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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Penso eu


Por Chico Buarque
Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou.
O texto de Mário Magalhães sobre o assunto das biografias me sensibilizou. Penso apenas que ele forçou a mão ao sugerir que a lei vigente protege torturadores, assassinos e bandidos em geral. Ele dá como exemplo o Cabo Anselmo, de quem no entanto já foi publicada uma biografia. A história de Consuelo, mulher e vítima do Cabo Anselmo, também está num livro escrito pelo próprio irmão. Por outro lado, graças à lei que a associação de editores quer modificar, Gloria Perez conseguiu recolher das livrarias rapidamente o livro do assassino de sua filha. Da excelente biografia de Carlos Marighella, por Mário Magalhães, ninguém pode dizer que é chapa-branca. Se fosse infamante ou mentirosa, ou mesmo se trouxesse na capa uma imagem degradante do Marighella, poderia ser igualmente embargada, como aliás acontece em qualquer lugar do mundo. Como Mário Magalhães, sou autor da Companhia das Letras e ainda me considero amigo do seu editor Luiz Schwarcz. Mas também estive perto do Garrincha, conheci algumas de suas filhas em Roma. Li que os herdeiros do Garrincha conseguiram uma alta indenização da Companhia das Letras. Não sei quanto foi, mas acho justo.
O biógrafo de Roberto Carlos escreveu anteriormente um livro chamado “Eu não sou cachorro não”. A fim de divulgar seu lançamento, um repórter do “Jornal do Brasil” me procurou para repercutir, como se diz, uma declaração a mim atribuída. Eu teria criticado Caetano e Gil, então no exílio, por denegrirem a imagem do país no exterior. Era impossível eu ter feito tal declaração. O repórter do “JB”, que era também prefaciador do livro, disse que a matéria fora colhida no jornal “Última Hora”, numa edição de 1971. Procurei saber, e a declaração tinha sido de fato publicada numa coluna chamada Escrache. As fontes do biógrafo e pesquisador eram a “Última Hora”, na época ligada aos porões da ditadura, e uma coluna cafajeste chamada Escrache. Que eu fizesse tal declaração, em pleno governo Médici, em entrevista exclusiva para tal coluna de tal jornal, talvez merecesse ser visto com alguma reserva pelo biógrafo e pesquisador. Talvez ele pudesse me consultar a respeito previamente e tirar suas conclusões. Mas só me procuraram quando o livro estava lançado. Se eu processasse o autor e mandasse recolher o livro, diriam que minha honra tem um preço e que virei censor.
Nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome. Amanhã a TV Globo pode querer me homenagear. Buscará nos arquivos as minhas imagens mais bonitas. Escolherá as melhores cantoras para cantar minhas músicas. Vai precisar da minha autorização. Se eu não der, serei eu o censor.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

IÔ-IÔ - JOÃO NOGUEIRA

Via Bruno Perdigão

Nos 70 anos de Caetano uma música de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, supostamente feita para Caetano.



Iô-Iô ( João Nogueira e Paulo César Pinheiro)

Iô-iô você exalta a Bahia
porém nunca mais por lá ficou
e deu pra falar mal do Rio morando aos pés do redentor
Até que no início você parecia que era um bom rapaz
Mas com essa mania de estar todo dia em jornal: Falou demais
iô-iô olha o homem que é homem não muda que nem você mudou
Não cospe no prato que come
nem vai contra o povo que o sagrou
em que casa de marimbondo você foi mexer porque é falador
e agora só vai ser chamado de iô-iô
iô-iô que arapuca você colocou a carroça na frente dos bois
e macaco velho não põe a mão em cumbuca e você pôs
Você vive inventando moda
jogada pra estar sempre em cartaz
e é tanta conversa fiada que ninguém agüenta mais
agiu de má fé nas paradas
só que dessa vez ninguém engoliu
e cai numa mesma mancada que agora é uma boca de funil

ninguém mexe com quem tá quieto
ainda mais carioca que é gozador
e agora só vai ser chamado de iô-iô

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Elo - Novo CD de Maria Rita





Saiu o quarto CD da Maria Rita. Com três músicas inéditas - Perfeitamente, Coração a batucar e Pra matar meu coração, e oito regravações. Tem Chico, Edu, Djavan, Caetano, Rita Lee. Em ELO, Maria Rita volta a formação de trio: piano (Tiago Costa), baixo ( Sylvinho Mazzucca) e bateria (Cuca Teixeira). Grandes músicas, uma grande cantora e um belo disco.




Músicas

1. Conceição dos Coqueiros (Lula Queiroga, Lulu Oliveira e Alexandre Bicudo))
2. Santana ( Junio Barreto e João "cello" Araújo)
3. Perfeitamente ( Fred Martins e Francisco Bosco)
4. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti)
5. Menino do Rio  (Caetano Veloso)
6. Pra matar meu coração ( Pedro Baby e Daniel Jobim) 
7. A história de Lily Braun (Edu Lobo e Chico Buarque)
8. Nem um dia (Djavan)
9. A outra (Marcelo Camelo)
10. Só de você (Roberto de Carvalho e Rita Lee)
11. Coração em desalinho (Monarco e Ratinho)

Serviço:
CD -  Elo
Artista: Maria Rita
Gravadora: Warner Music

terça-feira, 3 de agosto de 2010

UMA NOITE EM 67



O filme "Uma noite em 67" é muito bom. "Meu tempo é Hoje" (Paulinho da Viola), "Lóki" (Arnaldo Baptista) e "Ninguém sabe o duro que dei" (Simonal) são superiores. Nem por isso você vai deixar de fazer uma viagem a uma noite de outubro de 1967 onde estão Roberto Carlos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Sérgio Ricardo, MPB-4, Mutantes, Beat Boys, Marília Medalha cantando e falando no Festival da Record. Estes(a) foram os escolhidos para o documentário. Os cinco primeiros classificados.

Óbvio, que a melhor interprete do festival foi Elis Regina, cantando "O Cantador" de Dori Caymmi e Nelson Mota. Mas, não me perguntem porque, os diretores optam por colocar a excelente interpretação somente no final do filme, isto é, nos créditos. Babacas.

Nas entrevistas atuais (de 2007 a 2009), os coloridos do filme, só dá Caetano, Gil, Chico, Sérgio Ricardo, Edu Lobo e MPB-4, acrescentando os dois sempre presentes em qualquer documentário - Sérgio Cabral(PAI) e Nelson Mota. Buga, meu filho, gostou muito do filme e achou muito engraçado alguns depoimentos. O do Chico, falando sobre sua participação/não participação na tropicália é antológico.
Para mim duas falhas - faltou um depoimento da Marília Medalha e o MPB-4 não deveria aparecer nos tempos atuais sem o RUI FARIA. Poderiam esquecer a "briga" e fazer justiça a quem de fato e de direito estava naquela noite no Teatro Paramount.

Uma aula para os repórteres de TV de hoje. Vejam Randal Juliano e Cidinha Campos nos bastidores entrevistando a galera. Muito bom, muito solto. Isso muito, mas muito antes dos "criativos" da MTV. E TUDO ISSO EM PLENA DITADURA MILITAR.

ABAIXO O RESULTADO DO FESTIVAL DA RECORD DE 1967:

III Festival da Música Popular Brasileira.

Realizado no Teatro Paramount (SP).
Prêmio Sabiá de Ouro.

Melhor intérprete: Elis Regina ("O cantador")

1º lugar: "Ponteio" (Edu Lobo e Capinam), com Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo;
2º lugar: "Domingo no parque" (Gilberto Gil), com Gilberto Gil e Os Mutantes;
3º lugar: "Roda-viva" (Chico Buarque), com Chico Buarque e MPB-4;
4º lugar: "Alegria, alegria" (Caetano Veloso), com Caetano Veloso e Beat Boys;
5º lugar: "Maria, carnaval e cinzas" (Luís Carlos Paraná), com Roberto Carlos e O Grupo;
6º lugar: "Gabriela" (Maranhão), com o MPB-4.
Melhor letra: Sidney Miller ("A estrada e o violeiro")
Melhor arranjo: Rogério Duprat ("Domingo no parque")

ASSISTA O FILME NO ESPAÇO UNIBANCO - NO DRAGÃO DO MAR - EM FORTALEZA CEARÁ