Por Plínio Bortolotti
Um vídeo postado no Facebook pelo Nossa Tribo, coletivo de comunicação autodenominado “independente”, a exemplo da mais conhecida Mídia Ninja, mostra uma professora da Universidade Estadual do Ceará, “doutora em Filosofia pela PUC-SP”, investindo com violência verbal inaudita contra os guardas municipais que promoveram a desocupação do Parque do Cocó, na madrugada do dia 8 deste mês.
No momento em que ela confronta os guardas, aos gritos, eles não reagem. Apesar disso, o ataque da professora poderia ser justificado - pela vista dos manifestantes ou mesmo por quem de fora - pela pela violência, essa física, utilizada pela Guarda Municipal na ação. Poderia, se o destampatório verbal da “doutora em Filosofia” não fosse vazado em termos, todos eles, escandalosamente homofóbicos.
Não me atrevo a repetir nenhum dos xingamentos aqui, mas quem quiser ir ao vídeo para ouvir o chocante discurso - e ver a fúria com que professora o pronuncia (sob aplauso de companheiros circundantes), pode digitar este endereço; mas aviso, tirem antes as crianças da sala. Vídeo: http://goo.gl/KBj5gx - post: http://goo.gl/WvVqus.
Se fosse alguém da “direita” a usar termos assim, o negócio seria um escândalo, “repercutido” com críticas e acusações em toda a mídia social. Mas sendo uma “ecologista”, o Nossa Tribo classifica o discurso horrorosamente homofóbico como “intenso” e faz elogios à professora, dizendo que “ela sabe o que fala” (sic).
E aqui entramos - o espaço é pequeno para um debate mais aprofundado - na conversa sobre as mídias “independentes”, que reconheço como um tipo de jornalismo, mas às quais não se pode permitir tudo, como se fossem crianças voluntariosas.
O papel mais importante da imprensa é buscar a verdade (sim, eu acredito em velharias). Se uma palavra é homofóbica quando pronunciada pela “direita”, ela continua sendo quando dita pela “esquerda”. E se a mídia “independente” não compreender isso, é porque não está entendendo nada.
Plínio Bortolotti
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2013/08/15/noticiasjornalopiniao,3111218/homofobia-ecologica.shtml
Manifestações contra o papa devem acontecer em Barcelona
Cerca de 500 casais gays planejam beijar-se em frente à catedral de Barcelona, na Espanha, durante a visita do papa Bento 16 ao país no próximo domingo.
Gays e lésbicas espanhóis receberão o pontífice com um “beijaço” de dois minutos assim que ele sair da catedral, por volta de 10h da manhã.
A manifestação, que segue o modelo flashmob (ação coletiva que dura pouco e se dispersa rapidamente) foi organizada por meio de um blog e uma página no site Facebook que defendem os direitos dos homossexuais.
Em nota no site oficial do movimento, os organizadores dizem querer “fazer alguma coisa para demonstrar o nosso incômodo” com uma “instituição que há muitos anos tem sido antagônica, para não dizer inimiga, das lutas pelos direitos sexuais e afetivos de muitos”.
O papa Bento 16 visitará Barcelona logo após sua visita a Santiago de Compostela, um dos lugares sagrados para a Igreja Católica.
Flashmob
A página do movimento no site social Facebook explica como deve funcionar a manifestação.
A organização vai disparar um sinal sonoro para dar início ao “beijaço”. Dois minutos depois, outro sinal indicará que os participantes devem se dispersar “como se nada tivesse acontecido”, segundo o site.
Segundo Joan Pérez, um dos organizadores, o evento não é especificamente contra o papa. “O beijo coletivo é uma forma de manifestar nosso desacordo com a maneira como a Igreja concebe as relações entre as pessoas”, disse.
Pérez afirmou ao jornal espanhol El País que os organizadores não fazem parte de nenhum grupo político e que a manifestação deve ser pacífica.
Na página oficial do movimento, pede-se que os participantes não respondam a nenhum tipo de provocação ou insulto.
A convocação também foi estendida a heterossexuais. No entanto, o comunicado esclarece que todos devem beijar alguém do mesmo sexo.
'Eu não te espero'
A visita de Bento 16 à Espanha desencadeou uma onda de protestos em Barcelona. Além dos homossexuais, 50 associações de ateus organizam manifestações e distribuem cartazes com a frase “Eu não te espero”.
Protestos de mulheres e até encontros de católicos para refletir sobre o "atual modelo de Igreja" também estão programados para o fim de semana.
Segundo jornais espanhóis, os moradores da região estão descontentes com o apoio financeiro "excessivo" à visita papal e com o tratamento da força policial da Catalunha, que cuidará da segurança do pontífice.

