< Porém a tensão moral que induz à opção extrema, e permite o enfrentamento de sacrifícios extraordinários, não é transmitida nem por via genética nem por via pedagógica. É simplesmente perdida. Pois a experiência pode ser, no máximo, relatada, mas não transmitida: ela é individual e única. Por isso as revoluções se extinguem e todas passam, mais cedo ou mais terde, pelo seu "termidor". Quando se tenta, obstinadamente, conservar pela via pedagógica a sua vitalidade de geração em geração, bem cedo essa pedagogia é percebida como retórica e, então, refutada. Esse é o mecanismo que vimos se desenvolver no curso da longa e atormentada experiência soviética.
Até a revolução mexicana, um dos grandes eventos do início do séc XX no hemisfério ocidental, assistiu a esse genêro de evolução. E o partido "revolucionário" que foi seu artífice atualmente nada mais é o que um tranquilo e corrupto lobby de poder. Essa involução não ocorre em Cuba, sobretudo por causa da constante ameaça norte-americana - ameaça que restitui cotidianamente uma forte razão, e de evidência imediata para todos os interessados, para manter e reproduzir de forma constante aquela tensão moral sem a qual todas as revoluções se extinguem pontualmente. É a perseguição externa, pleiteando reconduzir a ilha à servidão mais ou menos douradamde "bordel do império", que mantém alta a tensão de um povo que não dobra a espinha, nem mesmo após a traição por parte da Rússia "democrática". >
LUCIANO CANFORA, EM "CRÍTICA DA RETÓRICA REMOCRÁTICA, ED. ESTAÇÃO LIBERDADE
Mostrando postagens com marcador Luciano Canfora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luciano Canfora. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 17 de julho de 2008
LUCIANO CANFORA
< Durante quantas gerações pode durar a experiência "revolucionária"? Tanto os eventos franceses do final do séc XVIII quanto os comunistas, que ocuparam grande parte do séc XX, demonstram que, após a segunda geração, a experiência não se transmite. Não queremos tirar daí uma lei geral, apenas constatamos um dado de evidência imediata. Em que pesem os "marxistas-ortodoxos", devemos observar que o fundamento das revoluções é a tensão moral. Sem desconsiderar, é óbvio, os pressupostos materiais, sem os quais nenhuma crise é detonada, entendo aqui por "fundamento" aquele quid da psicologia coletiva que efetivamente desencadeia a movimentação revolucionária, a qual jamais é inevitável, e que, para ser disparada, necessita da convicção quanto ao caráter insustentável da ordem existente e à convicta decisão de colocar tudo em discussão, da tranquilidade de vida às certezas cotidianas. Esse "salto" prenhe de conseqüências extremas, jamais é realizado de forma leviana por alguém. Inumeras vezes isso seria possível, mas raras, raríssimas vezes, acontece de fato - justamente por se tratar de uma escolha radical, que subverte todos os aspectos da vida, e por exigir um ímpeto e uma tensão moral muito acima da média, em geral propiciados por condições muitíssimo extremas, tais como uma guerra catastrófica (1917)ou a relvelação imprevista de uma incrível debilidade do poder (1789) >
LUCIANO CANFORA - EM CRÍTICA DA RETÓRICA DEMOCRÁTICA, ED. ESTAÇÃO LIBERDADE
LUCIANO CANFORA - EM CRÍTICA DA RETÓRICA DEMOCRÁTICA, ED. ESTAÇÃO LIBERDADE
Assinar:
Postagens (Atom)
