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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Era uma vez...

Por Rogério Lama

Era uma vez um lugar que tinha 3 clubes de futebol: Ceará, Ferroviário e Fortaleza.
Numa ensolarada tarde do Século XVI, Evandro Leitão e Osmar Baquit, presidentes do Ceará e Fortaleza se reúnem e promulgam a seguinte Lei:

Art 1 - Todos os torcedores do Ferroviário Atlético Clube estão proibidos de frequentar estádios de futebol, salvo sob autorização de um torcedor alvinegro ou tricolor.
Art 2 – O Ferroviário está proibido de jogar qualquer partida em território nacional, salvo em amistosos.
Art 3 – É proibida a comercialização de camisas, bandeiras e flâmulas do Ferroviário, bem como sua utilização em público.
Art 4 – É vedado ao Ferroviário remunerar seus atletas pecuniariamente ou de qualquer outra forma.
Art 5 – Todas as emissoras de TV a serem criadas no século XX estão desde já proibidas de veicular qualquer informação que abone o Ferroviário.
Art 6 – A partir da data da publicação desta lei, os atuais torcedores do Ferroviário estão terminantemente proibidos de ensinar à seus filhos a torcerem para o mesmo clube.

Nos dois séculos seguintes Ceará e Fortaleza são agraciados com um estádio cada um, além de uma verba mensal para contratarem jogadores e pagarem as despesas.
Lá em 1884, Evandro encontra Osmar tomando uma num bar lá em Redenção e param pra conversar. Lá decidem que a Lei que criaram não era tão razoável assim. Então num lampejo de desapego e filantropia decidem revogar todos os artigos da Lei. Agora, os três clubes poderiam competir de igual pra igual.
No século que se seguiu, o Ferroviário, que teve sua história devastada, suas finanças quebradas e sua autoestima triturada, competiu com Ceará e Fortaleza com parcos êxitos, mesmo sem estádio e sem receber a verba mensal do governo. Também não restaram muitos torcedores, já que lhes foi negado o simples direito de existir. Com ausência de receita, o time do Ferroviário também não podia pagar um salário digno para os seus jogadores.

Mas tudo bem, o importante é que eles competiam em igualdade de regras.

Um dia o Luis, o novo presidente da Federação decidiu criar uma Lei que permitisse que o Ferroviário recuperasse sua glória perdida séculos antes. Algumas normas garantiam que a Federação custearia a contratação de alguns jogadores para o Ferrão, assim como subsidiaria alguns ingressos à sua torcida, a fim de dar uma maior chance ao time na competição.

Nesse momento não faltaram vozes levantadas dos torcedores do Ceará e Fortaleza. Segundo eles, a melhor forma de recuperar a glória do Ferrão era permitir que eles competissem em igualdade de regulamento. Que as normas criadas pelo Luis só serviam pra criar uma geração de jogadores e torcedores preguiçosos. Que era injusto com alvinegros e tricolores que suavam em seus escritórios para pagar o plano de sócio torcedor Vip. E tem sido assim desde então.

Pronto. Melhor que isso eu não sei fazer.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Fortaleza Esporte Clube - 18 de outubro de 1918


Fundado em 18 de outubro de 1918, o Fortaleza completa hoje 95 anos de Gloria e Tradição. Maior ganhador de títulos em todas as categorias do nosso futebol, o Leão do Pici está de parabéns.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Sobre times e clubes

Por Felipe Araújo


Felipe Araújo
No futebol, há dois tipos de gestão: de time e de clube. A primeira, ligada às questões mais comezinhas do dia a dia, indo apenas “da mão pra boca” e raramente divisando algum horizonte além das demandas prementes das quatro linhas. A segunda, mais consistente e complexa, lida com projetos de longo prazo, voltados ao fortalecimento institucional dessas “empresas” esportivas. 
No futebol cearense, esse secular fracasso administrativo (mas pelo qual, ressalto, sou apaixonado), sempre imperou a lógica da gestão de time. Ou seja, veja-se quem há para colocar em campo, fé em Deus e pé na tábua. Esse modelo, alimentado pela paixão dos torcedores (e pela ingenuidade dela decorrente de modo inexorável), fez a glória de inúmeros demagogos e oportunistas de plantão (certos radialistas e profissionais de imprensa, alguns líderes de torcida organizada, dirigentes corruptos, políticos, etc).
Apenas de uns anos pra cá, nossos principais clubes dão sinais de que estão dispostos a traçar caminhos mais consistentes em termos de planejamento e gestão. O Ceará, sob a batuta de Evandro Leitão, renasceu das cinzas. O jovem presidente organizou a casa alvinegra, saneou suas dívidas, retomou o prestígio nacional do clube e vem semeando ações de longo prazo. O Fortaleza não quis ficar pra trás e ensaia voos semelhantes, incluindo a perspectiva de um centro de treinamento moderno e bem estruturado na Região Metropolitana e uma forte campanha de marketing em torno do sócio-torcedor.


Outro dia um interlocutor me fez a provocação: em nosso futebol, o que se chama de “boa estrutura” é pagamento em dia. Não deixa de ser uma incômoda verdade. Entre alvinegros e tricolores, tudo ainda é muito incipiente no terreno da gestão de clube. E contentar-se com o que está posto é denunciar nosso complexo de vira-latas. Mas é importante saudar - até para que não voltemos mais uma vez à estaca zero - o que vem sendo feito. O que nos separa dos grandes clubes do País é a continuidade dessa opção.
Clubes com uma gestão fortalecida produzirão times mais qualificados - nunca o contrário. Mesmo porque futebol é jogo, e um jogo onde, mais do que todos os outros esportes, sempre se pode contar com o imponderável. Times perdem e ganham, sobem e descem de divisão. É do jogo. Já os clubes, não. Aqueles bem estruturados ganham sempre - independente do resultado dentro de campo.