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quarta-feira, 3 de março de 2021

CARNAVAL É SAUDADE

por Mateus Perdigão

 Carnaval é saudade. É também esperança. É um ano à espera daquilo que se quer viver. É reviver.
A quarta-feira de Cinzas sempre nos corta a alegria bruscamente, devolvendo-nos as incumbências da vida cotidiana.
Mas dessa vez é diferente. A saudade neste ano é enorme. Ano atípico, aliás, que começou logo após o último Carnaval e em que mais de
240 mil pessoas apenas no Brasil nos deixaram saudades por causa de uma doença. Doença da qual, finalmente, estou livre sem maiores complicações.
De todos os textos que escrevi às quartas-feiras de Cinzas, este é o mais difícil por não saber o que dizer exatamente e pela saudade de um tempo em que a vida parecia difícil, mas não impossível. O meu conforto é que o mesmo Carnaval que agora nos foi afastado também já ensinou muito pela palavra e pelo exemplo. Os blocos pelo Brasil afora foram os primeiros a se manifestar contra a realização da festa sem uma campanha de vacinação em massa, a nossa maior esperança.
E a esperança nos move, “é preciso cantar / mais que nunca é preciso cantar”, escreveu Vinícius de Moraes. Perto ou longe, a esperança de que conseguiremos nos vacinar é a mesma de que essa tormenta acabará e de que teremos uma forte, bonita e alegre festa no próximo ano. Como disse o Monarco, um dos baluartes da Portela, “Carnavais vem muitos por aí, vida a gente só tem uma”. Tenho a esperança de no futuro poder me lamentar apenas por ter chegado a quarta-feira de Cinzas. E construiremos esse futuro como sempre construímos a nossa festa mais brasileira, um dia de cada vez até o momento da celebração.
Faltam 374 dias para o próximo Carnaval. Enquanto ele não chega, cuidemo-nos uns dos outros. Cuidemos de nossa saúde, de nossas alegrias e renovemos nossas esperanças.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

MÚSICA, COMIDA E BEBIDA (7)



O Diumtudo "está fazendo" uma nova enquete com amigxs que gostam de bebida, comida e música.
São quatro categorias:


  • Bar, Botequim 
  • Local de boa comida
  • Local para beber, comer nas altas horas
  • Local com boa música

Américo


Américo Souza - Historiador, torcedor do Tricolor de aço, carnavalesco, agitador cultural, professor e quase boêmio.

Indica:

  • Bar - Alpendre
  • Comida - Cantinho do Frango
  • Altas horas - Seu Fernando
  • Música - Serpentina

Serviço:

Alpendre - Rua Torres Câmara, 181 - Aldeota, Fortaleza, Ce

Cantinho do Frango - Rua Torres Câmara, 71 - Aldeota- Fortaleza, Ce

Seu Fernando - Rua Silva Paulet, entre Torres Câmara e Afonso Celso.  Aldeota Fort-Ce

Serpentina Bar e Cultura - Av. Heráclito Graça, 760 - Centro, Fortaleza, CE


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

MÚSICA, COMIDA E BEBIDA (4)

O Diumtudo "está fazendo" uma nova enquete com amigxs que gostam de bebida, comida e música. 


São quatro categorias:

  • Bar, Botequim 
  • Local de boa comida
  • Local para beber, comer nas altas horas
  • Local com boa música
Mateus Perdigão


Mateus Perdigão - Carnavalesco, músico, sociólogo, boêmio, torcedor do tricolor de aço.




Indica:

Bar - ALPENDRE

Comida - 100 PETISCOS
Altas horas - BRAZÃO
Música - SERPENTINA


Serviço:

  • Alpendre - rua Torres Câmara, 181 - Aldeota Fortaleza Ce
  • 100 Petiscos - Rua República do Líbano - 1080 Varjota - Fortaleza Ce
  • Brazão - Rua João Cordeiro 43, Praia de Iracema - Fortaleza Ce
  • Serpentina Bar e Cultura - Av. Heraclito Graça, 760 - Centro - Fortaleza Ce

quinta-feira, 12 de março de 2015

Lauro Maia



Documentário produzido pelo Núcleo de Documentários da TV Assembleia Ceará.

Concepção, Roteiro e Produção: Angela Gurgel
Colaboração de Produção: Ana Célia Oliveira
Edição de Texto: Vinicius Augusto Bozzo e Angela Gurgel
Edição de Imagens: Daniel Cardoso
Apresentação e Locução: Janaína Gouveia
Imagens: Odério Dias, Pedro Paulo, Fábio Ferraz, Wellington Barros, Hermann Lustosa
Animação da Abertura: Márcio Medeiros e Rafael Alves
Estagiário: Marcelo Alves

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tia Dodô



NOTA OFICIAL

Um clima de profunda tristeza toma conta da quadra e do barracão da Portela nesta terça-feira , 6, quando perdemos uma das maiores referências da história da escola e uma figura importante na história do Carnaval carioca. Tia Dodô foi um exemplo de dedicação para todos os portelenses. Figura que frequentou a quadra até poucos dias antes de ser internada, Dodô irradiava energia, apesar da idade, e sempre foi uma grande conselheira de toda a Família Portelense.

Estamos profundamente consternados e orando pela alma de nossa querida madrinha, que, ao nos deixar, abriu uma profunda lacuna no seio portelense.


Monarco – Presidente de Honra
Sérgio Procópio – Presidente
Marcos Falcon – Vice-presidente

Foto: Ricardo Almeida


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ano novo... Carnaval.

Via Bruno Perdigão

Por Luiz Antonio Simas

A comemoração do Ano Novo no primeiro dia de janeiro é relativamente recente.

Ao longo dos tempos e das diversas civilizações, a data de celebração de um novo ciclo é diversa. Câmara Cascudo, para variar, estudou o babado.

Os babilônicos costumavam comemorar o novo ano no equinócio da primavera; os assírios e egípcios realizavam os festejos em setembro; os gregos celebravam o furdunço em finais de dezembro; os velhos persas escolheram março. Chineses, japoneses, judeus e muçulmanos ainda têm datas próprias e motivos diferentes para comemorar a virada; como os quechuas de Twianacu, que comemoram o novo ano no inicio do ciclo agrícola, em junho.

Os hindus da Índia pegam pesado. Dependendo da região do país, onde prevalece o calendário lunar, há os que datam os meses pela lua cheia e os que fazem isso pela lua nova. Breve esclarecimento: na tradição hindu o ano começa com o retorno de Lakshmi, a deusa da prosperidade, que em certo momento do ciclo se empirulitou. Para que a deusa encontre o caminho de volta, as casas e ruas são iluminadas e fogos de artifício são utilizados. A data da volta da deusa, todavia, muda de acordo com a região do país.

Entre os povos ocidentais, a data de primeiro de janeiro tem origem entre os romanos (Júlio César a estabeleceu em 46 A.C.). Só em 1582, com a adoção do calendário gregoriano, a igreja católica oficializou o primeiro dia de janeiro como o início do novo ano no calendário ocidental.

Como, portanto, cada cultura estabelece marcos e datas diferentes para a mudança de ciclo, acho que continuarei dando pouca pelota para o primeiro de janeiro. A verdade é que escrevi essa presepada toda apenas para dizer que no meu imaginário o novo ciclo começa sempre na quarta-feira de cinzas e o meu rito de virada, esquecimento, memória e renovação, é o Carnaval.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O mundo sem Momo

Por Sidney Rocha

Tenho este pesadelo todos os anos.
As avenidas vazias. Uma criança atravessa a quadra da Portela com apito na boca.
Tudo é silêncio e solidão.
O Carnaval está morto.

Nas ruas do Recife, o Galo da Madrugada não sai e nem sequer uma sombrinha de frevo ameaça o sol.
As ladeiras de Olinda são retiros espirituais. Nada de som dos clarins de Momo.
O povo não aclama, não ferve.
Morto o Carnaval.

Tremo. O cenário no sambódromo é o deserto de Mad Max, quando Mel Gibson nem sonhava ser Cristo.
Arames farpados, trincheiras, tempestades, o assobio cortante do vento nas ruas desertas de Salvador.
Pichações como “Carlinhos Brown vive” e “Beto Jamaica voltará” são de partir o coração, soteropolitano ou não.
A Praça Castro Alves parece um verão branco e quente no filme Nosso lar.

Estou suando.

E agora? Tudo terá de começar mesmo em janeiro? Como na Dinamarca? Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos, amém? Meu Deus, é o fim, é o fim. Acabou-se o Brasil.
Sobrará pelo menos meu Ceará, o Clube do Treze Campestre das inocentes lolós, aquele 82 ao som de Pernambuco eu te quero/ não me deixes maluco?

Nessa hora, o apito do menino da Portela liberta estridente pio de coruja rasgando o sonho em dois lúgubres abadás.
Contudo, da mais profunda Paraíba, o alegríssimo Augusto dos Anjos alivia o tom: “Qualquer festa em que Momo se intrometa/ Brônzeo, quebrando o ramerrão frequente,/ Possui, possui incontestavelmente / Necessidade duma borboleta”.

Em 1894, as autoridades viram necessidade não de esvoaçantes lepidópteras, mas de dura lei proibindo o Carnaval. Pode? Machado de Assis voou em cima, com não-sei-quantas Capitus fervendo: “É crença minha que, no dia em que deus Momo for de todo exilado deste mundo, o mundo acaba”.
Como não se pode acabar com o Carnaval sem acabar com a quaresma, e isso significa fechar o Mercado do Peixe em Juazeiro do Norte, Jesus terminou por salvar Momo.

Melhor assim: se a lei pega, seria um pesadelo dentro do pesadelo: como iríamos ler Carnaval, de Manuel Bandeira? O país do Carnaval, de Jorge Amado? E a peça Orfeu da Conceição, de Vinicius? É, a literatura seria uma quarta-feira ingrata.

Graciliano Ramos não concorda. Tem o direito. “Estamos livres dos truculentos cordões a vociferar quadrinhas sem pé nem cabeça”, disse, atacando os grupos psiricos, parangolés, sangalos, timbaladas, chicabanas e, vejam só, seeways do tempo dele. “Até aí a índole nacional se revela – juntar palavras sem sentido”.
Nessa hora, o Bruxo entrou pela nuvem do comercial da Caixa e Graciliano apertou mais ainda: “Se a coisa é para fazer tolices, fazei tolices, amigos, quebrai a louça, derramai os copos, põe uma barba de espanador [ele não disse onde] e sai pela rua a dar vivas à República”.

Angústia. Por ele, estava morto e enterrado o Carnaval.
“A alegria é a alma da vida”, gritou Machado, mas Graciliano nem-nem.

Eu já estava de pé.
Que deem seus pulinhos, que brinquem no ar, douradas borboletas.
“Se não der o peixe, pelo menos deixe a pessoa pular, se alegrar”, me diria dona Idelzuíte, no box 30 do mercado, sorrindo e embrulhando o robalo.
É isso: a alegria sempre vale o peixe.

http://www.revistadacultura.com.br/revistadacultura/detalhe/14-02-06/O_mundo_sem_momo.aspx

sexta-feira, 7 de março de 2014

MUNDIÇA ALEGRE - o retorno triunfal

Mundiça Alegre - canta A porra dessa ciclofaixa no Mambembe.



A porra da ciclofaixa

 
Se o CETV me perguntar se eu gostei
Da porra dessa ciclofaixa
De dentro do carro lhe direi
Amigo, isso só me embaça
Diz que aqui passa ciclista
Tô aqui faz duas horas, não passou nem três
Eu vou tomar o meu sorvete
Estacionar na faixa
Minhazárea não é ZEIS

Tenho um carro do ano
Varjota, Meireles, vou até o Via Sul
Solução para ciclista pra mim é buzina
E mandar tomar no cu
Sei que bicicleta é moda
Dizem que é usada na Regional Seis
Eu quero é que o metrô se foda
Tomem jeito e comprem o carro de vocês

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

LUXO DA ALDEIA - SEXTA NO ATERRINHO

por Marcus Vinicius

O bloco LUXO DA ALDEIA abre o carnaval de 2014 em Fortaleza, no aterrinho da Praia de Iracema. Nesta sexta 28 de fevereiro. A festa começa as 22 horas.

A abertura contará com convidados e convidada:
  • Marcus Dias - Compositor, desde os anos 90, e cantor, é conhecido no cenário musical da cidade por suas parcerias com Isaac Cândido, Pantico Rocha e outros ao longo de sua carreira. É, também, parceiro do Bloco Luxo da Aldeia em diversas canções.
  • Alan Morais - Cantor, músico, compositor, DJ e pesquisador da música brasileira.
  • Gabriela Nunes - A Gabi, cantora, destaque nas noites de Fortaleza. Participou do evento carnavalesco “Não é qualquer carnaval”, realizado por Pantico Rocha em 2013. Tem gravada uma faixa no cd “Nem samba nem Sandra nem mar”, também de Pantico Rocha.
  • Felipe Araújo - Sambista, jornalista, músico e profundo conhecedor do samba. É destaque no cenário de samba de Fortaleza há mais de dez anos, tendo se apresentado em Fortaleza, com Cristiana Buarque, Eduardo Gallotti e outros nomes consagrados do samba brasileiro.
  • Pingo de Fortaleza e Maracatu Solar - Pingo de Fortaleza é um cantor, compositor, poeta, pesquisador e músico brasileiro, natural de Fortaleza. O Maracatu Solar, idealizado e fundado em 2006, por um grupo de artistas ligados a SOLAR, tem como presidente Pingo, e o Griô Descartes Gadelha na sua concepção rítmica e estética. Estreou no Carnaval de Rua de Fortaleza em 2007. O maracatu SOLAR tem sua musicalidade inspirada nos batuques do Maracatu Az de Ouro executados entre as décadas de 40 e 50 do século passado, e sua concepção estética de figural faz referências maior a cultura Afro-Brasileira e a artesania Cearense.
  • Messias Holanda - Cantor e compositor ícone do forró e da música cearense. Nascido no fim da década de1930, começou a carreira em 1961, nos programas de calouros locais. Pertenceu ao cast da PR9 na era de ouro do rádio cearense. Tem 14 LP e quatro CD lançados, além de ter participado de 14 coletâneas. O humor e o duplo sentido em suas canções são suas marcas registradas. Messias Holanda é presidente de honra da Associação Cearense do Forró. 
"Venham de ruma! Tragam toda turma porque quanto mais, melhor! Vamos mostrar que Fortaleza tem carnaval e é no meio da rua que a gente começa a brincar 

É tudo junto e misturado, sem medo da folia.


A "granfinagem" e o "canelau"

Foto Chico Gomes
Por Luiza Reis

Os velhos carnavais fortalezenses tiveram origem em meados do século XIX a partir do Entrudo de origem portuguesa. Os brincantes atacavam com laranjinhas de borracha, cera com água de cheiro, farinha de trigo, pós de sapato, etc. João Nogueira escreveu em seu livro de memórias sobre essa prática carnavalesca, apontando-a como grosseira e de mau gosto.

O uso de máscaras era um elemento constante no Entrudo cearense. Os Papangus, vestidos de camisolões ou dominós, davam o tom dos festejos que precediam a Quaresma. Eles saiam pelas ruas em grupos perguntando: “Você me conhece?”. No final do século XIX apareceram os bailes das Sociedades Carnavalescas. João Brígido aponta que o primeiro deles foi o Cavaleiros do Prazer, surgida em 1882.

Outras Sociedades também apareceram nesse período: Dragões de Averno, Cavaleiros da Época, Legião dos Únicos e Conspiradores Infernais. Eles brincavam em clubes como o Iracema e o Cearense. Essas Sociedades eram marcadas pela disputa gerada no ápice da ostentação da elite.

No período do carnaval, as distinções sociais diminuíam, mas ainda assim existem relatos de segmentação de grupos nas ruas. Edigar de Alencar, por exemplo, indica as disposições das classes sociais na curtição da festa. Enquanto que a “arraia miúda”, o “canelau” se divertia bem mais folgadamente, nas alas externas, principalmente na da Rua Major Facundo, a “granfinagem” se comprimia no aperto do jardim central.

Ao contrário que era anunciado em narrativas do período, eram raras as brigas e confusões surgidas quase sempre não no local das classes menos favorecidas, mas no centro da folia, onde se divertiam a classe média e a “mais requintada”.

Maracatu

Outra prática que aparece no período do carnaval como forma de resistência negra e que perdura até os dias de hoje é o maracatu. Essa manifestação popular, proveniente dos escravos bantos, foi muito criticada nos veículos de comunicação da época, chamadas de “grotesco” e “apavoradores”.

No entanto, as pessoas não deixavam de participar dos cortejos ao som de múltiplos instrumentos como surdos, bumbos, ganzás e maracás. O maracatu causava sentimentos dúbios entre os participantes no período do carnaval, pois a mesma música que causava alegria aos brincantes era motivo de alerta para as crianças medrosas. O escritor Gustavo Barroso, por exemplo, em seus tempos de menino, quando encontrava os cortejos ao som dos batuques e maracás, corria para se esconder até não ouvir mais o som.

No período do carnaval os moradores das zonas periféricas também faziam os sambas de areia. De acordo com Câmara Cascudo, samba é um nome angolano e teve sua ampliação e vulgarização no Brasil, representando um baile popular de caráter urbano ou rural. No Ceará, o termo samba não se restringia a um gênero musical, mas também à farra ou coletivo de musicalidades nordestinas.

Além disso, teria origem em antigos batuques ou danças de roda, com um solista no meio, incluindo-se aí a umbigada, ou seja, a batida com o umbigo nas danças de roda, como um convite intimatório para substituir o dançarino solista.

Marchinhas

No início do século XX surgem as marchinhas carnavalescas com influência do foxtrot americano. Silva Novo e Pierre Luz fizeram inúmeras parcerias, compondo para o carnaval do Clube Iracema do ano de 1925 “A Gargalhada”, marchinha com letra irreverente: “Viva a folia/ Ave alegria/ Salve o prazer/ Que nos vem da gargalhada/Ou de um sorriso de mulher!/ Cante... Dance.../ Mulher faceira/ A existência é passageira/Haja aventura/ Riso e loucura!/ No carnaval/ (...) Toda cearense/Domina e vence/Pelo sorriso/Que nos traz ao pensamento/Evocações do paraíso.”

No carnaval dos anos 40 surgiu o cordão das “coca-colas”. Segundo Marciano Lopes, ele foi criado logo após a guerra por um grupo de Sargentos da Aeronáutica, como uma brincadeira em cima das moças que namoravam os soldados americanos. Essas moças eram alvos de críticas das famílias mais conservadoras, pois não se fechavam nos preceitos da moral e dos bons costumes propagados no período.

De lá pra cá as festas foram sendo modificadas, surgiram outras brincadeiras e os velhos carnavais ficaram apenas na memória dos habitantes mais antigos de Fortaleza.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2014/02/11/noticiasjornalvidaearte,3204658/a-granfinagem-e-o-canelau.shtml

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Festa na Rua

via Bruno Perdigão

Por Luiz Antonio Simas

Em uma cidade como o Rio de Janeiro, com forte presença de descendentes de escravos, as relações entre o carnaval de rua e o poder público foram marcadas, desde o início da República, por tentativas de disciplinar a festa. As camadas populares foram vistas como classes perigosas e suas manifestações culturais, tratadas como coisas de bárbaros. Evitar que a barbárie tomasse as ruas no tríduo era, portanto, fundamental na ótica do poder. Essa postura, não raro, descambava em repressão violenta. Era o cacete comendo e os poderosos colocando água no chope da rapaziada. A cidade, todavia, cantava, cuspia na cara do feitor, dava o nó na caninana e inventava a pequena morte de três dias.

Acontece que o carnaval de rua é Exusíaco (quem tem Exu não precisa de Dionísio) e tem duas características que, com maior ou menor intensidade, prevalecem em qualquer canto do mundo onde um pierrô morra de amores: a espontaneidade do folião e a subversão dos valores sociais e morais vigentes.

O sentido da festa é esse.

Qualquer tentativa de se estabelecer critérios mais rígidos de controle dos foliões deve, portanto, ser vista com cuidado. É compreensível que o poder público busque garantir o mínimo de segurança e ordem urbana ao carnaval de rua. O risco de se comprometer o sentido da folia não pode, porém, ser desprezado.

Qualquer política pública que queira interagir com a festa deve ser pensada por quem conheça o carnaval, saiba da dimensão cultural do furdunço entre nossa gente e reconheça o tênue e perigoso limite entre ordem e repressão, como se a primeira só pudesse ser garantida pela segunda. É função do poder público, e aí ele é importante, ser o fiscal da cláusula pétrea do reino de Momo: ao folião é garantido o direito de se esbaldar em paz, de forma espontânea e original, no meio da multidão ou no bloco do eu sozinho.

O legítimo folião não programa o carnaval, não gasta seus caraminguás em abadás duvidosos e não se isola dentro de cordas. Sabe apenas que vai para a rua imolar-se nos blocos e cordões, receber a extrema-unção com água benta de teor alcoólico e morrer até a Quarta-Feira de Cinzas, quando ressuscitará como burocrata, marido, professor ou operário, para o longo e medíocre intervalo entre um carnaval e outro.

Nós temos o direito a essa pequena morte. É ela que torna mais suportável a vida.

Evoé!

http://hisbrasileiras.blogspot.com.br/2014/02/festa-na-rua.html

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Não quero jogar água no chope de ninguém

Via Tiago Porto
por Luiz Antonio Simas

"Não quero jogar água no chope de ninguém, não pretendo reprimir quem quer que seja e acho que no Carnaval vale até bloco de peregrinos do Santo Sepulcro. 
Tudo se legitima. 
Confesso, porém, certo desconforto com um tipo que, nos últimos tempos, se transformou em figura fácil no furdunço carioca: o jovem universitário descolado, carioca maneiro, antenado com a cena contemporânea, inquieto, renovador, artista pop, multimídia, que transita do maracatu rural ao rock pós-punk, curte samba-funk e funda, com a rapaziada mais chegada, um bloco eclético que arrasta multidões e toca de tudo – menos as músicas que a cidade do Rio de Janeiro inventou ao longo de décadas, em belíssima aventura civilizatória, para bordar de sonoridades nossas a libação do Carnaval. Eu quero samba, marchinha e marcha-rancho nos fuzuês de Momo."
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Em Fortaleza, Luiz Antonio, no pré-carnaval tem "samba, marchinha e marcha-rancho". É no Concentra mas não sai, na praça do ferreira. (Marvioli)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Negócio de Familia (Assis Valente)




Negócio de Família (Assis Valente)


Quando o seu pai me encontrou
lá na praça Paris
de braço dado com você
sem saber minha intenção
se juntou com seu irmão
para me repreender

A senhora sua mãe
quando viu a confusão
convenceu a seu irmão
fez carinhos a seu pai
resolveu nossa questão

agora que já sou seu bem amado
e com sua família eu vou morar
para que seu pai não diga não
eu, você e sua mãe precisamos conversar

A respeito do seu pai
e do seu bom irmão
em sinal de gratidão
pra deixarem de arrelia
brigarão lá na Bahia
procurando Lampião

Pra senhora sua mãe
vai chegar de avião
um bonito Chevrolet
um V8 pra nós dois
e um berço pra depois
se deitar nosso bebé

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Título: NEGÓCIOS DE FAMÍLIA

Gênero: MARCHA
Autor: ASSIS VALENTE
Intérprete: BANDO DA LUA
Data de gravação: 01/12/35
Data de lançamento: jan.1936

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A alegria que existe

Por Mateus Perdigão

O carnaval é um tema presente – e recorrente – na obra dos grandes compositores do cancioneiro popular brasileiro. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Alceu Valença, dentre vários outros artistas, já escreveram músicas para o carnaval ou usaram-no como pano de fundo nos versos de suas canções. A presença deste tema em suas obras artísticas não acontece à toa, ele é uma das maiores manifestações culturais de nosso País, em que pese toda sua heterogeneidade, complexidade e diferenças locais.

Com Ednardo não poderia ser diferente. Dentro do rol dos grandes compositores brasileiros, o carnaval foi tema de algumas de suas canções. Apesar de não ser o tema central de sua obra, ele merece atenção pois faz parte de uma visão maior que o compositor tem sobre Fortaleza e sua história. Entender o carnaval na obra de Ednardo, de certa forma, é pensar o carnaval de Fortaleza.
Ednardo


Dotado de uma sensibilidade e uma percepção estética singular, Ednardo canta o carnaval de uma forma em que ele não apareça apenas de forma descritiva, mas através de uma perspectiva histórica. Ele aparece em sua obra através de um olhar crítico de quem viveu e vivenciou diferentes experiências carnavalescas. E o carnaval em Fortaleza tem como um dos principais expoentes o maracatu.

A ligação de Ednardo com o maracatu começou ainda na infância, por volta dos cinco ou seis anos de idade, quando seus pais o levaram para ver a concentração dos maracatus no Parque da Liberdade. De lá, seguiu os cortejos até o Passeio Público que, depois, seguiu pela rua Senador Pompeu. Na ocasião assistiu e se encantou com os cortejos dos maracatus Estrela Brilhante, Az de Espada e Az de Ouro, que desfilavam pela rua pouco iluminada carregando os próprios candeeiros, num batuque envolvente.

O Estrela Brilhante foi, nas recordações do compositor, o primeiro maracatu que ele viu. Ainda criança seguiu o cortejo por entre as pessoas, levando seus pais à loucura, que o procuraram por aproximadamente meia hora pela multidão. Além de ser uma boa recordação de infância, o Estrela Brilhante foi tema de uma canção sua, gravada no disco Imã, em 1980. Nesta canção, Ednardo buscava homenagear um dos períodos mais férteis do maracatu cearense: “Maracatu estrela brilhante/ Maracatu o teu brilho errante/ Gamela da nossa mistura/ Tão linda tão mista tão pura/ Maracatu/ Garra maracá já guerreiro/ Batuque ferro e ganzá/ A flecha cravada no céu brasileiro/ Infinita mente cantar / Cantar/ Cantar”

Quando o local do desfile dos maracatus deixou de ser na rua Senador Pompeu e passou a ser na Avenida Duque de Caxias houve um certo esvaziamento do carnaval de Fortaleza e uma tendência a desvincular os maracatus do carnaval da cidade – por motivos inclusive políticos. “Mais um Frevinho Danado” é uma canção de Ednardo gravada na década de 1970, no disco O Romance do Pavão Mysterioso, que narra o início desse esvaziamento: “No espaço curto desse passo louco / vou sair um pouco pra esquecer o triste / se eu lhe encontrar pelo meio desse povo / vou lembrar de novo que a alegria existe”. Outra canção que fala do mesmo assunto é “Maresia”, gravada no disco O Azul e o Encarnado, de 1977: “A calmaria da cidade é geral/ É geral, é geral/ E a maresia que molhou a minha pele / Rimou com a canção pra este carnaval/ Nada me resta a não ser tua beleza / E a incerteza do que vai ser de mim/ Por isso basta dessas coisas sérias (...)”

Outra canção que merece destaque no seu repertório carnavalesco é o frevinho “Bloco do Susto”, gravado no disco Cauim, de 1978.
Ednardo é um entusiasta do maracatu cearense e do carnaval de Fortaleza. Sempre atento às manifestações culturais e todas as transformações que ocorreram no passado, com certeza ele está atento a este novo fôlego que o carnaval de Fortaleza tem tomado. Que os atuais blocos, escolas de samba, afoxés e maracatus se inspirem em suas canções para não mais deixar a calmaria na cidade ser geral, mas que permitam que todos nós possamos sair fantasiados de alegria por aí.

Mateus Perdigão é sociólogo, um dos fundadores e músico do Bloco Luxo da Aldeia que surgiu em 2006, no Benfica, com a proposta de reunir foliões em torno de canções de compositores cearenses.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Em BELÉM - FILHOS DE GLANDE

 
Bloco de carnaval de Belém do Pará, que, desde 2007, sai pelas ruas da Cidade Velha. A filosofia do bloco é a de que todo ser humano é um filho de glande. Atenção: sairemos dia 3 de fevereiro, domingo. Todos estão convocados.

SERVIÇO
O Filhos de Glande sairá às 16h00 na Cidade Velha
Dia 3 de fevereiro, domingo.
Concentração: A partir das 12hs no Hang Burguer ( Av. Tamandaré) com a Feijoada do Filhos de Glande.

No RECIFE - O Grito da Véia

Via Eva Caldas

O Grito da Véia é um bloco de carnaval fundado em 2004 com o propósito de chamar a atenção do público para a necessidade de melhorar a qualidade ambiental da Boa Vista e bairros centrais do Recife.

A “Véia” que grita é a Rua Velha, hoje vítima do abandono.

É o único bloco do mundo com certificação ambiental (TerraPass – Carbon compensated).

Princípios de conservação ambiental, inclusão de todas as faixas etárias, respeito e valorização dos moradores locais, promoção da cultura pernambucana.
 
A organização do bloco é da ONG Civitate – Recuperando Espaços Urbanos.




Quando: Concentração a partir das 15 horas, neste sábado dia 2.

 Onde: Sede da Civitate, Rua Velha 252, Boa Vista, Recife.

Pitstops: Bença de Dona Carminha, Praça Maciel Pinheiro, Geladeira de Seu Gabriel, Pátio da Santa Cruz, Casa de Dona Celina e Mercado da Boa Vista (apoteose).

Traje: vale-tudo!

Entrada: gratuita, basta gritar!