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sábado, 9 de junho de 2012

Adeus, Ivan e muito obrigada.

O Fanho – Ivan Lessa

Agora falando de saudades: saudades mesmo eu tenho de pastel e fanho. Pastel de queijo aqui não tem,
fanho não é a mesma coisa. Fanho bom é aquele bem mal humorado, agressivo. Fanho acha que a humanidade está por fora, que tudo isso é uma safadeza enorme pra cima dele que, afinal de contas, não tem nada com isso e é, no fundo, um bom sujeito. É o que ele diz. Mas diz criando caso.Fanho briga, dá com a mão em cima da mesa e diz: “eu sou um profissional, pomba!” E repete: “Profissional”.Fanho vive dizendo que é profissional: “tenho 20 anos de rádio, boto qualquer programa no ar, manjo tudo, ta?” E diz muito palavrão. Palavrão fica horrendo na boca de fanho. É sempre sobre a gente que tá falando com ele. Nunca sobre a vida ou os outros por aí. É com a gente, nós, os não-fanhos. Agora tem um troço: fanho você pode chamar de fanho que ele não se aborrece. “Que é que há, ô,Fanho, tudo bem?” Ele responde, meio desaforado, mas responde. É que ele é assim mesmo. Fanho conhece todos os truques de todas as repartições. Documento, atestado, não fica 24 horas preso numa mesa de seção. Ele vai e quebra o galho. É um profissional, pomba!
   
Tem um fanho aqui onde eu trabalho. Melhor: uma fanha. Não tem nome de fanha. Chama-se Audrey. Também não tem cara de Audrey. É servente na Cantina. Muito preocupada, sempre, mas delicada. Chama a gente de luv, de dear. Não é, evidentemente uma profissional.

(Pasquim, antologia. Vol.1 – 1969 a 1971 - Ed.Desiderata 2006)

Ivan Pinheiro Themudo Lessa
Nasceu em São Paulo a 9 de maio de 1935 e faleceu em Londres a 9 de junho de 2012
Era filho do escritor Orígenes Lessa
Editor e um dos colaboradores do Pasquim, tinha no jornal a coluna GipGip Nheco Nheco; também no Pasquim criou juntamente com Jaguar o ratinho Sig (referência a Sigmund Freud).

Escreveu:
Os Garotos da Fuzarca (1986,contos)
Ivan Vê o Mundo (1999, crônicas)
O Luar e a Rainha (2005, crônicas)

http://www.livroerrante.blogspot.com.br/2012/06/adeus-ivan-e-muito-obrigada.html

sábado, 12 de maio de 2012

O Pasquim: a Revolução pelo Cartum 1/4




Documentário em tom de bate-papo de botequim, realizado em 1999, revela os bastidores do tabloide O Pasquim. São dois volumes: “O Pasquim: A Revolução pelo Cartum” e “Humor com Gosto de Pasquim”. Este primeiro volume, aqui dividido em 4 partes, aborda o nascimento do jornal em Ipanema, os aspectos formais do cartum como foi empregado no jornal e a sua relevância cultural.
Dirigido e montado por Louis Chilson com pesquisa de Gualberto Costa e roteiro de José Alberto Lovetro. Produção Carvall e TVSenac. Música de Inácio Zatz. Realização Jal&Gual

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A OVELHA NEGRA E OUTRAS FÁBULAS



A Ovelha Negra

"Em um país distante existiu faz muitos anos uma Ovelha Negra.
Foi fuzilada.
Um século depois, o rebanho arrependido lhe levantou uma estátua eqüestre que ficou muito bem no parque.
Assim, sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente passadas pelas armas para que as futuras gerações de ovelhas comuns e vulgares pudessem se exercitar também na escultura."

Esta e outras fábulas fazem parte do livro de Augusto Monterroso (escritor Guatemalteco) editado em 1983, pela Ed. Record e esgotado. A tradução é do Millôr e as ilustrações do Jaguar.
Merece uma reedição. Enquanto não sai irei publicando as fábulas.