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domingo, 27 de novembro de 2011

Beth Carvalho: "A CIA quer acabar com o samba"

por Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro
Fotos - Geoege Magaraia



Ao abrir o elevador, ainda no hall de entrada do apartamento, um quadro com a foto de Che Guevara. Não há dúvidas. Ali é o andar de Beth Carvalho. Ela surge na sala, amparada por duas muletas, que logo deixa de lado para posar para as fotos. “Nunca vi coisa para cair mais do que muletas. Estas meninas caem toda hora”, diz, bem-humorada.
Ainda se recuperando de uma fissura no sacro (osso do final da coluna), aos 65 anos, Beth anda com dificuldades. Ficou dois anos sem pôr os pés no chão. “Estou ótima, salva! Os médicos comentaram com minha filha que eu poderia não andar mais. Mas não me abati. Foi um processo menos doloroso por perceber a prova de amor dos amigos e da família”, relata.
Após quinze anos, a sambista lança o CD de inéditas “Nosso samba tá na rua”, dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo. Uma das letras, “Arrasta a sandália”, é de autoria de sua filha, Luana Carvalho. Cercada de quadros de Cartola e Nelson Cavaquinho, entre almofadas verdes e rosas (cores de sua escola de samba Mangueira), perante uma estante com dezenas de troféus e outra com bonecos de Che, Fidel Castro e orixás, Beth concede a entrevista a seguir ao iG.
No fundo da janela, o mar de São Conrado, bairro vizinho à favela da Rocinha. “A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT. Entre os fartos risos, também não faltaram palavras ríspidas para defender seu ponto de vista.
iG: Qual foi a sensação ao voltar a andar?
BETH CARVALHO: A pior da minha vida. Quando pus os pés pela primeira vez no chão, achei que nunca ia andar de novo. Parecia que não tinha mais pernas, sem força muscular. Depois, com a fisioterapia, a recuperação foi rápida. Precisei colocar dois parafusos de 15 cm cada um, só isso me fez voltar a andar. Agora sou interplanetária e biônica (risos).
iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
BETH CARVALHO: 
O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.
iG: De que forma o samba é machista?
BETH CARVALHO:
 A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).
iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
BETH CARVALHO: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.
iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
BETH CARVALHO: 
Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.
iG: Defende a permanência de Carlos Lupi no Ministério do Trabalho?
BETH CARVALHO:
 Olha, sou presidente de honra do PDT porque é um título carinhoso que Brizola me deu, mas não sou filiada ao PDT. Não tenho uma opinião formada sobre isso, porque não sei detalhes. Existe uma grande rigidez a partidos de esquerda. Fizeram isso com o PC do B do Orlando Silva, e agora fazem com o PDT. O que conheço do Lupi é uma pessoa muito correta. Eles deveriam ser menos perseguidos pela mídia.
iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?
BETH CARVALHO
: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
BETH CARVALHO: 
Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
iG: Por quê?
BETH CARVALHO:
 Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
iG: Como quais?
BETH CARVALHO:
 Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
BETH CARVALHO:
 Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.
iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?
BETH CARVALHO: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes... A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
BETH CARVALHO: 
Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)
iG: Com a democracia...
BETH CARVALHO
: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez... 
BETH CARVALHO: 
Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.
iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
BETH CARVALHO:
 Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.
 
iG: Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?
BETH CARVALHO: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.
iG: Quem é o culpado?
BETH CARVALHO
: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.
iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
BETH CARVALHO: 
Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.

domingo, 20 de novembro de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

“A arquitetura ainda me convoca com toda a força”, diz Oscar Niemeyer

por Bruno Yataka Saito

Segundo relatos da história, Napoleão teria dito que, dentro da imponente catedral de Chartres, um dos principais exemplos da arquitetura medieval, até os ateus se sentiam desconfortáveis. Nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer não teve a chance de contradizer pessoalmente o imperador francês (1769-1821) sobre a atmosfera proporcionada por uma igreja.

Para este arquiteto ateu “desde muito cedo”, igrejas nunca o fizeram cogitar a possibilidade de existência de Deus. Suas convicções, no entanto, não o impedem de projetar várias construções ligadas ao sagrrado.

O livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, que será lançado amanhã (dia 23), reúne imagens e desenhos dessas 16 obras (executadas de fato ou não), como a Catedral de Brasília, o templo da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Paricatuba, PA) e a famosa Igreja da Pampulha (Belo Horizonte, MG).

Inaugurada em 1943, a construção em Minas Gerais causou certo desconforto local à época devido, entre outros fatores, às suas formas inovadoras. Em Pampulha, Niemeyer mostrou as diretrizes de seu trabalho posterior. Forma e estrutura são um elemento apenas, em que o concreto revela-se plasticamente flexível, resultando em uma construção ousada e sinuosa para a época. Durante anos os cultos foram proibidos na Igreja da Pampulha.

Aos 103 anos, Niemeyer é uma das principais referências de Brasil para o mundo, admirado não apenas por arquitetos e não apenas pela idade. Este carioca é de uma época anterior a iPhone, internet e televisão, de um tempo em que o homem ainda não tinha chegado à Lua e que duas guerras mundiais encontraram espaço para explodir. Viu as turbulências do Brasil, Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek, ditaduras e Fernando Collor, mas continuou firme na sua crença no PT.

“Vivemos um momento importante. Não posso avaliar se este seria o mais promissor de nossa história... Tenho a certeza de que houve avanços sociais relevantes graças ao empenho do presidente Lula”, afirma Niemeyer.

Se levarmos em conta o benefício da aposentadoria por idade, aos 65 anos para os homens, faz 38 anos que Niemeyer trabalha a mais, já que descarta a possibilidade de parar. As ideias e os pensamentos seguem contínuos, como mostra nesta entrevista exclusiva ao Valor.

Valor: Nunca cogitou a possibilidade de acreditar em Deus?

Oscar Niemeyer: Eu defini essa minha posição em relação à religião desde muito cedo, apesar das minhas origens familiares católicas. Na introdução que escrevi para o livro “As Igrejas de Oscar Niemeyer”, procurei lembrar que na casa dos meus avós maternos em Laranjeiras minha avó organizava missas todos os domingos, a que muita gente assistia. Eram pessoas de muito boa índole, solidárias e generosas, acima de tudo tementes a Deus.

Valor: Qual a diferença entre projetar uma igreja e outros tipos de construções? O fato de a igreja ser um lugar sagrado para seus frequentadores interfere no modo como o sr. idealiza o projeto?

Niemeyer: Sempre apreciei esse tema, procurando responder, com a minha fantasia de arquiteto, a tal identificação que muitos fazem desses templos religiosos como lugares do sagrado. Isso tudo sem que eu tenha alguma crença dessa ordem.

Valor: A sua fé no comunismo nunca se abalou? O sr. acredita que os modelos de esquerda vigentes na Venezuela, em Cuba e na China são eficazes? Niemeyer: Continuo a defender a mensagem básica que é possível reconhecer nos escritos de Marx – a sua confiança no advento de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Aprecio muito a coragem política e a capacidade de resistência ao imperialismo dos EUA de líderes como Fidel – em primeiro lugar – e Chávez... Não sou cientista político; portanto, não posso avaliar “tecnicamente” o grau de eficácia do modelo político adotado na Venezuela e na China.

Valor: O sr. está gostando do governo de Dilma Rousseff ou preferia o governo do Lula? Por quê?

Niemeyer: Estou gostando bastante do governo da presidente Dilma. Acho prematuro fazermos comparações entre este e a gestão de Lula – um líder inconteste do povo brasileiro a quem admiro profundamente.

Valor: Os casos de corrupção que acontecem atualmente e aconteceram no governo abalaram a sua confiança no PT?

Niemeyer: Atenção, há outros partidos ou integrantes de partidos diversos do PT envolvidos em esquemas de corrupção que vêm sendo desmascarados...

Valor: O Brasil está preparado para receber uma Copa do Mundo e uma Olimpíada?

Niemeyer: Acho que sim. É bem verdade que caberá a nossos dirigentes políticos assegurar as condições de realização dos grandes eventos desportivos a terem lugar.

Valor: O sr. pensa em aposentadoria? O que o motiva a continuar trabalhando?

Niemeyer: Que é isso? A arquitetura ainda me convoca, com toda a força, e permanece este meu entusiasmo em prosseguir, realizando esta arquitetura diferente, tão pessoal, que tenho defendido desde o projeto da igrejinha de São Francisco de Assis na Pampulha. Projeto que, aliás, se encontra bem destacado no meu novo livro sobre as igrejas.

Valor: Como o sr. avalia o governo Barack Obama? Acredita que a atual crise econômica nos EUA indica a falência de um modelo?

Niemeyer: Os Estados Unidos enfrentam nova crise – recorrente – que tem marcado a história do capitalismo. É evidente que todo o quadro presente me preocupa... até porque o aprofundamento de tal crise deverá afetar os países emergentes, a exemplo do Brasil.

Valor: Como o ideal comunista do sr. se traduz nos seus projetos?

Niemeyer: Considero que não existe essa conexão de que vocês falam. Mas é evidente que os meus projetos têm por objetivo garantir a todos que visitam as minhas obras – independentemente de sua classe ou status social – um momento de surpresa, que é possível associarem a minha busca permanente da beleza e da invenção. Valores que podem ser apreciados por todo mundo.

http://www.valor.com.br/cultura/982458/%E2%80%9C-arquitetura-ainda-me-convoca-com-toda-forca%E2%80%9D-diz-oscar-niemeyer

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O bom humor de Fidel Castro




 Fidel Castro 



Saltillo é uma cidade do México capital do estado de Coahuila. Sua população é de 648.929 habitantes, e com de 725.259 na sua área metropolitana. Localizado na região sudeste, a 75 quilômetros a oeste de Monterrey, do estado de Nuevo León, e 400 km ao sul da fronteira com o Texas, do Estados Unidos.

Nesta cidade existe um jornal chamado Vanguardia (http://www.vanguardia.com.mx).  E no tal jornal 
existe um articulista chamado Jesus R. Cedillo.

"Escritor e jornalista, ele publicou nos principais jornais e revistas no México.  Já publicou vários livros de poemas, incluindo: Apresentação de um raio e Elogio da fruta."

"Atualmente está preparando o volume de ensaios: As formas do fogo e do livro de poemas, O Livro dos Reinos. É dedicado ao jornalismo e literatura tempo integral. Ele estudou teologia."


Pois não é que indigitado escreveu um artigo chamado "Rumor Verdadeiro" desancando Fidel e Chavez e desejando-lhes as mortes, quicá imediata.

Mas "last but nor least", o comandante Fidel "tuíta" o tal artigo para os seus 31.500 seguidores. Resultado: me fez saber que existe um jornalista reacionário numa cidade mexicana chamada Saltillo. 
Nenhuma novidade pois articulistas reacionários também os temos na terrinha.

A novidade? O bom humor do comandante. 



 Fidel Castro