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quarta-feira, 7 de junho de 2017

QUEM É O EMPRESÁRIO MILIONÁRIO QUE FEZ A REFORMA TRABALHISTA PASSAR IRRETOCADA EM COMISSÃO DO SENADO

por Helena Borges

UM REPRESENTANTE PATRONAL: empresário dono de companhias em diferentes áreas, com um patrimônio estimado em aproximadamente R$400 milhões, acionista com investimentos em diversos bancos dentro e fora do país. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) é o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde foi concluída ontem a primeira fase de discussões e análises da Reforma Trabalhista no Senado. Sob seu comando, a Comissão levou as discussões a toque de caixa, a leitura de relatórios foi cortada e todas as possíveis emendas ao projeto de lei foram vetadas. Agora, ele se volta para o plenário, para onde retornará também a proposta da reforma, após passar pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Constituição e Justiça (CCJ). Entender quem é Jereissati é entender as possibilidades que o futuro da reforma reserva aos direitos dos trabalhadores brasileiros.

O sobrenome incomum é de origem sírio-libanesa e se tornou sinônimo de riqueza, sendo homônimo da holding familiar. Tasso nasceu em dezembro de 1948 em Fortaleza e foi para o Rio de Janeiro estudar administração na Fundação Getúlio Vargas, berço da escola neoliberal no Brasil. Depois de formado, voltou para Fortaleza, onde presidiu o Centro Industrial do Ceará (CIC) no início da década de 80. O Centro funcionava como pólo de convergência de industriais e empreendedores, onde eram organizados fóruns de debates das questões econômicas, sociais e políticas da região e do país.



Ciro Gomes e Tasso Jereissati conversam durante comício da candidatura de Gomes a prefeitura municipal de Fortaleza.
Foto: Acervo do Instituto Queiroz Jereissati/Divulgação

Foi no CIC que surgiu o convite do então governador do Ceará, Gonzaga Mota, para entrar na política, em 1985. Inicialmente vinculado ao PMDB, pouco após a criação do PSDB, em 88, ele migrou para o partido que hoje preside pela terceira vez. Junto a ele, filiou-se também Ciro Gomes, seu colega desde o início na política, que após anos afastado agora se reaproxima e inclusive defende o nome de Jereissati para possíveis eleições indiretas.


Os interesses das elites produtivas continuam sendo defendidos por ele até hoje, principalmente na Comissão do Senado que preside, que tem entre suas missões emitir pareceres sobre a política econômica nacional, tributos, e até mesmo a escolha de membros importantes da equipe econômica do governo, como os Ministros do Tribunal de Contas da União, o presidente e os diretores do Banco Central.

Tucanato

Jereissati é da velha-guarda do PSDB. Um nome mais discreto que os de Fernando Henrique Cardoso e José Serra, mas não necessariamente menos poderoso. Apesar de ter sido cotado inúmeras vezes para a candidatura à Presidência do país, se limitou a presidir o partido e a operar nos bastidores.

Eleito presidente do PSDB pela primeira vez em 1991, cargo que manteve até 1993, convidou para sua equipe a economista (e agora também advogada) Elena Landau. Após a eleição de Fernando Henrique Cardoso em 1994, na qual Jereissati trabalhou arduamente, Landau se tornou diretora de Desestatização do BNDES. Ela comandou as privatizações federais no governo Fernando Henrique Cardoso de 1993 a 1996.

Em 2011, após uma “frustração” da economista com a política — “ficava frustrada a cada eleição quando as privatizações não eram defendidas”, afirmou ela em entrevista ao jornal Valor Econômico —, Jereissati a procurou novamente para que eles realizassem o retorno de nomes ligados à equipe de FHC e do Plano Real após três derrotas consecutivas em eleições presidenciais (2002, 2006 e 2010). Tasso pode não ser o nome que encabeça as chapas de eleição do PSDB, mas é ele quem faz a ponte com o mercado financeiro para recrutar a equipe econômica.

Negócios em família

Enquanto isso, seu irmão Carlos, dois anos mais velho, foi enviado para estudar economia na Mackenzie, em São Paulo. Lá fez raízes e começou criar em 1966 um império no mercado de shopping centers que hoje se chama Iguatemi: são 17 unidades distribuídas pelo país. Seu filho, que também se chama Carlos, é hoje o presidente da empresa e deu entrevistas no início do ano deixando claro que, segundo seus interesses, a Reforma Trabalhista seria a mais urgente.

É importante saber quem é o irmão de Tasso, principalmente porque grande parte de sua fortuna veio da privatização das teles — um projeto icônico do governo de FHC que Tasso ajudou a eleger. Carlos fundou um consórcio com a Andrade Gutierrez (hoje investigada na Lava Jato) e a Inepar (hoje em recuperação judicial) que, apesar de não ter nenhuma empresa familiarizada com o setor de telecomunicações, recebeu a concessão da Tele Norte Leste em 1998. Sob seu comando, a Tele Norte Leste tornou-se o que atualmente é a empresa de telefonia móvel Oi.

O próprio Tasso possui empresas de comunicação — duas emissoras de televisão e oito emissoras de rádio, todas no Ceará. Ele declarou um patrimônio de R$389 milhões em sua última eleição, em 2014. Segundo um levantamento do jornal O Globo, no período em que ficou afastado da política, entre 2010 e 2014, sua fortuna cresceu em 512%. A decisão pela aposentadoria foi por ter perdido a eleição ao Senado, fato que foi indiretamente comemorado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula. “Agradeço de coração a eleição dos senadores que vocês elegeram e me fizeram um favor tremendo”, disse o ex-presidente e desafeto de Jereissati em comício em Caucaia, a 50 km de Fortaleza.

Ao se retirar da política, em 2010, o cearense ainda atacou a presidente eleita Dilma Rousseff: “ela não tem a menor condição de governo e nem psicológica”.
Doações milionárias

Sua campanha de retorno, em 2014, contou com doações generosas da Contax-Mobitel S.A, de R$1 milhão. A Contax faz parte do Grupo Jereissati Participações SA. É claro que Tasso não negou a ajuda de outros integrantes do ranking de ricaços brasileiros. Recebeu R$150 mil, por exemplo, doados diretamente por Alexandre Grendene Bartelle, o 20º maior bilionário do país, dono da empresa Grendene.

Também consta na lista a Solar, uma das 20 maiores fabricantes de Coca-Cola do mundo e a primeira com acionista brasileiro: a Calila Participações, do Grupo Jereissati. Foi da Solar que saiu a maior doação de campanha para Jereissati: R$1,5 milhão. A empresa tem 12 mil empregados, que seu site chama de “colaboradores”, que trabalham em 13 fábricas e 36 centros de distribuição.

Defensor da Reforma Trabalhista — que está sendo relatada por seu colega de partido, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) —, o político e empresário Jereissati pressionou para que o projeto fosse votado logo e com o mínimo de mudanças o possível. Ou seja, sem emendas que protejam pelo menos em parte os direitos dos trabalhadores. No dia 30 de maio, ele deu o relatório da reforma como lido durante uma sessão conturbada que impediu a conclusão da leitura – o que prejudica o debate, já que o texto não foi completamente exposto. Na terça, dia 6 de junho, a Comissão concluiu a votação sem alterações. Ela segue agora para apreciação das Comissões de Assuntos Sociais e de Constituição, Justiça e Cidadania.

A missão de Tasso continua sendo aprovar a reforma, agora no plenário, o mais rápido possível e com o menor número de emendas, apesar da reprovação absoluta por parte da população, retratada inclusive em pesquisa popular da própria casa. No entanto, segundo Jereissati, a reforma segue sendo o caminho, e “o Brasil depende de que nós continuemos a trabalhar e dar, ao processo de reformas, seguimento”. Resta deixar claro de que segmento do Brasil que ele fala: dos 172 mil que possuem mais de R$1 milhão em suas contas, como ele, ou dos 207 milhões de brasileiros restantes.



https://theintercept.com/2017/06/07/quem-e-o-empresario-milionario-que-fez-a-reforma-trabalhista-passar-irretocada-em-comissao-do-senado/

terça-feira, 1 de julho de 2014

Junho e as surpresas

Surpresas de junho:
1. A tática eleitoral do PSOL de lançar Renato Roseno a deputado estadual me agrada. Renato Roseno chegará ao legislativo e fará um excelente trabalho. E com sete anos de atraso.
2. Guimarães deixar de se candidatar ao senado. Ou não "foi deixado" se candidatar. Agora vai concorrer a federal e com um colega na mesma raia.
3. Tasso tenta voltar ao senado. Risco alto de  não se eleger. Pra quem queria se aposentar vai enfrentar pedreira pela frente.
4. Cid abrir mão do povo de "dentro da cozinha" para lançar candidatos "os da sala". 
No mais: o menos do mais e o mais do menos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A solidão do Imperador por Marcus Vinicius


Texto de novembro de 2002, a respeito da eleição do senador Tasso Jereissati
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A solidão do Imperador


A solidão é a percepção de estar isolado de outras
pessoas, da inexistência de um vínculo. Parece ser uma
falta de ligação e, por conseguinte, uma falta de limites.
Mas pode ser tão dolorosa que as pessoas se comprometem
as cegas com um casamento, um emprego ou uma
comunidade, embora descubram que, em meio às
demais, continuam sozinhas.”
Richard Sennett



Eram três os coronéis. Vieram de um tempo de UDN e PSD. Com o golpe militar os três ficaram na ARENA, um dos dois partidos consentidos pela ditadura. Trocavam entre si a governança do Ceará, não sei se por rodízio ou por sorteio. O fato é que, entrava um saia outro e até um dos filhos fora nomeado prefeito de Fortaleza.

1982. Eleições para governador do Estado. O último dos coronéis governador elege um “técnico” chamado Gonzaga, mas conhecido por Totó. Num belo dia de 1985, Fortaleza elege Maria, prefeita pelo PT. (Nestas últimas eleições, esta Maria defendeu o voto nulo.)

Em 1986, novas eleições para governador. O afilhado do último coronel esquece o padrinho e lança candidato, um jovem integrante de um grupo de empresários ditos modernos, filhos de empresários ditos atrasados. Freud explica.

A eleição teve como mote à derrota dos coronéis. À época o jovem empresário aglutinou em torno de sua candidatura uma imensidão de apoios. aliança passava por intelectuais, esquerdistas, trabalhistas, socialistas e profissionais, ditos liberais. Enfim quase todo mundo.

O PT ficou de fora. Saiu com um padre candidato, era o “governador do povo”. (Hoje esse ex-candidato é pároco na igreja em que o candidato vitorioso ao governo do Estado faz seus atos de contrição).

O jovem empresário foi eleito governador com os votos de Fortaleza e dos grandes municípios do Ceará. Restaram ao PT poucos votos e os chamados “grotões” votaram com um coronel que afirmava: “Eu vou voltar”. (Nesta eleição esse coronel apoiou o maduro empresário ao senado e seu candidato a governador).

Em 1986, inicia-se a era cambeba. Lá se foram 16 anos, 12 dos quais com o jovem/maduro empresário. Tempos de “modernização do estado”, privatizações.

Enfim chegamos a 2002. O maduro empresário se elege senador e seu candidato a governador se elege no segundo turno com 50,04% dos votos.

No calor da hora, finda as apurações, o maduro empresário declara ao Jornal O Povo: “Derrotamos o radicalismo xiita do PT. Derrotamos o fisiologismo atrasado e imoral de Sérgio Machado. Derrotamos o poder econômico (sic) corruptor de Eunício. Derrotamos o projeto de facismo do embuste de Moroni.” Oh! Tempus! Oh! Modus.

Ao invés da declaração ao jornal, o eleito, deveria estar refletindo:
  • Como falar de fisiologismo, de poder econômico e facismo? 
  • Eles fizeram parte do meu projeto, eu convivi com eles.
  • E antes deles os socialistas, comunistas, intelectuais, trabalhistas?
  • Onde estarão eles hoje?
  • Por que agora ao concorrer para o senado, perdi em Fortaleza, para o candidatodo PT?
  • Por que quase perco para a minha afilhada do PPS?
  • Por que derrotei os coronéis e hoje o Coronel e os filhos dos coronéis me apoiam?
C'est la vie.

A partir de 2003, o empresário estará no Senado, estreando no parlamento. Terá de votar, apresentar projetos de lei, fazer pronunciamentos, marcar presença, fazer articulações, negociações, ir e vir a Brasília, enfim, ouvir, falar e o que é pior com a TV Senado no ar, para o bem e para o mal. Será um entre 81 senadores e senadoras.
Triste fim para quem imperou durante 16 anos.

Fortaleza, 2002

Figuram no elenco: Tasso Jereissati, Virgílio Távora, Adauto Bezerra, César Cals, Gonzaga Mota, Padre Haroldo, Lucio Alcântara, Patricia Gomes, Mário Mamede, Maria Luiza, Eunício Oliveira, Sérgio Machado, Moroni Torgan, 


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O último dos Coronéis - Adauto Bezerra

O jornal O Povo, em suas páginas azuis que lembra as páginas amarelas de uma certa revista, publicou excelente entrevista com o último dos coronéis da política cearense - Adauto Bezerra. Para além da boa vontade do entrevistador, cabe ressaltar o trabalho da dupla de entrevistadores: Demitri Tulio e Claudio Ribeiro.
Excelentes jornalistas. Demitri extrapola o jornalismo e veleja nas águas da memória e da ficção. Seu último lançamento "Filha de coelha, girafa é" é um barato.
Mas voltando a entrevista, transcrevo algumas das declarações do coronel:
  • OP – Eu falo da semelhança entre vocês quatro (Adauto e Humberto e Ciro e Cid) em relação à trajetória política. 
    Adauto – Mas vamos observar o comportamento de um e de outro. Nós somos irmãos quase siameses. Eles às vezes distoam. Você não vê que o Ciro é mais língua solta, mais conversador, mais atirado, violento não, mas ele não engole muito não. Ao passo que o Cid é calmo, tranquilo, sereno, ouve muito, fala pouco. É o comportamento de cada um, é da pessoa, você não pode obscurecer.
  • OP – O senhor aceita essa crítica? (Clientelismo)
    Adauto – Eu fiz, eu fiz. É autocrítica. Agora vamos raciocinar. Você é um prefeito, mora a 400 km, chega a Fortaleza e quer falar com o governador. Pediu audiência? Não. É barrado e não entra. Mas é prefeito, vai atender a comunidade dele, ao município. Não pode, “procure o secretário fulano”. Eu nunca fiz isso, mandava entrar. Podia atrasar, ficava esperando, mas eu atendia. Ele nunca vinha só, com dois ou três vereadores, para mostrar que tinha prestígio e que o governador iria atendê-lo. E todos pediam um empregozinho. Era a professora, o delegado, servente, vigia, essas coisas. Sempre atendia todos eles. O Tasso fez uma inovação. “Eu sou administrador, cada prefeito cuide de sua administração e eu vou fazer a minha”. Ficou meio distante. Se isolou. Não sei se é temperamento. O meu, gosto de estar no meio do povo. Mas sei que ele dispõe de mais tempo para trabalhar, produzir. Mas a equipe tá pra isso. Vamos reconhecer, ele foi um bom governador. Foi um bom senador. Não posso deixar de reconhecer.
  • OP – O senhor votou nele?
    Adauto – A minha idade... (Risos) Eu fui dispensado.
  • OP – Mas o senhor nunca votou nele?
    Adauto – Não. Era outro partido.
  • OP – O Tasso perdeu para o presidente Lula?
    Adauto – Foi.
  • OP – O senhor chegou a manter contato com o Tasso, mais recentemente?
    Adauto – Não telefonei porque poderia até pensar “o Adauto me telefonar na hora da minha derrota?”, “será que é vingança do Adauto dizer isso, porque eu o derrotei?”. Não se trata disso. Olha o que eu falei, grande governador, grande senador. Acho que não era a hora da substituição dele. Ele ainda tem muito o que fazer. Chegou a hora de descer a escada.
  • OP – Se o senhor tivesse votado nessa eleição, teria sido nele? (Cid Gomes)
    Adauto – Com toda certeza. Quer ver o telegrama que eu mandei pra ele? (Pede à secretária que traga o telegrama. Quando o gravador é religado, começa contando uma história ocorrida em sua sala). Veio um deputado aqui, tive pena dele. Ô baixinho pra trabalhar.
  • OP – Quem é?
    Adauto – Heitor Férrer (deputado estadual reeleito, do PDT). Esse rapaz chegou aqui com um pacotinho de santinhos na mão. Um por um entregando. “Mas Heitor, o que é isso?”. “Minha campanha é essa, não tenho dinheiro, não tenho nada. Tudo que consegui até agora foram R$ 12 mil. Aí fui e dei uma ajuda pra ele. Esse menino pulou (levanta as mãos), “coronel, o senhor me salvou”. Ainda ontem ele esteve aqui, mas é um rapaz sério, um bom deputado. Ele é de oposição, mas não é por oposição. Ele dá o fato. ]
  • OP – Quem mais o senhor ajudou nessa eleição, coronel?
    Adauto - O meu sobrinho José Arnon (deputado federal reeleito, do PTB). 
  • OP – O Cid veio pedir ajuda?
    Adauto – Não.
  • OP – O Lúcio Alcântara veio?
    Adauto – Estou meio distante dele. Não veio, não.
  • OP – O Marcos Cals também nem apareceu?
    Adauto – Quero muito bem àquele rapaz. 
  • OP – O senhor o viu ainda pequeno.
    Adauto – Sim. Deveria ter sido preparado para ser o candidato, mas o pegaram de última hora e jogaram dentro do rio que só tinha piranha. (Exibe o telegrama enviado a três candidatos e pede que seja lido). 
  • OP – O senhor disse que não ligou para o Tasso porque poderia soar como indelicadeza ou ser mal interpretado. Quando o senhor foi acusado de fazer parte das “forças do atraso” (na campanha para o governo, em 1986), como se sentiu?
    Adauto – Era o Ciro, era o mais cáustico sobre isso. O Tasso também usou. Eu aguardei.
  • OP – O senhor preferiu ouvir calado?
    Adauto – Eu aguardei (faz uma pausa) e esperei o tempo passar. Mas um dia, lá no meu apartamento, chega lá o Ciro. Foi pedir para eu fazer parte do apoio ao irmão dele, o Cid. “Vou apoiar”. Na primeira eleição do Cid (ao governo estadual, em 2006). 
  • OP – Qual foi sua reação?
    Adauto – “Vou apoiar, vou trabalhar. Rapaz muito bom”. E trabalhei muito.
  • OP – Essa foi a resposta que o senhor deu?
    Adauto – “Vou trabalhar”. Eu não guardo ressentimento de nada. A vida é curta, você tem que pensar no melhor, fazer o bem. Vou ficar com rancor e ódio? Aquilo faz mal a mim.
  • OP – Quando o senhor encontrou com o Ciro, que lhe pediu apoio na primeira eleição do Cid para governador, o senhor lembrou a ele que tinha sido chamado de força do atraso? Ou ele próprio chegou a pedir desculpas ao senhor?
    Adauto – Não, nunca pediu desculpas.
  • OP – Teve algum momento em que o senhor teve vontade, não só nesse episódio mas qualquer outro, de revidar, com esse ou aquele político?
    Adauto – A única coisa que eu e meu irmão temos um pouco de diferença é o temperamento. Ele me chama de “irmã Paula”, porque tudo que vem aqui eu procuro ajudar. Ele não. Eu não fui atrás dele, ele veio à minha procura, vamos ter um espírito mais elevado.
  • P – O que a gente não perguntou que o senhor acha que deveria ter sido perguntado?
    Adauto – Esta é uma pergunta muito boa (risos). O que eu me esqueci? (mais risos) Olha, a vida é muito curta. Você pensa que 84 anos... eles se passaram sem eu sentir que passaram. E o que me resta é muito pouco, então... olhe para o vizinho, veja o que pode estar faltando, dê uma ajuda. Se ele caiu, dê a mão. Nossa mesa tem tudo, a dele pode não ter nada, então porque não vou dar um pouco da comida pra ele? Humildade. Ninguém pode ser arrogante, prepotente. Porque as coisas acontecem. Quando você menos espera pode estar em cima de uma cama, desenganado, a qualquer hora pode desaparecer e o que você leva? Será que leva? A vida termina aqui? E a outra? Fernando Pessoa já dizia: a vida é uma grande reta, mas lá na frente é uma curva. O corpo fica na curva e o espírito continua. Para onde é que vai?
  • OP – Qual o melhor governador do Ceará?
    Adauto – O melhor em todos os tempos foi Virgílio Távora. Isso marca. Era competente, inteligente, trabalhador, honesto, mas de uma antipatia a toda prova. 
  • OP – Há o folclore que o senhor e ele tinham rusgas nos bastidores.
    Adauto – Não, nunca briguei com ele.
  • OP – Mas tinha alguma faísca?
    Adauto – Ele tinha ciúmes. O Virgílio não admitia ninguém crescer. Ele gostava que todo mundo ficasse ali bajulando, dizendo que ele era maior, que ele tinha um metro e 90 (centímetros). Porcaria deste tamanho (risos). Não é por aí. Ele tinha tanta confiança em mim... Uma vez dona Luíza (Távora, ex-primeira dama) foi muito irreverente. Como vocês chamam aquela roupa que bota por cima do pijama, da camisola?
  • OP – Robe?
    Adauto – Ela gritou: “por que fecham a porta? Que direito vocês têm? Escondido aí pra quê?” (simula um grito dela. Em seguida imita a voz grave e lenta de Virgílio) “Luíza?” Sabe por que ele fechou a porta? Já estava com câncer. Era para me pedir: “Adauto, não sei quanto tempo, mas queria que você cuidasse do Carlos Virgílio. Ele está exagerando” (Era o filho de VT, ex-deputado federal, que morreu em 19 de novembro de 2000, em Teresina). 
  • OP – Coronel, tenho curiosidade num assunto bastante delicado para sua família. 
    Adauto – Não, tudo bem.
  • OP – É a sobre a morte de sua sobrinha Ana Amélia (executiva assassinada no Paraguai, em agosto de 2002). O episódio foi fatalidade, foi tentativa de sequestro, foi armação? Houve algo mais além do que veio a público?
    Adauto – As Polícias do Paraguai e daqui apuraram. Mas chegaram à conclusão que quiseram parar o carro para roubar. Tentativa de assalto. Quando meteram o tiro, era para o carro parar e fazer o assalto, mas acertou a menina.
  • OP – A família mesmo aceitou como fatalidade?
    Adauto – Fatalidade.
  • OP – A família contratou alguém para investigar lá?
    Adauto – Se tem sabido quem era, cabôco tinha morrido. Tinha. Trazia pra cá, ia fazer o enterro bonito dele. 
  • OP – Alguém pensou em sequestro, mas outro também descartou logo.
    Adauto – Eu sou muito amigo do Mainha (Ildefonso Maia Cunha, condenado por homicídios no Ceará, que hoje cumpre pena em regime aberto). Muito amigo, não, eu conheço o Mainha. Nos apertos ele vem aqui. 
  • OP – Vem aqui?
    Adauto – Vem aqui ou vai em Guaramiranga. Ou manda a mulher. Não é muito melhor se ter uma fonte de informação como o Mainha, do que ter um inimigo como o Mainha? Sabe como ele se identifica (à secretária)? Professor Diógenes.
  • O POVO – O senhor tem feito caridade?
    Adauto - Hoje tenho três atividades que me tomam o dia. Começo na Santa Casa. Às 7h30min eu tô lá. Todo dia. Na Santa Casa eu sou o mordomo (gestor das contas). A parte de enfermaria, doente, gente que chega de cirurgia, UTI, doente, tudo é comigo. Segundo, é aos sábados e domingos. Eu tenho um centro de tratamento de dependentes químicos. É no limite entre Messejana e Eusébio. Comprei duas quadras, fiz as casinhas, tem piscina, área de exercícios, médico, fisioterapeuta, tem tudo. 
  • OP - Quantos atende?
    Adauto - São 45. Às vezes muda pra mais. O principal é o crack. É o que derruba, chega lá já no final, terminal. Chega, bota pra dormir, desintoxicar, 45 dias, começam a andar, exercícios, suar, correr.
  • OP - Por que o senhor decidiu fazer isso? 
    Adauto - Porque eu já tenho 84 anos. O que me resta é bem pouquinho. Se eu não fizer isso, o que eu deixo aqui? O projeto já tem 14 anos. Eu e o doutor Luis Teixeira. Era uma casa com três quartos, com área e nada mais. Depois vi não ser possível continuar vendo a mocidade no crack, em tudo. Começavam sempre com a maconha e o álcool, depois... 
  • OP - E a Santa Casa, como está de finanças? 
    Adauto - Graças a Deus, tá bem. Nós temos compromissos a pagar, mas dívidas atrasadas, nenhum centavo. Tudo pago.
  • OP - É mesmo? Limparam esse débito quando? Era uma dívida eterna. 
    Adauto - Ela está saneada há um ano e oito meses. Reescalonamos a dívida em 50 pagamentos. Podíamos pagar isso. A Caixa Econômica concordou.
  • OP - Ainda tem ajuda pela conta de luz? 
    Adauto - Tem. Há uma empresa no Espírito Santo que contratamos. Aí a ajuda já vem embutida na despesa do consumo de energia. Você autoriza qualquer valor. Isso nos dá por mês, R$ 510 mil, R$ 520 mil.
  • OP - Qual a despesa mensal da Santa Casa? 
    Adauto - Só de pessoal dá uns R$ 700 mil.
  • OP - E o resto vocês cobrem como? 
    Adauto - Tem o cemitério São João Batista, que dá uns R$ 90 mil, R$ 100 mil por mês. Tem doações. Essas mercadorias apreendidas, a gente recebe, vira leilão. Em cada caminhão, no leilão a gente apura R$ 1,2 milhão. Aí vai indo. E tem o SUS. Cada cirurgia, se é de alto risco é um pouco mais. Se é simples é quase nada. 
  • OP - Quanto a Santa Casa está pagando de dívida parcelada? 
    Adauto - Uns R$ 80 mil. Isso me enche tanto a vida.
A íntegra da da entrevista no link abaixo:

http://www.opovo.com.br/app/opovo/paginas-azuis/2010/10/25/noticiapaginasazuisjornal,2056403/confira-a-integra-da-entrevista.shtml

domingo, 17 de outubro de 2010

O tumulto de Tasso em Canindé

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Padre critica panfleto contra Dilma

Padre critica panfleto contra Dilma e Tasso reage

Durante a missa em homenagem a São Francisco, o padre que celebrava o ato religioso reclamou do tumulto causado pela presença de José Serra. Ao final, reclamou da distribuição de panfletos contra Dilma, provocando a revolta de Tasso Jereissati
16.10.201022:04

Serra entre Lúcio e Tasso, que já foram tanto aliados quanto adversários, neste sábado, na missa em Canindé (Foto:  RAFAEL CAVALCANTE)
A visita do presidenciável José Serra (PSDB) a Canindé, durante os festejos em homenagem a São Francisco, terminou em confusão entre o padre que celebrava a missa das 16 horas e tucanos. Entre eles, o senador Tasso Jereissati, que tentou tirar satisfações com o religioso - cujo nome não foi informado pela secretaria paroquial da Basílica - depois que ele, no fim da celebração, reclamou da distribuição de panfletos contra a também candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT).

O material apresentava três motivos para não votar na petista e, segundo o padre, estavam sendo distribuído durante a missa. Assinada pelo Instituto Vida de Responsabilidade Social, e apresentando dois números de CNPJ, ele afirmava, por exemplo, que Dilma é a favor do aborto, envolvida com as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que “nunca na história desse país houve tanta corrupção”.

Com um exemplar do material em mãos, já no fim da celebração, o padre reclamou: “Estão acusando a candidata do PT de várias coisas, afirmando em nome da Igreja. Não é verdade! Isso não é jeito de se fazer política! A Igreja não está autorizando isso”, bradou o padre, provocando os aplausos de fiéis e a revolta de Tasso, que partiu para cima do altar, sendo contido por uma assessora e pela esposa, Renata Jereissati. “O senhor não pode fazer isso”, repetia Tasso. Nesse momento, o padre sumiu do recinto, e não conseguiu mais ser localizado pela imprensa. Ao mesmo tempo, presentes gritavam os nomes tanto de Serra como de Dilma.

Enquanto isso, o candidato do PSDB ao Planalto agia como se nada estivesse acontecendo. Quando a confusão já estava generalizada, Serra continuava com o semblante tranquilo, sentado na primeira fileira do recinto, conversando e tirando fotografias com eleitores.
Pouco depois, saiu escoltado por seguranças e correligionários, sem dar entrevista.

Tasso, por sua vez, não ficou calado, e acusou o sacerdote. “O padre é petista. Tá ali com uma bandeira petista dentro da Igreja. São esses padres que têm causado problema na Igreja”.

Reclamações
Antes, ao longo da celebração, a missa já vinha tumultuada. Depois que Serra chegou e tomou assento, uma multidão de fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas o rodeou. O padre reagiu imediatamente. Ele lamentou que, “infelizmente”, nem todos tinham ido à missa com o mesmo objetivo: louvar São Francisco. “Não me refiro a A ou B, mas àqueles que estão conversando e tumultuando. A prioridade aqui é a palavra de Deus. Se você está aqui com outra intenção, assim como você entrou, pode sair”.

Em outro momento, nova reclamação: “Vocês não vieram aqui para ver os políticos. Vocês vieram aqui para ver quem? São Francisco”. Na comunhão, mais reclamações: “Estão atrapalhando com filmagens. Não é assim que se faz política, não. Estão atrapalhando a celebração do começo ao fim. Lamentavelmente isso é uma profanação”, disse.


E-Mais

TUMULTO APÓS A MISSA. A confusão que começou na Igreja terminou do lado de fora. Apoiadores de Serra e Dilma trocaram insultos e provocações, dificultando a entrada de José Serra e demais tucanos na van que os levaria para o local onde estava o helicóptero com destino a Fortaleza. Até briga com bandeiras aconteceu no local.

O NOME DO PADRE. Entre os nomes do padre informados por membros da organização do evento religioso estavam Francisco e João Amilton. Ninguém informou de onde ele é.

PROFISSIONAIS DA MENTIRA. Durante encontro com tucanos, Serra afirmou que está sendo vítima de “profissionais da mentira”. “Se não fosse a minha história, eu estaria abalado. Mas eu tenho uma mola. Quando mais bate, mais eu cresço”.

LÚCIO ALCÂNTARA. Serra também fez referência ao seu mais novo apoiador no Ceará, o ex-governador Lúcio Alcântara (PR), que, no primeiro turno, fez campanha para Dilma Rousseff (PT). Segundo o tucano, Lúcio foi seu colega durante a Constituinte de 1988 na Câmara dos Deputados e também durante sua passagem pelo Senado. “Devo a ele um dos principais avanços na área da Saúde, que é o Sistema Nacional de Transplantes”. Antes, o ex-governador havia afirmado que o tucano representa um “novo compromisso com o futuro do Brasil”.

MÃO SANTA. O senador não-reeleito Mão-Santa (PI) também esteve no encontro tucano, e atacou o PT. Disse que a vitória de Serra irá ajudar a “enterrar a bandeira do PT, e tudo que ela representa, como a corrupção”.

CURRAL. Já Tasso atacou Dilma. “É bom lembrar uma frase dela, dizendo que nós brasileiros precisamos ajudar o Nordeste. Como se o Nordeste fosse uma porcaria à parte”. E disse que ela não visitou o Ceará porque pensa se tratar de curral eleitoral, onde votos estão garantidos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meus Votos em 2010 (2)

Dos meus votos em 2010 - divididos entre o PT, o PSOL e o PSTU foram eleitos:


Artur Bruno - que estreará em Brasilia como Deputado Federal:




e Pimentel - Eleito senador e derrotando Tasso Jereissati

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os Jornais e a Santa

Ontem na procissão de Mãe da Dores em Juazeiro do Norte, nossa Meca,  estiveram presentes Serra e Tasso, Lucio e Cid acompanhado de Pimentel e Eunício. O Povo (pág 17) tem como manchete "Procissão vira ato político e mostra uma foto de Tasso, Serra, Marcos Cals, Salviano e outros. A matéria é de Rita Célia enviada especial. http://opovo.uol.com.br/app/opovo/politica/2010/09/16/noticiapolitica,2042602/procissao-vira-ato-politico.shtml
Igrejas e política sempre andaram juntas, portanto nada de surpresa, quanto ao fato da procissão virar passeata de candidatos. É só ver as ações de bispos e pastores, suas orientações e suas cartas ao povo de Deus, em época de eleições.
Mas voltando a imprensa, aos jornais e a internet. Ontem Tasso deu declaração comprando Lula a Hitler, Mussolini ao mesmo tempo em que afirmava "para aqueles que acham que vale tudo, inclusive roubar: estamos entrando num regime Chavista e podre."
Esta matéria foi publicada no site do Terra http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4679966-EI15311,00-Em%20Juazeiro%20Tasso%20Jereissati%20compara%20Lula%20a%20Hitler%20e%20Mussolini.html
A declaração de Tasso é fato jornalístico. A questão que aflora é porque os sites dos jornais locais ( O Povo e Diário do Nordeste) não divulgaram a declaração (exceção feita ao Blog do Eliomar)?. A edição impressa do Jornal o Povo de hoje não faz a menor menção ao fato. Ao que consta que não teria sido declaração exclusiva a repórter Marcela Rocha, do Terra.
A pesquisa do Vox Populli/Ig de hoje ( O Povo pg 2) mostra que Tasso caiu de 54% para 51%. Pimentel saiu de 25% para 37% e Eunício de 30% para 38%. Juntando a declaração e a pesquisa pode ser o início do fim de Tasso Jereissati como candidato ao Senado.
Talvez isso explique ou não explique.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Debate Governador(a) na Jangadeiro

No debate da tv Jangadeiro nada de novidade. Um debate morno. E mais, debate com "patrocínio" de organização educacional. Participaram Soraya (PSOL), Marcos (PSDB), Lúcio (PR) e Marcelo (PV). A regra foi ter representação no congresso. Portanto para Natividade do PCB e Gonzaga do PSTU, necas de pitibiriba.
A única diferença foi feita por Cid que não compareceu ao debate alegando que o dono da televisão tinha um candidato. O dono, talvez seja o Tasso Jereissati.
Oportunismo do Cid, talvez, pois ele não denuncia que o controle das tv e rádios estão mas mãos de políticos e de 4 famílias (no sentido bíblico ou italiano). Essa é a ṕrática das concessões no Brasil.
Mas involuntariamente coloca em discussão a tal liberdade de imprensa dos donos das Tvs, jornais e rádios, que tantos defendem. Em discussão? Equivoquei-me. Essa discussão para a imensa maioria é bizantina.
Valei-me Chávez.