Via Walber Nogueira
Mostrando postagens com marcador Walber Nogueira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Walber Nogueira. Mostrar todas as postagens
sábado, 23 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Essas lésbicas são terríveis! (Uma breve crônica sobre o Apocalipse)
Via Walber Nogueira
..................................................................................................................................
por Marco Aurélio Weissheimer
O ex-senador Paulo Brossard não escondeu seu, digamos, desconforto. Em artigo intitulado Tempos Apocalípticos (ZH – 12/03/2012), Brossard critica a decisão “atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária”. No artigo, isso é dito logo após o ex-senador revelar que a filha, Magda, advertiu-o de que “estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta”. A única associação feita no artigo ao Apocalipse é com a iniciativa desta “opção sexual minoritária”. No final, Brossard “confessa” surpresa com “a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa” e pergunta se a mesma entidade vai propor “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”.
Como jurista, Brossard deveria saber que o princípio da separação entre Estado e Igreja não implica, absolutamente, “a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro”. Aqui, o preconceito e a falácia andam de mãos dadas (como aliás, costuma acontecer). O que mais essas lésbicas vão querer agora? Demolir o Cristo Redentor? Acabar com o Natal?
A mesma dobradinha entre falácia e preconceito é exibida no artigo O crucificado, do jornalista Flávio Tavares (ZH – 18/03/2012), que também questiona a motivação das lésbicas e mesmo a legitimidade de sua organização, advertindo para perigos futuros. Tavares sugere que pode ser tudo ressentimento: “Desejarão as lésbicas repetir a intolerância de que foram vítimas?” – escreve, questionando se a liga que as representa não “é mero papel timbrado, como tantas no Brasil?” E adverte para os riscos de acabarem com o Natal e os feriados religiosos.
“Dizer que somos um Estado laico que não admite símbolos religiosos é falso e inadmissível. A ser assim, teríamos de terminar com o Natal e os feriados religiosos que pululam pelo calendário”.
Ao contrário de Brossard, o jornalista ainda poderia merecer o desconto de seu evidente desconhecimento a respeito do teor do princípio de separação entre Estado e Igreja, que não proíbe o uso de símbolos religiosos ou a prática de manifestações religiosas pelas pessoas. Ao contrário do que o jornalista e o jurista dizem, a proibição de símbolos religiosos em repartições públicas não é uma medida intolerante que desrespeita a liberdade de culto. É exatamente o contrário. No caso brasileiro, como a Igreja católica não é a religião oficial do Estado (como nenhuma outra o é, aliás), como existem outras religiões no país, e como vale aqui o princípio da liberdade de culto, o Estado e suas instituições, como o Judiciário, deve se manter equidistante das preferências religiosas particulares de seus cidadãos e cidadãs.
O Estado laico ou secular foi inventado, entre outras coisas, para garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão, inclusive a liberdade de não ter religião. A ideia é evitar que alguma religião em particular exerça controle ou interfira em questões políticas.
Todos os doutos juristas que vêm se manifestando a respeito do tema sabem disso, obviamente, ou deveriam saber, ao menos. A invenção do Estado laico foi regada com muito sangue e injustiça. Muito sangue, aliás, derramado pela própria Igreja Católica, que torturou e queimou milhares de pessoas na fogueira. Se há juristas interessados em ostentar em suas salas um símbolo de injustiça, poderiam, por exemplo, colocar na parede um retrato de Giordano Bruno, submetido a um “julgamento ultrajante”, brutalmente torturado e mutilado antes de ser queimado na fogueira.
A religião do Estado republicano é a Constituição. É para isso, entre outras coisas, que foi criada essa coisa chamada República. Nem sempre foi assim. Chegou-se a isso após muito sangue, injustiça e intolerância. A República é tolerante e generosa com a diferença. Ela não exige, por exemplo, que os templos religiosos coloquem uma Constituição na parede.
Mas tem gente com medo do iminente apocalipse que se aproxima. Esses dias terríveis onde as lésbicas – essa “opção sexual minoritária”, como diz Brossard – têm o poder de influir no que ocorre no interior dos tribunais. Como bom católico que é, Brossard foi pedir ajuda ao guardião da fé Dom Dadeus Grings, um ferrenho crítico dos direitos dos homossexuais e um revisionista do Holocausto. O diálogo pode ter sido mais ou menos assim: “Antigamente não se falava em homossexual”, reclamou, saudoso, Dom Dadeus a Brossard. “Minha filha Magda disse que é o Apocalipse”, respondeu o ex-ministro do STF…Pausa para um sinal da cruz.
Essas lésbicas são terríveis. Só falta elas pedirem agora o fim da isenção de impostos para as igrejas. É o fim dos tempos…
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5521
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Comida, Bebida e Música 9
O Diumtudo "está fazendo" uma enquete com amigos(as) que gostam de bebida, comida e música. São quatro categorias:
Indicações de Walber Nogueira, advogado, filósofo e boêmio.
- Bar - Bar do vinil ((ideal pra conversar, dançar, beber, ficar bêbo, etc.)
- Comida - Feijão do Bené (o melhor feijão verde da cidade)
- Altas horas - Tocantins (bom demais depois de uma e meia da manhã)
- Música - Dona Chica
Serviço:
Vinil - Av. Osório de Paiva 13 - Parangaba - Fortaleza Ce
Feijão do Bené - Rua Eurico Medina, 534 - Henrique Jorge - Fortaleza Ce
Tocantins - Av da Abolição, 3210 - Meireles - Fortaleza - Ce
Dona Chica - Av. da Universidade, 2475 - Benfica - Fortaleza Ce
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Uma Epopéia
Por Walber Nogueira da Silva
Quem foi ao Parque dos Campeonatos na noite da quarta-feira, 23/02, não viu apenas um jogo de futebol, viu uma epopéia, um poema épico, um feito heróico de proporções homéricas.
O Fortaleza precisava ganhar de 2 a 0 para decidir nos pênaltis ou por uma diferença de três gols para lograr a classificação direto. Com um minuto de jogo, Reginaldo Júnior balançou as redes e indicou à torcida tricolor a alegria que estava por vir. Aliás, a torcida merece um comentário à parte e, adiante, me ocuparei dela.
Depois do gol, o tricolor continuou pressionando e chegou até a marcar, mas o gol foi anulado. Pelo ângulo em que me encontrava no estádio, não vi nenhuma irregularidade. A pressão continuava, as chances eram criadas, mas nada do segundo gol sair.
Vem o segundo tempo e, aos 16 minutos, a defesa do Fortaleza toma o seu indefectível gol de todo jogo. Com isso, precisávamos fazer mais 3! Naquele momento, perdíamos gols, errávamos passes fáceis e nos enervávamos, desesperados que estávamos, correndo atrás da classificação. Como superar tudo isso?
As decepções e derrotas acumuladas nos campeonatos nacionais dos últimos anos vieram à tona naquele momento. O estádio silenciou. Vi alguns irem embora e, como estes, muitos desacreditaram. Desacreditaram do Fortaleza, da sua fama de fênix, a ave mitológica que renasce das cinzas. Desacreditaram da mística de suas camisas. No fundo, desacreditavam de si mesmos.
Aos 20 minutos, o chute certeiro de Gilmak no ângulo direito do goleiro adversário foi uma espécie de aviso: acreditai-vos, pois esta camisa é capaz do inimaginável. A Batalha do Pici não estava perdida.
Esta foi a senha para a explosão da torcida tricolor.
E ela foi um capítulo à parte. Com seus cantos, seus gritos, entoando a mais perfeita criação musical do gênero humano, o hino do Fortaleza, a torcida tricolor foi simplesmente: Fortaleza. E ser Fortaleza é colocar-se acima, além, em um estágio de transcendência em que a própria ordem do óbvio, do esperado, da realidade, é subvertida. Ser Fortaleza não é uma mera opção clubística, é um estado de espírito. Sua torcida nunca soube disso tanto quanto ontem.
Aos 39 do segundo tempo, o gol de Reginaldo Júnior veio nos libertar. Não apenas da tensão, do nervosismo. Aquele quarto gol, o gol da classificação, nos libertou das agruras do dia-a-dia, dos sofrimentos da existência, do patrão chato, do ônibus lotado, do capitalismo que leva a humanidade à extinção, das tristezas da vil condição humana. Mesmo por um instante, por um momento, aquele gol nos vingou de tudo isso, nos vingou de todas as derrotas da vida!
O jogo desta quarta foi um lenitivo para todos os tricolores. Nós merecíamos isso. O Fortaleza foi grande, foi heróico, honrou sua história e seu nome: foi forte. Soube vencer suas próprias limitações, transformando-as em matéria de vitória.
Se Homero tivesse assistido a vitória de ontem, não teria escrito um poema em homenagem aos feitos de Ulisses, teria homenageado este feito do Fortaleza.
E ela foi um capítulo à parte. Com seus cantos, seus gritos, entoando a mais perfeita criação musical do gênero humano, o hino do Fortaleza, a torcida tricolor foi simplesmente: Fortaleza. E ser Fortaleza é colocar-se acima, além, em um estágio de transcendência em que a própria ordem do óbvio, do esperado, da realidade, é subvertida. Ser Fortaleza não é uma mera opção clubística, é um estado de espírito. Sua torcida nunca soube disso tanto quanto ontem.
Aos 39 do segundo tempo, o gol de Reginaldo Júnior veio nos libertar. Não apenas da tensão, do nervosismo. Aquele quarto gol, o gol da classificação, nos libertou das agruras do dia-a-dia, dos sofrimentos da existência, do patrão chato, do ônibus lotado, do capitalismo que leva a humanidade à extinção, das tristezas da vil condição humana. Mesmo por um instante, por um momento, aquele gol nos vingou de tudo isso, nos vingou de todas as derrotas da vida!
O jogo desta quarta foi um lenitivo para todos os tricolores. Nós merecíamos isso. O Fortaleza foi grande, foi heróico, honrou sua história e seu nome: foi forte. Soube vencer suas próprias limitações, transformando-as em matéria de vitória.
Se Homero tivesse assistido a vitória de ontem, não teria escrito um poema em homenagem aos feitos de Ulisses, teria homenageado este feito do Fortaleza.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Eu vi o Paul (1)
Este é o primeiro de uma série (espero) de impressões, visões e versões sobre o show de Paul McCartney.
"EU VI McCARTNEY!
Por Walber Nogueira
Quando me perguntam como foi o show de Paul McCartney, dia 21 último, no morumbi, digo que foi ótimo, mas teve um problema: terminou! De fato, essa foi a primeira sensação que tive, a de ter sido tão bom que o problema maior foi justamente ter acabado.
Éramos trinta e poucos cearenses na caravana organizada por colegas do programa Frequência Beatles, da Rádio Universitária. Saímos de Fortaleza na madrugada de sábado (20/11) e nos hospedamos em um hotel no Centro de São Paulo. O sábado foi pra "bater perna": andar pela cidade, visitar a Galeria do Rock, tomar umas no Bar Brahma (na famosa confluência da Ypiranga com a São João), comprar na 25 de Março. Tentativas de domar a ansiedade que tomava conta de todos: estávamos a poucas horas do show de Paul McCartney.
O domingo amanheceu ensolarado e com a promessa (que se cumpriu) de que não teríamos chuva. Na hora marcada, 15h, o ônibus que nos levaria ao Morumbi chegou. Todos com camisas do Paul ou dos Beatles, máquinas fotográficas, ingressos na mão, mochilas com alguma comidinha rápida, que o show começaria só às 21:30h. Levei também o Sagrado Pavilhão Tricolor, a bandeira do Fortaleza E.C., pra demarcar o território. No caminho, tomava umas cervejinhas pra diminuir a tensão e conferia, de cinco em cinco minutos, meu ingresso!
O ônibus chegou ao estádio do São Paulo F.C. pouco depois das quatro da tarde e, depois das fotos de recordação tiradas na frente do estádio, fomos procurar a fila da arquibancada azul, o setor que íamos. A esta altura, ela já estava enorme, talvez uns quinhentos metros. Claro que, à medida que o tempo passava, ela dobrava e triplicava de tamanho.
Depois de uma boa hora na fila, entramos. Antes, passamos pelo pente fino dos seguranças. Mochilas e bolsas revistadas, pois nada de entrar com garrafas (nem descartáveis), máquinas fotográficas profissionais, bebidas alcoólicas e outras restrições.
Uma vez dentro do estádio, foi a vez da espera. E que espera! Foram quatro horas (ou quase isso) sentados (pra não perder o lugar), inventando conversa, fazendo palavra-cruzada, tentando fazer o tempo passar mais rápido. A espera foi longa não só porque é tedioso ficar sem fazer nada, mas porque queríamos ver McCartney e, naquele momento, cada minuto se arrastava preguiçosamente. Era feito final de campeonato. O tempo não passa: o relógio marca 40 do segundo tempo; 10 minutos depois, marca 41...
Mas o momento chegou! Pontualmente às 21:30h, Paul McCartney entra no palco do Morumbi e o público delira. Ele inicia com Venus and Mars, seguida de Rock Show e Jet. Depois de algumas músicas, arrisca um português para interagir com o público. Diz: "vou falar algumas coisas em português, mas vou falar mais em inglês". O público adora.
Desnecessário dizer do talento dos músicos. A sincronia e harmonia da banda são impecáveis, e eles ainda fazem uns "mugangos" que só evidenciam que fazer aquele show, que tocar com Paul McCartney é, antes de tudo, uma grande brincadeira, um grande prazer. E como haveria de ser diferente?
Ao final daquelas quase três horas, ficou em mim aquela sensação de ter visto um grande espetáculo, mas não o espetáculo vazio e inócuo que faz a alegria da grande mídia, mas um espetáculo da grande arte, da grande e boa música. Ficou a lembrança de McCartney ao piano tocando Hey Jude ou ao violão, com Yesterday, sendo acompanhado por um coro de 64 mil vozes; a irreverente dancinha do baterista Abe Laboriel Jr. em Dance Tonight; o inesperado e belíssimo show pirotécnico em Live and Let Die. Ficou a sensação de ter visto um artista grandioso, que sabe interagir e agradar seu público fiel, sem o pedantismo ou a arrogância que caracterizam tantos por aí que nem sequer calçam suas chuteiras. Um artista acima de tudo.
Suas últimas palavras de despedida foram "até a próxima". Será que a teremos? Não sei. Torço desesperadamente que sim. Se a arte nos salva da barbárie (e penso que foi isso que Adorno quis dizer com "não há poesia possível depois de Auschwitz"), naquele domingo, fomos todos menos bárbaros."
Walber Nogueira da Silva.Advogado, professor,beatlemaníaco e Tricolor.
Este é o autor do texto, Walber Nogueira. A melhor síntese de Baco e Euterpe.
Desnecessário dizer do talento dos músicos. A sincronia e harmonia da banda são impecáveis, e eles ainda fazem uns "mugangos" que só evidenciam que fazer aquele show, que tocar com Paul McCartney é, antes de tudo, uma grande brincadeira, um grande prazer. E como haveria de ser diferente?
Ao final daquelas quase três horas, ficou em mim aquela sensação de ter visto um grande espetáculo, mas não o espetáculo vazio e inócuo que faz a alegria da grande mídia, mas um espetáculo da grande arte, da grande e boa música. Ficou a lembrança de McCartney ao piano tocando Hey Jude ou ao violão, com Yesterday, sendo acompanhado por um coro de 64 mil vozes; a irreverente dancinha do baterista Abe Laboriel Jr. em Dance Tonight; o inesperado e belíssimo show pirotécnico em Live and Let Die. Ficou a sensação de ter visto um artista grandioso, que sabe interagir e agradar seu público fiel, sem o pedantismo ou a arrogância que caracterizam tantos por aí que nem sequer calçam suas chuteiras. Um artista acima de tudo.
Suas últimas palavras de despedida foram "até a próxima". Será que a teremos? Não sei. Torço desesperadamente que sim. Se a arte nos salva da barbárie (e penso que foi isso que Adorno quis dizer com "não há poesia possível depois de Auschwitz"), naquele domingo, fomos todos menos bárbaros."
Walber Nogueira da Silva.Advogado, professor,beatlemaníaco e Tricolor.
Este é o autor do texto, Walber Nogueira. A melhor síntese de Baco e Euterpe.
Assinar:
Postagens (Atom)






