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segunda-feira, 20 de julho de 2015

SIBA

Via Bruno Perdigão




MARCHA MACIA

Acorda amigo, o boato era verdade
A nova ordem tomou conta da cidade
É bom pensar em dar no pé quem não se agrade
Sendo você eu me acomodaria...
Não custa nada se ajustar às condições
Estes senhores devem ter suas razões
Além do mais eles comandam multidões
Quem para o passo de uma maioria?

Progrediremos todos juntos, muito em paz
Sempre esperando a vez na fila dos normais
Passar no caixa, voltar sempre, comprar mais
Que bom ser parte da maquinaria!
Teremos muros, grades, vidros e portões
Mais exigências nas especificações
Mais vigilância, muito menos excessões
Que lindo acordo de cidadania!

Sai!
A gente brinca, a gente dança
Corta e recorta, trança e retrança
A gente é pura­ponta­de­lança
Estrondo, Marcha Macia!

Vossa Excelência, nossas felicitações
É muito avanço, viva as instituições!
Melhor ainda com retorno de milhões
Meu deus do céu, quem é que não queria?
Só um detalhe quase insignificante:
Embora o plano seja muito edificante
Tem sempre a chance de alguma Estrela irritante
Amanhecer irradiando dia!

Sai!
A gente brinca, a gente dança
Corta e recorta, trança e retrança
A gente é pura­ponta­de­lança
Estrondo, Marcha Macia!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A BAGACEIRA - SIBA

VIA SARAH LUÍZA



A bagaceira
(Siba)

Dei uma pirueta
Pulei do portão pra fora
Depois soltei meu grito
Orvaiô rachou se tora
Na rua eu faço passo
Da canela fazer nó
Se o pé formar um calo
Pulo de uma perna só

E avise ao pessoal
Que eu não estou normal

Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval

Não quero fantasia
Vou me vestir como der
Num dia eu melo a cara
Num outro eu vou de mulher
Pra enganar a fome
Não quero espeto da praça
Dou um chupão no Gellys
E o tira-gosto é cachaça

E eu não fico legal
Com água mineral

Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar meu carnaval

Já no primeiro gole
Vou ficando carrancudo
Viro um bebo valente
Que  não aguenta cascudo
Chama'ro um camburão
Pra acabar com a brincadeira
Porém, só não adianta
Me prender na quarta-feira

Senhor policial,
Reserve um chá de pau

Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval

No fim da bagaceira
Minha vista escureceu
Se alguém souber meu nome
Diga pra mim, quem sou eu
Vou dormir na calçada
Abraçado a um cachorro
Pra uma alma cebosa
Me levar carteira e gorro

E ainda se dar mal
Pois não tenho um real

Pode acabar-se o mundo
que eu vou brincar carnaval