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quinta-feira, 5 de abril de 2012
Crise na Cultura. Um legítimo desejo de mudança! (*)
O mais grave é que os números do MinC soam como inoportuna maquiagem. Ao comentar os cortes orçamentários que atingem hoje todo o setor cultural, Cacá Diegues diz que “chega-se hoje a R$1,64 bilhão, um recorde sem precedentes na pasta”.
sábado, 24 de março de 2012
A pressão continua
Por Júlia Lopes
A ministra da Cultura voltou a ser tema do noticiário essa semana – não que estivesse se ausentado permanentemente. Pelo contrário: a gestão tem sido fartamente questionada. Essa semana, porém, algo bastante raro se deu: foi possível ouvir a Ana de Hollanda. Poucas vezes ela aparece para conversas mais demoradas, e tem negado entrevistas sistematicamente (salvo quanto tem a certeza de que não será questionada).
No último dia 21, a ministra se reuniu com os parlamentares da Comissão de Educação e Cultura para apresentar os projetos do MinC para 2012. Durante a audiência, ela falou por quase uma hora. Na pauta, projetos como o PAC das cidades históricas e a reforma do Teatro Brasileiro de Comédia. Sobre cultura digital e reforma da lei dos direitos autorais, Ana foi bem econômica. E enfática: “O MinC tem que ter uma preocupação com a preservação e com a condição de se produzir culturalmente sem que isso seja copiado como se não tivesse trabalho investido. Isso vai matar a produção cultural brasileira”.
As redes sociais vieram abaixo. Na Internet, ganhou ainda mais força o manifesto assinado por Marilena Chauí e Eduardo Viveiros de Castro, entre outros – em que o grupo pede a saída da ministra. Estamos, diz o texto, a “constatar a decadência do protagonismo do Governo Federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula”. (Aqui: http://migre.me/8oAL5 )
O quadro se agrava já que desde o começo do mês são veiculadas notícias sobre fraudes e abusos do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
A ministra da Cultura voltou a ser tema do noticiário essa semana – não que estivesse se ausentado permanentemente. Pelo contrário: a gestão tem sido fartamente questionada. Essa semana, porém, algo bastante raro se deu: foi possível ouvir a Ana de Hollanda. Poucas vezes ela aparece para conversas mais demoradas, e tem negado entrevistas sistematicamente (salvo quanto tem a certeza de que não será questionada).
No último dia 21, a ministra se reuniu com os parlamentares da Comissão de Educação e Cultura para apresentar os projetos do MinC para 2012. Durante a audiência, ela falou por quase uma hora. Na pauta, projetos como o PAC das cidades históricas e a reforma do Teatro Brasileiro de Comédia. Sobre cultura digital e reforma da lei dos direitos autorais, Ana foi bem econômica. E enfática: “O MinC tem que ter uma preocupação com a preservação e com a condição de se produzir culturalmente sem que isso seja copiado como se não tivesse trabalho investido. Isso vai matar a produção cultural brasileira”.
As redes sociais vieram abaixo. Na Internet, ganhou ainda mais força o manifesto assinado por Marilena Chauí e Eduardo Viveiros de Castro, entre outros – em que o grupo pede a saída da ministra. Estamos, diz o texto, a “constatar a decadência do protagonismo do Governo Federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula”. (Aqui: http://migre.me/8oAL5 )
O quadro se agrava já que desde o começo do mês são veiculadas notícias sobre fraudes e abusos do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
No site Farofafá, o jornalista Jotabê Medeiros publicou documentos do MinC em que há uma clara defesa do órgão, (http://migre.me/8ozEY) imune de fiscalização pública desde o governo Collor. Algo sempre negado pela Ministra.
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2012/03/24/noticiasjornalopiniao,2807845/a-pressao-continua.shtml
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2012/03/24/noticiasjornalopiniao,2807845/a-pressao-continua.shtml
terça-feira, 20 de março de 2012
Manifesto pede saída de Ana de Holanda
Na última década, o Ministério da Cultura transformou-se em uma área especialmente dinâmica do governo federal. Ao reconhecer a importância primária das práticas de sentido para a vida social, o Estado deu-se finalmente conta de que tem responsabilidades incontornáveis no que toca ao estímulo, apoio e defesa das manifestações criativas que emergem do povo, ou melhor, dos povos brasileiros como expressão de sua vitalidade e de sua personalidade.
À medida que o país foi ganhando projeção internacional, maior foi se tornando a necessidade de definirmos e consolidarmos a contribuição distintiva que o Brasil espera estar em condições de dar à civilização mundial. Com este objetivo, a abertura da esfera pública a uma multiplicidade de agentes e ações, oriundos de todas as regiões do Brasil, ligados à criação de cultura, isto é, de valor existencial - artistas, ativistas digitais, produtores culturais, editoras independentes, coletivos experimentais, criadores da moda e do design, intelectuais, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, movimentos contra a discriminação de gênero e de orientação sexual, ambientalistas, grupos culturais dos mais variados matizes e propósitos - constituiu-se em uma das experiências institucionais mais inovadoras que o Estado brasileiro jamais promoveu.
Sob a liderança das gestões da cultura durante os 8 anos do governo Lula, o acolhimento entusiástico de uma vasta gama de manifestações antropológicas, tradicionais como modernas, regionais como nacionais, locais como globais, deu direito de cidadania e densidade politica a vários conceitos novos, doravante parte de nosso vocabulário de política pública: "cultura digital", "pontos de cultura", "cultura viva", "patrimônio imaterial", "cidades criativas", "economia da cultura", "diversidade cultural", "creative commons", "compartilhamento", "cultura e pensamento", "cidadania colaborativa", "participação setorial" e tantos outros. Um Plano Nacional de Cultura foi redigido pelo MinC com ampla participação dos setores interessados, e foi aprovado pelo Congresso Nacional. Tratou-se de um esforço consistentemente democrático de transformação da agitação social em meio de conquista de uma voz pública, de expressão da força viva dos povos de nosso país nos termos de um discurso de dimensões propriamente políticas, no sentido mais nobre da palavra.
Como herdeiro legítimo deste legado, o governo Dilma tem um grande desafio pela frente. É enorme a expectativa dos inúmeros grupos envolvidos no processo de emancipação cultural iniciado nas gestões passadas. Os que acompanham, como cidadãos, essa histórica reviravolta inquietam-se sobre a orientação que irá prevalecer uma vez encerrado o primeiro ano de uma gestão federal de cultura marcado por hesitações, conflitos e por mudanças de rumo que nos têm parecido infelizes.
É inevitável constatar que houve inúmeras perdas de visibilidade e de nitidez no horizonte da política cultural, comprometendo a imagem de um país que avança para o futuro sem perder a relação com seu passado, e que se moderniza sem destruir suas tradições. Depois de inúmeras notícias desalentadoras ao longo do ano que passou, a opinião pública constata que a presente gestão de nossa política cultural vem se mostrando descomprometida com o legado das conquistas recentes neste âmbito, como o atestam as inúmeras iniciativas de grande impacto dentro e fora do País. É digno de nota, em particular, o que parece ser o total desconhecimento, por parte da atual gestão do MinC, do debate internacional sobre os desafios que o novo regime capitalista globalizado coloca para os criadores em todos os âmbitos da cultura, nesta época em que a criação de valores existenciais se viu capturada e sujeitada pela produção de valor econômico.
O despreparo para a prática do diálogo e do embate crítico por parte dos atuais responsáveis pelo MinC é dolorosamente evidente. É assustador, por exemplo, que em recente entrevista a ministra afirme que tem vivido uma "guerra de nervos" e que todo o seu universo de preocupação esteja reduzido à sensação de que os que discordam de sua gestão estejam apenas querendo derrubá-la de seu posto, deixando de lado o sentido maior da vida democrática que é a possibilidade do diálogo e da reconciliação em benefício de algo público e de grandeza comum.
A criação cultural é indissociável da construção inovadora de horizontes para o País, é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum. Não faz mais sentido pensar nos quadros anacrônicos que tinham a chamada "infraestrutura", ou economia, como elemento primacial da vida humana, ao passo que a cultura, ou "superestrutura", era vista como artigo de luxo. Pois não é possível, justamente, entrarmos em pleno século 21 equipados com uma "superestrutura" mental que data do século 19. É um engano gravíssimo um Estado contemporâneo não dar a devida importância à agenda das políticas culturais, pois a economia sem a cultura não pode mais do que propagar a desvalorização de uma sociedade, colocando-a a mercê de interesses estritamente econômicos.
Desde que a crise global se abateu sobre o ocidente capitalista em 2008, a agenda cultural se tornou um tema ainda mais importante para nós e as disputas de sentido vão direcionando os possíveis caminhos a seguir. Ora, foi precisamente neste momento crítico que passamos a constatar a decadência do protagonismo do governo federal na área da política cultural, com a trágica perda de capacidade para gerar consensos mínimos e coordenar o desenho de horizontes para os inúmeros segmentos que estavam sendo reconhecidos pelo governo Lula. Esse perigoso isolamento do MinC pode nos fazer retroceder mais e mais nos próximos anos, ainda que a prosperidade econômica se mantenha. A mera celebração de uma "cultura" concebida como excedente simbólico entregue a profissionais consagrados da indústria de entretenimento certamente não pode substituir a consciência ativa do papel central que a força de trabalho criativa passou a desempenhar no cenário do novo regime capitalista. O MinC de hoje desconhece os sistemas de acumulação financeira, de ganho unilateral de corporações com os direitos autorais e de imagens. Ao tornar-se refém de um modelo institucional arcaico, o governo federal vai aceitando que as forças mais reativas do modelo neoliberal passem a conduzir as subjetividades, tornando-se um instrumento para sustentar apenas desejos sociais compulsivos de consumo, como se estes fossem o meio de produção de sociabilidade.
Neste sentido, a escolha do(a) ministro(a) que a Presidenta tem em suas mãos é um dos trunfos fundamentais na consolidação do projeto de país que se começou a implantar desde o fim da ditadura militar. Esta é uma responsabilidade crucial do governo federal e da sociedade civil, não podendo ser deixada ao sabor da Realpolitik e seus jogos de acomodação partidária. Esperamos que Dilma Rousseff, que tem mostrado grande competência na condução do País em outros setores, confirmada pelos altos índices de aceitação popular, tenha sensibilidade e coragem para indicar um ministro da cultura à altura do que requer este cargo, em vista da importância do Brasil no cenário mundial contemporâneo. Um(a) ministro(a) que alie uma escuta fina para a diversidade cultural, no acompanhamento das complexas demandas culturais internas e na articulação ousada com o cenário internacional, sobretudo em torno dos problemas deste novo estatuto da cultura.
A experiência acumulada por este nome escolhido é algo essencial neste momento. Quer em termos profissionais, quer em familiaridade com a política da criação contemporânea e a rica variedade a de suas manifestações, uma liderança suprapartidária e democrática é o que pode garantir um pulso firme e uma capacidade de gestão dinâmica, de verdadeira liderança nesta direção que o presente nos aponta. Nós signatários, como todos os produtores de cultura neste País, temos nossa parcela de responsabilidade nesta tarefa: cabe a nós o apoio ao futuro portador desta inteligência de qualidade cultural e a exigência de uma escolha acertada para os próximos anos da atual gestão federal neste importante âmbito da vida nacional.
POR MARILENA CHAUÍ, EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO, SUELY ROLNIK, LAYMERT GARCIA DOS SANTOS, GABRIEL COHN, MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, MOACIR DOS ANJOS
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Os Buarque de Holanda em 2010
Se eu soubesse, pudesse e se meu dinheiro desse, escreveria a história de Dona Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Hollanda. Ninguém é esposa, mãe, sogra, avó, bisavó de um monte de gente famosa impunemente. Mas, Dona Amélia, como todos(as) nós não se resume ao aspecto reprodutivo e familiar. Existe a Amélia protagonista, a pintora, a pianista. E tem mais. Nada de Morais, Castro ou Lira para a empreitada.
E, já tenho até um nome para o livro "A Imperatriz dos Buarque".
Dona Maria Amélia faleceu aos 4 de maio de 2010 aos 100 anos de idade.
O Chico Buarque foi o vencedor do 8º Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Recebeu também o Prêmio Jabuti 2010 de melhor livro de ficção do ano por "Leite derramado". o mais prestigiado prêmio literário do Brasil. Uns "naldos" andaram esperneando, pura inveja. Valeu Chico.
Outra Buarque de Holanda, Ana, acaba de ser nomeada por Dilma Rousseff, para o Ministério da Cultura. Cantora, Compositora, atriz, militante política, foi diretora do Centro de Música da Funarte (Fundação Nacional de Artes), sendo responsável pela retomada de projetos como a Bienal de Música Contemporânea e o Projeto Pixinguinha.
Ana de Holanda por Alex Solnik
"Qualidades não lhe faltam. É profundamente ética. Jamais, mas jamais mesmo usou o nome do irmão para qualquer coisa. Jamais. Aliás, uma das grandes injustiças que já vejo em alguns sites é chamá-la de "irmã de Chico Buarque". Claro que ela é irmã, mas é sobretudo uma pessoa com ideias próprias, muito culta, honesta sob todos os pontos de vista, ideologicamente definida, profunda amante da cultura brasileira, e tem mais: dona de um sorriso que certamente vai abalar Brasilia."
Outra Buarque. Esta é Cristina. Merece um estudo aprofundado sobre sua contribuição ao samba, seja como cantora, pesquisadora ou como "bauzeira" da pesada como agradece Tuco no encarte do seu CD. Cristina em 2010, se não foi a responsável, foi a "anima" de dois excelentes discos em 2010. O "Terreiro Grande & Cristina Buarque cantam Candeia" e "Tuco & Batalhão de Sambistas - ao vivo".
Isso em 2010, pois se fosse falar dos discos com Banda Glória, Cristina e Henrique Cazes, com a música de Wilson Batista, Mauro Duarte, Terreiro Grande.....íamos longe.
E, não sei se por opção religiosa, não se diz madrinha de ninguém. Esta lá no seu cantinho, mexendo na panela, servindo o pessoal, na cozinha. Agora arrebenta quando vem pra sala e se torna mestra.
Na sua última visita à Fortaleza, trazida pelo Felipe Araújo, Cristina fez um show memorável
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