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sábado, 17 de agosto de 2013

Homofobia ecológica

Por Plínio Bortolotti

Um vídeo postado no Facebook pelo Nossa Tribo, coletivo de comunicação autodenominado “independente”, a exemplo da mais conhecida Mídia Ninja, mostra uma professora da Universidade Estadual do Ceará, “doutora em Filosofia pela PUC-SP”, investindo com violência verbal inaudita contra os guardas municipais que promoveram a desocupação do Parque do Cocó, na madrugada do dia 8 deste mês.

No momento em que ela confronta os guardas, aos gritos, eles não reagem. Apesar disso, o ataque da professora poderia ser justificado - pela vista dos manifestantes ou mesmo por quem de fora - pela pela violência, essa física, utilizada pela Guarda Municipal na ação. Poderia, se o destampatório verbal da “doutora em Filosofia” não fosse vazado em termos, todos eles, escandalosamente homofóbicos.

Não me atrevo a repetir nenhum dos xingamentos aqui, mas quem quiser ir ao vídeo para ouvir o chocante discurso - e ver a fúria com que professora o pronuncia (sob aplauso de companheiros circundantes), pode digitar este endereço; mas aviso, tirem antes as crianças da sala. Vídeo: http://goo.gl/KBj5gx - post: http://goo.gl/WvVqus.

Se fosse alguém da “direita” a usar termos assim, o negócio seria um escândalo, “repercutido” com críticas e acusações em toda a mídia social. Mas sendo uma “ecologista”, o Nossa Tribo classifica o discurso horrorosamente homofóbico como “intenso” e faz elogios à professora, dizendo que “ela sabe o que fala” (sic).

E aqui entramos - o espaço é pequeno para um debate mais aprofundado - na conversa sobre as mídias “independentes”, que reconheço como um tipo de jornalismo, mas às quais não se pode permitir tudo, como se fossem crianças voluntariosas.

O papel mais importante da imprensa é buscar a verdade (sim, eu acredito em velharias). Se uma palavra é homofóbica quando pronunciada pela “direita”, ela continua sendo quando dita pela “esquerda”. E se a mídia “independente” não compreender isso, é porque não está entendendo nada.

Plínio Bortolotti

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2013/08/15/noticiasjornalopiniao,3111218/homofobia-ecologica.shtml

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Saco que é um saco

Por João Saraiva


Está tramitando na Câmara Municipal de Fortaleza projeto de autoria do vereador Guilherme Sampaio (PT) que “dispõe sobre a substituição de sacolas plásticas pelos supermercados e estabelecimentos comerciais localizados no município de Fortaleza”.

A proposta vai ao encontro do que já vem sendo pensado, executado e experimentado em vários países e cidades do mundo, a exemplo da Índia, China, Taiwan, São Francisco, Itália, Alemanha, África do Sul, dentre outros, que cobram ou que acabaram definitivamente com as sacolas plásticas.

Aqui no Brasil, Belo Horizonte foi a primeira capital a criar uma legislação específica que proíbe a venda e distribuição de sacolas plásticas, seguida por Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao mesmo tempo em que o surgimento do plástico, em meados de 1862, simboliza o “avanço” no desenvolvimento tecnológico e “consequente progresso”, o seu uso de forma indiscriminada cultivou a cultura do descartável, gerando impactos no meio ambiente sem precedentes na história da humanidade, que vão desde a impermeabilização dos solos e obstrução de galerias de águas pluviais à poluição visual, poluição das áreas verdes e corpos d’água, impacto na flora e fauna...

Chegou a vez de Fortaleza dar um passo importante em direção à sustentabilidade socioambiental e é mais que oportuno o momento para que o fortalezense entre nesta discussão, que se insere numa reflexão maior sobre o uso dos recursos naturais, o consumo sustentável e o descarte adequado dos resíduos de uma forma geral.

Acredito que a substituição das sacolas plásticas por retornáveis, aliada a outras ações de educação ambiental, é um bom começo. Portando, é importante que o debate continue com a participação da população e que os senhores vereadores aprovem tão importante projeto para a cidade de Fortaleza.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2011/10/13/noticiaopiniaojornal,2314683/saco-que-e-um-saco.shtml