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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Hipócrates, perdoai, eles não sabem o que fazem

Por Mário Mamede

Não levante a voz, melhore seus argumentos! Não consigo tirar da cabeça esta frase do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, desde a lamentável cena protagonizada por algumas pessoas formadas em Medicina sob a equivocada liderança de um sindicalismo anacrônico, caduco e nocivamente corporativo, desrespeitando e agredindo os médicos estrangeiros, sobretudo os cubanos, na Escola de Saúde Pública, na segunda-feira passada.

Neste momento de inquietação sobre o futuro do País e na busca de uma sociedade com justiça social, precisamos buscar novos paradigmas para a formação profissional e para o exercício da prática médica. Não é fácil ser protagonista deste processo, pois exigente do ponto de vista intelectual, tanto em sua formulação teórica como no exercício da práxis política.

Nesta busca, é preciso compromisso e sensibilidade para que o Estado Brasileiro, a sociedade, médicos e todos os profissionais de saúde possam garantir atenção básica à saúde nos pequenos, pobres e distantes municípios, com baixo IDH e indicadores de morbi-mortalidade vergonhosos.

O discurso político do sindicalismo médico cearense vem se estruturando em cima de verdades distorcidas, falseando a realidade. Não encontra lugar diante dos desafios colocados à categoria médica. Pela pobreza de argumentos, apelam para o grito, levantam a voz e partem para atitudes agressivas, tendo nos cubanos o alvo principal. Como é possível uma cultura de paz com comportamentos violentos?

Certamente, alguns estabanados, ao adjetivarem os colegas de “incompetentes” e “escravos”, não se apercebem que são escravos de uma vaidade desmedida, de sede de prestígio e um indisfarçado desejo de enriquecimento. Nos movimentos reivindicatórios por melhores salários, condições de trabalho, em defesa do SUS e saúde para todos, garantida a conquista salarial, as reivindicações “acessórias’’ são rapidamente esquecidas, e as pessoas à margem de qualquer atenção à saúde permanecem aonde estavam e estão abandonadas e sofridas.

Gostaria que os “valorosos manifestantes”, com a devida humildade, pedissem desculpas não só aos médicos e médicas cubanos, mas à sociedade pelo inconsequente e desastrado ato, incapaz de contribuir para o debate sobre os rumos da política de saúde em nosso País.

Neste momento cabe lembrar o pensamento de José Martí, herói Nacional de Cuba: “A verdadeira Medicina devemos ter em nossos corações”.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

NOTA ABERTA À DIREÇÃO DO SINDICATO DOS MÉDICOS DO ESTADO DO CEARÁ E A QUEM MAIS INTERESSAR POSSA.

A luta da nossa categoria pelo soerguimento do Sindicato dos Médicos e pela democratização das entidades médicas conduzida por importantes personalidades médicas sob a liderança do saudoso Dr. Paulo Marcelo Martins Rodrigues, acontecida a época da ditadura e nos anos da chamada “abertura lenta gradual e progressiva”, certamente não foi lembrada pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará, quando decidiu gravar um depoimento público na TV em favor de um candidato a prefeito de Fortaleza. Se respeitasse a historia das lutas da categoria e a isenção que as entidades de uma categoria como a nossa devem manter diante de disputas político-partidárias, jamais teria instrumentalizado o SIMEC, como fez no programa eleitoral que foi ao ar em 18 de outubro recente, Dia dos Médicos.

A decisão de tão desprendida e generosa contribuição no seu pungente depoimento, não foi discutida e nem decidida pela direção do sindicato. Caso tivesse sido uma decisão coletiva, o fato seria ainda mais grave, pois nem uma assembléia geral poderia vir a assumir tal postura.

Inaceitável, do ponto de vista ético, a farsa montada pelo dirigente sindical, numa postura de aparente isenção, ao convidar os dois candidatos para apresentarem suas propostas no auditório do SIMEC, no mesmo dia em que fez a gravação do programa na sede do sindicato.

Agride e subestima a nossa inteligência , o presidente do SIMEC, apresentar-se num programa de campanha eleitoral , em apoio indisfarçável àquele candidato, jogando todo o seu ódio e frustração política à gestão municipal, num discurso manipulador, omitindo situações graves que existentes em unidades de saúde sob a gestão da Secretaria de Saúde do Estado, em particular a do Hospital Geral de Fortaleza.

Risível a tentativa de dissociar a sua representação como Presidente do SIMEC ao identificar-se no vídeo como MÉDICO DA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE . As duas identidades deste cidadão tem o mesmo CPF, o mesmo RG e o mesmo registro no Conselho Regional de Medicina.

Diante deste acontecimento, nos dirigimos à diretoria do nosso sindicato para comunicar a nossa desfiliação. Sentimo-nos desrespeitados e certamente outros filiados também, pela postura do presidente desta entidade em total desrespeito ao direito de livre arbítrio de seus associados.

Na oportunidade ainda queremos acreditar que, diante do comportamento acintosamente partidário do presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará e da benevolência com que vem tratando os problemas existentes na rede estadual, a direção do Simec e seus associados não irão tolerar nem permitir que tal postura se alargue à nova gestão municipal de Fortaleza, pelo apoio que publicamente vem oferecendo ao candidato eleito.

Fortaleza 06 de novembro de 2012

Alexandre José Mont’Alverne Silva — CREMEC 3489
Helly Pinheiro Ellery — CREMEC 4373
Mário Mamede Filho — CREMEC 1670
Maria Vaudelice Mota — CREMEC 2740
Urico Gadelha de Oliveira Neto — CREMEC 2858.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quem somos nós?

Por Mário Mamede

A opção pela militância em defesa dos Direitos Humanos, antes de uma escolha política, é uma radical opção ética, pela qual iremos nos dedicar permanentemente na construção de uma sociedade referenciada no direito à vida e orientada pelo senso de Justiça e pela cultura de paz.

Tal escolha não admite atitudes dúbias, omissões, conivências ou concessões com fatos que se oponham ou se interponham aos direitos da pessoa humana. É, pois, uma doação de tamanha generosidade que não aceita atitudes de acomodações, ainda que possa nos colocar em situação de vulnerabilidade ou mesmo risco de vida.

Não conheço ex-militante de Direitos Humanos. Conheço, sim, histórias de companheiros e companheiras que tiveram suas vidas subtraídas pela ousadia de denunciar quem cometeu crimes contra a pessoa humana, a sociedade e o meio ambiente.

A luta pela consolidação dos Direitos Humanos exige persistência, desconhece cansaço e não convive com a desesperança.

Exemplo disso é a promulgação da Lei de Acesso a Informações Públicas e da lei que cria a Comissão da Verdade, leis que resultam de uma luta que, por mais de quatro décadas, nunca se interrompeu.

Temos em nossa militância um único e inarredável compromisso: o compromisso com a verdade. Verdade que deve ser buscada e anunciada em toda sua transparência, para elucidar violações dos direitos, exigindo do Estado a aplicação de medidas legais para punir quem cometeu tais violações.

Se desejamos viver em um mundo de paz, precisamos garantir proteção aos cidadãos e criar a consciência individual e coletiva de que todos são iguais perante a lei e devem ter iguais direitos e oportunidades.

Para ser um militante pela causa dos Direitos Humanos e ter credibilidade no exercício dessa ação política, questionadora e muitas vezes incompreendida, não basta o discurso das ideias. É necessário que nossa vida, pessoal, social e política seja consonante com os elevados princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos.