitem a retirada do coração de um doador acidentado cujo cérebro se tornou incapaz de recuperar a consciência.
Finalmente, o terceiro grupo atribui à fragilidade da condição humana e à habilidade da natureza em esconder das mulheres o momento da ovulação, a necessidade de adotar uma atitude pragmática: se os abortamentos acontecerão de qualquer maneira, proibidos ou não, melhor que sejam realizados por médicos, bem no início da gravidez.
Conciliar posições díspares como essas é tarefa impossível. A simples menção do assunto provoca reações tão emocionais quanto imobilizantes. Então, alheios à tragédia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como está. E não se fala mais no assunto.
A questão do aborto está mal posta. Não é verdade que alguns sejam a favor e outros contrários a ele. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico que o ideal seria instruí-las para jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é mais complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer.
Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.
Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele. Como consequência, milhões de adolescentes e mães de família que engravidaram sem querer recorrem ao abortamento clandestino, anualmente.
A técnica desses abortamentos geralmente se baseia no princípio da infecção: a curiosa introduz uma sonda de plástico ou agulha de tricô através do orifício existente no colo do útero e fura a bolsa de líquido na qual se acha imerso o embrião. Pelo orifício, as bactérias da vagina invadem rapidamente o embrião desprotegido. A infecção faz o útero contrair e eliminar seu conteúdo.
O procedimento é doloroso e sujeito a complicações sérias, porque nem sempre o útero consegue livrar-se de todos os tecidos embrionários. As membranas que revestem a bolsa líquida são especialmente difíceis de eliminar. Sua persistência na cavidade uterina serve de caldo de cultura para as bactérias que subiram pela vagina, provoca hemorragia, febre e toxemia.
A natureza clandestina do procedimento dificulta a procura por socorro médico, logo que a febre se instala. Nessa situação, a insegurança da paciente em relação à atitude da família, o medo das perguntas no hospital, dos comentários da vizinhança e a própria ignorância a respeito da gravidade do quadro colaboram para que o tratamento não seja instituído com a urgência que o caso requer.
A septicemia resultante da presença de restos infectados na cavidade uterina é causa de morte frequente entre as mulheres brasileiras em idade fértil. Para ter ideia, embora os números sejam difíceis de estimar, se contarmos apenas os casos de adolescentes atendidas pelo SUS para tratamento das complicações de abortamentos no período de 1993 a 1998, o número ultrapassou 50 mil. Entre elas, 3.000 meninas de dez a quatorze anos.
Embora cada um de nós tenha posição pessoal a respeito do aborto, é possível caracterizar três linhas mestras do pensamento coletivo em relação ao tema.
Há os que são contra a interrupção da gravidez em qualquer fase, porque imaginam que a alma se instale no momento em que o espermatozoide penetrou no óvulo. Segundo eles, a partir desse estágio microscópico, o produto conceptual deve ser sagrado. Interromper seu desenvolvimento aos dez dias da concepção constituiria crime tão grave quanto tirar a vida de alguém aos 30 anos depois do nascimento. Para os que pensam assim, a mulher grávida é responsável pelo estado em que se encontra e deve arcar com as consequências de trazer o filho ao mundo, não importa em que circunstâncias.
No segundo grupo, predomina o raciocínio biológico segundo o qual o feto, até a 12ª semana de gestação, é portador de um sistema nervoso tão primitivo que não existe possibilidade de apresentar o mínimo resquício de atividade mental ou consciência. Para eles, abortamentos praticados até os três meses de gravidez deveriam ser autorizados, pela mesma razão que as leis permitem a retirada do coração de um doador acidentado cujo cérebro se tornou incapaz de recuperar a consciência.
Finalmente, o terceiro grupo atribui à fragilidade da condição humana e à habilidade da natureza em esconder das mulheres o momento da ovulação, a necessidade de adotar uma atitude pragmática: se os abortamentos acontecerão de qualquer maneira, proibidos ou não, melhor que sejam realizados por médicos, bem no início da gravidez.
Conciliar posições díspares como essas é tarefa impossível. A simples menção do assunto provoca reações tão emocionais quanto imobilizantes. Então, alheios à tragédia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como está. E não se fala mais no assunto.
A questão do aborto está mal posta. Não é verdade que alguns sejam a favor e outros contrários a ele. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico que o ideal seria instruí-las para jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é mais complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer.
Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
O frei e o aborto
Por Rodrigo Martins
Alvo de fiéis conservadores, Julián Cruzalta corre o mundo a defender o direito de decidir das mulheres. Por Rodrigo Martins. Foto:Olga Vlahou
Quando a Cidade do México aprovou a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, bispos e padres promoveram uma ruidosa mobilização na tentativa de derrubar a lei, em vigor na capital mexicana desde abril de 2007. O esforço resultou inútil. Passado pouco mais de um ano, a Corte Suprema de Justiça confirmaria a constitucionalidade do texto, desafiando a Igreja na nação com o maior número de católicos do mundo depois do Brasil. A partir de então, o teólogo mexicano Julián Cruzalta, homem de gestos medidos e fala serena, perdeu a paz. Tornou-se alvo recorrente de cobranças da hierarquia eclesiástica e de ataques ferozes por parte de religiosos conservadores.
Foi como frei dominicano que ele se apresentou numa das audiências públicas que precederam o julgamento do tema ao lado dos que defendiam o direito de a mulher decidir sobre o seu corpo, inclusive para interromper uma gravidez indesejada. “Não disse uma palavra que contrariasse a doutrina católica, que há 2 mil anos prega o princípio do ‘direito à liberdade e consciência’”, justifica-se. Hoje, o religioso percorre países da América Latina como assessor teológico da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a participar de encontros nos quais defende a educação sexual e o uso de anticoncepcionais como estratégia mais efetiva para prevenir o aborto do que a repressão às mulheres.
“Os conservadores disseminaram a tese de que haveria fila nos hospitais para as mulheres abortarem e me acusaram de defender a indústria da morte. Não desejo que nenhuma mulher latino-americana aborte, mas também não quero ver nenhuma delas ser presa ou morrer em abortos clandestinos”, explica Cruzalta, professor do Centro Teológico da Conferência de Institutos Religiosos do México. “Em quatro anos de descriminalização, pouco mais de 60 mil mulheres fizeram abortos legais na Cidade do México, uma metrópole com 20 milhões de habitantes. Somente uma delas morreu. Antes, era impossível saber quantas mulheres eram hospitalizadas ou morriam.”
Para o frei mexicano, a consciência deve ser respeitada acima do papa Bento XVI. Foto: Ronaldo Schemidt/AFP
Em suas peregrinações por países latinos, opinou nos debates que antecederam a aprovação da nova Constituição da Bolívia, em 2007, e do Equador, em 2008. Defendeu a tese de que a carta constitucional não deveria preservar a vida desde a concepção, como pretendiam os bispos católicos e pastores evangélicos, na tentativa de barrar leis mais permissivas em relação ao aborto. Por contrariar a orientação do Vaticano, coleciona acusações e desafetos. “Sim, essa gente não me quer bem”, diz, aos risos, sobre as denúncias de uma entidade religiosa do Peru que o acusou de ser um “falso sacerdote” interessado em promover o aborto e enganar os católicos peruanos. “Consultaram a Conferência Episcopal do México para verificar se eu era, de fato, frei dominicano. Depois, denunciaram-me à Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano.” Herdeira da Inquisição, trata-se da mesma congregação que, em 1984 e sob a chefia do então cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI, excomungou o frei franciscano Leonardo Boff, ícone da Teologia da Libertação no Brasil.
Cruzalta aguarda a convocação da Santa Sé para esclarecer o assunto. “O curioso é que o bispo de Santillo, no Peru, havia sido meu professor no seminário e estranhou toda aquela manobra. Nunca defendi o aborto, e sim o direito de a mulher decidir. A lei não obriga ninguém a fazer essa escolha”, diz o religioso. “Sou a favor da educação sexual e da contracepção, mas geralmente os mesmos grupos que se opõem ao aborto são contrários a esse tipo de política, que evita a gravidez indesejada.”
Se os grupos católicos mais conservadores fecham as portas ao “frei abortista”, como o denominam, não faltam convites ao religioso para participar de seminários. Em passagem por São Paulo, às vésperas de participar de uma palestra no interior paulista, Cruzalta diz prever um “retrocesso” em relação aos direitos reprodutivos em seu país. Segundo o dominicano, em reação à legalização do aborto na capital, 18 das 32 províncias do México aprovaram penas mais duras às mulheres que abortam e incluíram nas suas constituições locais a defesa da vida desde a concepção. “Para ter o apoio da Igreja nas próximas eleições, o Partido Liberal comprometeu-se a não propor a descriminalização em todo o país. Então vivemos essa situação esdrúxula, na qual as mulheres do interior com condições financeiras de viajar à capital e têm acesso ao aborto seguro, e as demais, não.”
Diante desse cenário, Cruzalta evita celebrações quando um país anuncia a intenção de votar uma lei que descriminaliza o aborto, como fez recentemente a Argentina. “Em qualquer troca de governo ou dos partidos que detêm o poder, pode haver retrocessos”, avalia. “A Igreja ainda exerce um controle social fortíssimo. Há pessoas que não frequentam uma missa há 20 anos, mas ainda têm na cabeça a cartilha da hierarquia católica, o sentimento de culpa, a visão infantilizadora de que ela precisa seguir exatamente o que os sacerdotes ordenam. Na Europa é diferente, os cidadãos são adultos e responsáveis por suas escolhas e sabem diferenciar assuntos religioso daqueles do Estado.”
Para justificar suas posições dentro da Igreja, Cruzalta cita de cabeça textos de Tomás de Aquino, teólogo do século XIII, e ampara-se até mesmo nas palavras de Ratzinger, “em 1968, ele era professor de teologia e dizia: ‘Acima do papa encontra-se a própria consciência, à qual é preciso obedecer primeiro, se for necessário inclusive contra o que diga a autoridade eclesiástica’”, afirma. “Não posso apoiar uma lei que criminaliza as mulheres. O papa voltou a condenar o aborto na última visita que fez a Madri. Mas ele não corre o risco de morrer vítima de um procedimento clandestino malsucedido”, alfineta, pouco antes de pedir uma cópia da entrevista assim que o texto for publicado. “Tenho certeza de que terei de dar explicações ao voltar ao México.”
sexta-feira, 29 de abril de 2011
O PASTOR HEREGE
Por Gerson Freitas Jr
“Deus nos livre de um Brasil evangélico.” Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir.
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way oflife de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portas de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-pastor-herege
“Deus nos livre de um Brasil evangélico.” Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”, diz na entrevista a seguir.
CartaCapital: Os evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way oflife de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portas de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG: Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-pastor-herege
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Bento XVI, as eleições em Lima-Peru e sua Igreja
Tal qual aqui nas eleições presidenciais, onde a questão da descriminalização do aborto foi motivo para a militância de padres, bispos e até do papa Bento XVI, contra a candidata Dilma, em Lima-Perú, a candidata Susana Villarán da Fuerza Social sofreu as mesmas pressões. A matéria abaixo é do Blog http://noticiasdecristianos.blogspot.com
Candidata a la alcaldía de Lima a favor del aborto y matrimonio gay

Lima - Perú.- Susana Villarán en sus declaraciones promueve el matrimonio entre homosexuales, la legalización de las drogas y despenalizar el aborto.
Ante el reconocimiento legal de las uniones homosexuales, o la equiparación legal de éstas al matrimonio con acceso a los derechos propios del mismo, es necesario oponerse en forma clara e incisiva. Hay que abstenerse de cualquier tipo de cooperación formal a la promulgación o aplicación de leyes tan gravemente injustas, y asimismo, en cuanto sea posible, de la cooperación material en el plano aplicativo. En esta materia cada cual puede reivindicar el derecho a la objeción de conciencia.
* Susana Villarán promueve el aborto, crimen grave contra el cual la Iglesia realiza una lucha en todo el mundo.
* Promueve el consumo de drogas al proclamar que fumó drogas. Pero, dijo brevemente que no recomienda fumarlas, no obstante, inmediatamente después dijo que Bill Clinton fumó drogas, soltando así a la juventud el mensaje de que puedes llegar a ser importante si fumas drogas. Claro está, sabemos que los EE. UU. es sólido y no depende de lo que haga un presidente y ese país si quiere puede darse el lujo de elegir a un payaso, por eso los escándalos de Clinton afectaron algo la democracia y la moral, pero no su economía ni su estabilidad como país. .
* No contenta con promover el consumo de drogas, Villarán se pronunció a favor de la venta libre de la drogas. ¿Qué autoridad moral tiene para hablar de esa materia una persona que consumió drogas y que no sabemos si las sigue consumiendo? Esta persona es peligrosa porque con estos antecedentes busca rodearse de jóvenes.
El candidato a la Alcaldía de Lima por Restauración Nacional, Humberto Lay, acusó a su contrincante en los comicios de octubre próximo, Susana Villarán, de “querer abrir la puerta para el uso de distintas drogas” al considerar dentro de sus propuestas la legalización del consumo de marihuana.
Cabe señalar que los recurrentes faenones, que quitan el dinero de los más pobres para enriquecer a corruptos, no han merecido ninguna condena visible de Villarán, que con su silencio se convierte en cómplice. Además, nos deja ver que no es más que una oportunista de la política al salir solamente en época electoral y con oscuros antecedentes
Susana Villarán: Su antecedente radical.
Susana Villarán de la Puente habría quedado con un “profundo resentimiento” contra los peruanos de uniforme a raíz de la muerte de su cuñado, Jimmy Wensjoe Mantilla, a manos de un destacamento policial en la ciudad de Huamanga, Ayacucho, el 3 de marzo de 1982.
Esto es lo que sostiene Guillermo Quevedo Tamayo, dirigente y analista político del PPC, quien a través de un artículo de opinión distribuido por internet, señala que tanto Wensjoe como Rosa Villarán de la Puente ―hermana de la candidata― “eran dirigentes de Sendero Luminoso”.
En representaciones de grupo radical
El autor del artículo también narra que Susana Villarán viajó el año 1971 a Santiago de Chile por encargo de Vanguardia Revolucionaria (movimiento de izquierda radical) para estrechar lazos con el MIR de ese país “y crear una retaguardia en la eventualidad que se iniciara la guerrilla en el Perú”. Su proyecto se frustró con el golpe de Augusto Pinochet a Salvador Allende y retornó a Lima en un avión dispuesto por el dictador Juan Velasco Alvarado.
Cabe señalar que los recurrentes faenones, que quitan el dinero de los más pobres para enriquecer a corruptos, no han merecido ninguna condena visible de Villarán, que con su silencio se convierte en cómplice. Además, nos deja ver que no es más que una oportunista de la política al salir solamente en época electoral y con oscuros antecedentes
Susana Villarán: Su antecedente radical.
Susana Villarán de la Puente habría quedado con un “profundo resentimiento” contra los peruanos de uniforme a raíz de la muerte de su cuñado, Jimmy Wensjoe Mantilla, a manos de un destacamento policial en la ciudad de Huamanga, Ayacucho, el 3 de marzo de 1982.
Esto es lo que sostiene Guillermo Quevedo Tamayo, dirigente y analista político del PPC, quien a través de un artículo de opinión distribuido por internet, señala que tanto Wensjoe como Rosa Villarán de la Puente ―hermana de la candidata― “eran dirigentes de Sendero Luminoso”.
En representaciones de grupo radical
El autor del artículo también narra que Susana Villarán viajó el año 1971 a Santiago de Chile por encargo de Vanguardia Revolucionaria (movimiento de izquierda radical) para estrechar lazos con el MIR de ese país “y crear una retaguardia en la eventualidad que se iniciara la guerrilla en el Perú”. Su proyecto se frustró con el golpe de Augusto Pinochet a Salvador Allende y retornó a Lima en un avión dispuesto por el dictador Juan Velasco Alvarado.
Los ciudadanos de Lima ya saben por quien NO Votar.
o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
O vídeo abaixo mostra o momento em que Susana Villarán recebe a notícia da pesquisa de boca de urna que mostra uma vantagem de 2% sobre sua concorrente.
Neste vídeo Alan Gargia felicita Susana Villarán por haver sido eleita prefeita de Lima-Perú
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Bento XVI, as eleições no Brasil e sua Igreja

Passada as eleições no Brasil, com a eleição de Dilma, Bento XVI deveria voltar suas atenções e preocupações para sua igreja "interna corporis". Senão vejamos:
"Como o chefe maior de uma Igreja que segue mantendo uma estrutura pré-moderna, piramidal e patriarcal pode falar em democracia? Como cobrar democracia dos Estados e líderes políticos, se a Igreja Católica ignora as vozes de seus/as fiéis que há tempo vem pedindo o direito de escolher seus bispos? Só é eficaz a exigência da democracia por parte de quem a vive como um ideal."
'O Papa também fala da promoção do bem comum. Quais são os critérios e valores utilizados para definir o "bem comum"? Diminuir o índice de mortalidade materna provocado por abortos clandestinos e inseguros não faz parte do "bem comum"?
Os trechos acima são de um documento das Católicas pelo direito de decidir.
Mas, para além do que escrevem as católicas é bom lembrar que Bento XVI deveria estar mais atento a questões que afligem a igreja como a pedofilia. Isto mesmo PEDOFILIA.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Existe uma Avilete (PSOL) em Sergipe (2)
Nota do Coletivo Nacional de Mulheres do PSOL sobre o programa eleitoral do PSOL ao governo de SE
Dia 28 de setembro é o dia latino-americano e caribenho de luta pela legalização do aborto. Durante o 1 º e o 2º Congressos do PSOL, o conjunto do partido aprovou resoluções que reconhecem a centralidade dessa luta para a vida das mulheres e para o projeto socialista que defendemos e acreditamos. A aprovação dessas resoluções foi uma conquista não apenas para as feministas do PSOL, mas também para o movimento feminista como um todo, pois a partir delas conseguimos nos inserir mais ainda nos debates e ações dos movimentos sociais a favor da legalização do aborto e contra a criminalização de mulheres, que tem ocorrido em nosso país de 2008 para cá.
Para o PSOL, a luta pela legalização é algo que não pode ser negociado. A aprovação das resoluções e o engajamento na luta pela legalização do aborto demonstram a coerência partidária para com as bandeiras feministas. Uma expressão disso vem sendo as propostas de programa de governo do partido no período eleitoral voltados para esse tema, assim como o papel que o nosso candidato a presidência da república vem cumprindo ao não se omitir do debate sobre a legalização do aborto, além de dar declarações condizentes com o que defende o PSOL em suas resoluções sobre a luta das mulheres, como um legítimo porta-voz do partido.
Apesar dessas conquistas internas para as feministas do PSOL, e em plena semana do Dia 28 de setembro, nos deparamos com as declarações da professora Avilete, candidata do PSOL ao governo do estado de Sergipe, que utilizou seu Horário Eleitoral Gratuito na TV para atacar a luta pela legalização do aborto. Não poderíamos nos calar frente a essas declarações, pois elas ferem as resoluções congressuais do partido e se contrapõem à construção de um partido socialista e feminista. Ao declarar publicamente sua posição contrária à legalização do aborto no Brasil, a Professora Avilete dá voz a um dos setores mais reacionários da sociedade: o do extremismo religioso, que hoje se alia com o agronegócio, militares e a grande mídia.
Ao fazer tal declaração, a companheira também ignora os quase 1 milhão de abortos ocorridos anualmente no Brasil, dos quais cerca de 100 mil acabam em complicações e muitas vezes em mortes de mulheres, sendo a 4ª causa de morte materna no nosso país. Ignora, também, a falta de política efetiva que atenda aos direitos reprodutivos da mulher, seja em âmbito federal, estadual ou municipal.
Para nós, não se trata somente de defender a vida das mulheres, mas também de atentar para esse drama que é a questão do aborto no Brasil atualmente, com toda a sua gravidade e com o viés classista com que incide sobre as mulheres. Trata-se de encarar de frente o debate sobre a autonomia e autodeterminação das mulheres sobre o seu corpo e sua vida, assim como de defendê-las da covardia e hipocrisia com que esse tema é tratado. O descaso e a hipocrisia com que o Estado e a mídia tratam o tema do aborto vem se mostrando dia após dia, seja no Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Norte e em todos os outros estados brasileiros. A defesa da legalização do aborto se encontra no seio da luta pela laicidade do estado, dos direitos democráticos, da saúde pública, da garantia de maternidade plena àquelas que decidem por ser mães e, sobretudo, da igualdade da mulher.
Por isso, as mulheres do PSOL reafirmam seu compromisso com essa luta internacionalista pela legalização do aborto e repudiam as declarações proferidas pela candidata Professora Avilete, deixando claro que elas não expressam e não representam a posição política do Partido Socialismo e Liberdade.
Educação sexual para prevenir,
contraceptivos para não abortar,
aborto seguro para não morrer
Resolução do I Congresso do PSOL
Coletivo Nacional de Mulheres do PSOL
Ascom PSOL/SE
Assinar:
Postagens (Atom)






