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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Portela 2018 - De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá...

"Lá vem Portela é melhor se segurar Coração aberto quem quiser pode chegar Vem irmanar a vida inteira Na campeã das campeãs em Madureira"


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Nas frestas do mundo

Por Luiz Antonio Simas


Cresci em uma cidade que sacraliza o profano e, ao mesmo tempo, profana o sagrado

O escritor Marques Rebelo, cronista dos saberes das ruas, dizia que uma cidade é feita de várias cidades. A sentença é um golaço que fala do Rio de Janeiro como uma segunda do Marçal numa primeira do Bide ou uma desaforada da dupla Bosco e Blanc. Por isso mesmo acho bom esclarecer, para abrir a gira neste espaço, de qual dos rios eu venho.

Cresci em uma cidade que sacraliza o profano e, ao mesmo tempo, profana o sagrado. Aprendi a rezar para os deuses sem deus nas arquibancadas de cimento do Maracanã, ao lado do pai e do avô, como um menino achando que o sabor da vida era o da laranja-lima que comprávamos na entrada do estádio e chupávamos subindo a rampa; aquela que levava ao túnel. Atravessado na corrida, dele se descortinava o umbigo do mundo entre duas traves e uma marquise mais alta que o céu incendiado.

Sou de um Rio em que o cantor de tangos Carlos Gardel baixava em um centro espírita na Fazenda da Bica, entre Quintino e Cascadura. Nas sessões em que descia, tendo como cavalo uma manicure de um salão cheio dos salamaleques e elegâncias tijucanas, Gardel cantava tangos em lunfardo, a fala cheia de gírias do porto de Buenos Aires. Acompanhando Gardel no bandoneon, baixava o espírito de um índio tupinambá que, segundo o próprio, saiu no cacete com os portugueses no século XVI, durante a batalha de Uruçumirim. O índio aprendeu a tocar bandoneon depois de morto e fez com Gardel, que meu avô que não falava espanhol só chamava de El Zorzal Criollo, uma dupla da pesada.

A minha cidade é a das barbearias de rua, botequins vagabundos, açougues e quitandas de esquina. É bem distante, portanto, da onda mais recente das barbearias descoladas dos shoppings, dos bares de grife, das butiques de carne e dos hortifrutis que mais parecem enfermarias de frutas. Um Rio das sociabilidades meninas dos debicadores nas alamedas dos cemitérios suburbanos em tempo de pipa, dos pregoeiros da Central, dos torneios de sueca nas praças, dos artistas anônimos do Japeri, dos boiadeiros cavalgadores dos ventos e de certo Zé de terno de linho e chapéu panamá; malandro que saiu das Alagoas e chegou firmando ponto no Largo da Lapa, no arrepiado das capoeiras.

Nos últimos anos comecei a amadurecer dois princípios que hoje são a base do que escrevo. O primeiro é o de que os temas que me interessam são vinculados aos processos de invenção e reconstrução de laços de sociabilidade no campo das sapiências das ruas: sambas, escolas de samba, carnavais, terreiros, pequenos comércios, quermesses de igrejas, saberes da trívia e os modos de criação da vida de crianças, mulheres e homens comuns: aquilo que podemos definir como cultura.

O segundo é o de que recebi da minha criação uma herança da qual não quero abrir mão. Nasci dentro de um terreiro, neto de uma mãe de santo versada nos segredos da encantaria que rezava pra tirar quebranto com guiné, saião e fedegoso. Fui batizado nos conformes da curimba, protegido pelo caboclo Peri e oferecido aos cuidados da Dindinha Lua num terreiro de Nova Iguaçu. Corri descalço nas ruas das Baixada Fluminense — numa delas meu umbigo está enterrado —, morei em Laranjeiras, bairro querido, joguei bola no Jardim Clarice, brinquei de pique-esconde no Valqueire, frequentei matinês nos cinemas de Botafogo e me apaixonei pela moça que se transformava na Konga, a mulher gorila do Parque Shangai. Nunca fui de praia. Gosto do sol, mas ele me detesta.

No meio do fuzuê, entre sons de tiro, ladainhas, aleluias, sambas, tambores, tombos, tapas, ruídos de buzinas, espasmos de amor e ódio, flores de feira e punhais afiados, vou seguindo em um território em disputa, com a certeza de que o tempero da cidade é o sal da memória dos dias longos e da noite grande. A lufada de esperança vaga que tenho é porque continuo apostando que nos deslocamentos e nas frestas — entre as gigantescas torres empresariais viradas em esqueletos de concreto, as ruínas de arenas multiuso e as vielas de lama e sangue — os couros percutidos continuarão cantando a vitória da vida sobre a morte no terreiro grande da Guanabara.

A nossa história afirma isso em cada gargalhada zombeteira dos exus, no desengasgo de São Brás e nos três pulinhos de São Longuinho. Somos filhos das sonoridades insinuantes e dos corpos em transe; crias dos gritos, cantos e acalantos que saem dos terreiros entocados, das brechas do fim do mundo, das tocas de bicho-homem, das saias das pombagiras, da lua de Luanda, e da terra que nos pariu e nos ensinou que a vida, feito o samba do Hermínio e do Paulinho pra Mangueira, não é só isso que se vê. Tem que ser um pouco mais.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/nas-frestas-do-mundo-21793788#ixzz4sU50FB8f
stest

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Samba Original - Pedro Miranda

do blog de Antônio Carlos Miguel

"Um dos melhores dos muitos cantores da renascida Lapa carioca, em seu terceiro disco, “Samba original” (independente / distribuição Tratore), Pedro Miranda volta com muitos sambas antigos. Quase tudo de mestres, gente como Noel, Ismael, Ataulfo, Wilsons (Batista e Moreira) e Batatinha, mas sem clássico algum, apenas preciosidades que na sua maioria estavam esquecidas em velhas gravações. Entre elas, a espirituosa “Garota dos discos” (Wilson Batista e Afonso Teixeira), sobre uma vendedora que "adora Chopin / e conhece de cor Noel Rosa”. Este último, por sinal, também foi convocado, numa parceira com Ismael Silva, "A razão dá-se a quem tem”, lançada em 1933 por Francisco Alves (que, como era comum na época, também entrou nos créditos como co-autor) em dupla com Mario Reis. Pedro Miranda recria o dueto com a participação de Caetano Veloso. Outra curiosidade é um raro samba do Rei do Baião Luiz Gonzaga (parceria com Ary Monteiro), “Meu pandeiro”. A produção, do violonista e arranjador Luiz Felipe de Lima, dosa o instrumental habitual de samba e choro com eventuais intervenções de guitarristas como Arto Lindsay e Pedro Só e da percussão eletrônica do baterista Domenico Lancellotti, mais cordas (em “Imitação”, de Batatinha, que Bethânia gravou em 1971), sopros e metais. O resultado é diversificado e original.@@@@@"

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tia Dodô



NOTA OFICIAL

Um clima de profunda tristeza toma conta da quadra e do barracão da Portela nesta terça-feira , 6, quando perdemos uma das maiores referências da história da escola e uma figura importante na história do Carnaval carioca. Tia Dodô foi um exemplo de dedicação para todos os portelenses. Figura que frequentou a quadra até poucos dias antes de ser internada, Dodô irradiava energia, apesar da idade, e sempre foi uma grande conselheira de toda a Família Portelense.

Estamos profundamente consternados e orando pela alma de nossa querida madrinha, que, ao nos deixar, abriu uma profunda lacuna no seio portelense.


Monarco – Presidente de Honra
Sérgio Procópio – Presidente
Marcos Falcon – Vice-presidente

Foto: Ricardo Almeida


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Simplesmente Marvioli

Por MarcusVinicius

Presentão recebido do amigo Renato, que também é um dos fundadores do Bloco Concentra Mas não sai. Mais uma música que irá animar os pré-carnavais de Fortaleza e a mim, of course!
Valeu, Renato


SIMPLESMENTE MARVIOLI (José Renato Frota Ribeiro)

Vê quem chegou... é o MARVIOLI!
Figura ilustre do pré-carnaval
É fundador do Concentra Mas Não Sai
E do Luxo da Aldeia, os bicudos do papai

Vem ele aí, com seu chapéu tradicional
Clicando tudo pra postar no facebook
No copo: whisky ou cerveja, boa cachaça cai bem
Conquista todos com o carisma que ele tem 

No carnaval, Rio de Janeiro ou Recife
Blocos de rua, sua paixão
Porém no “pré” não tem conversa, ele só vai
Curtir o Luxo e o Concentra Mas Não Sai

Olha o seu Marcus aí... é o MARVIOLI! 
É diferente, esse cara é genial!
Olha o seu Marcus aí... é o MARVIOLI! 
Faz “diumtudo” pra animar o pré-carnaval (BIS)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Festa na Rua

via Bruno Perdigão

Por Luiz Antonio Simas

Em uma cidade como o Rio de Janeiro, com forte presença de descendentes de escravos, as relações entre o carnaval de rua e o poder público foram marcadas, desde o início da República, por tentativas de disciplinar a festa. As camadas populares foram vistas como classes perigosas e suas manifestações culturais, tratadas como coisas de bárbaros. Evitar que a barbárie tomasse as ruas no tríduo era, portanto, fundamental na ótica do poder. Essa postura, não raro, descambava em repressão violenta. Era o cacete comendo e os poderosos colocando água no chope da rapaziada. A cidade, todavia, cantava, cuspia na cara do feitor, dava o nó na caninana e inventava a pequena morte de três dias.

Acontece que o carnaval de rua é Exusíaco (quem tem Exu não precisa de Dionísio) e tem duas características que, com maior ou menor intensidade, prevalecem em qualquer canto do mundo onde um pierrô morra de amores: a espontaneidade do folião e a subversão dos valores sociais e morais vigentes.

O sentido da festa é esse.

Qualquer tentativa de se estabelecer critérios mais rígidos de controle dos foliões deve, portanto, ser vista com cuidado. É compreensível que o poder público busque garantir o mínimo de segurança e ordem urbana ao carnaval de rua. O risco de se comprometer o sentido da folia não pode, porém, ser desprezado.

Qualquer política pública que queira interagir com a festa deve ser pensada por quem conheça o carnaval, saiba da dimensão cultural do furdunço entre nossa gente e reconheça o tênue e perigoso limite entre ordem e repressão, como se a primeira só pudesse ser garantida pela segunda. É função do poder público, e aí ele é importante, ser o fiscal da cláusula pétrea do reino de Momo: ao folião é garantido o direito de se esbaldar em paz, de forma espontânea e original, no meio da multidão ou no bloco do eu sozinho.

O legítimo folião não programa o carnaval, não gasta seus caraminguás em abadás duvidosos e não se isola dentro de cordas. Sabe apenas que vai para a rua imolar-se nos blocos e cordões, receber a extrema-unção com água benta de teor alcoólico e morrer até a Quarta-Feira de Cinzas, quando ressuscitará como burocrata, marido, professor ou operário, para o longo e medíocre intervalo entre um carnaval e outro.

Nós temos o direito a essa pequena morte. É ela que torna mais suportável a vida.

Evoé!

http://hisbrasileiras.blogspot.com.br/2014/02/festa-na-rua.html

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Não quero jogar água no chope de ninguém

Via Tiago Porto
por Luiz Antonio Simas

"Não quero jogar água no chope de ninguém, não pretendo reprimir quem quer que seja e acho que no Carnaval vale até bloco de peregrinos do Santo Sepulcro. 
Tudo se legitima. 
Confesso, porém, certo desconforto com um tipo que, nos últimos tempos, se transformou em figura fácil no furdunço carioca: o jovem universitário descolado, carioca maneiro, antenado com a cena contemporânea, inquieto, renovador, artista pop, multimídia, que transita do maracatu rural ao rock pós-punk, curte samba-funk e funda, com a rapaziada mais chegada, um bloco eclético que arrasta multidões e toca de tudo – menos as músicas que a cidade do Rio de Janeiro inventou ao longo de décadas, em belíssima aventura civilizatória, para bordar de sonoridades nossas a libação do Carnaval. Eu quero samba, marchinha e marcha-rancho nos fuzuês de Momo."
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Em Fortaleza, Luiz Antonio, no pré-carnaval tem "samba, marchinha e marcha-rancho". É no Concentra mas não sai, na praça do ferreira. (Marvioli)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Não derrubem o Rio!

por Edgard Catoira

Duvido que alguém que se atreva a ler este texto não tenha tomado conhecimento do que foi mais uma festa de réveillon nas areias de Copacabana. Como sempre, a partir de meia noite, toneladas de fogos de artifício foram detonados, num esplendor que fez explodir a alegria de mais de dois milhões de pessoas que se abraçavam e beijavam, como acontece todos os anos, neste mesmo cenário – único.

No modorrento início do dia primeiro, o noticiário local chamava a atenção para a bagunça da cidade: sujeira nas praias, dificuldade para voltar para casa, tiroteio com direito a balas perdidas, assaltos.

Mas, espera um pouco: houve sim, antes da festa, um tiroteio. Aconteceu de um casal se desentender na rua e o marido partir para a mão grande contra a mulher. Um PM tentou ajudar e, durante a troca de tapas, o marido arrancou a arma do guarda e começou a atirar. Ou seja, um caso corriqueiro de polícia que nada tinha a ver com a festa de fim de ano. Portanto, nada a ver com o réveillon.

De resto, como em qualquer aglomeração, em Copacabana ou Paris, sempre haverá batedor de carteira. Eu mesmo – apesar de ter cara de imã de assalto, como diz meu filho – já tive que escapar de batedores de carteira em locais turísticos. Isso, em lugares tidos como tranquilos, como Madri, Florença ou Lisboa – onde, inclusive, levaram minha carteira.

Como se vê, até agora, nada de anormal na nossa festa carioca. E, repito, éramos mais de dois milhões de espectadores na praia. Claro que, acabado o espetáculo dos fogos, essa gente toda tinha que caminhar pelas ruas. Com dificuldade, claro. É deslocamento de multidão, num mesmo momento! Com calma, porém, todos saímos. Sem maiores transtornos, apesar de eu, particularmente, me sentir parte de uma boiada. Mas boiada feliz, sabe como é.

Mas as reclamações do dia primeiro continuam. A praia ficou suja.

Claro que ficou imunda. Todo mundo que estava lá levou champagne – ou cidra, ou cerveja e até cachaça. E garrafas, copos, restos, ficaram pelo caminho por onde passou a turba bovina. E, com um pouco de boa vontade dá para entender que nem todo mundo consegue chegar a uma lixeira no meio de tanta gente.

A verdade é que logo cedo, a praia estava limpa. A Comlurb, responsável pela coleta de lixo no Rio, é eficiente. E centenas de garis deixaram, até o fim da manhã, Copacabana em ordem.

Mas, o negócio é derrubar a grandiosidade desta cidade. Reclama-se do tempo – cerca de quatro horas – que se leva numa fila para tomar uma condução que leve ao Corcovado. Digo eu, espera aí. Em Paris, mesmo sem ser dia de festa, leva-se esse tempo para conseguir subir na Torre Eiffel. As filas são confusas também, e as figuras que ficam circulando entre a turistada têm semblantes pouco amigáveis.

Quanto ao Pão de Açúcar, a reclamação fica por conta dos horários disponíveis nos bondinhos. Muitos que chegaram cedo só conseguiriam subir na parte da tarde. Daí, me lembro de Santillana Del Mar, cidade medieval do Cantábrico, norte da Espanha, que tem cerca de quatro mil habitantes. Pois bem, nessa cidade ficam as famosas cavernas de Altamira, com pinturas rupestres que mostram a arte pré-histórica do homem. São desenhos de animais gravados nas pedras entre 35 mil e 11 mil antes de Cristo. Uma verdadeira Capela Sistina da arte paleolítica.

Tudo bonito, organizado, guiado. Mas, para visitar as cavernas, temos que comprar as entradas com antecedência porque os grupos se fecham com antecedência. Quem passar por lá desavisado, com certeza, não vai conseguir ver essa maravilha. E, lembro, a pequena cidade não oferece disponibilidade hoteleira para muita gente.

Sou de criticar o Rio, principalmente como me refiro a seus governantes. Mas o réveillon aqui é realmente algo imperdível. Estão até inventando que iria haver um “beijaço”. Houve. Aliás, como sempre há. É hora de beleza, espírito desarmado, quando todos estão felizes e cheios de esperanças.

Este mar abençoa, tira as energias negativas do ano que se acaba. Revitaliza a alma, faz a vida recomeçar. E ela sempre recomeça melhor quando se está em Copacabana. Este lugar é mágico, maravilhoso.

Violência, desorganização, tudo passa ao largo da festa popular da praia mais querida – e bonita – deste planeta. Então, chega de reclamação e de mal falar!

Prefiro parodiar a musiquinha da Caixa: “Vem pra Copa você também. Vem”. No réveillon ou em qualquer época do ano.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-edgard/nao-derrubem-o-rio-9477.html

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra (2)

Por Rogério Lama

O título é homônimo da biografia do Led Zeppelin escrita pelo jornalista Mick Wall. Sempre quis roubar esse título, e achei que essa reunião de imagens era mais do que oportuna. É impossível ir ao Rio e não se imaginar dentre ruas e becos onde seus ídolos também passaram, cantaram, riram e choraram.
Alfredinho. O Senhor Bip Bip.


 A Guitarra de Prata. Rua da Carioca, no Centro. Autolegendada


















Armazem Senado. 105 anos de funcionamento. Não faço ideia de quem o
frequentou, mas fiquei muito feliz de respirar história dentre suas enormes prateleiras.
Cerveja geladíssima e ao contrário da Adega Pérola, só tem um tipo de tira-gosto:
O melhor salame da Lapa!
Samba da Pedra do Sal. Gamboa ou Saúde? A experiência do Samba da
Pedra do Sal não cabe numa legenda de foto, então pra não sair do foco
do post, por aí batucaram Donga, Pixinguinha e João da Baiana.

Tony Iommi na Pedra do Arpoador em 16/10/2013. Em 1968 Iommi fundou o Black Sabbath em Birmingham, e é ao lado de Jimmy Page, o mais influente compositor vivo do Heavy Metal e de tudo o que veio depois dele.



Segundo João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro no samba “Bares da Cidade”, depois do
Lamas, do Capela e do bar do Luis, era aí, no Amarelinho, que eles terminavam.

E também aproveito pra terminar esse passeio já cheio de saudade e de planos de voltar.

Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra (1)

Por Rogério Lama

O título é homônimo da biografia do Led Zeppelin escrita pelo jornalista Mick Wall. Sempre quis roubar esse título, e achei que essa reunião de imagens era mais do que oportuna. É impossível ir ao Rio e não se imaginar dentre ruas e becos onde seus ídolos também passaram, cantaram, riram e choraram.

 Rua Gomes Freire com Mem de Sá. Nesse cruzamento viveram pilares
do nosso violão 
como João Pernambuco e Levino Conceição..

Cruzamento grafado em “Bolero Blues”, primeira parceria de Chico Buarque
com o nosso 
cearense Jorge Helder.
Rua Nascimento Silva 107. Silenciando bem, dá pra ouvir João, Elizeth, Tom,
Thereza e 
Vinicius entre risos e o tilintar dos copos.

 Paquetá. Aí acontecia uma das rodas de choro preferidas de Pixinguinha.
 Essa casa nunca foi do Tom, mas dois urubus descansando no telhado
deixaram essa casa 
com a cara dele. Paquetá/RJ
A apertada Adega Pérola, onde a “carta de tira-gostos” é de enlouquecer
qualquer um, já 
foi frequentada por Ferreira Gullar e Chico Buarque.


Bip Bip. Nesse blog não cabem todos os bambas que já entornaram aí, então vou resumir: Paulo Cesar Pinheiro, Beth Carvalho, Moacyr Luz, Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Cristina Buarque, Henrique Cazes, Aldir Blanc e Zé Ketti. Acho que tá bom.





















sexta-feira, 8 de março de 2013

O x do problema

Hoje 8 de março 2013.
 "O x do problema" de 1936.
Noel Rosa aos 26 anos. 
Aqui Noel por Aracy de Almeida.

"Você tem vontade
Que eu abandone o largo de Estácio
Pra ser a rainha de um grande palácio
E dar um banquete uma vez por semana
Nasci no Estácio
Não posso mudar minha massa de sangue
Você pode ver que palmeira do mangue
Não vive na areia de copacabana"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A CURIMBA DO MALANDRO

Por Luiz Antonio Simas
 
Via Gabriela Nunes


Há certos eventos que jamais se repetirão. Não podem ser reproduzidos nem como representação dramática, pois perderiam o caráter único, transformador, epifânico, potencializador da vida. Exemplifico.

É madrugada do dia 11 de fevereiro e a Portela se prepara para entrar na avenida. O enredo contará a história do bairro de Madureira. A bateria está vestida como Zé Pelintra, o malandro seminal. A rainha dos ritmistas, Patrícia Nery, vem de Maria Padilha. As fantasias, evidentemente, fazem referência ao Mercadão de Madureira e suas inúmeras lojas de artigos religiosos ligados ao candomblé e a umbanda.

Desde o ensaio geral da escola, por alguns recados mandados pelo próprio malandro e pela Padilha, a bateria sabia que deveria pedir licença a Seu Zé antes de iniciar o desfile. Acontece, então, o momento único. As caixas, repiques, tamborins, surdos e agogôs param de tocar. Os atabaques começam a curimba e abre-se um corredor. A rainha de bateria / Maria Padilha, inicia sua dança sensual, desprovida de pecados, sacralizadora do profano e profanizadora do sagrado. Sem culpas. Os diretores de bateria bailam no corredor com a ginga sinuosa, sincopada, festeira e alforriada de Seu Zé. A bateria canta, o público canta e a madrugada canta o ponto do malandro divino, o Zé das Alagoas, o do balanço da canoa.

Contemplado o malandro, a bateria retoma o ritmo do samba e a Portela se prepara para entrar na avenida. Gilsinho, o puxador do samba, vez por outra assombrará a Sapucaí com a gargalhada vital do Homem da Rua. Os tambores portelenses sustentarão o samba - para mim o melhor do ano - e a bateria sairá consagrada pelo juri oficial e pelas premiações paralelas como a melhor dos desfiles. O malandro gostou da festa e bateu tambor pelas mãos e baquetas de cada um dos ritmistas.

Aquela curimba portelense conseguiu, em menos de cinco minutos, sintetizar o que eu tento escrever há tempos, sempre de forma precária, sobre o perfil civilizador peculiar da nossa cidade. Em um texto de antanhos, ao tentar expressar que civilização é essa, escrevi mais ou menos o seguinte:

Brado louvores e toco atabaques para festejar a civilização. Sim, a civilização que João Candido, Zé Pelintra, Pixinguinha, Paulo da Portela, Cunhambebe, Cartola, Noel Rosa, Bide, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tia Ciata, Meia Noite, Madame Satã, Lima Barreto, Paula Brito, Marques Rebelo, Manduca da Praia, Silas, Anescar, Dona Fia, Fio Maravilha, Leônidas da Silva, Di Cavalcanti, os judeus da Praça Onze, a pomba gira cigana, a escrava Anastácia, o Cristo de Porto das Caixas, o Zé das Couves, o vendedor de mate, o apontador do bicho, o professor, o aluno, o gari, os líderes anarquistas da greve de 1919, a Banda do Corpo de Bombeiros, a torcida do Flamengo, o pó-de-arroz, a cachorrada, a nau do Almirante, o Bafo da Onça, o Cacique de Ramos, o Domingo de Ramos, a festa da Penha, a festa na lage e a cerveja gelada, criaram nesse extremo ocidente. Com baixaria na sétima corda e uma sonora gargalhada no final.

Foi exatamente isso que aconteceu na avenida nesta madrugada recente de carnaval. A Portela, sétima colocada pelo julgamento oficial, não retornará no desfile das campeãs. Melhor assim. O momento único, epifânico, civilizador, festeiro, celebrador das alforrias do corpo, libertador da alma, encantado nos arrepiados do batuque, não podia mesmo ser repetido. É feito o desfile de 1988 da Vila Isabel, a festa da raça com a Kizomba. Naquele ano a Vila ganhou, mas um temporal impediu a realização do desfile das campeãs. Será assim com a curimba para Seu Zé e a Dona Padilha que a Portela realizou na entrada do Sambódromo. Festa de encantaria; Brasil redimido no fuzuê do tambor suburbano. Irrepetível.

É assim, meus camaradas, que a gente reinventa a vida, zomba do pecado e transforma o corpo em totem. Na ginga do malandro da Portela, no balanço dos ombros da Padilha, o silêncio é preenchido e a bateria toca na cadência do samba. Ele, o samba, essa nossa gargalhada zombeteira que alumia o mundo.



http://hisbrasileiras.blogspot.com.br/2013/02/a-curimba-do-malandro.html

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

NÓS, OS FOLIÕES

POR LUIZ ANTONIO SIMAS

Via Tiago Porto


Estou novo demais para morrer e velho para certo Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Sinto-me uma espécie de folião mico-leão dourado, quase extinto, engolido pelas multidões coreografadas, submerso em materiais de propagandas de empresas que patrocinam a folia e atropelado por caminhões de som com amplificadores capazes de fazer o baticum chegar aos anéis de Saturno.

Não quero jogar água no chope de ninguém, não pretendo reprimir quem quer que seja e acho que no Carnaval vale até bloco de peregrinos do Santo Sepulcro. Tudo se legitima. Confesso, porém, certo desconforto com um tipo que, nos últimos tempos, se transformou em figura fácil no furdunço carioca: o jovem universitário descolado, carioca maneiro, antenado com a cena contemporânea, inquieto, renovador, artista pop, multimídia, que transita do maracatu rural ao rock pós-punk, curte samba-funk e funda, com a rapaziada mais chegada, um bloco eclético que arrasta multidões e toca de tudo – menos a música que a cidade do Rio de Janeiro inventou ao longo de décadas, em belíssima aventura civilizatória, para ser a trilha sonora da libação do Carnaval.

O bloco descolado, moderninho, atacará de Beatles, Wando, Roberto Carlos, Biafra, pagode, Raul Seixas, Legião Urbana, Zezé de Camargo e Luciano, João Paulo e João Paulinho, música étnica afro-indiana... Surdos de marcação convivem com guitarras, tamborins se afinam com baixos potentes, tambores se misturam com intervenções eletrônicas e fica tudo bonito. O bloco vai bombar, oferecer oficina para ritmistas na Fundição Progresso e, ó glória! , participará do Esquenta, aquele programa da Regina Casé que quer nos convencer de que tudo presta, contanto que seja misturado, contemporâneo, colorido e venha da periferia.

Falta-me hoje, também, a paciência para os blocos da Zona Sul que se autodenominam revitalizadores do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Só se eles revitalizaram o Carnaval de Ipanema, Gávea, Jardim Botânico, Leblon e Lagoa (o que não é pouca coisa). A festa na rua nunca morreu; esteve e está presente nos Clóvis da Zona Oeste, nos coretos suburbanos, nas arengas da Baixada, nos bolas, caciques, boêmios e bafos da Rio Branco... Reunidos em associações, patrocinados por cervejas, disciplinados pelo poder público e pelo apoio Global, os blocões fazem a festa, arrastam multidões, pintam e bordam. Que sejam felizes com esta opção (ou opção não há?) massificadora.

Mas este arrazoado, enfim, não pretende ser análise social, antropológica, histórica, ou coisa que o valha. Muito menos dizer o que cada um deve fazer no tríduo. É apenas a impressão, particularíssima, de um folião que continuará adepto da anárquica aventura do bloco do “eu sozinho”; se comoverá com uma marcha-rancho velha de marré-de-si; cantará, depois de alguns chopes, a Jardineira; descerá o malho nos sambas de enredo acelerados, evocando um lalalaiá do velho Silas de Oliveira; e procurará, com a leve desesperança dos pierrôs tristes, algum bloquinho de rua vagabundo, com suas fanfarras desafinadas, ciganas desvalidas, colombinas assanhadas e ébrios faraós, onde possa experimentar a pequena morte de três dias; aquela que torna suportável o intervalo entre um carnaval e outro.

Evoé!



http://hisbrasileiras.blogspot.com.br/2013/01/nos-os-folioes.html

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Cantor da Noite com Leny Andrade

por Marcus Vinicius

Leny Andrade, canta Cantor da Noite de Ivan Lins e Vitor Martins.
No Jazz Sesi, no Largo do Machado - Rio de Janeiro. Novembro 2012.




Cantor Da Noite (Ivan Lins/Vitor Martins) 

Era apenas uma noite a mais sem sono
Dessas noites que a gente sai sem dono 
Procurando um samba-canção no vento
Pois o rádio não me deixa ouvir faz tempo

Era apenas um ponto de luz discreto
E aquela voz cada vez mais, mais perto
Foi entrando em meu coração contente
Como se eu fosse ser feliz pra sempre

Não, não pare mais,
Canta, canta mais 
Pois,no fundo você
Sabe o bem que me faz

Só assim eu uso a alma e não o corpo
Só assim eu sinto mais prazer e gosto 
Só assim estou comigo mais um pouco 
Só assim sou toda coração 

Só assim estou em minhas mãos 
E não quero pôr os pés no chão em vão 

Adega Pérola - em Copacabana

Por Marcus Vinicius

A Pérola fica em Copacabana, Rio. Na rua Siqueira Campos, 138, bem próximo da estação do metrô Siqueira Campos. 

É famosa pelo chope e pelos mais de 100 tira-gostos (que os cariocas chamam de petiscos). São bolinho de bacalhau, sardinha, polvo, ova, alho em conserva, os famosos rolmops, saladas de bacalhau e de polvo...

Para beber, a adega oferece 23 tipos de cachaça e, claro, vinhos. Algumas opções são o verde português Ponte da Barca e o nacional Mosteiro. O vinho da casa pode ser pedido em caneca.

Os garçons são cearenses e o ambiente acolhedor.

A Ova é excelente, o Alho maravilhoso e o famoso e fora de série Rollmops.
Este é um caso a parte. É um rolinho de sardinha crua marinada com cebola.

Dos deuses !


Rollmops
Sempre que vou ao Rio, levo quem está comigo na Pérola. Do pessoal que já levei, poucos gostaram do Rollmops*, o que é lamentável, mas não se deixe levar por estes(as) meus(minhas) amigos(as).

Vá ao Rio, vá a Adega Pérola e peça o Rollmops, é muito bom.


* "tem um gosto forte", "é puro peixe(sic)", "Vixi, é cru"....

Abaixo vídeos da Pérola e suas opções de tira-gostos: