Por Marvioli
Tomei conhecimento do livro através de indicação da revista Continente, pernambucana, dedicada a cultura.
"Uma lei para a História, a legalização do aborto na França" de Simone Veil.
"Em novembro de 1974, Simone Veil, então ministra da saúde, discursou na Assembleia Nacional Francesa, defendendo projeto de lei que legalizava o aborto, que naquela época obrigava cerca de 300 mil mulheres a procurarem saídas clandestinas, humilhantes e perigosas para interromper a gravidez indesejada."
"enfrentando com firmeza uma oposição virulenta, Simone Veil garantiu esse importante direito às mulheres na França."
"Após cerca de 25 horas de intenso debate,com intervenção de 74 oradores, a lei que autoriza o aborto é aprovada pela Assembleia francesa, no dia 29 de novembro de 1974, por 284 votos contra 189."
No senado a votação foi mais tranquila, 184 votos a favor e 90 contra.
O discurso de Simone na Assembleia Nacional Francesa é uma beleza de conteúdo, convencimento e tática.
"Eu sabia - até mesmo pela correspondência recebida - que os ataque seriam vigorosos, já que o tema contrariava convicções filosóficas e religiosas sinceras. Mas eu não imaginava o ódio que suscitaria, a monstruosidade do discurso de certos parlamentares, nem sua grosseria contra mim. Uma linguagem de caserna. Pois, ao que parece, ao abordar esse tipo de teme, e diante de uma mulher, certos homens lançam mão espontaneamente de um discurso saturado de machismo e vulgaridade."
"As deputadas eram bem poucas! E nem todas foram favoráveis à lei. Mas nenhuma lançou mão de palavras duras. E me lembro do apoio corajoso de Hélène Missoffe, mãe de oito filhos, e igualmente exposta, no meio da Assembleia, a discursos desagradáveis."
Os achados que me trouxe o livro.
"Eleito, Valéry Giscard d'Estaing se pronuncia claramente a favor de uma liberalização do aborto, chega a empenhar toda a sua autoridade e impõe a reforma a seu primeiro-ministro Jacques Chirac, que é hostil a ela."
Simone é convidada para o Ministério da Saúde e o projeto é elaborado por este ministério.
Lembremos que o governo Giscard d'Estaing e de seu primeiro-ministro Jacques Chirac, era um governo conservador, digamos de centro-direita.
Simone, politicamente, também se aninhava, neste espectro.
Nascida em 1927, judia, viveu em campo de concentração, feminista. Foi fundamental na aprovação da lei em 1974.
E termina assim seu discurso:
"Não faço parte dessas pessoas que temem o futuro. As novas gerações nos surpreendem, às vezes, por serem tão diferentes de nós; nós mesmo as educamos de maneira distinta da que fomos educados. Mas essa juventude é corajosa, tão capaz quanto as outras de entusiasmo e sacrifício. Saibamos confiar nela para conservar à vida seu valor supremo."
Serviço:
UMA LEI PARA A HISTÓRIA a legalização do aborto na França
Simone Veil
Ed. Bazar do Tempo
Preço R$ 35,00
Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 16 de maio de 2019
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
ZAZ - "Dans ma rue"
Dans ma rue (Edith Piaf/Jacques Datin)
J'habite un coin du vieux Montmartre
Mon père rentre soûl tous les soirs
Et pour nous nourrir tous les quatre
Ma pauvr' mére travaille au lavoir.
Moi j'suis malade, j'rêve à ma fenêtre
Je r'garde passer les gens d'ailleurs
Quand le jour vient à disparaître
Il y a des choses qui me font un peu peur
Dans ma rue il y a des gens qui s' promènent
J'les entends chuchoter dans la nuit
Quand je m'endors bercée par une rengaine
J'suis soudain réveillée par des cris
Des coups d'sifflet, des pas qui traînent, qui vont et viennent
Puis le silence qui me fait froid dans tout le coeur
Dans ma rue il y a des ombres qui s' promènent
Et je tremble et j'ai froid et j'ai peur
Mon père m'a dit un jour : "la fille,
Tu ne vas pas rester là sans fin
T'es bonn' à rien, ça c'est d'famille
Faudrait voir à gagner ton pain
Les hommes te trouvent plutôt jolie
Tu n'auras qu'à sortir le soir
Il y'a bien des femmes qui gagnent leur vie
En "s' balladant sur le trottoir"
Dans ma rue il y a des femmes qui s' promènent
J'les entends fredonner dans la nuit
Quand je m'endors bercée par une rengaine
J'suis soudain réveillée par des cris
Des coups d'sifflet, des pas qui traînent, qui vont et viennent
Puis le silence qui me fait froid dans tout le coeur
Dans ma rue il y a des femmes qui s' promènent
Et je tremble et j'ai froid et j'ai peur
Et depuis des semaines et des semaines
J'ai plus d' maison, j'ai plus d'argent
J' sais pas comment les autres s'y prennent
Mais j'ai pas pu trouver d' client
J'demande l'aumône aux gens qui passent
Un morceau d' pain, un peu d' chaleur
J'ai pourtant pas beaucoup d'audace
Maintenant c'est moi qui leur fait peur
Dans ma rue tous les soirs je m' promène
On m'entend sangloter dans la nuit
Quand le vent jette au ciel sa rengaine
Tout mon corps est glacé par la pluie
Mais je n' peux plus, j'attends sans cesse que le bon Dieu vienne
Pour m'inviter à me réchauffer tout près de Lui
Dans ma rue il y a des anges qui m'emmènent
Pour toujours mon cauchemar est fini
http://en.wikipedia.org/wiki/Zaz_(singer)
T'es bonn' à rien, ça c'est d'famille
Faudrait voir à gagner ton pain
Les hommes te trouvent plutôt jolie
Tu n'auras qu'à sortir le soir
Il y'a bien des femmes qui gagnent leur vie
En "s' balladant sur le trottoir"
Dans ma rue il y a des femmes qui s' promènent
J'les entends fredonner dans la nuit
Quand je m'endors bercée par une rengaine
J'suis soudain réveillée par des cris
Des coups d'sifflet, des pas qui traînent, qui vont et viennent
Puis le silence qui me fait froid dans tout le coeur
Dans ma rue il y a des femmes qui s' promènent
Et je tremble et j'ai froid et j'ai peur
Et depuis des semaines et des semaines
J'ai plus d' maison, j'ai plus d'argent
J' sais pas comment les autres s'y prennent
Mais j'ai pas pu trouver d' client
J'demande l'aumône aux gens qui passent
Un morceau d' pain, un peu d' chaleur
J'ai pourtant pas beaucoup d'audace
Maintenant c'est moi qui leur fait peur
Dans ma rue tous les soirs je m' promène
On m'entend sangloter dans la nuit
Quand le vent jette au ciel sa rengaine
Tout mon corps est glacé par la pluie
Mais je n' peux plus, j'attends sans cesse que le bon Dieu vienne
Pour m'inviter à me réchauffer tout près de Lui
Dans ma rue il y a des anges qui m'emmènent
Pour toujours mon cauchemar est fini
http://en.wikipedia.org/wiki/Zaz_(singer)
terça-feira, 24 de julho de 2012
Mon Dieu, ministra francesa usa vestido no Parlamento
![]() |
| Cécile Duflot |
Cécile Duflot, a ministra da Habitação da França, causou comoção ao usar um vestido para falar na Assembleia Nacional (Parlamento). Espere, uma correção. Não foi Duflot que causou comoção, mas sim os ministros homens, que assobiaram e rugiram: “Uau!” De sua parte, Duflot reagiu calmamente, com uma piada seca — “Senhoras e senhores, obviamente mais senhores que senhoras” — antes de continuar seu discurso. Mais tarde ela disse: “Já trabalhei na construção civil e nunca vi nada parecido. Isso revela algo sobre alguns deputados. Penso nas mulheres deles”. Sim, as pobres esposas, casadas com o que parecem ser “les troglodytes sérieux”, mas esse não é o fim da história.
Que pena ver a França com uma Assembleia Nacional cheia do tipo de imbecis que não conseguem se conter quando uma ministra se ergue diante deles usando um vestido. “Uau!” Realmente? O que é isso, Confissões de uma Ministra Francesa? Cinquenta Tons de Risca-de-giz? O vestido de Duflot não era sequer uma coisa provocativa como o de Jessica Rabbit: justo, sinuoso, talvez com uma fenda até a coxa, com o próximo projeto de lei enfiado na liga. Era um modelo floral recatado — algo que você poderia imaginar [a apresentadora de TV britânica] Kirstie Allsopp usando no casamento de sua terceira melhor amiga. Se isso é tudo o que é preciso para deixar os políticos perigosamente excitados, que os céus ajudem a França — na próxima vez eles entrarão em êxtase ao ver o tornozelo das moças.
Duflot diz que nem todos os homens são assim, e ela prefere pensar em “homens feministas”. Sim. Mas por que as mulheres políticas deveriam se endurecer tanto para esse tipo de terrível pantomima redutiva? Duflot ficou famosa por usar jeans em uma reunião de gabinete, mas foi necessário um vestido para expor a grosseria oportunista do poder político predominantemente masculino. Jacques Myard disse que os assobios de lobos foram apenas um tributo à beleza de Duflot. Para Patrick Balkany, a ministra provavelmente usou o vestido “para que não escutássemos o que ela dizia”.
Não é de surpreender que esses dois, e muitos outros que assobiaram, fizeram olhares lascivos e rugiram, estão no partido de oposição União por um Movimento Popular (UMP) de direita. O que eles fizeram não foi apreciação, ou mesmo uma piada, foi fria estratégia política — usar o gênero de uma mulher contra ela.
Escrevi anteriormente sobre como as mulheres políticas não podem vencer quando sua aparência está em jogo. Arrumadas demais, elas são rejeitadas como dondocas, desesperadas, ou ambos; de menos, são condenadas como monstras assexuadas que desistiram de si mesmas. É o destino da mulher política ser vista e não ouvida. Ou, de todo modo, muito mais vista (julgada, objetificada, zombada) do que consegue ser ouvida.
No entanto, qualquer político, homem ou mulher, não é nada se não for ouvido adequadamente. O que transforma em zombaria o raciocínio segundo o qual talvez essas mulheres apreciem incidentes como esse, porque lhes dão uma condição de mártires feministas e destacam seus perfis.
Na realidade, esses eventos fatalmente prejudicam a mulher envolvida, enfraquecendo sua mensagem e desperdiçando seu ímpeto. Depois da Assembleia Nacional, ninguém comentou o que Duflot realmente disse, apenas seu vestido florido. Um caso clássico de “política interrompida”.
É uma questão que continua surgindo: esse é o modo padrão do homem político, sexista-juvenil? Existem “homens feministas” suficientes para fazer diferença? Na verdade, talvez esse incidente seja apenas mais um indicador da preocupação maior de se as mulheres podem esperar um tratamento completamente igualitário na política.
Do que aconteceu na França ao terrível e revelador “acalme-se, querida” de David Cameron para a trabalhista Angela Eagle, parece haver uma tendência desconcertante de mandar as mulheres se calarem assim que tentam abrir a boca.
Desta vez foi um vestido, mas na verdade poderia ser qualquer coisa — a ponto de nunca ter a ver com o que uma mulher disse, mas com a rapidez e eficiência dos “rapazes” para silenciá-la antes que pudesse falar.
http://www.cartacapital.com.br/internacional/mon-dieu-ministra-francesa-usa-vestido-no-parlamento/
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Instituição francesa tem de enfrentar colonialismo para dar honoris causa a Lula
Por: João Peres, Rede Brasil Atual
São Paulo – Richard Descoings, diretor da instituição que teve a ousadia de dar o título de doutor honoris causa a Luiz Inácio Lula da Silva, precisou passar por uma saraivada de críticas de indignados cidadãos que não se conformam com a decisão.

Em uma reunião realizada esta semana em Paris, Descoings, da Sciences Po, foi submetido a um interrogatório digno de um diálogo entre casa-grande e senzala, segundo registra o jornal argentino Página 12. O Instituto de Estudos Políticos de Paris resolveu conceder a Lula o 16º título honoris causa em 140 anos de história, o primeiro a um latino-americano.
Segundo o repórter Martín Granovsky, a primeira pergunta foi sobre como se pode premiar alguém que se orgulha de nunca ter lido um livro. Neste momento, Descoings olhou assombrado, lembrou que esta suposta fala de Lula não consta de registros oficiais e lembrou que o certo é que o ex-presidente não tem título universitário.
A seguinte questão foi sobre o porquê de premiar um presidente “que tolerou a corrupção”. “Veja só, a Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entram em análises morais, nem se conduzem conclusões precipitadas. Deixe para o balanço histórico este assunto (…) Que país pode medir moralmente a outro? Se não queremos falar destes dias, recordemos como um alto funcionário de outro país teve de renunciar por ter plagiado a tese de doutorado de um estudante”, afirmou, em referência a Karl-Theodor zu Guttenberg, ex-ministro da Defesa da Alemanha.
Questionaram ainda como o instituto poderia premiar a alguém que chamou por irmão a Muamar Khadafi, ex-presidente da Líbia. “Não desculpamos nem julgamos. Simplesmente não damos lições de moral a outros países”, apontou.
A historiadora argentina Diana Quattrocchi Woisson, que dirige o Observatório sobre a Argentina Contemporânea em Paris e que organizou o encontro, interveio para questionar quem havia comprado de Khadafi suas armas e que país refinava seu petróleo, além de comprá-lo – por sorte, registra o Página12, não foram citados nome e sobrenome de França e Itália.
Para Descoings, o honoris causa a Lula se deve a destacar “ao homem de ação que modificou o curso das coisas”, e que o intuito é reforçar a ideia de que os seres humanos não estão divididos entre “uns ou outros”, mas se compõe como “uns e outros”. “O mundo se pergunta tudo. E temos de escutar a todos. O mundo não sabe sequer se a Europa existirá no ano que vem”, argumentou o diretor da Sciences Po.
Um jornalista brasileiro presente à conferência perguntou, com ironia, se o honoris causa a Lula fazia parte das políticas de cotas do instituto. “As elites não são somente escolares ou sociais”, observou, com paciência, Descoings. “Os que avaliam quem são os melhores são os outros, e não os que são iguais a alguém. Se não, estaríamos frente a um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à Presidência, mas, segundo tenho entendido, foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas.”

Em uma reunião realizada esta semana em Paris, Descoings, da Sciences Po, foi submetido a um interrogatório digno de um diálogo entre casa-grande e senzala, segundo registra o jornal argentino Página 12. O Instituto de Estudos Políticos de Paris resolveu conceder a Lula o 16º título honoris causa em 140 anos de história, o primeiro a um latino-americano.
Segundo o repórter Martín Granovsky, a primeira pergunta foi sobre como se pode premiar alguém que se orgulha de nunca ter lido um livro. Neste momento, Descoings olhou assombrado, lembrou que esta suposta fala de Lula não consta de registros oficiais e lembrou que o certo é que o ex-presidente não tem título universitário.
A seguinte questão foi sobre o porquê de premiar um presidente “que tolerou a corrupção”. “Veja só, a Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entram em análises morais, nem se conduzem conclusões precipitadas. Deixe para o balanço histórico este assunto (…) Que país pode medir moralmente a outro? Se não queremos falar destes dias, recordemos como um alto funcionário de outro país teve de renunciar por ter plagiado a tese de doutorado de um estudante”, afirmou, em referência a Karl-Theodor zu Guttenberg, ex-ministro da Defesa da Alemanha.
Questionaram ainda como o instituto poderia premiar a alguém que chamou por irmão a Muamar Khadafi, ex-presidente da Líbia. “Não desculpamos nem julgamos. Simplesmente não damos lições de moral a outros países”, apontou.
A historiadora argentina Diana Quattrocchi Woisson, que dirige o Observatório sobre a Argentina Contemporânea em Paris e que organizou o encontro, interveio para questionar quem havia comprado de Khadafi suas armas e que país refinava seu petróleo, além de comprá-lo – por sorte, registra o Página12, não foram citados nome e sobrenome de França e Itália.
Para Descoings, o honoris causa a Lula se deve a destacar “ao homem de ação que modificou o curso das coisas”, e que o intuito é reforçar a ideia de que os seres humanos não estão divididos entre “uns ou outros”, mas se compõe como “uns e outros”. “O mundo se pergunta tudo. E temos de escutar a todos. O mundo não sabe sequer se a Europa existirá no ano que vem”, argumentou o diretor da Sciences Po.
Um jornalista brasileiro presente à conferência perguntou, com ironia, se o honoris causa a Lula fazia parte das políticas de cotas do instituto. “As elites não são somente escolares ou sociais”, observou, com paciência, Descoings. “Os que avaliam quem são os melhores são os outros, e não os que são iguais a alguém. Se não, estaríamos frente a um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à Presidência, mas, segundo tenho entendido, foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas.”
Assinar:
Postagens (Atom)


