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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Eu e meu coração (Lupicínio Rodrigues ) - com Jamelão



Nina Wirtti e Luis Barcelos gravaram a música de Lupicínio Rodrigues no CD Chão de Caminho. Aqui numa interpretação de Jamelão.


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Eu e meu coração (Lupicínio Rodrigues)

Quando o coração tem a mania de mandar na gente
Pouco lhe interessa a agonia que a pessoa sente
Eu, por exemplo, sou um desses infelizes
Que nem direito tenho tido de pensar
Pois meu coração tem a mania de me governar

Eu preciso esquecer a mulher que me fez tanto mal
Tanto mal que me fez
E ele insiste em dizer que lhe quer
E que eu devo lhe procurar outra vez

E por isso vivemos brigando
Toda a vida, eu e o meu coração
Ele dizendo que sim
Eu dizendo que não

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Diumtudo - Os dez discos de 2015 (10)

A pedido de Rogério Ribeiro selecionei meus 10 discos de 2015. Ressalto que são discos dos que comprei durante o ano e não dos que foram lançados no ano. Cheguei a 26 discos, mas o amigo só queria dez. Ficaram muitos bons discos de fora da relação.

10. Adriana Calcanhoto - Loucura



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Eu não sou Louco (Lupicínio Rodrigues)

Samba de Carnaval de Lupicínio Rodrigues, com Isaurinha Garcia.



Eu não sou Louco (Lupicínio Rodrigues)

Eles me chamam de louco,
Porque eu bebo senhor,
Depois que bebo, saio na rua,
Brigando com meu amor.

Louco não senhor,
Eu não sou louco,
Pois um coração magoado,
Não fala baixo, nem bebe pouco,
Louco não senhor,
Eu não sou louco.

Se eles soubessem a minha situação,
O quanto me custa aturar o meu coração,
Iriam compreender, que eu não sou louco,
Pois um coração magoado,
Não fala baixo, nem bebe pouco....
(bis)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Caixa de Ódio (2)



Caixa de Ódio
(Lupicinio Rodrigues)

Tem coisas que as vezes tão fácil julgamos
Que até nos achamos capaz de fazer
Até num coqueiro as vezes trepamos depois não achamos por onde descer
Um arranhãozinho uma simples batida
Tem feito ferida capaz de matar
Por isso que eu sempre vos disse querida
Que a gente na vida deve se cuidar

Você por exemplo jamais pensaria
Que uma fantasia em um carnaval
Um simples prazer de uma noite de orgia
Pudesse algum dia causar tanto mal
Matar um amor que já tem tantos anos
Criar um inferno dentro do seu lar
Fazer do meu peito uma caixa de ódio
Como um coração que não quer perdoar

Caixa de Ódio



Vídeo - TV Cultura.

DVD - CAIXA DE ÓDIO: O UNIVERSO DE LUPICÍNIO RODRIGUES - ARRIGO BARNABÉ

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Caixinha de ódio

 Por Marcus Vinicius


Do grande grande Lupicínio Rodrigues, Caixa de ódio. A quem interessar possa.




Caixa de Ódio (Lupicinio Rodrfigues)

Tem coisas que as vezes tão fácil julgamos
Que até nos achamos capaz de fazer
Até num coqueiro as vezes trepamos depois não achamos por onde descer
Um arranhãozinho uma simples batida
Tem feito ferida capaz de matar
Por isso que eu sempre vos disse querida
Que a gente na vida deve se cuidar

Você por exemplo jamais pensaria
Que uma fantasia em um carnaval
Um simples prazer de uma noite de orgia
Pudesse algum dia causar tanto mal
Matar um amor que já tem tantos anos
Criar um inferno dentro do seu lar
Fazer do meu peito uma caixa de ódio
Como um coração que não quer perdoar

Você por exemplo jamais pensaria
Que uma fantasia em um carnaval
Um simples prazer de uma noite de orgia
Pudesse algum dia causar tanto mal
Matar um amor que já tem tantos anos
Criar um inferno dentro do seu lar
Fazer do meu peito uma caixa de ódio
Como um coração que não quer perdoar

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vingança - Lupicinio Rodrigues

O imenso Jamelão canta Vingança de Lupicinio Rodrigues.


Vingança (Lupicinio Rodrigues)

Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.
Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço
Prá ninguém notar.
O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ela deve estar bem consciente
Do que praticou,
Me fazer passar tanta vergonha
Com um companheiro
E a vergonha
É a herança maior que meu pai me deixou;
Mas, enquanto houver força em meu peito
Eu nao quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança
Aos santos clamar
Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar

domingo, 8 de julho de 2012

A PRISÃO DE LUPICÍNIO


Por José Ribamar Bessa Freire

A Comissão da Verdade não sabe, mas depois do golpe militar de 1964, o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) foi preso e permaneceu vários meses trancafiado, primeiro no Quartel da PE, no centro de Porto Alegre e, depois, no presídio da Ilha da Pintada, apesar de nunca ter tido qualquer atividade política. Lá, foi humilhado, espancado e torturado, teve a unha arrancada para não tocar mais violão e contraiu uma tuberculose agravada pelo vento frio do rio Jacuí.
Quem me confidenciou isso foi um dos filhos de Lupicínio, Lôndero Gustavo Dávila Rodrigues, também músico, 67 anos, que hoje trabalha como motorista na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O fato é pouco conhecido, pois Lupicínio não gostava de tocar no assunto. Preferiu silenciá-lo. Morria de vergonha. "E a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou", cantava ele em "Vingança", um grande sucesso dois anos antes de sua morte.
- Pra quem tem dinheiro ou diploma, a prisão política pode até ser uma medalha, tem algo de heroico. Mas para as pessoas humildes, como ele, que não se metia em política, a prisão é sempre uma humilhação, algo que deve ser escondido, esquecido - conta o filho de Lupicínio, a quem conheci recentemente, quando ele, dirigindo o carro da Universidade, veio me buscar para participar de uma banca de mestrado lá em Seropédica.
A viagem de ida-e-volta durou mais de cinco horas. Nos primeiros cinco minutos, eu já havia lhe contado que era amazonense, do bairro de Aparecida e, quando deu brecha, mostrei-lhe fotos da minha neta. Nos cinco minutos seguintes, ele já tinha me falado de Lupicínio, seu pai, de dona Emilia, sua mãe, de sua infância em Rio Pardo (RS) e de suas andanças como músico por 29 países. Quando nos despedimos, já éramos amigos de infância.
Nervos de aço
Lôndero tem memória extraordinária e admirável dom de narrar. Suas histórias, que jorraram aos borbotões, podem ocupar várias crônicas dominicais. Ele próprio é um personagem, suas andanças dariam um livro. Mas o que ele viveu com seu pai, boêmio e mulherengo, dá outro livro. Não sei nem por onde começar. Talvez por onde já comecei: a prisão do pai, que teria provocado uma reação até mesmo em "pessoas de nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração".
- Nós, da família, sofremos muito com a injustiça da prisão. Sabíamos que Lupicínio não se metia em política - contou seu filho, informando ainda que antes da prisão, o pai havia feito uma versão musical - quanta ironia! - para aquela letra da "oração do paraquedista" encontrada com um militar francês morto em 1943 no norte da África. Lôndero recita:
- Dai-me Senhor meu Deus o que vos resta /Aquilo que ninguém vos pede / Dai-me tudo o que os outros não querem / a luta e a tormenta / Dai-me, porém, a força, a coragem e a fé.
Lupicínio precisou mesmo de muita coragem e fé para amargar a prisão, onde em vez de tainha na taquara ou peixe assado no espeto de bambu, comeu foi o pão que o diabo amassou. Tudo isso por causa de uma ligação pessoal dele com Getúlio Vargas, relação que acabou sendo herdada, posteriormente, por Jango e Brizola.
Segundo Lôndero, Lupicínio, que já era um compositor consagrado em 1950, fez um jingle para a volta de Getúlio Vargas, com aquela marchinha de carnaval de Haroldo Lobo, que foi também gravada por Francisco Alves: "Bota o retrato do velho outra vez / Bota no mesmo lugar / o sorriso do velhinho / faz a gente trabalhar". 
Pede deferimento
Vargas já gostava das músicas de Lupicínio antes de ele ser sucesso nacional. Por isso, decidiu bancar a entrada do compositor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Lupicínio, que havia cursado só até o 3º primário, foi nomeado bedel da Faculdade de Direito, onde trabalhou também como porteiro. 
Um belo dia - conta Lôndero - Lupicínio caiu na farra, virou a noite e saiu direto dos bares para a Universidade. O reitor deu um flagrante nele, quando o encontrou bêbado na portaria. Deu-lhe um esporro, publicamente, humilhando-o na frente de alunos, professores e colegas. No dia seguinte, Lupicínio entrou com um requerimento com letra de samba, que seu filho sabe de cor:
- Magnífico Reitor, que a tua sabedoria e soberba não venha a ser um motivo de humilhação para o teu próximo. Guarda domínio sobre ti e nunca te deixes cair em arrogância. Se preferires a paz definitivamente, sorri ao destino que te fere. Mas nunca firas ninguém. Nestes termos, pede deferimento. Assinado: Lupicínio Rodrigues, porteiro.
Não sabemos se o reitor deferiu o requerimento e a partir de então passou a sorrir ao destino sem ferir ninguém. O certo é que Lupicínio deixou o emprego na Universidade e foi cantar em outra freguesia, em bares, restaurantes e churrascarias, onde aliava trabalho com boemia.
Foi ele, Lupicínio, quem compôs o hino tricolor do Grêmio, do qual era um fanático torcedor, ganhando com isso um retrato no salão nobre do clube. Depois do suicídio de Vargas, em 1954, Lupicínio, já consagrado nacionalmente, continuou mantendo relações amistosas com Jango e Brizola, que também admiravam sua música. Por conta disso, foi preso e torturado, segundo seu filho.
Autor de grandes sucessos como "Felicidade foi se embora", "Vingança", "Esses moços", "Nervos de aço", "Caixa de Ódio", "Se acaso você chegasse", "Remorso" e dezenas de outros, Lupicínio compôs "Calúnia", cuja letra pode muito bem ter outra leitura, quando sabemos de sua prisão e a forma como foi feita:
- Você me acusa / Mas não prova o que diz / Você me acusa / De um mal que eu não fiz/ A calúnia é um crime / que Deus não perdoa / Você vai sofrer / aqui neste mundo.
A letra de "Calúnia", gravada por Linda Batista em 1958, termina com Lupicínio rogando: "Eu não quero vingança / A vingança é pecado / Só a Justiça Divina / Pode seu crime julgar".Mas se prevalecer a letra de "Vingança", cantada também por Linda Batista e depois por Jamelão, os torturadores da ditadura não terão paz e serão punidos pela Justiça: "Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar".


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