Quem sou eu

Minha foto
Agrônomo, com interesses em música e política
Mostrando postagens com marcador cocó. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cocó. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de agosto de 2013

Vem pra rua, Fortaleza!

Por Bruno Perdigão

Foto - Fábio LIma

É perceptível a dificuldade de parte população em aceitar que soluções diferentes das convencionais possam ser aplicadas para os problemas urbanos de nossa cidade. Nem sempre é por falta de conhecimento ou informação, afinal, excelentes exemplos de outras cidades estão sendo mais difundidos e a opinião de profissionais ligados ao urbanismo está sendo ouvida. No entanto, quando se propõe soluções inovadoras para Fortaleza, a resistência ainda é muito grande. Parte dessa resistência se deve ao imediatismo característico de como a cidade tem sido feita nos últimos anos: obras e mais obras, sempre no intuito de resolver um problema pontual que se diz urgente. Porém, o que não faltam em nossa cidade são problemas urgentes. Mas como se definem prioridades?

O episódio do viaduto, em Fortaleza, é mais um ingrediente que torna necessário ampliar o debate sobre a Cidade. Dentro desse contexto, o tema da mobilidade urbana aparece ainda mais forte e, como todo tema que ganha destaque, corre risco de sofrer desgastes. Muitas vezes a questão parece ser reduzida apenas a ser contra viadutos ou a favor de faixas exclusivas para ônibus e ciclovias, além de virar discurso fácil pra qualquer gestor justificar qualquer obra. Devemos aproveitar o momento para repensar um ponto fundamental de nossa cidade que é a rua. É um diagnóstico comum dizer que Fortaleza carece de espaços públicos de qualidade, porém, geralmente nos referimos apenas a praças e parques, e esquecemos que a maior quantidade de espaços públicos que temos na cidade é formada por ruas. Dificilmente conseguimos imaginá-la de outra forma que não sendo de asfalto e concreto, feita para carros e não para pessoas. Dessa maneira, estamos abrindo mão de uma enorme área de espaços públicos que poderiam ser feitos de maneira a melhorar nossa qualidade de vida, com mais conforto, arborização, sombra, mais espaços de convivência, de lazer, com menos barulho de buzinas e motores.

As ruas podem ser de diversos tipos, de maneira a atender as demandas específicas de cada área da cidade. Podem ser exclusivas para pedestre, aumentando o conforto do passeio e aumentando o fluxo de pessoas. Podem ter uso compartilhado, em que o fluxo de carro é permitido, mas é controlado. As avenidas podem ter calçadas largas para tornar a via um espaço menos opressor à caminhada. Podemos ter ruas com mais áreas verdes, onde as árvores servem para fazer sombra, melhorando o conforto do transeunte, e os jardins servem para absorção das águas da chuva, contribuindo para diminuir os alagamentos. As possibilidades são muitas e quase nunca discutidas. Repensar a maneira como fazemos nossas ruas é repensar a cidade inteira e essas pequenas medidas feitas em grande escala teriam um impacto muito grande na melhoria da qualidade do espaço urbano.

Mobilidade urbana, no entanto, é apenas um dos fatores do planejamento urbano. Precisamos discutir o uso e a ocupação do solo, a necessidade de adensar áreas dotadas de infraestrutura, um modelo de verticalização da cidade que não seja predatório, as demandas de habitação social, a conservação do nosso patrimônio histórico, a requalificação do Centro da cidade. O planejamento tem que atender a diversas questões. O que não é mais admissível é que todos os projetos e obras públicas da nossa cidade sejam impostos de maneira autoritária: surgem “do nada”, muitas vezes sem autoria explícita, licitados com projeto básico e vendidos como “a única solução viável”. A principal lição que nós fortalezenses precisamos tirar desse imbróglio do viaduto é que podemos e devemos ser ouvidos sobre os projetos desenvolvidos pra nossa cidade. Para isso, os concursos públicos de projeto e os planos participativos são as melhores opções para democratizar as soluções arquitetônicas e urbanísticas.

Existe um esforço por parte de grupos, tanto do setor público como do privado, de desqualificar a ideia de planejamento participativo, geralmente com argumentos de que gera ineficiência e que “a cidade não pode parar”. Mas a quem interessa não ter um planejamento pra seguir? A quem interessa que a população não possa participar das decisões? Para além da discussão técnica, existe um comportamento em nossa cidade que precisa ser superado. Algumas práticas de nossa sociedade - que sempre busca segmentar ao máximo os lugares que frequenta, criando áreas VIP, camarotes, cordão de isolamento, etc -, são refletidos no pensamento sobre a cidade. Para esses setores, é difícil aceitar a ideia de espaços coletivos, acessíveis a todos, onde pessoas de diversos tipos e classes sociais se misturam. Devemos acabar com a tendência constante de segregação dos espaços para, enfim, podermos pensar numa cidade melhor.

Bruno Perdigão é arquiteto e urbanista

sábado, 17 de agosto de 2013

Homofobia ecológica

Por Plínio Bortolotti

Um vídeo postado no Facebook pelo Nossa Tribo, coletivo de comunicação autodenominado “independente”, a exemplo da mais conhecida Mídia Ninja, mostra uma professora da Universidade Estadual do Ceará, “doutora em Filosofia pela PUC-SP”, investindo com violência verbal inaudita contra os guardas municipais que promoveram a desocupação do Parque do Cocó, na madrugada do dia 8 deste mês.

No momento em que ela confronta os guardas, aos gritos, eles não reagem. Apesar disso, o ataque da professora poderia ser justificado - pela vista dos manifestantes ou mesmo por quem de fora - pela pela violência, essa física, utilizada pela Guarda Municipal na ação. Poderia, se o destampatório verbal da “doutora em Filosofia” não fosse vazado em termos, todos eles, escandalosamente homofóbicos.

Não me atrevo a repetir nenhum dos xingamentos aqui, mas quem quiser ir ao vídeo para ouvir o chocante discurso - e ver a fúria com que professora o pronuncia (sob aplauso de companheiros circundantes), pode digitar este endereço; mas aviso, tirem antes as crianças da sala. Vídeo: http://goo.gl/KBj5gx - post: http://goo.gl/WvVqus.

Se fosse alguém da “direita” a usar termos assim, o negócio seria um escândalo, “repercutido” com críticas e acusações em toda a mídia social. Mas sendo uma “ecologista”, o Nossa Tribo classifica o discurso horrorosamente homofóbico como “intenso” e faz elogios à professora, dizendo que “ela sabe o que fala” (sic).

E aqui entramos - o espaço é pequeno para um debate mais aprofundado - na conversa sobre as mídias “independentes”, que reconheço como um tipo de jornalismo, mas às quais não se pode permitir tudo, como se fossem crianças voluntariosas.

O papel mais importante da imprensa é buscar a verdade (sim, eu acredito em velharias). Se uma palavra é homofóbica quando pronunciada pela “direita”, ela continua sendo quando dita pela “esquerda”. E se a mídia “independente” não compreender isso, é porque não está entendendo nada.

Plínio Bortolotti

http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2013/08/15/noticiasjornalopiniao,3111218/homofobia-ecologica.shtml

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Legalização do Parque do Cocó já!

por Arnaldo Fernandes
Parque do Cocó

A propósito da relevância do mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, importante evidenciar a necessidade de preservação dos ecossistemas responsáveis pela reprodução e manutenção das condições de vida de toda a biodiversidade (fauna e flora) existente no planeta, como os oceanos, as florestas, os manguezais, as dunas etc.

Assim, devemos voltar nossa atenção ao cuidado com a natureza, que, no espaço urbano, se encontra, sobretudo, nas chamadas áreas verdes formadas por espaços arborizados compostos por recursos hídricos e/ou outros atributos ambientais.

Em Fortaleza, na bacia hidrográfica do rio Cocó, que alcança cerca de 2/3 do território da cidade, está nosso maior patrimônio ambiental.

Apesar disso, o rio Cocó e todos os ecossistemas (mangue, dunas etc) ao qual se encontra interligado, vêm, ao longo de várias décadas, sofrendo com a voracidade da especulação imobiliária e com pesadas obras (estradas, pontes etc) levadas a efeito pelo poder público, as quais abrem ensejo ao aumento do fluxo de automóveis e proporciona ainda mais ‘fôlego’ à especulação imobiliária, devido à valorização dos terrenos decorrente da construção dessas obras infraestrutura urbana em áreas ambientalmente sensíveis.

Há quase 30 anos o povo de Fortaleza luta pela garantia de preservação do Cocó. De lá para cá, o processo de criação do Parque do Cocó nunca foi concluído. Em 2008, um estudo coordenado pelo Conpam (órgão responsável pela Política Ambiental do Estado) definiu que a área ideal para a criação do Parque do Cocó, como Unidade de Conservação de Proteção Integral, é de 1.312,30 hectares.

Essa área é defendida pelo Movimento Ambientalista e também pelo Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou uma Ação Civil Pública pedindo que seja garantida a preservação dessa área.

Com o propósito de apoiar a excelente iniciativa do MPF acima mencionada e mobilizar a população para pressionar o Governo do Estado do Ceará a resolver definitivamente a situação de criação legal do Parque do Cocó, o SOS Cocó, grupo ambientalista que existe desde 1985, lançou a campanha ‘Legalização do Parque do Cocó Já!’, que, dentre outras iniciativas, tem uma petição online publicada no famoso sítio eletrônico Avaaz, a qual pode ser acessada pelo endereço http://bit.ly/18oeQXM

A participação de todos é fundamental para conseguirmos garantir a preservação definitiva do Cocó, mais importante área verde da cidade e patrimônio ambiental do povo de Fortaleza.

Juntos somos fortes!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Audiência Pública sobre a Ponte sobre o Rio Cocó




Ponte estaiada servirá para "enfeitar Centro de Eventos", diz petista

Por Bruno Pontes

A ponte estaiada sobre o rio Cocó será construída pela gestão Cid Gomes (PSB) para, segundo o vereador Deodato Ramalho (PT), “enfeitar o Centro de Eventos” e “abrir caminho para a ocupação de grande parte do Cocó”. Deodato foi secretário do Meio Ambiente na última gestão da ex-prefeita Luizianne Lins e atualmente é líder da bancada do PT na Câmara Municipal.



O petista pediu, na segunda-feira passada, ao Ministério Público Federal que proponha debate com representantes da Prefeitura sobre a obra, que segundo o vereador custará R$ 298 milhões.

Os petistas na Câmara Municipal voltaram a criticar o projeto, aprovado em 24 de abril após tramitar em regime de urgência. Por sua vez, o líder do prefeito, Evaldo Lima (PCdoB), salientou que a ponte faz parte das ações da Prefeitura para melhorar o trânsito na cidade.

Para Deodato, a emenda que criava uma via paisagística à margem da cerca do Parque do Cocó - e que acabou sendo vetada pelo prefeito Roberto Cláudio (PSB) - foi inserida no projeto para desviar a atenção dos parlamentares à ponte estaiada, a qual, conforme o petista, não trará grande benefício ao fluxo de veículos. “A ponte será perpendicular à avenida Washington Soares. Portanto, ela não é alternativa para desafogar o trânsito. Pelo contrário, abre espaço para jogar mais trânsito na avenida”.

Ocupação do Cocó
- Exibindo gráfico com detalhes da obra publicado no O POVO em 1º de maio (veja acima), Deodato disse que “o objetivo dela é abrir caminho para a ocupação de grande parte do Cocó. A ponte é única e exclusivamente para enfeitar o Centro de Eventos. Vai ligar a Cidade 2000 ao Centro de Eventos. Não há necessidade. A emenda era o bode na sala para a ponte passar”.

Em resposta, Evaldo Lima destacou que o Governo Federal vai investir dinheiro na construção da ponte. “Então me surpreende que a bancada petista se posicione contra um projeto que conta com a colaboração da presidente Dilma”, disse o comunista.

Cláudia Gomes (PTC) também defendeu o projeto: “A ponte sozinha não vai melhorar a mobilidade, mas ela está inserida num conjunto de obras pensado com o objetivo de melhorar o trânsito em Fortaleza”.

ENTENDA A NOTÍCIA

Prefeitura e Governo estadual defendem a construção da ponte estaiada como forma de melhorar o trânsito. Petistas dizem que objetivo poderia ser alcançado com prolongamento de ruas já existentes.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Veja como votaram os vereadores sobre emenda que separa Parque do Cocó da Arie das Dunas

Confira como votaram os vereadores sobre a emenda que cria via separando o Parque do Cocó da Arie das dunas do Cocó. Ao todo, foram 23 votos a favor, sete contra e uma abstenção:

A FAVOR:
A onde É (PTC)
Alípio Rodrigues (PTN)
Antônio Henrique (PTN)
Bá (PTC)
Carlos Mesquita (PMDB)
Casimiro Neto (PP)
Didi Mangueira (PDT)
Elpídio Nogueira (PSB)
Eulógio Neto (PSC)
Fábio Braga (PTN)
Germana Soares (PHS)
John Monteiro (PTdoB)
José do Carmo (PSL)
Leonelzinho Alencar (PTdoB)
Magaly Marques (PMDB)
Mairton Felix (DEM)
Marco Aurélio (PSC)
Martins Nogueir (PSB)
Márcio Cruz (PR)
Paulo Diogénes (PSD)
Tamara Holanda (PSDC)
Vaidon Oliveira (PSDC)
Zier Férrer (PMN)

CONTRA:
Acrísio Sena (PT)
Deodato Ramalho (PT)
Guilherme Sampaio (PT)
João Alfredo (Psol)
Leda Moreira (PSL)
Ronivaldo Maia (PT)
Toinha Rocha (Psol)

ABSTENÇÕES:
Carlos Dutra (PSDB)

Dez vereadores não votaram.


http://www.opovo.com.br/app/politica/2013/04/23/noticiaspoliticas,3044215/veja-como-votaram-os-vereadores-sobre-emenda-que-separa-parque-do-coco.shtml

domingo, 30 de dezembro de 2012

Democracia participativa: referendo em defesa do Cocó


Editorial do jornal O POVO de 27 de dezembro de 2012
Um ato de marcante simbologia e cidadania foi realizado, ontem, pela prefeita Luizianne Lins, ao apresentar à Câmara Municipal o projeto de iniciativa popular de veto à construção de qualquer obra – exceto as de utilidade pública ou interesse social – na área do Parque do Cocó. A iniciativa é prevista na Lei Orgânica do Município de Fortaleza (LOM), uma das mais avançadas em termos de democracia participativa.
O projeto legislativo de iniciativa popular foi encaminhado de acordo com a lei que exige a assinatura de 5% dos moradores da área circundante para sua apresentação ao Legislativo Municipal. Foi justamente o que aconteceu, graças à mobilização de 750 cidadãos eleitores residentes no bairro pelo Movimento Veto Popular em Defesa do Cocó. Agora se espera que, atendendo à manifestação da vontade popular, o próximo presidente da Câmara convoque um referendo para a aprovação ou rejeição da proposta.
Desde já, os fortalezenses são privilegiados por duas coisas importantes: primeiro, por terem um patrimônio natural de suprema importância para a sua qualidade de vida: o Parque do Cocó; em segundo lugar, por ser uma das poucas cidades do País e da América Latina a dispor de um instrumento de cidadania tão importante como a LOM para defender os interesses da Cidade, através da participação direta de seus cidadãos.
Em termos de patrimônio natural, há uma crescente consciência cidadã de que é preciso conservar o que restou da devastação dos últimos 40 anos. Na fúria da urbanização sem critérios todo o legado da natureza foi depredado: riachos, córregos e lagoas foram aterrados, indiscriminadamente, e bosques foram derrubados, sem planejamento, eliminando uma rica flora e uma fauna não desprezíveis. Restou o Parque do Cocó, ainda assim, constantemente ameaçado.
Graças aos mecanismos de democracia participativa, o próprio povo adquiriu o direito de intervir diretamente na defesa da Cidade e de sua qualidade de vida. Resta esperar que a futura Câmara esteja sintonizada com a vontade popular e torne efetivos esses instrumentos legais que ainda não ganharam efetividade pela resistência surda dos que não admitem o avanço da democracia em nível municipal.

sábado, 1 de dezembro de 2012

O rio Cocó versus Fortaleza

Por Marcus Vale*

Eu acho engraçado o espanto dos amigos quando lhes digo que moro do outro lado do rio.

"Quê rio?!", retrucam eles.

 De uma maneira geral o fortalezense não tem consciência de que temos um rio. Na verdade, dois, considerando que as barras do Rio Cocó e do Rio Ceará são os dois extremos da zona litorânea mais urbanizada da capital cearense. Atravessar a barra do Rio Ceará, por exemplo, define sua saída para o município de Caucaia. Já a barra do Cocó nos separa da Sabiaguaba, mas o rio já vem do meio da zona urbana do município de Fortaleza. 

Certamente, não se trata de um Amazonas ou um Araguaia. Na verdade, para os padrões amazônicos, nosso velho Cocó, no máximo, não passaria de um pequeno igarapé. 

Mas, mesmo assim, pequenino, são necessárias pontes para atravessá-lo. Portanto, se moro do outro lado do rio, dependo de ponte e ponte não é exatamente o forte de nossa cidade. Assim, meus trajetos para chegar ao trabalho, aos amigos, às principais atrações da cidade, estão diretamente dependentes da localização das poucas pontes existentes. É curioso que a gente não se dê conta disso, apesar de fazermos trajetos aparentemente ilógicos por causa delas. 



Na minha infância e adolescência tinha-se consciência de que a gente precisava atravessar o Cocó para ir até Messejana e de lá ir para boa parte do mundo conhecido. Hoje a cidade ultrapassou a fronteira demarcada pelo Cocó e se expande com rapidez engolindo antigos sítios e fazendas que outrora abasteciam a nossa querida urbe.

 A cidade passou por cima do Cocó sem tomar conhecimento dele, muito embora o velho rio não tenha abdicado do direito de exigir pontes para atravessá-lo. No entanto, a cidade nunca o homenageou com uma ponte de vergonha, bonita, larga e majestosa como, por exemplo, as do Capibaribe, no Recife. Uma das poucas sobre ele localiza-se na BR 116. Ninguém nem se apercebe de que atravessa o Cocó. Se não prestar muita atenção você nem o vê. Parece até que a ponte foi construída com o intuito de escondê-lo. Pobre Cocó.

O desprezo ao nosso rio é grande. Poluído, escondido, apertado, mas mesmo assim sobrevive e nos agracia com seu grande manguezal que durante muito tempo, até os anos setenta, pelo menos, foi explorado como salina. Quem diria que aquele deserto de sal poderia se transformar no maior parque ecológico urbano da América Latina. Foi um grande exemplo de auto-recuperação da natureza. Basta não agredi-la para que ela resolva seus males, sozinha. Mesmo com a criação do parque, é necessário que a população mantenha-se atenta para evitar as invasões cometidas pela voracidade dos empreendimentos imobiliários, como já aconteceu em alguns pontos dele.

Em uma de suas áreas de expansão, dentro de Fortaleza, o Cocó formou um grande lago ao qual a população em geral não tem acesso, nem mesmo visual, posto que, fica rodeado por uma grande favela. Nunca o vi de perto, ao vivo e a cores, mas o observo nos mapas e fotografias aéreas da cidade ou quando viajo de avião. Fica nas imediações da Avenida Raul Barbosa, perto do trecho que dá acesso ao viaduto que nos leva ao aeroporto internacional. Gostaria muito de visitá-lo, mas receio ir lá sem conhecer os riscos que poderia correr. A julgar pelo que vejo da ponte sobre o rio e alguns braços ou canais que se comunicam com ele, não imagino que exista qualquer programa de preservação ambiental e temo que seja usado como lixeira a céu aberto.
Bem que nossos governantes poderiam estudar uma forma da nossa população se beneficiar dessa paisagem ainda desconhecida e tão perto de todos. Claro que não seria uma tarefa muito simples já que envolve não só obras de engenharia, mas também sérias questões sociais/habitacionais. Com certeza, seria uma iniciativa impactante que daria a Fortaleza mais um belo espaço urbano. 

* Marcus Vale é professor da UFC e compositor.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Desembagador indefere liminar ajuizada por Magaly Marques

;ivna@diariodonordeste.com.br; escreveu:
O desembargador Rômulo Moreira de Deus indeferiu liminar ajuizada pela vereadora Maria Magaly Marques Dantas, pedindo a suspensão da decisão de 1º Grau que extinguiu ação sobre a nulidade do Projeto de Lei que criou a Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), no Parque do Cocó. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (19/12).

A vereadora alegou que o referido processo legislativo alterou o Plano Diretor de Fortaleza (Lei Complementar nº 60/2009) e violou regras regimentais da Câmara. Por esse motivo, entrou com ação contra o Município e o presidente da Câmara de Fortaleza.

Segundo a parlamentar, o presidente do Legislativo municipal deu andamento ao processo que culminou com a aprovação da lei nº 9.502/2009, mesmo tendo conhecimento do recurso, relativo ao descumprimento do quórum, apresentado por ela.

Na contestação, o Município e o presidente da Câmara defenderam a decisão do titular da 8ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, juiz Francisco Luciano Lima Rodrigues. No último dia 24 de outubro, o magistrado extinguiu o mandado de segurança impetrado pela vereadora.

Na decisão, o juiz considerou que a parlamentar não apresentou documentos comprovando o descumprimento do Regimento Interno da Câmara. Em vista disso, determinou a extinção do processo devido à ausência de prova pré-constituída.

O desembargador Rômulo Moreira de Deus entendeu que a ação “não se ajusta à excepcionalidade de seu cabimento”, pois foi interposta quando a proposição legislativa impugnada já havia sido votada e aprovada pela Câmara. “A realidade concreta dos autos projeta aparente desvirtuamento da tutela jurisdicional pretendida, convertendo-se a Justiça num indevido espaço de prosseguimento do debate parlamentar”.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cenas Urbanas (5)

Por Marcus Vinicius

Esta imagem nos mostra a área que foi demolida para construções de torres residenciais. Fica no cocó na rua Andeade Furtado com Otávio Lobo e Bento Albuquerque, em Fortaleza.Ce.  Também são importantes para a questão ambiental as demolições de prédios comerciais e unidades domiciliares para a construções de torres residenciais. Adensamento populacional, aumento de transito etc

Área do Cocó - demolida para construção de torres residenciais