Não ir a Recife no Carnaval. Saudades de Lily.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 16 de março de 2011
O carnaval troa e o Recife dorme
Ronaldo Correia de Brito
Do Recife (PE)
Do Recife (PE)
As cidades se inventam no imaginário dos artistas. Conheci o Recife aos oito anos, muito antes de chegar por aqui, quando meu pai sintonizava a Rádio Clube de Pernambuco, lá na cidade do Crato, distante quase setecentos quilômetros. Uma canção me tocava especialmente, a marcha de bloco composta por Nelson Ferreira, conhecida por Evocação. É claro que só vim saber desses detalhes técnicos bem depois. Achava estranhíssimos os nomes evocados por Nelson:
Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs- Fum
Dos carnavais saudosos?
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs- Fum
Dos carnavais saudosos?
Repeti esses versos durante anos, sem saber o que significavam, apenas pelo encantamento das palavras e a sonoridade da música. Achava misteriosos esses tais Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Fenelon, que ainda hoje não sei quem foram, mas suponho terem sido fundadores de blocos carnavalescos. Em seguida, vinham três versos que excitavam minha imaginação infantil: um retrato de mulheres e homens fantasiados, cheirando lança-perfume e varando madrugadas, cantando e dançando pelas ruas de uma cidade grande e carnavalesca:
Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha regresso
Que era o sucesso
Dos tempos ideais
Do velho Raul Morais.
O coro entoava
Do bloco a marcha regresso
Que era o sucesso
Dos tempos ideais
Do velho Raul Morais.
E nesses últimos três versos, a clássica nostalgia de tempos ideais, que nunca mais voltarão, esboçando um perfil sombrio e dolorido da cidade que se esbalda em folia e frevo. Raul Morais, o compositor que conheci velho em 1975, já era representado velho em 1957, ano em que a música foi lançada. Dessa maneira, carrega-se nas cores do sentimentalismo, da tristeza e da saudade.
Em mais de sessenta anos de blocos e marchas carnavalescas, quase nada mudou. O recifense, que sempre fez revoluções, não deseja mexer nos seus blocos: Flor da Lira, Banhistas do Pina, da Saudade, Lili, Madeiras, Paraquedistas, Inocentes do Rosarinho, Pierrôs de São José e por aí afora. Deixa tudo como está: "sentindo que a alma chora e o coração fremente diz findou-se o carnaval"; pois nunca mais "hão de voltar os tempos felizes que passou em outros carnavais"; e vai às ruas "dando adeus pra nunca mais sair". Embora retorne todos os anos, "dizendo bem que o Recife tem o carnaval melhor do meu Brasil".
Nostalgia sempre. Nostalgia. Como na Evocação de Nelson Ferreira, que cantou um Recife embalado por melodia triste, num país "deitado eternamente em berço esplêndido".
E Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia.
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia.
Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca, Livro dos Homens e Galiléia.
essa é do terra magazine - http://migre.me/43skQ
sexta-feira, 11 de março de 2011
A Hino do "Nem sempre Lily toca Flauta"
| Nem sempre Lily toca flauta |
Um pouco da História: Trata-se de uma brincadeira do Carnaval do Recife, surgida em 1989 através de um grupo de foliões (em sua maioria professores da UFPE) que se reunia nas sextas feiras de Carnaval nos bairros de S. José e Santo Antônio. Nos primeiros anos, começávamos a brincadeira no Mercado de S. José e terminávamos no fim da tarde no Bar Savoy. Depois nos mudamos para o Pátio de São Pedro, e, após alguns anos, resolvemos colocar um novo Bloco na rua. Surgiu o Bloco Carnavalesco Misto Nem Sempre Lily Toca Flauta, cujo nome veio de uma troça com essa denominação, que desfilava pelas ruas do Recife no início do Século XX (o pescador Evandro Rabelo nos mostrou registro na imprensa do ano de 1915). O “Lily” tem desfilado nos bairros de São José e Boa Vista, chegando atualmente a arrastar mais de mil pessoas, com animadas concentrações prévias realizadas no Pátio de São Pedro ou no Mercado da Boa Vista. Nosso bloco combina a tradição dos blocos carnavalescos do Recife (orquestra de pau e corda, marchas de bloco, fantasias, flabelo, etc.), com uma dose própria de irreverência e um mínimo de organização. Além da saída da sexta feira o bloco realiza alguns acertos de marchas, uma prévia e participa da organização de um evento na terça-feira de Carnaval, denominado “Saidera dos Blocos”, no Poço da Panela, este em parceria com o bloco “Paraquedista Real”. Começando como uma brincadeira despretenciosa, Lily já inspirou compositores como Manoel Malta, Carlos Fernando, Lula Queiroga, Getúlio Cavalcanti, Fred Monteiro, Gorki Mariano, Mufula, Romero Amorim, Bráulio de Castro e Inaldo Moreira, tendo gravado o CD “NEM SEMPRE LILY TOCA FLAUTA”, lançado no Carnaval de 2004. Inspirou, também, o advogado e escritor Clávio Valença a escrever o livro “DONA LILY DO GRÃO PARÁ – Uma Biografia Desautorizada”, em 2003. |
Escute o Hino do Bloco - Nem sempre Lily toca flauta.
Blocos Líricos - Recife 2011
No Pátio de São Pedro em Recife - Carnaval 2011. Os Blocos Líricos - "Eu quero mais", "Madeira do Rosarinho" e "Cordas e Retalhos"
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