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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Falso Amor Sincero

Projeto faz homenagem a ícones do samba de Fortaleza

Carlos Alberto Vieira, o Carlão do Zé Bezerra, é o primeiro homenageado do projeto Falso Amor Sincero, roda de samba semanal do Kukukaya. Coletivo começou suas atividades sob as "bênçãos" de Paulo da Portela e, todos os sábados, celebra a tradição de grandes compositores do samba brasileiro, além de homenagear nomes que ajudaram (e ajudam) a fazer o samba em Fortaleza.

Uma roda musical que divulga e celebra a rica tradição de compositores ligados aos terreiros das escolas de samba do Rio de Janeiro e que também presta homenagem a nomes que ajudaram e/ou ajudam o samba a seguir sua trajetória em Fortaleza. Assim é o projeto Falso Amor Sincero, que acontece todos os sábados, de 16h às 20h, no Kukukaya Casa de Show. O primeiro homenageado local do projeto é Carlos Alberto Vieira, o Carlão do Zé Bezerra, cantor e cavaquinista que há mais de 40 anos mobiliza músicos e desbrava espaços para defender a bandeira do samba na Cidade. Carlão será homenageado nesse sábado, dia 10.
Foto de Amperico Souza

Mensalmente, além do homenageado local, esse coletivo de músicos e entusiastas de um dos mais tradicionais gêneros musicais do País também celebra a memória de um grande autor. O projeto, que realizou seu primeiro encontro no fim de abril, começou sob as "bênçãos" de Paulo da Portela, fundador da tradicional escola de samba de Madureira e um dos grandes protagonistas da história do samba nos anos 30 e 40 do século passado. São dele composições como "Cantar par não chorar" (parceria com Heitor dos Prazeres), "Quitandeiro" (gravada por nomes como Roberto Ribeiro e Beth Carvalho), "O meu nome já caiu no esquecimento" (gravada por Cristina Buarque) e "Linda borboleta" (registrada pela Velha Guarda da Portela), entre outros sambas que o coletivo Falso Amor Sincero apresenta durante os encontros no Kukukaya.

Além de Paulo, nomes como Cartola, Chico Santana, Nelson Cavaquinho, Manacéa, Walter Rosa, Silas de Oliveira, Ismael Silva, Alberto Lonato, Herivelto Martins, entre outros mestres, também estão presentes no repertório da roda de samba, que procura manter a sonoridade, a cadência e o instrumental dos antigos sambas de terreiro (ou sambas de quadra), uma vertente mais tradicional do samba.

O grupo é formado por Felipe Araújo (percussão e voz), Gabriela Nunes (voz), Mateus Perdigão (violão e voz), Emanuel Furtado (voz), Gugu do Cavaco (cavaco), Paulinho (pandeiro), Thales Catunda (percussão) e George Anderson (violão de 7 cordas), além de músicos convidados. O pesquisador Marcus Vinícius Oliveira - um dos diretores do bloco carnavalesco Concentra Mais Não Sai - e o professor e historiador Américo Souza também participam do projeto na condição de coordenadores.

Serviço:
Falso Amor Sincero
Todos os sábados, no Kukukaya Casa de Show (avenida Pontes Vieira, 55, Joaquim Távora)
Horário: 16h às 20h
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Obs: o projeto realiza sorteio de ingressos em sua página no Facebook
Informações: 3227.5661 (ou na página do projeto Falso Amor Sincero no Facebook)






terça-feira, 6 de maio de 2014

O samba é mágico

Por Felipe Araújo

“O samba é mágico. O samba modifica a vida da gente. A felicidade que eu sinto quando estou numa roda de samba é incomparável”.

É assim que Carlos Alberto Vieira tenta resumir seu sentimento pelo mais brasileiro dos gêneros musicais. Carlão, como é mais conhecido – ou ainda Carlão do Zé Bezerra, pela sua relação umbilical com o tradicional bar do Parque Araxá, que ele ajudou a transformar num dos principais redutos de sambistas de Fortaleza – vem espalhando essa alegria pela Cidade há pelo menos 40 anos, mobilizando músicos e desbravando novos espaços para defender a bandeira do samba. 

Nascido há 61 anos na comunidade do Morro do Ouro, no bairro Monte Castelo, Carlão se aproximou do samba no fim dos anos 60, através dos regionais que movimentavam as festas do bairro. Entre eles, os grupos de seu Antônio Relojoeiro e de seu João de Moura.

Foto Américo ´Souza
Nos anos 70, Carlão se juntou a outros bambas do bairro – como o Raimundo “Coleguinha” – e circulou por bares e restaurantes como Pilão, St. Tropez e, já nos anos 80, Barril, que começavam a se dedicar ao samba em Fortaleza. Dos primeiros compassos na percussão, mudou-se para as cordas e abraçou em definitivo o cavaquinho – com que liderava os encontros musicais que se davam também nas mercearias do Monte Castelo.

“A gente tocava em tudo que era mercearia. E não tinha cadeira não. A gente tocava em pé, nas janelas. Era uma turma da pesada. Lambreta, Coleguinha, até o Carlinhos Patriolino, que era muito novo na época, tinha uns 14 anos, acompanhava a gente. 
“Quando a gente tocava em algum restaurante ou casa mais especializada, eles penduravam um microfone no meio da mesa. Era tudo assim meio acústico. E era ali que os bons músicos apareciam”. 

No começo dos anos 80, Carlão morava perto de onde hoje é o Bar do Zé Bezerra, na época uma farta mercearia. Depois de fazer amizade com o dono, propôs ao mesmo uns encontros musicais no local, que aconteciam nas manhãs de sábado. 

“A gente começava às vezes 8 da manhã. E os meninos foram aparecendo, se juntando por lá e a coisa foi crescendo. Como roda de samba, o Zé Bezerra é mais antigo que a Mocinha”, lembra, fazendo referência a outro templo do samba cearense, que também ajudou a consolidar as musicais tardes de domingo. 

Carlão foi sindicalista, bancário e hoje é técnico de radiologia. “Eu toquei pouco profissionalmente. Eu toco mais porque gosto mesmo”, afirma. Entre as incursões profissionais na música, participou de alguns dos mais importantes grupos de samba da cidade: como Harmonia, Rosas de Bamba e Etiqueta do Samba, formações em que dividiu palcos e mesas com referências importantes da música cearense.

Em 40 anos de trajetória musical, Carlão não só levou a batucada para o Zé Bezerra e "para além" da Dom Manoel. Fez mais: ajudou o ritmo a se espalhar por toda a Cidade. 

Neste sábado, 10 de maio, o projeto Falso Amor Sincero, numa humilde homenagem, agradecerá ao Carlão pela sua ,  militância e pelo seu compromisso com o samba.

Serviço:
Roda de Samba - Falso Amor Sincerro

Quando - todo sábado 
Hora - 16 as 20 horas
Quanto - Inteira R$10,00
               Meia e idosos(as) - R$ 5,00
Onde: Kukukaya - av Pontes Vieira , 55 A
Tel - 32275661